Semeando Capacidades
Cooperação Brasil- Colômbia- FAO
Documento preliminar diretrizes para políticas
públicas em agroecologia na Colômbia
Semeando Capacidades / Cooperação Brasil- Colômbia- FAO
Aperfeiçoar as políticas públicas por meio da gestão do conhecimento para a Agricultura Camponesa,
Familiar e Comunitária (CFCA) em territórios rurais da Colômbia, com enfoque agroecológico
Documento preliminar diretrizes para políticas
públicas em agroecologia na Colômbia
As opiniões expressas neste produto informativo são de responsabilidade dos autores e não reetem necessariamente as opiniões
nem as políticas do MADR Colômbia, MAPA Brasil, ABC / MRE e / ou FAO.
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COOPERAÇÃO INTERNACIONAL
BRASIL-COLOMBIA-FAO
AGÊNCIA BRASILEIRA DE COOPERAÇÃO DO MINISTÉRIO
DAS RELAÇÕES EXTERIORES (ABC/MRE)
Cecilia Malaguti do Prado
Coordenador de Cooperação Sul-Sul Trilateral com
Organizações Internacionais
Carolina Salles Smid
Analista de projeto
Luis Fernando Bacelar
Assistente de Projetos
MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, PECUÁRIA E
ABASTECIMENTO DO BRASIL (MAPA)
César Hanna Halum
Secretário de Agricultura Familiar e Cooperativismo
(SAF)
Nelson Andrade Júnior
Assessor (SAF)
Rafael Martins Dias
Analista Técnico de Políticas Sociais (SAF)
MINISTÉRIO DA AGRICULTURA E DESENVOLVIMENTO
RURAL DA COLÔMBIA (MADR)
Sergio Ramírez Payares
Diretor de Capacidades Produtivas e Geração de
Renda (DCPGI)
Ronald Dallos Rincón
Prossional especializado (DCPGI)
Joaquín Salgado Rodríguez
Empreiteira (DCPGI)
Heidy Barbosa Segura
Prossional especializado, Escritório de Relações
Internacionais
ESCRITÓRIO REGIONAL DA FAO PARA
AMÉRICA LATINA E CARIBE
Luiz Carlos Beduschi
Ocial de Políticas de Desenvolvimento Territorial
Ronaldo Ferraz
Coordenador regional do projeto América Latina
e Caribe sem Fome / Programa de Cooperação
Internacional Brasil-FAO
FAO BRASIL
Rafael Zavala
Representante
Rossandra Farias de Andrade
Prossional especializada em articulação
interinstitucional
FAO COLOMBIA
Alan Bojanic
Representante
Manuela Ángel
Ocial de Programa Nacional
Marcos Rodríguez Fazzone
Especialista Sênior na Área de Agricultura Familiar e
Mercados Inclusivos
Camilo Ardila Galvis
Coordenador do Projeto de Semeando Capacidades
Texto elaborado por:
Ana Garcia Hoyos
Prossional especializado em agricultura sustentável
Revisao Tecnica:
Camilo Ardila Galvis, Marcos Rodríguez Fazzone
Supervisão gráca:
Ángela Silva
Projeto gráco e layout:
Glück Comunicaciones SAS
Bogotá D.C , Colombia
2021
Conteúdo
Agradecimentos.
1. Introdução.
2. Antecedentes.
3. Marco metodológico.
4. Marco conceitual.
4.1. Abordagem e características da agroecologia.
4.2. Transições agroecológicas.
4.3. Agricultura orgânica.
5. Marco normativo.
6. Quadro de caracterização da agroecologia na Colômbia.
6.1. Identicação de questões relacionadas à agroecologia.
6.2. Indicadores relacionados à agroecologia a partir do Censo Nacional Agropecuário.
6.3. Identicação de atores relacionados à agroecologia.
7. Quadro estratégico das diretrizes para políticas públicas.
7.1. Objetivos das diretrizes.
7.2. Abordagens das diretrizes.
7.3. Diretrizes para políticas públicas em agroecologia en Colômbia.
7.4. Principais atores envolvidos na gestão da proposta de diretrizes.
7.5 Relação entre as diretrizes para políticas públicas em agroecologia e os ODS.
Bibliografía.
Listado de guras.
Listado de tabelas.
Listado de grácos.
Listado de anexos.
24
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SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
Agradecimentos
A
gradecemos a contribuição das diferen-
tes organizações e entidades que parti-
ciparam dos seminários binacionais de
intercâmbio e encontros nacionais, bem como
na construção do documento “Diretrizes de Polí-
ticas Públicas para a Agroecologia na Colômbia”
desenvolvido no âmbito do Projeto Semeando
Capacidades.
Na Colômbia: Corporação Colombiana de Inves-
tigação Agropecuária (AGROSAVIA); Ministério
da Agricultura e Desenvolvimento Rural (MADR);
Ministério do Meio Ambiente e Desenvolvimento
Sustentável (MinAmbiente); Movimento Agro-
ecológico da América Latina e Caribe (MAELA);
Rede de Instituições de Ensino Superior com Pro-
gramas de Agroecologia na Colômbia (IESAC);
Rede Nacional da Agricultura Familiar (RENAF);
O Serviço Nacional de Aprendizagem (SENA);
Universidade Nacional da Colômbia bem como
diversos processos e iniciativas de agricultores
familiares com abordagem agroecológica que
permitiram o desenvolvimento e expansão da
agroecologia na Colômbia e que foram parte
central da caracterização dos atores.
No Brasil: Ministério da Agricultura, Pecuária e
Abastecimento (MAPA); Empresa Brasileira de
Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA); Programa
de Pós Graduação em Meio ambiente e Desen-
volvimento Rural (PPG- MADER); Universidade
de Brasília (UNB); Universidade Federal do Ama-
zonas (UFAM);Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada (IPEA); Instituto Brasil Orgânico; Asses-
soria Parlamentar da Câmara Federal dos De-
putados; Articulação Nacional da Agroecologia
(ANA); Centro de Assessoria e Apoio aos Trabal-
hadores Alternativos e Instituições Não Gover-
namentais (CAATINGA); Centro de Estudos do
Trabalho e de Assessoria ao Trabalhador (CE-
TRA); Serviço de Tecnologia Alternativa (SERTA);
AS-PTA - Agricultura Familiar e Agroecologia e
Confederação Nacional dos Trabalhadores na
Agricultura (CONTAG).
Da mesma forma, agradecemos às partes do
projeto Sembrando Capacidades: a Área de
Cooperação Sul-Sul Trilateral com Organizações
Internacionais da Agência Brasileira de Coo-
peração; a Secretaria de Agricultura Familiar e
Cooperativismo do Ministério da Agricultura, Pe-
cuária e Abastecimento do Brasil (SAF/MAPA); a
Diretoria de Capacidades Produtivas e Geração
de Renda do Ministério da Agricultura e Desen-
volvimento Rural da Colômbia; o projeto América
Latina e Caribe livre de fome do Programa de
Cooperação Internacional Brasil-FAO; e a Área
de Agricultura Familiar e Mercados Inclusivos da
FAO Colômbia.
8
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
1. Introdução
1.
Resolução n° 464, de 2017, 3.
2.
Projeto estabelecido por meio de cooperação Sul-Sul trilateral entre o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Brasil (MAPA), o Ministério da
Agricultura e Desenvolvimento Rural da Colômbia (MADR), a Agência Brasileira de Cooperação (ABC) e a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a
Agricultura (FAO, Colômbia e Brasil).
O
s sistemas agroalimentares mundiais en-
contram-se numa encruzilhada. Faz-se
necessária uma transformação profunda,
em todas as escalas, para enfrentar as mudanças
demográcas; a crescente pressão e competição
por recursos renováveis; a desnutrição, subnu-
trição e insegurança alimentar; as consequências
cada vez mais severas das alterações climáticas;
e a perda de biodiversidade, além dos impactos
sociais e econômicos da emergência sanitária
que a humanidade está atravessando com a CO-
VID-19. (HLPE, 2019).
Neste contexto, a agroecologia vem emergindo
como uma alternativa que contribui direta-
mente para a realização dos Objetivos de Des-
envolvimento Sustentável da Agenda 2030, em
especial, daqueles relacionados à erradicação
da pobreza, fome zero, saúde e bem-estar, cres-
cimento econômico, cidades e comunidades
sustentáveis e ação contra a mudança do clima
(HLPE, 2019; FAO, 2018).
Ciência, prática e movimento social são as três
abordagens que, ao longo do tempo, foram in-
tegradas na evolução do conceito de agroeco-
logia (Altieri, 1999; Gliessman, 2007; Francis, et
al., 2003). Em particular, como ciência, estuda
as interações ecológicas entre os diferentes
componentes do agroecossistema; como con-
junto de práticas, procura sistemas que otimi-
zem e estabilizem a produção, baseados tanto
nos conhecimentos locais e tradicionais quanto
na ciência moderna; e, como movimento social,
fomenta a multifuncionalidade e a sustentabili-
dade da agricultura, promovendo a justiça social
e alimentando identidades e culturas, além de
reforar a viabilidade econômica nas áreas ru-
rais” (MADR, 2017)
1
.
No campo das políticas públicas, a agroecolo-
gia vem ganhando terreno e sendo acolhida em
países da região, como o Brasil, que já tem três
gerações de políticas públicas em agroeco-
logia, desenvolvidas há mais de três décadas
(Sabourin, et al., 2017). Países como Guate-
mala, Uruguai e Nicarágua também dispõem
de políticas públicas especícas para agroeco-
logia; enquanto outros países, como Argentina,
Bolívia, Cuba, El Salvador, Chile, Equador, Costa
Rica, Honduras, México, Panamá, Paraguai, Ve-
nezuela, República Dominicana e Peru, incluí-
ram o tema em suas políticas públicas seto-
riais, em especial, nas áreas de meio ambiente,
agricultura e segurança alimentar.
Tanto na ótica da oferta quanto da demanda,
a agroecologia não para de se expandir, mas-
sicar e ganhar em escala, resultando numa
grande diversidade de processos e iniciativas
de reconversão produtiva e transição, que in-
tegram vários sistemas produtivos, sob a lide-
rança, principalmente, de homens, mulheres e
comunidades de agricultura familiar, responsá-
veis por mais de 80% dos alimentos no mundo,
segundo estimativas (FAO, 2018).
Apesar de possuir experiências valiosas em
agroecologia, a Colômbia é um dos países que
precisa avançar no desenvolvimento de um
arcabouço político e institucional mais estru-
turado e sustentável. Nessa ordem de ideias,
o objetivo do presente documento consiste
em denir diretrizes para uma política pública
em agroecologia na Colômbia, sendo essa
uma das prioridades estabelecidas no projeto
Semeando Capacidades
2
, com base na compi-
lação e análise dos produtos e relatórios de di-
versos encontros, ocinas e seminários sobre
agroecologia, inspirando-se na experiência bra-
9
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
3.
CONPES 3934, de 2018, 78.
sileira, que é uma referência no assunto para a
América Latina e o Caribe, como mencionado
anteriormente.
É importante mencionar que esta proposta de
diretrizes para políticas públicas se conforma
às estratégias e orientações contidas no Docu-
mento CONPES n°3934, de 2018, da Colômbia,
que elabora a política de crescimento verde; é
indicado, em seu plano de ação (diretriz n°15),
que “uma política pública de promoção da agri-
cultura ecológica e agroecológica deverá ser
formulada, cabendo publicá-la em 2022. De
igual modo, no âmbito dessa política, a Agrosa-
via (Corporação Colombiana de Pesquisa Agro-
pecuária) deverá incluir abordagens de gestão
sustentável da terra e práticas agroecológicas
no desenvolvimento de novas propostas tecno-
lógicas, em 2020 e 2021”
3
.
As diretrizes também estão em consonância
com o disposto na Resolução 464, de 2017, do
Ministério da Agricultura e Desenvolvimento
Rural, que incorpora às suas 10 diretrizes estra-
tégias e ações destinadas a fortalecer a agro-
ecologia, sendo igualmente contempladas nos
Acordos de Paz entre o Governo e as FARC, no
ponto 1 da seção sobre Reforma Rural Integral
(RRI), que inclui, em suas linhas de ação, ino-
vação e desenvolvimento tecnológico em diver-
sas áreas, como agroecologia.
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SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
Âmbito internacional
Vários estudos e experiências têm sido realiza-
dos no mundo inteiro, em particular, na Amé-
rica Latina e no Caribe, tratando de agroeco-
logia e de sua posição como ferramenta que
contribui para a transformação dos sistemas
agroalimentares, bem como para a realização
dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável
estabelecidos na Agenda 2030. Nesse sentido,
são apresentados a seguir estudos e cenários
relevantes, que se tornaram referência e con-
tribuíram para uma análise multidimensional e
transdisciplinar da agroecologia na região.
Há muitos anos, os espaços de análise e dis-
cussão política vinham sendo alimentados pe-
las contribuições de produtores organizados;
um exemplo disso é o Movimento Agroecoló-
gico da América Latina e Caribe (MAELA), que
conseguiu reunir organizações camponesas,
pequenos e médios produtores familiares, co-
munidades indígenas, comunidades sem terra,
mulheres e jovens rurais, além de consumidores
e organizações sociais, todos eles promovendo
a agricultura agroecológica camponesa e fa-
miliar como um modelo de desenvolvimento
sustentável e inclusivo para a América Latina.
Desde seu início (2002), o movimento atentou
para a necessidade de valorizar e dar visibili-
dade ao trabalho das mulheres, rearmando a
sua importância na capacidade de organização
camponesa e nos modelos alternativos de agri-
cultura, além de analisar o papel da agroecolo-
gia, inclusive na prevenção de violências contra
mulheres rurais. No Brasil, o compromisso das
mulheres organizadas e suas demandas, em
diferentes esferas, também foram fundamen-
tais para preparar o caminho para políticas pú-
blicas. Notabilizaram-se a Marcha Mundial da
Mulher (MMM), a Articulação da Mulher Brasi-
leira (AMB) e o Movimento de Mulheres Cam-
2. Antecedentes
ponesas (MMC). Destaca-se, ainda, a Marcha
das Margaridas, que permitiu que as mulheres
tivessem impacto na formulação da Política
Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica
(PNAPO).
Em 2017, como contribuição às análises e dis-
cussões regionais sobre agroecologia, foi publi-
cado, sob iniciativa da Rede de Políticas Públi-
cas e Desenvolvimento Rural na América Latina
(Rede PP-AL) e da FAO, o documento “Políticas
públicas para a Agroecologia na América Latina
e Caribe”, que apresenta os resultados de um
estudo comparativo e transversal sobre as con-
tribuições de diversos instrumentos de política
pública, no intuito de apoiar a transição para
modelos agroecológicos de produção em 8
países da região (Argentina, Brasil, Chile, Costa
Rica, Cuba, El Salvador, México e Nicarágua).
A Rede PP-AL observou que os caminhos para
construir políticas públicas em favor da agro-
ecologia foram muito diversos, de país para
país; no entanto, podem ser identicados três
tipos de processos relevantes, que não se ex-
cluem entre si. Um primeiro caminho vem da
constante mobilização da sociedade civil orga-
nizada: a grande maioria desses instrumentos
foi gerada a partir de propostas, pressões e
reivindicações, em especial, de organizações
de agricultores e ONGs ambientais (Nicará-
gua, Brasil, México, Argentina, El Salvador). Um
segundo caminho está voltado para a imple-
mentação de práticas agroecológicas, sendo
motivado pela crise do modelo agrícola con-
vencional (Nicarágua) ou por suas condições
de aplicação (Argentina, Cuba). Enm, um ter-
ceiro caminho resulta de iniciativas de política
pública do Governo ou do parlamento (México,
Chile e Costa Rica). É de se destacar que, em
alguns países, ocorreram cruzamentos ou li-
gações entre os diferentes tipos de dinâmicas
(Sabourin, et al., 2017).
11
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
11
Observou-se também que, dentro da região, o
Brasil e a Nicarágua se sobressaem, por terem
desenvolvido uma política pública especíca,
focada em agroecologia e produção orgânica,
enquanto os demais países apresentam uma
série de instrumentos isolados ou políticas
setoriais, que contribuem parcialmente para a
transição agroecológica, em especial, no âm-
bito dos ministérios de meio ambiente, agricul-
tura e desenvolvimento social. Cuba, por exem-
plo, é um caso emblemático de apoio público
à agroecologia, sendo os impactos maiores do
que nos demais países estudados, tanto em
termos de proporção relativa de áreas quanto
de produtores que se dedicam à agroecologia,
sem que a palavra apareça nos títulos dos pro-
gramas de manejo biológico, agricultura urbana
e periurbana, experimentação e assistência
técnica, etc. (Sabourin, et al., 2017).
Vale ressaltar que o Brasil é um dos países que
apresentou maior desenvolvimento na área de
políticas públicas voltadas para a agricultura
familiar, a agroecologia/produção orgânica e
o desenvolvimento rural; no estudo realizado
pela Rede PP-AL, foram identicados para ns
de análise três gerações ou marcos de atuação,
que orientaram os programas e ações governa-
mentais:
A primeira geração de políticas públicas
surgiu em meados dos anos 90, orientada
por um referencial agrícola e agrário, com
foco, principalmente, na capacidade produ-
tiva da agricultura familiar e seu potencial
de geração de trabalho e renda;
A segunda geração de instrumentos surgiu
no nal dos anos 90, cando marcada pela
preocupação com agricultores descapitali-
zados e socialmente vulneráveis, e tomando
ares de política social e assistencial;
Surgida em 2003, a terceira geração teve
como perspectiva a construção de merca-
dos institucionais, com vistas à segurança
alimentar e à sustentabilidade ambiental, e
inclui a Política Nacional de Agroecologia
e Produção Orgânica (PNAPO), que foi im-
plementada, a partir de 2013, pelo 1° Plano
Nacional de Agroecologia e Produção Orgâ-
nica (PLANAPO I), atualizado e revisado em
2016 (PLANAPO-II) (Sabourin, et al., 2017).
No que diz respeito aos organismos multi-
laterais e das Nações Unidas, a FAO realizou,
em Roma, no marco do Ano Internacional da
Agricultura Familiar (2014), o 1° Simpósio In-
ternacional de Agroecologia para Segurança
Alimentar e Nutricional. No mesmo ano, a
agroecologia foi incluída na Declaração Minis-
terial e nos Planos de Ação da CELAC, como
um caminho para o desenvolvimento rural da
América Latina. Posteriormente, entre 2015 e
2018, foram realizados, em nível internacional,
8 seminários regionais sobre agroecologia,
incluindo dois na América Latina e no Caribe
(Brasília e La Paz).
Em 2018, durante a realização do 2° Simpósio
Internacional de Agroecologia Ampliar a es-
cala da agroecologia para alcançar os ODS,
em Roma, foi apresentado o documento Ini-
ciativa para ampliar a escala da Agroecologia,
incluindo os 10 elementos da agroecologia, que
orientam as transições para sistemas alimen-
tares e agrícolas sustentáveis, com base em
pesquisas cientícas e, em especial, nos cinco
princípios da agroecologia de Altieri (1999) e
nos cinco níveis de transição agroecológica de
Gliessman (2015). Esses 10 elementos foram
incorporados à estrutura analítica global de
avaliação agroecológica multidimensional –
TAPE, uma ferramenta que permite caracterizar
as transições agroecológicas (FAO, 2019).
Por sua vez, o Painel de Especialistas de Alto
Nível em Segurança Alimentar e Nutrição
(GANESAN) apresentou, em 2019, o relatório
Agroecologia e outras abordagens inovadoras
para uma agricultura sustentável e sistemas
alimentares que aumentem a segurança ali-
mentar e nutricional, que contribui para a aná-
lise com perspectivas dinâmicas e multiescala,
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SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
focando nos conceitos de transição e transfor-
mação.
Âmbito nacional
É importante destacar aspectos fundamentais
da história da agroecologia na Colômbia, identi-
cando cinco elementos:
A origem múltipla do conceito;
O desenvolvimento da agroecologia por re-
giões;
O impacto do conito armado na reorgani-
zação das dinâmicas da Agricultura Cam-
ponesa Familiar e Comunitária (ACFC) e a
agroecologia como forma de sobrevivência;
O desenvolvimento de escolas agroecológi-
cas camponesas, e;
A origem e disseminação de programas
universitários e técnicos em agroecologia
(León-Sicard, et al., 2015).
No que diz respeito à origem do conceito de
agroecologia,
vale frisar que, nos anos 70 e
80, a consciência ambiental foi, na Colômbia,
um fato social que deu origem a várias orga-
nizações e movimentos sociais, voltados para
a defesa da produção de alimentos, a conser-
vação dos recursos naturais e a recuperação
dos conhecimentos e práticas camponesas tra-
dicionais, sendo isso enquadrado, inicialmente,
em diferentes conceitos e visões (agricultura
alternativa, agricultura sustentável, agricultura
orgânica, produção ecológica, etc.), até a agro-
ecologia ser posteriormente incorporada aos
desenvolvimentos conceituais do setor acadê-
mico (Mejia, 2011).
Em diferentes territórios da Colômbia, foram
estabelecidas e disseminadas
experiências
com processos agroecológicos,
destacando-se
importantes avanços em três regiões: a região
oriental (Altiplano Cundiboyacense e Orinoquia),
a região central (Antioquia e zona cafeeira) e a
região ocidental (Valle del Cauca, Nariño). Na
região oriental, foram abordados conceitos e
desenvolvimentos na área de agricultura orgâ-
nica, ressaltando-se a importância do chamado
solo vivo”, com a formação, ainda, da Asso-
ciação Colombiana de Agricultura Orgânica e
Ecodesenvolvimento (ACABYE), que mais tarde
se tornou a RECAB (Rede Colombiana de Agri-
cultura Biológica). Outros elementos relevantes
nessa região estão relacionados ao surgimento
da Rede de Agricultura Ecológica (Rede AE) e do
Programa de Produção Agropecuária Ecológica
(PAE), que se tornariam referências centrais
para a criação da Sociedade Cientíca Colom-
biana de Agroecologia (SOCCA), em 2011. De
igual modo, destacam-se vários exemplos de
fazendas agroecológicas na região, que foram
acompanhadas por trabalhos sobre agricul-
tura biodinâmica e agricultura microbiológica,
além do desenvolvimento de vários cursos de
agricultura orgânica e da formação de redes
de agricultores multiplicadores, voltadas para a
agroecologia (León-Sicard, et al., 2015).
A região central ficou marcada por diversos
processos, como o surgimento dos lares de
jovens camponeses (1963); a Fazenda Cam-
ponesa Integral Autossuficiente; a criação
do ECOVIDA (2000), evento agroecológico
bianual; a Rede de Estratégias Camponesas
para uma Agricultura Ecologicamente Apro-
priada (AEA); a Escola Agrícola Integral (EGA-
SOS), entre outros. De forma paralela e articu-
lada, começaram a surgir e a serem difundidas
várias experiências territoriais voltadas para a
agroecologia, integrando o componente pro-
dutivo ao componente educativo. A região
ocidental desempenhou um papel importante
nessa construção de pensamentos e práticas
agroecológicas, dando grande ênfase ao recon-
hecimento dos saberes das comunidades cam-
ponesas, indígenas e afrodescendentes, com o
acompanhamento de diversas instituições no
Vale do Cauca e Nariño, entre as quais se des-
tacam o Centro de Tecnologia Especializada da
Colômbia (CETEC); o Instituto Camponês Maior
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SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
de Buga (IMCA); a Corporação de Desenvolvi-
mento Rural do Vale do Cauca (CORDESAL); a
FUNDAEC; a Rede de Mercados Agroecológi-
cas do Vale do Cauca, além de várias coope-
rativas multiativas; e o Consórcio Latino-ame-
ricano de Agroecologia e Desenvolvimento
Sustentável (CLADES), reunindo 11 ONGs de
oito países sul-americanos. No Vale do Cauca,
14
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
isso resultou num processo semipresencial de
formação, com grande impacto na preparação
teórica e prática da agroecologia, o que permi-
tiu fortalecer o movimento em diferentes áreas
do país (León-Sicard, et al., 2015).
É importante atentar para o impacto do con-
ito armado no campo e para a subsequente
feminização da economia camponesa, resul-
tando em práticas de ACFC que culminaram
em modelos agroecológicos. Reconhecen-
do-se as consequências da guerra e o fato de
que as mulheres foram as principais sobrevi-
ventes, além de terem sido as mais desprovi-
das de bens e meios de subsistência rurais, é
possível identicar, segundo Zuluaga e Arango,
três objetivos em seu reassentamento nos te-
rritórios: melhorar as condições materiais de
vida das mulheres camponesas, enfrentar as
consequências da violência e cuidar do meio
ambiente. É o caso da AMOY (Associação de
Mulheres Organizadas de Yolombó), em parce-
ria com a Corporação “Vamos Mujer”, na região
de Antioquia, onde diferentes massacres foram
cometidos por grupos paramilitares e guerril-
heiros nos anos 90, o que levou as mulheres
a abraçarem a agroecologia para produzir ali-
mentos, garantindo disponibilidade e acesso
para ns de autoconsumo e venda local, como
uma questão estratégica de sobrevivência (Zu-
luaga-Sanchez & Arango-Vargas, 2013).
Essa é apenas uma das várias experiências
desenvolvidas em diferentes regiões da Colôm-
bia, onde o conito deteriorou os meios de sub-
sistência e as relações sociais, comunitárias e
econômicas. A população se levantou graças à
sua capacidade de resiliência, entrando, nas pa-
lavras de Scott (2007), numa resistência diária
e silenciosa, ou seja, nessas estratégias que o
campesinato desenvolveu como alternativas
práticas de resistência, que podem se adaptar
a contextos hostis; nem sempre se trata de um
confronto aberto, e sim, de práticas furtivas
e permanentes para sobreviver dentro desse
contexto (Zuluaga-Sánchez, G., & Arango-Var-
gas, C., 2013). Nesses casos, certas caracte-
rísticas da agroecologia se tornam medidas
pragmáticas de sobrevivência e/ou resistência
à guerra, como por exemplo: a produção de ali-
mentos sem deterioração do capital ecológico
(terra, água e agrobiodiversidade); o fato de não
depender de insumos externos nos cultivos e
criações de animais; a proximidade das parce-
las com a casa (em razão do indispensável pa-
pel de cuidado exercido pelas mulheres); a não
utilização de agroquímicos; e as relações de
solidariedade com os/as outros/as, que tam-
bém se encontram em situação de resiliência.
Por outro lado, baseou-se uma das estraté-
gias que permitiu o avanço e a disseminação
da agroecologia na Colômbia em experiências
de capacitação, sob as classicações de Esco-
las Camponesas e Escolas de Multiplicadores
Rurais. As Escolas Camponesas foram inicia-
tivas educacionais informais, desenvolvidas
por agricultores que se encontram, esporadi-
camente, para compartilhar dias de trabalho,
trocar experiências, opiniões, conhecimentos e
expectativas, em vários âmbitos da vida rural.
No início da década de 2010, foram contadas
mais de 100 Escolas Camponesas em agroeco-
logia (Acevedo, 2013). Da mesma forma, as Es-
colas de Multiplicadores Rurais são programas
de educação informal ou formal, estruturados
com objetivos, planejamento, temas, materiais
didáticos, facilitadores ou professores (em
muitos casos, os próprios agricultores), além
de sistemas de avaliação que permitem aos
agricultores alcançar um nível de capacitação
e obter habilidades práticas e metodológicas,
com vistas a realizar ações de disseminação
de conhecimentos ambientais e agroecológi-
cos com outros agricultores. Os dois tipos de
escola permitiram que os agricultores encon-
trassem soluções para seus problemas de pro-
dução, planejassem suas fazendas e recursos,
otimizassem o uso dos recursos locais, gas-
tassem menos com insumos, se organizassem
para a comercialização e outros serviços, trans-
formassem suas matérias-primas e comercia-
15
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
lizassem seus produtos processados de forma
direta (Acevedo, 2004).
Mais recentemente, houve outro campo em que
a agroecologia avançou, com a criação de pro-
gramas de ensino superior e, em 2018, da Rede
de Instituições de Ensino Superior com pro-
gramas de Agroecologia da Colômbia (IESAC),
formada por 9 instituições, dentre as quais: a
Universidade Nacional da Colômbia, a Univer-
sidade de Tolima, a Universidade da Amazônia,
a Corporação Universitária “Minuto de Dios”
(UNIMINUTO), a Universidade de Nariño, a Uni-
versidade do Cauca, a Universidade Santa Rosa
de Cabal (UNISARC), a Universidade de Bogotá
Jorge Tardeo Lozano e a Fundação Tecnoló-
gica Rural Coredi, com o desenvolvimento de
dois programas de doutorado, um de mestrado,
um programa de especialização, seis cursos de
graduação em Engenharia agroecológica e um
programa de capacitação tecnológica
4
.
Os elementos mencionados em relação ao
contexto histórico da agroecologia na Colôm-
bia são complementados pelos acontecimen-
tos do período atual, destacando-se o Acordo
Final para o término do conito e a construção
de uma paz estável e duradoura (Colômbia,
2016), celebrado entre o governo nacional e as
FARC-EP
5
, que reconhece a agricultura familiar
como ator estratégico e incorpora aos planos
nacionais de reforma rural integral o fortaleci-
mento e a promoção da pesquisa, da inovação
e do desenvolvimento cientíco e tecnológico,
em áreas como a agroecologia.
No ano de 2014, a Unidade de Planejamento
Rural e Agropecuário (UPRA) elaborou as dire-
trizes da Agricultura Familiar com Base Agro-
ecológica (AFBA)
6
, que são o resultado de um
processo participativo com atores estratégicos
da sociedade, incluindo nove linhas temáticas:
enfoque de AFBA en políticas públicas;
agricultura familiar y transición agroecoló-
gica;
mercados para AFBA;
generación de conocimientos en AFBA;
acceso a nanciamiento para AFBA;
valor agregado para AFBA;
fortalecimiento organizativo para AFBA;
acceso a tierra para AFBA;
aspectos culturales, de género, generacio-
nales y AFBA.
Durante o ano de 2017, no âmbito da Mesa Téc-
nica de Agricultura Familiar e Economia Cam-
ponesa, foi elaborada, de forma participativa
7
,
a Resolução 464, que incluiu em seu Artigo 8
8
as diretrizes estratégicas para políticas públi-
cas destinadas à ACFC, em torno de 10 eixos
temáticos:
Abordagem de AFBA nas políticas públicas;
Agricultura familiar e transição agroecoló-
gica;
Mercados para a AFBA;
Geração de conhecimentos na AFBA;
Acesso ao crédito para a AFBA;
Valor agregado da AFBA;
Fortalecimento organizacional da AFBA;
Acesso à terra para a AFBA;
Aspectos culturais, de gênero e geracionais
na AFBA.
Sistemas de informação. Nove das diretrizes
acima mencionadas incluem ações e estraté-
gias especícas para a agroecologia (Anexo 3).
4.
Ocina “Antecedentes da agroecologia sob a ótica da pesquisa na Colômbia e no Brasil”. Projeto Semeando Capacidades, FAO-MADR. 2020
5.
http://www.centrodememoriahistorica.gov.co/descargas/nAcuerdoPazAgosto2016/12-11-2016-Nuevo-Acuerdo-Final.pdf)
6.
https://www.upra.gov.co/documents/10184/23342/Resultados+Agricultura+Familiar.pdf/7f5b4be2-734a-4438-acb2-419dccab6575
7.
Foram realizados seis (6) encontros territoriais e um (1) nacional, com a participação de mais de 300 pessoas vindas de organizações sociais, do setor
acadêmico, produtores, além dos governos locais e nacional. As ocinais abordaram 10 linhas temáticas: 1) Assistência técnica integral e extensão rural; 2)
Associatividade e economias solidárias; 3) Acesso e posse da terra; 4) Gestão de recursos hídricos e adequação de terras; 5) Financiamento e seguros; 6)
Sistemas produtivos sustentáveis; 7) Direito à alimentação; 8) Mudança climática; 9) Mulheres e juventude rural; e 10) Comercialização.
8.
Resolução 464, de 2017, 9
16
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
Além disso, em 2018, a Direção de Inovação,
Desenvolvimento Tecnológico e Proteção Sani-
tária do (MADR) desenvolveu – com o apoio da
(RENAF), da SWISSAID, da (GIZ), do Jardim Bo-
tânico da Universidade de Caldas, do Centro de
Gestão Ambiental da Universidade Tecnológica
de Pereira e da Corpoamazonia, cinco ocinas
regionais para tratar da elaboração de políti-
cas públicas em agroecologia
9
, sob a liderança
do MADR e com a participação de diversos
atores, como pesquisadores, universitários,
organizações de produtores, redes de Agricul-
tura Familiar e outras instituições do governo
nacional. O objetivo era discutir quais deveriam
ser as diretrizes e mecanismos de uma política
pública para a Agroecologia na Colômbia. As
ocinas foram realizadas em Bogotá, em 18 de
junho; Pereira, em (11 de julho); Florencia, em
(19 de julho); Villavicencio, em (29 de agosto);
Cúcuta, em (06 de setembro) de 2018. As oci-
nas abordaram cinco eixos temáticos:
Produção;
Conhecimento;
Distribuição e consumo;
Incidência;
Uso e conservação dos recursos naturais.
Por m, em 2019, a Universidade Nacional da
Colômbia (Sede de Bogotá) realizou, em coor-
denação com a Rede Nacional de Agricultura
Familiar (RENAF) e o Movimento Latino-ame-
ricano de Agroecologia (MAELA), o seminário
internacional Políticas públicas para a agro-
ecologia na Colômbia, nos dias 22, 23 e 23 de
agosto, com a participação de palestrantes in-
ternacionais, especialistas em agroecologia, or-
ganizações camponesas, pessoas envolvidas
em processos étnicos, ONGs, centros de pes-
quisa, o MADR e a FAO, entre outros. O semi-
nário desdobrou-se em sete eixos, entendidos
como possíveis campos de ação para políticas
públicas:
9.
Atas das ocinas regionais sobre políticas públicas em agroecologia, MADR, 2018.
10.
Atas do Seminário internacional “Políticas públicas para a agroecologia na Colômbia”, UN, 2019.
Conceituação e políticas públicas em agro-
ecologia;
Produção agroecológica;
Uso e conservação dos recursos naturais;
Mulheres, juventude e agroecologia;
As reformas e o papel do Estado nas políti-
cas públicas em agroecologia;
Distribuição, consumo e SPG;
Saberes, conhecimentos e educação em
agroecologia.
É importante salientar que os antecedentes
aqui descritos permitiram identicar etapas re-
levantes no desenvolvimento da agroecologia
na Colômbia e na região. Contudo, são muitos
os esforços, propostas e cenários realizados na
Colômbia, com a participação de instituições
como o Ministério do Meio Ambiente e Desen-
volvimento Sustentável (na área de negócios
verdes), as Corporações Autônomas Regionais
(CAR), em alguns territórios, e as agências de
cooperação internacional, além de diversas
ONG.
17
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
N
a elaboração de diretrizes para políticas
públicas em agroecologia, foram imple-
mentadas as fases metodológicas repre-
sentadas na Figura 1, que não foram desenvolvi-
3. Marco metodológico
Figura 1.
Fases da elaboração de diretrizes para políticas públicas em agroecologia
Fonte: Elaboração própria.
das em ordem estritamente sequencial e estão
detalhadas em anexo (Anexo 1)
Fase 1:
Fase 2:
Fase 3:
Fase 4:
Fase 5:
Fase 6:
Fase 6:
Revisão documental
Caracterização da
agroecologia na Colômbia
Desenvolvimento de seminários virtuais para
conhecer a expêriencia em PP de AE no Brasil.
Elaboração de documento preliminar
com diretrizes de PP em AE
Desenvolvimento de oficinas na Colômbia
para a elaboração de diretrizes de PP
Elaboração do documento
de diretrizes de PP em AE
Compartilhamento de
documentos
18
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
4.1. Abordagem e características
da agroecologia
O termo agroecologia começou a aparecer em
publicações no nal dos anos 20. Até os anos
60, os avanços cientícos da agroecologia sur-
giram principalmente de disciplinas como agro-
nomia, ecologia e botânica (Wezel, et al., 2009).
A partir dos anos 70, a agroecologia iniciou
um processo de fortalecimento e expansão
(Gliessman, 2007; Wezel, et al., 2009; Acevedo
& Jiménez, 2019), caracterizado por:
Abordagem da agroecologia não só pela
ciência, mas também por movimentos so-
ciais que defendem uma maior sustentabi-
lidade na agricultura, com a identicação
e promoção de uma série de práticas que
buscam uma agricultura mais sustentável.
Caráter político da agroecologia, cujos mo-
delos, além de abrigarem reivindicações,
integram propostas de desenvolvimento
socioeconômico e cultural, com forte pre-
sença das pautas de igualdade de gênero,
complementaridade geracional e diálogo
intercultural e étnico.
Consolidação da agroecologia como marco
conceitual dotado de ferramentas holísticas
para analisar e gerir agroecossistemas.
Incursão das ciências sociais na área e nas
abordagens da agroecologia, fortalecendo
o seu caráter holístico e salientando os
componentes econômicos, socioculturais e
políticos.
Ampliação da abordagem por agroecossis-
temas, em favor dos sistemas agroalimen-
tares
11
.
Na América Latina, em particular, a agroecolo-
gia surgiu nos anos 70, em resposta às diversas
4. Marco conceitual
crises que se evidenciavam na região (econô-
mica, social, política e ecológica-ambiental),
sendo o seu desenvolvimento conceitual ela-
borado a partir de diferentes áreas do conheci-
mento (ciências naturais, ciências sociais, ciên-
cias econômicas, entre outras) e abordagens
(sistêmica, holística, integral, multidimensional,
etc.). Isso fez com que a agroecologia fosse
entendida como ciência, prática e movimento
social, incluindo aspectos produtivos, ambien-
tais, socioculturais, políticos e epistemológicos
(Altieri y Rosset, 2017).
O Governo da Colômbia adota esse olhar múl-
tiplo sobre a ecologia, que tomaremos como
referência neste documento. A agroecologia,
como ciência, estuda as interações ecológicas
entre os diferentes componentes do agroecos-
sistema; como conjunto de práticas, procura sis-
temas agroalimentares sustentáveis que otimi-
zem e estabilizem a produção, baseados tanto
nos conhecimentos locais e tradicionais quanto
na ciência moderna; e, como movimento social,
fomenta a multifuncionalidade e a sustentabili-
dade da agricultura, promovendo a justiça social
e alimentando identidades e culturas, além de
reforçar a viabilidade econômica nas áreas ru-
rais” (MADR, 2017)
12
.
11.
Un sistema agroalimentario puede denirse como “la suma de los diversos elementos, actividades y actores que, mediante sus interrelaciones, hacen posible
la producción, transformación, distribución y consumo de alimentos” (FAO, 2017) http://www.fao.org/3/a-i7053s.pdf
12.
MADR. Ministerio de Agricultura y Desarrollo Rural de Colombia. 2017. Resolución 464 de 2017. Bogotá, 3.
19
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
CIÊNCIA
MOVIMENTO
SOCIAL
PRÁTICA
20
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
E quanto as práticas agroecológicas, não existe
um listado denido e fechado deste tipo de
práticas , existe um conjunto identicado por
diversos atores e enfoques e que, em geral, se
caracterizam porque:
basearem-se em processos ecológicos, em
contraposição aos insumos adquiridos;
serem equitativos e respeitarem o meio
ambiente, sendo adaptados e controlados
localmente;
adotarem uma abordagem sistêmica, que
engloba a gestão das interações entre os
componentes, em vez de se concentrarem
apenas em tecnologias especícas” (HLPE,
2019, 3).
Na Colômbia, a Resolução 464, de 2017, arma
que as práticas agroecológicas são “uma série
de técnicas e tecnologias aplicadas à concepção
e ao manejo de sistemas agroalimentares sus-
tentáveis, adotando e integrando princípios eco-
lógicos para aumentar a produtividade, a biodi-
versidade e a eciência energética, reduzindo,
ao mesmo tempo, a geração de resíduos e a
dependência de insumos externos. Tais práticas
baseiam-se no diálogo entre saberes, mas, prin-
cipalmente, na experiência, observação e conhe-
cimento dos agricultores, e podem ser aplicadas
em parcelas, fazendas ou paisagens. Dentre as
várias práticas agroecológicas, destacam-se: ro-
tação de culturas, policultura, culturas de cober-
tura, adubação verde, integração entre lavoura e
pecuária, barreiras vivas, arranjos agroorestais,
corredores, lavoura conservacionista, alopatia,
desenvolvimento de fertilizantes, fungicidas e
inseticidas orgânicos, entre outros”. (MADR,
2017)
13
. É importante que essas práticas não
sejam entendidas como “receitas” ou técnicas
a serem replicadas sempre, em qualquer si-
tuação ou agroecossistema, e sim, como ferra-
mentas que contribuem para o manejo agro-
ecológico, devendo ser contextualizadas.
Adicionalmente, a agroecologia potencializa a
ecologia
14
dos sistemas agroalimentares sus-
tentáveis, ou seja, promove o estudo de abor-
dagens e princípios ecológicos e sociais, bem
como a sua aplicação à concepção e ao ma-
nejo de sistemas agroalimentares sustentáveis
(Altieri, 1999; Gliessman, 2007; Francis, et al.,
2003).
A agroecologia propõe uma abordagem sistê-
mica (holística), multidimensional e transdisci-
plinar. (Ruiz-Rosado, 2006). No que diz respeito
à abordagem sistêmica, ela é denida como
um conjunto de elementos integrados e inter-
ligados, em torno de relações que lhe dão uma
certa organização para cumprir determinadas
funções (Betarlany, 1986). Nesse sentido, à
luz da abordagem da teoria geral de sistemas,
enfatiza-se que a prioridade não são os compo-
nentes isolados, e sim, precisamente, as suas
muitas relações, assim como as propriedades
resultantes.
No tocante à multidimensionalidade, é de se
destacar que a agroecologia apresenta uma
visão que vai além das condições agronômicas
produtivas do agroecossistema, integrando as
relações entre a agricultura, o ambiente global
e as dimensões social, econômica, ambien-
tal, política, ética e cultural, o que rearma a
complexidade e a integralidade dos sistemas
agroalimentares (Flores & Sarandón, 2014). A
perspectiva de gênero faz-se muito presente
nesse contexto de relações, questionando os
modos de produção e comercialização; as ati-
tudes, papéis e exercício do poder; e a divisão
sexual do trabalho, em função do gênero das
pessoas envolvidas em projetos e iniciativas
agroecológicas. A obra de Perez et al. (2014)
propõe uma análise da unidade de produção
doméstica (família agrícola), entendo-a como
uma composição heterogênea na qual homens
e mulheres reproduzem relações de poder, o
13
Resolução 464, de 2017, pág. 5.
14
Sendo a ecologia entendida como a ciência que estuda as relações entre os seres vivos e seu ambiente. Ernst Haeckel (1869)
21
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
que faz com que os sistemas agroalimentares
e a segurança alimentar também suponham di-
ferenciação e injustiça de gênero. Sendo assim,
é importante reetir sobre o potencial da agro-
ecologia na luta por autonomia e direitos das
mulheres, uma vez que os próprios princípios
do movimento agroecológico interagem com
as reexões e os posicionamentos do movi-
mento feminista (Dorrego, 2018).
A abordagem transdisciplinar também está pre-
sente na agroecologia, tendo como orientação
produzir diálogos e cooperação entre as diver-
sas áreas do conhecimento, que podem ser
consideradas complementares em seus obje-
tos de estudo, dando-se destaque às seguintes
disciplinas: economia, antropologia, psicologia,
agronomia, sociologia, geologia, geograa, bio-
logia, entre outras (Toledo & Barrera-Bassols,
2008).
Na literatura, alguns aspectos são enfatizados
por determinadas vertentes. Na perspectiva
da biofísica, salienta-se o ambiente ecológico
do solo, entendido como base, princípio e fun-
damento dos sistemas produtivos (Primavesi,
1984); e as múltiplas relações biológicas que
se desenvolvem nesse ambiente, como base
para o equilíbrio físico, químico e biológico e
a saúde dos solos, culturas e seres humanos
(Chaboussou, 1987). Por outro lado, adotando
uma perspectiva mais social, Acevedo y Mar-
tínez (2016) veem na agroecologia uma con-
tribuição para a reconstrução da soberania ali-
mentar e da identidade camponesa; já Armenio
(2011) considera que a base do processo iden-
titário da agroecologia reside na reconstrução
sócio-ecológica da agricultura familiar campo-
nesa. Collado, Gallar y Candón (2013) reconhe-
cem, por sua vez, que a agroecologia contribui
para a construção da autonomia, no âmbito de
uma ação coletiva das culturas camponesas
(citado por Rivera, 2020).
As denições de agroecologia continuaram
evoluindo: Dalgaard et al., (2003) , Gliessman
(2007) e Van Der Ploeg (2009) incluem inte-
rações com todo o sistema alimentar, levando
em conta a produção, o processamento, a co-
mercialização e o consumo, além de integrar
disciplinas como agronomia, ecologia, sociolo-
gia e economia. Em Francis et al. (2003), ela é
denida como “o estudo integrado de sistemas
alimentares, levando em consideração suas di-
mensões ecológicas, econômicas e sociais”.
Em denitivo, a agroecologia é fundamental-
mente diferente das demais abordagens de
desenvolvimento sustentável, poisse baseia
em processos territoriais e ascendentes, que
ajudam a fornecer soluções contextualizadas
para os problemas locais”, apoiando-se na
criação conjunta de conhecimento e na asso-
ciação entre ciência e conhecimentos tradicio-
nais e práticas locais dos produtores”, o que
evita a dependência de insumos externos e
favorece a autonomia e a viabilidade econô-
mica dos agricultores familiares, camponeses
e comunitários. Além disso, a agroecologia é
transformadora por natureza, pois “em vez de
fazer ajustes nas práticas de sistemas agríco-
las insustentáveis [...], busca transformar os
alimentos e os sistemas agrícolas, abordando
as causas profundas dos problemas, de forma
integrada, e fornecendo soluções holísticas e de
longo prazo (FAO, 2018, 2, 10).
Apresenta-se, na Figura 2, um resumo da evo-
lução da concepção da agroecologia.
22
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
Figura 2. Evolução da concepção da agroecologia
Fonte: HLPE, 2019, 39
1930 1940 1950 1960 1970 1980 1990 2000 2010
1930 1940 1950 1960 1970 1980 1990 2000 2010
Políticas para la
agroecología
Políticas e
legislação
Conhecimentos
indígenas e
explorações agrícolas
familiar
A agrobiodiversidade e
os direitos à
alimentação
Sistemas alimentares,
desenvolvimento rural e
territorial, soberania
alimentar
A agroecologia como movimento social
Escala: campo/parcela
agroecossistema
Âmbito: ecologia, agronomia.
Natureza analítica
Escala: campo/parcela
agroecossistema
Âmbito: biologia, zoologia,
ecologia, fisiologia dos cultivos
De descritivo a analítico.
Marco conceitual para
desenhar e gerenciar
agroecossistemas; de
analíticos a prescritivos
Novos aumentos nas
disciplinas, âmbitos e
escala: agroecologia como a
ecologia dos sistemas
alimentares
A agroecologia como disciplina científica
Conhecimentos
agrícolas indígenas para
gestão dos recursos
naturais
São introduzidas ou desenvolvidas
mais práticas agroecológicas
(agricultura de conservação, cultivos
intercalados, controle biológico, etc.)
Práticas agroecológicas
como paradigma
alternativo à agricultura
convencional
A agroecologia como um conjunto de práticas
Elementos
Escala/dimensão
Sistema alimentar
Exploração
agrícola,
agroecossistema
Parcela, campo
Disciplinas
Política
Econômica
Social e cultural
Agrícola, ambiental
A
B
C
23
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
4.2. Transições agroecológicas
Os sistemas agroalimentares mundiais encon-
tram-se numa encruzilhada, sendo necessário
realizar ações para transformá-los (HLPE, 2017;
FAO, 2019). Os modelos predominantes con-
tribuem para a degradação ambiental, a perda
de serviços ambientais vitais e a precariedade
econômica – em especial, no setor de pequenas
unidades agrícolas –, bem como para as des-
igualdades socioeconômicas, gerando também
impactos negativos à saúde e situações de inse-
gurança alimentar que afetam uma parte signi-
cativa da população (IPES-Food, 2018). Além
disso, pressões como a rápida urbanização, as
mudanças de dieta, as evoluções do comércio
varejista e as mudanças nas cadeias de abas-
tecimento agrícola, entre outras, estão gerando,
em nível global, novos desaos em termos de
nutrição, pegada ecológica das cadeias de va-
lor agroalimentares e envolvimento da agricul-
tura familiar (FAO, 2019, 22).
Por trás das cadeias de valor agroalimentares,
encontram-se formas complexas e problemá-
ticas de relacionamento entre os grandes ato-
res. Em termos de gênero, a questão-chave das
transições reside nas diferenças entre homens
e mulheres, no tocante aos conhecimentos e à
valorização e preservação da agrobiodiversi-
dade nos agroecossistemas (Blanco, 2015), já
que os sistemas tradicionais perpetuam des-
igualdades que resultam na falta de reconhe-
cimento das mulheres como produtoras; em
restrições no acesso e controle dos ativos pro-
dutivos; na desigualdade de renda; e numa atri-
buição quase exclusiva das questões relacio-
nadas aos cuidados, o que coloca o seu papel
nas esferas política e comercial em segundo
plano. Nesse contexto, cabe não reconhe-
cer a contribuição das mulheres nos modelos
agroecológicos, como também a contribuição
da agroecologia, na qualidade de cenário pro-
pício à desconstrução de padrões androcên-
tricos de produção, ao empoderamento e à
autonomização da mulher rural, assim como à
reconstrução das relações sociais e culturais
que sustentam os sistemas econômicos agro-
pecuários.
Tanto o Painel de Alto Nível de Especialistas em
Segurança Alimentar e Nutrição (HLPE, 2016;
HLPE, 2017) quanto a FAO (2017) destacaram a
necessidade de transformar os sistemas agro-
alimentares, vendo na agroecologia uma abor-
dagem que favorece a transição para sistemas
agroalimentares mais sustentáveis, ecientes,
inclusivos e resilientes (FAO, 2018; HLPE, 2019).
Vale especicar que uma transição é uma
mudança no sistema, que ocorre durante um
período de tempo e num determinado lugar,
podendo envolver mudanças econômicas, so-
cioculturais, políticas, ambientais e tecnológi-
cas, tanto nas práticas e instituições quanto
nas normas e valores, como armam Marsden
(2013) e Pitt e Jones (2016), citado em HLPE
(2019). A transformação dos sistemas agro-
alimentares exige mudanças fundamentais
na produção, na forma de produzir, processar,
transportar e consumir; em outras palavras,
exige várias transições ao longo das cadeias de
valor dos alimentos (HLPE, 2019). O caminho
rumo à agroecologia envolve, em particular,
várias transições: uma transição técnico-pro-
dutiva, no campo dos subsistemas agrícolas;
uma transição sócio-ecológica, na esfera das
famílias rurais, sua comunidade e paisagem;
e uma transição político-institucional, no âm-
bito dos territórios, regiões e países (Tittonell,
2019).
Entendendo a urgência de fazer com que os
sistemas agroalimentares realizem transições
para modelos justos e sustentáveis, a FAO
(2018) apresenta 10 elementos da agroecolo-
gia para guiá-las, descritos na Tabela 1, além de
suas inter-relações, na Figura 3.
24
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
Tabela 1.
Os 10 elementos da agroecologia
Os 10 elementos da agroecologia
15
FAO.2018. Os 10 elementos da agroecologia: http://www.fao.org/3/i9037es/I9037ES.pdf.
15
Diversidade
Mediante a gestão de diversidade, os enfoques agroecológicas contri-
buem para uma série de benefícios produtivos, socioeconômicos,
nutricionais e ambientais, entre os quais se destacam os seguintes:
potencializam a prestação de serviços ecossistêmicos (polinização,
saúde do solo); aumentam a produtividade e eficiência no uso de
recursos e, finalmente, promovem a diversificação das fontes de
receita, otimizando a colheita de biomassa, promovendo a captação
de água e utilizando diferentes sistemas de produção.
Criação
conjunta e
intercâmbio de
conhecimentos
Os conhecimentos desempenham um papel central no processo de
desenvolvimento e implementação de inovações agroecológicas para
enfrentar os desafios dos sistemas alimentares. Por meio de um
processo de criação conjunta, a agroecologia combina os conheci-
mentos tradicionais, indígenas, práticos e locais dos produtores e das
produtoras com os conhecimentos científicos globais.
Sinergias
A agroecologia dá atenção especial ao desenho de sistemas diversifi-
cados que combinam estrategicamente diferentes tipos de cultivos,
animais, solos, água e outros componentes, de tal forma que aumen-
tem as sinergias e favoreça tanto a produção como múltiplos serviços
ecossistêmicos
Eficiência
Maximizar a eficácia no uso dos recursos é uma propriedade emer-
gente dos sistemas agroecológicos. Mediante a otimização do uso de
recursos naturais como solo, ar, energia solar e água, a agroecologia
usa menos recursos externos, reduzindo custos e impactos ambien-
tais negativos.
Resiliência
Ao imitar os ecossistemas naturais, as práticas agroecológicas
apoiam os processos biológicos que impulsionam a reciclagem de
nutrientes, biomassas e água dentro dos sistemas produtivos, que
aumentam a eficiência no uso de recursos e reduzindo o desperdício
e a poluição.
Resiliência
Ao melhorar a resiliência ecológica, social e econômica, os sistemas
agroecológicos têm uma maior capacidade de recuperação ante os
desastres naturais, como secas, inundações ou furacões, e de
resistência contra pragas e doenças. Da mesma forma, a diversifi-
cação e a redução da dependência de insumos externos reduzem a
vulnerabilidade dos produtores aos riscos econômicos.
Valores
humanos e
sociais
A agroecologia dá grande ênfase aos valores humanos e sociais,
como dignidade, equidade, inclusão e justiça, que contribuem para
meios de vida sustentáveis. Tudo isso coloca as aspirações e neces-
sidades das pessoas que produzem, distribuem e consomem os
alimentos no centro dos sistemas alimentares. A agroecologia
aborda as desigualdades criando oportunidades para mulheres e
jovens.
Cultura e
tradições
alimentares
Ao apoiar dietas saudáveis, diversificadas e adequadas culturalmen-
te, a agroecologia valoriza o patrimônio alimentar local e a cultura,
contribuindo assim para a segurança alimentar e a nutrição, ao
mesmo tempo em que mantém a saúde dos ecossistemas.
Governança
responsable
É necessário mecanismos de governança transparentes, responsá-
veis e inclusivos em distintas escalas para criar um ambiente propício
que ajude os envolvidos na produção a transformar seus sistemas. O
acesso equitativo à terra e aos recursos naturais não é apenas funda-
mental para a justiça social, mas também essencial para incentivar
investimentos de longo prazo em sustentabilidade.
Economia
circular e
solidária
A agroecologia busca restabelecer produtores, produtoras, consumi-
dores e consumidoras por meio de uma economia circular e solidária
que prioriza os mercados locais e apoia o desenvolvimento territorial.
Os mercados inovadores que apoiam a produção agroecológica
ajudam a responder a uma crescente demanda por dietas mais
saudáveis por parte dos consumidores e consumidoras.
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SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
Fonte: FAO, 2018.
Diversidade
Mediante a gestão de diversidade, os enfoques agroecológicas contri-
buem para uma série de benefícios produtivos, socioeconômicos,
nutricionais e ambientais, entre os quais se destacam os seguintes:
potencializam a prestação de serviços ecossistêmicos (polinização,
saúde do solo); aumentam a produtividade e eficiência no uso de
recursos e, finalmente, promovem a diversificação das fontes de
receita, otimizando a colheita de biomassa, promovendo a captação
de água e utilizando diferentes sistemas de produção.
Criação
conjunta e
intercâmbio de
conhecimentos
Os conhecimentos desempenham um papel central no processo de
desenvolvimento e implementação de inovações agroecológicas para
enfrentar os desafios dos sistemas alimentares. Por meio de um
processo de criação conjunta, a agroecologia combina os conheci-
mentos tradicionais, indígenas, práticos e locais dos produtores e das
produtoras com os conhecimentos científicos globais.
Sinergias
A agroecologia dá atenção especial ao desenho de sistemas diversifi-
cados que combinam estrategicamente diferentes tipos de cultivos,
animais, solos, água e outros componentes, de tal forma que aumen-
tem as sinergias e favoreça tanto a produção como múltiplos serviços
ecossistêmicos
Eficiência
Maximizar a eficácia no uso dos recursos é uma propriedade emer-
gente dos sistemas agroecológicos. Mediante a otimização do uso de
recursos naturais como solo, ar, energia solar e água, a agroecologia
usa menos recursos externos, reduzindo custos e impactos ambien-
tais negativos.
Resiliência
Ao imitar os ecossistemas naturais, as práticas agroecológicas
apoiam os processos biológicos que impulsionam a reciclagem de
nutrientes, biomassas e água dentro dos sistemas produtivos, que
aumentam a eficiência no uso de recursos e reduzindo o desperdício
e a poluição.
Resiliência
Ao melhorar a resiliência ecológica, social e econômica, os sistemas
agroecológicos têm uma maior capacidade de recuperação ante os
desastres naturais, como secas, inundações ou furacões, e de
resistência contra pragas e doenças. Da mesma forma, a diversifi-
cação e a redução da dependência de insumos externos reduzem a
vulnerabilidade dos produtores aos riscos econômicos.
Valores
humanos e
sociais
A agroecologia dá grande ênfase aos valores humanos e sociais,
como dignidade, equidade, inclusão e justiça, que contribuem para
meios de vida sustentáveis. Tudo isso coloca as aspirações e neces-
sidades das pessoas que produzem, distribuem e consomem os
alimentos no centro dos sistemas alimentares. A agroecologia
aborda as desigualdades criando oportunidades para mulheres e
jovens.
Cultura e
tradições
alimentares
Ao apoiar dietas saudáveis, diversificadas e adequadas culturalmen-
te, a agroecologia valoriza o patrimônio alimentar local e a cultura,
contribuindo assim para a segurança alimentar e a nutrição, ao
mesmo tempo em que mantém a saúde dos ecossistemas.
Governança
responsable
É necessário mecanismos de governança transparentes, responsá-
veis e inclusivos em distintas escalas para criar um ambiente propício
que ajude os envolvidos na produção a transformar seus sistemas. O
acesso equitativo à terra e aos recursos naturais não é apenas funda-
mental para a justiça social, mas também essencial para incentivar
investimentos de longo prazo em sustentabilidade.
Economia
circular e
solidária
A agroecologia busca restabelecer produtores, produtoras, consumi-
dores e consumidoras por meio de uma economia circular e solidária
que prioriza os mercados locais e apoia o desenvolvimento territorial.
Os mercados inovadores que apoiam a produção agroecológica
ajudam a responder a uma crescente demanda por dietas mais
saudáveis por parte dos consumidores e consumidoras.
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SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
Figura 3.
Interrelaciones e interacciones entre los 10 elementos.
Fonte: FAO, 2018
Tabela 2
Níveis de transição em relação a agroecologia
Diversidade
Criação conjunta e
intercâmbio de
conhecimentos
Sinergias
EficiênciaReciclagem
Resiliência
Valores
humanos
e sociais
Cultura e
tradições
alimentares
Governança
responsável
Economia
circular e
solidária
Além desses elementos, Gliessman (2015) propõe, numa perspectiva holística e multidimensional, 5
níveis de transição para a agroecologia, descritos na Tabela 2.
Descrição das açõesNíveis de Transição Principal área de ação
Nível 1
(Reduzir)
Agroecossistema
Aumentar a eficiência das práticas con-
vencionais para reduzir o consumo e uso
de insumos caros, escassos ou ambien-
talmente nocivos.
Nesse nível, devem ser otimizadas e fo-
calizar as operações e aplicações agríco-
las para doses e frequências reduzidas
.
27
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
Fonte: Elaboração própria, com base em Gliessman (1998, 2007 e 2015).
Os níveis mencionados podem ou não se desen-
volver de forma linear ao longo do tempo, já que
a agroecologia se baseia em princípios, e não
em padrões de replicação, cabendo adaptá-los a
cada contexto e levar em consideração as con-
dições ecológicas, econômicas, sociais e cultu-
rais, para que essas fases possam ser articula-
das e desenvolvidas de forma paralela durante
os processos de transição para a agroecologia.
Nivel 2
(Sustituir)
Nivel 3
(Redesenhar)
Nivel 4
(Reconectar)
Nivel 5
(Reestruturar)
Agroecossistema
Agroecossistema e
Sistema Agroalimentar
Sistema Agroalimentar
Sistema Agroalimentar
Substituir práticas e insumos convencionais
por práticas alternativas e sustentáveis.
Essa fase acarreta mudanças em termos de
insumos e práticas agroecológicas, mas não
afeta a estrutura básica do agroecossistema
.
Redesenhar o agroecossistema, de modo que
seu funcionamento se apoie num novo con-
junto de processos ecológicos.
Nesse nível, é possível enfrentar e eliminar as
causas profundas da produção convencional,
incorporando arranjos, métodos de trabalho
e novas formas de relacionamento entre os
atores envolvidos, que afetam positivamente
o agroecossistema e aumentam as sinergias,
tanto dentro do agroecossistema quanto no
território.
Restabelecer uma conexão mais direta entre
aqueles que produzem e aqueles que conso-
mem alimentos, a fim de restabelecer uma
cultura de sustentabilidade que leve em con-
sideração as interações entre todos os com-
ponentes do sistema alimentar.
Esse nível se concentra no componente cul-
tural da agricultura, gerando diálogos e apro-
ximações entre produtor(a) e consumidor(a).
Nesse nível, os modelos agroecológicos
identificaram, entre os atores do sistema,
formas mais inclusivas e equitativas de pro-
dução, intercâmbio e benefício mútuo, le-
vando em conta os seguintes aspectos dife-
renciais, entre outros: gênero, pertencimento
étnico, idade, costumes, liderança e posição
dentro do sistema agroalimentar.
Construir um novo sistema alimentar global,
baseado em igualdade, participação, demo-
cracia e justiça, que ajude a restaurar e prote-
ger os sistemas de suporte da vida na Terra,
dos quais todos nós dependemos.
Este nível inclui ações voltadas para a reestru-
turação do sistema agroalimentar, como um
todo.
28
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
4.3 Agricultura orgânica
Esta seção destaca a importância de um con-
ceito que, embora diferente da agroecologia,
poderia lhe ser complementar. Trata-se da agri-
cultura orgânica, que, nos termos do seu fun-
dador, Albert Howard, está voltada para a prio-
rização da fertilidade do solo e a reciclagem
de resíduos, com vistas a preservar a saúde
do solo. Durante anos, essa agricultura se con-
centrou na preservação dos recursos naturais,
com técnicas de cultivo que não envolviam a
utilização de insumos de síntese química, tais
como pesticidas, fertilizantes e herbicidas.
Nos anos 60, a Organização das Nações Uni-
das para Alimentação e Agricultura (FAO) criou
a Comissão do Codex Alimentarius (CAC), que
posteriormente deniu a agricultura Orgânica
como: “... um sistema holístico de manejo da
produção, que promove e melhora a saúde do
agroecossistema e, em particular, a biodiversi-
dade, os ciclos biológicos e a atividade bioló-
gica do solo” (Comissão do Codex Alimentarius,
1999). A CAC também enfatiza o uso de práti-
cas de manejo, ao invés de insumos externos à
fazenda, levando em consideração que as con-
dições regionais exigirão sistemas adaptados
localmente. Isso é alcançado com a utilização,
sempre que possível, de métodos culturais, bio-
lógicos e mecânicos para cumprir funções es-
pecícas dentro do sistema, em contraposição
ao uso de materiais sintéticos.
Mais tarde, nos anos 70, surgiu a Federação
Internacional dos Movimentos de Agricultura
Orgânica (IFOAM), uma organização interna-
cional do setor privado com 750 organizações
membros em mais de 100 países, que intro-
duziu a seguinte denição: A agricultura orgâ-
nica (ecológica ou biológica) é um sistema de
produção que promove e melhora a saúde dos
solos, ecossistemas e pessoas. Baseia-se fun-
damentalmente em processos ecológicos, bio-
diversidade e ciclos adaptados às condições
locais, em alternativa ao uso de insumos com
efeitos adversos. A agricultura orgânica com-
bina a tradição, inovação e ciência, de modo a
ser benéca para o espaço que compartilha-
mos e promover relações justas, assegurando
uma boa qualidade de vida a todos envolvidos”.
Embora essa última denição continue dando
ênfase aos fatores ecológicos e agronômicos,
cam também evidenciados alguns aspectos
sociais e econômicos, como a acepção de “jus-
tiça social”, o que coincide com conceituações
mais recentes e completas da agroecologia.
Nesse sentido, pode-se dizer que aspectos
como a substituição de insumos e a manu-
tenção de processos biológicos podem ser cir-
cunscritos aos dois primeiros níveis propostos
por Gliessman et al. (2007), para ns de tran-
sição agroecológica. Outras questões relacio-
nadas à agricultura orgânica, como melhoria
de renda, segurança nutricional e respeito aos
conhecimentos tradicionais seriam incluídas
nos níveis 3 e 4. A sustentabilidade proposta
pela agricultura orgânica deve ir além da área
ecológica, vendo nas formas de organização
social um fator indispensável às transfor-
mações sócio-ecológicas.
Embora a agricultura orgânica seja um passo
rumo a sistemas sustentáveis, ela ainda apre-
senta certas limitações:
os custos envolvidos na certicação por ter-
ceiros;
a dependência contínua de insumos exter-
nos;
os altos preços dos produtos orgânicos, que
os tornam inacessíveis para uma grande
parte da população.
Comum na agricultura orgânica, a certicação
de produtos através de organismos de certi-
cação independentes ou terceiros é proposta
como uma ferramenta de acesso aos merca-
dos; no entanto, ela acarreta um custo adicio-
nal para os produtores, que, muitas vezes, não
29
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
enxergam valor agregado nesse tipo de pro-
dução. Por outro lado, os produtores têm pouco
conhecimento sobre os regulamentos e etapas
de certicação, o que faz com que os proces-
sos de inspeção possam ser difíceis (FAO et al.,
2003). A falta de recursos para realizar a cer-
ticação leva ao uso de subsídios, afetando a
sua sustentabilidade. Além das dispendiosas
certicações, Holt-Giménez e Patel (2009) tam-
bém questionam a dependência dos agriculto-
res diante dos mercados internacionais e suas
utuações. De mais a mais, os preços associa-
dos aos produtos orgânicos, em razão da maior
quantidade de mão de obra necessária à pro-
dução e dos custos de certicação, os tornam
inacessíveis a muitos consumidores de baixo
poder aquisitivo (Rosset y Altieri, 2018).
Cabe observar que a IFOAM, consciente da
necessidade de superar essas fraquezas e
contemplar abordagens mais holísticas, tem
indicado, em sua denição do termo, que os ali-
mentos e sistemas agrícolas orgânicos devem
ser ecologicamente corretos, economicamente
viáveis, socialmente justos, culturalmente di-
versos, responsáveis e transparentes.
Rosset (2001), enm, aponta que a agricultura
orgânica não enfrentou os problemas de depen-
dência dos agricultores em relação a insumos e
tecnologias externas, tais como pesticidas bio-
lógicos, nem questionou a monocultura. Nesse
sentido, uma abordagem de substituição de
insumos não atacaria as raízes dos problemas
da agricultura moderna, além de apoiar-se em
tecnologias que só buscam resolver problemas
de produção no âmbito agronômico. Embora
a estratégia de substituição de insumos seja
um passo necessário na transição para a agro-
ecologia, ela não pode ser mantida como uma
abordagem de longo prazo, pois, por um lado,
não impede os desequilíbrios que afetam a
produção e, por outro, mantém os produtores
reféns da compra contínua desses insumos.
30
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
31
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
A
s presentes diretrizes se enquadram na
atual regulamentação do setor agrícola,
tanto em nível nacional quanto inter-
nacional; sendo assim, a Tabela 3 apresenta
os principais instrumentos normativos, desta-
5. Marco normativo
cando a sua relação com ACFC, a agroecolo-
gia e, quando incluída, a perspectiva de gênero,
considerada relevante nessa matéria.
Tabela 3.
Principais instrumentos normativos e políticos relacionados à agroecologia na Colômbia
ÂMBITO
INSTRUMENTO NORMATIVO
E/OU POLÍTICO
RELAÇÃO COM A AGROECOLOGIA
A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável foi adotada
pelas Nações Unidas (ONU) em 2015 e inclui 17 Objetivos de Des-
envolvimento Sustentável (ODS), que estão inteiramente relacio-
nados aos sistemas de produção sustentável.
O plano estratégico inclui a alimentação adequada como uma
das dimensões da SAN, ou seja, uma alimentação adequada ao
consumo humano e livre de substâncias nocivas, como poluentes
de processos industriais ou agrícolas – em especial, resíduos de
pesticidas, hormônios ou drogas veterinárias –, o que promove
sistemas de produção sustentáveis. Ele incorpora a perspectiva
de gênero de forma transversal, assegurando que os eixos de se-
gurança alimentar e nutricional levem em consideração as parti-
cularidades das mulheres e as relações de gênero.
O Plano de Ação Global inclui, em seus pilares 2, 4, 5, 6 e 7: pro-
moção de políticas, programas educacionais, apoio aos jovens e
inclusão socioeconômica, em relação com sistemas sustentáveis,
incluindo a agroecologia. O terceiro pilar promove a igualdade de
gênero na agricultura familiar e a liderança das mulheres rurais,
além de ações afirmativas terem sido incluídas em todos os pi-
lares.
A convenção estabelece 5 objetivos estratégicos, declinados em
20 metas. A meta 3 convida as partes a desenvolverem e imple-
mentarem incentivos à produção e comercialização de bens deri-
vados da diversidade biológica, que sejam produzidos de forma
sustentável, por exemplo, sistemas de produção, certificação e
eco-rotulagem.
O artigo 7°, parágrafo 9, do Acordo contempla a necessidade de
adotar planos e políticas para ajudar a aumentar a resiliência dos
sistemas socioeconômicos e ecológicos, em particular, por meio
da diversificação econômica e da gestão sustentável dos recursos
naturais.
Objetivos de Desenvolvimento Susten-
tável (ODS).
Plano estratégico de Segurança Alimen-
tar, Nutrição e Erradicação da Fome.
CELAC (2017/2025).
Plano de Ação Global da Década das
Nações Unidas para a Agricultura Fami-
liar (2019/2028).
Convenção sobre Diversidade Biológica.
Quebec-Montreal: ONU (2011/2020).
Acordo de Paris. Convenção-quadro
das Nações Unidas sobre a Mudança
do Clima (2015).
Internacional
32
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
Nacional
O SNIA contempla, em seu artigo 3, o princípio do desenvolvimento
sustentável das atividades produtivas, em benefício das comuni-
dades rurais, assim como o princípio da abordagem territorial e
o princípio de que os produtores são agentes-chave da PD&I. Por
outro lado, em seu artigo 25, ele integra a abordagem da extensão
agrícola, com destaque para a gestão sustentável dos recursos
naturais e o desenvolvimento das habilidades dos produtores,
para que participem de espaços de diálogo sobre a política pública
setorial. Ele insiste na representação das mulheres rurais como
atores do sistema. Note-se que os elementos norteadores do SNIA
estão incluídos no marco de referência do PECTIA.
A Lei n°1931, de 2018, define instrumentos para que entes terri-
toriais e autoridades ambientais regionais identifiquem, avaliem,
priorizem e definam as medidas e ações de adaptação e miti-
gação das emissões de gases de efeito estufa a serem implemen-
tadas no território. Uma dessas medidas e/ou ações contempla
a produção sustentável e a reconversão produtiva, na direção de
sistemas ecológicos.
O PDN inclui, em seu Artigo 3°, parágrafo 4°, um pacto pela sus-
tentabilidade: produzir conservando e conservar produzindo, inte-
grando eixos relacionados à mitigação dos efeitos da mudança
climática, à produção sustentável e à geração de resiliência.
A Resolução n°464, de 2017, incluiu, em seu eixo estratégico 5, os
sistemas produtivos sustentáveis; em sua diretriz 5.1, a promoção
de práticas e conhecimentos agroecológicos; e, em sua estratégia
6, a promoção de práticas agroecológicas em áreas de especial
importância ambiental. Várias das estratégias reconhecem as la-
cunas de gênero e contemplam medidas afirmativas para preen-
chê-las.
O Plano Nacional inclui dentre suas estratégias (Linha 3) o fortale-
cimento dos modelos alternativos de comercialização, em âmbito
territorial, além de contemplar, em sua linha 2, estratégia 4, a im-
portância dos Sistemas Participativos de Garantia - SPG, especial-
mente para a produção orgânica e agroecológica.
CONPES 3934 inclui em sua diretriz política 5.3.2. o fortalecimento
de mecanismos e instrumentos para otimizar o uso de recursos
naturais e energia, tanto na produção quanto no consumo, referin-
do-se ao desenvolvimento da agroecologia.
Em seu artigo 6°, a Portaria n°16, de 2019, inclui a reconversão
produtiva para sistemas agroecológicos, e, em seu artigo 9°, as
tecnologias apropriadas para sistemas agroecológicos e energias
alternativas.
As diretrizes da UPRA estão inteiramente relacionadas aos siste-
mas de produção agrícola familiar de base agroecológica.
Lei n°1876 de 2017, criando o Sistema
Nacional de Inovação Agropecuária da
Colômbia (SNIA) e outras disposições.
Lei n°1931, de 2018, estabelecendo di-
retrizes para a gestão da mudança do
clima e orientando a elaboração dos
Planos Integrais e Territoriais de Ges-
tão da Mudança do Clima (PIGCCT).
Lei n° 1955, de 2019, emitindo o Plano
Nacional de Desenvolvimento 2018
2022. “Pacto pela Colômbia, pacto pela
igualdade”.
Resolução n°464, de 2017, adotando
diretrizes estratégicas para as políticas
públicas destinadas à agricultura cam-
ponesa, familiar e comunitária, e outras
disposições. Colômbia.
Resolução n°006, de 2020, adotando
o Plano Nacional para a Promoção da
Comercialização da Produção da Eco-
nomia Camponesa, Familiar e Comuni-
tária.
CONPES n°3934, de 2018. Política de
crescimento verde para a Colômbia.
Portaria n°16, de 2019, adotando a polí-
tica pública de Agricultura Camponesa,
Familiar e Comunitária no departamento
de Antioquia.
Diretrizes para a gestão produtiva da
agricultura familiar de base agroecoló-
gica na Colômbia – UPRA. 2014.
33
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
Fonte: Elaboração própria
Plano Estratégico de Ciência, Tecnolo-
gia e Inovação Agropecuária na Colôm-
bia – PECTIA. (2017-2027).
Lei n°731, de 2002. Mulheres rurais;
CONPES n°161 sobre igualdade de
gênero para mulheres; Lei n°1448, de
2011, sobre vítimas e restituição de
terras.
Acordo final de paz entre o Governo Na-
cional e as FARC-EP. 2016.
Plano Nacional de Educação Rural
Plano de Fomento à Economia Soli-
dária e Cooperativa Rural
Planos departamentais e locais
para uma alimentação e nutrição
culturalmente adequadas.
Plano Nacional para a Promoção
da Comercialização da Produção
da Economia Camponesa, Familiar
e Comunitária.
Sistema de garantia progressiva do
direito à alimentação.
Plano Nacional de Assistência In-
tegral, Técnica, Tecnológica e de
Fomento à Pesquisa.
O PECTIA inclui o subcapítulo 2.2.3, relacionado à agricultura fami-
liar, que, por sua vez, define 4 áreas estratégicas; a área 2 inclui o
monitoramento do trabalho agrícola e da remuneração, com pers-
pectiva de gênero, bem como a condição da mulher na tomada de
decisões; já a área 3 é voltada para a pesquisa e o desenvolvimento
tecnológico de novas práticas agrícolas sustentáveis.
São esses os instrumentos políticos que promovem ações em
favor das mulheres rurais. Embora não incluam medidas específi-
cas sobre agroecologia, eles contêm programas para transformar
a posição desigual da mulher rural dentro dos sistemas agroali-
mentares: o primeiro contempla medidas de financiamento, segu-
rança social, educação e capacitação, participação e acesso das
mulheres rurais à reforma agrária; o segundo aborda a resposta
à violência, a construção da paz e o reconhecimento da economia
dos cuidados, entre outros; e o último tem um capítulo específico
sobre medidas afirmativas de restituição de terras e promoção de
projetos produtivos destinados a mulheres que foram vítimas do
conflito armado no país.
O acordo de paz reconhece a agricultura familiar como um ator
estratégico e incorpora aos planos nacionais de reforma rural inte-
gral o fortalecimento e a promoção da pesquisa, da inovação e do
desenvolvimento científico e tecnológico, em áreas como a agro-
ecologia.
Além disso, inclui a perspectiva de gênero de maneira transversal,
mas com medidas especiais para promover os direitos econômicos
das mulheres, garantindo assim a sua autonomia (acesso e con-
trole de recursos); e para fomentar processos de transformação
nas formas de organização da reprodução social e da economia
dos cuidados
.
34
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
6. Quadro de caracterização da agroecologia
na Colômbia
E
mbora a Colômbia não disponha, atual-
mente, de uma caracterização ocial na
área de agroecologia, foram desenvol-
vidos vários projetos de pesquisa e sistema-
tizações de experiências em transição agro-
ecológica, além de seminários, ocinas e foros
regionais e nacionais, convocados por diferen-
tes atores, como o Ministério da Agricultura e
Desenvolvimento Rural, a academia, institutos
de pesquisa, organizações da sociedade civil e
ONG, entre outros; tudo isso fornece insumos
fundamentais ao presente exercício de carac-
terização.
Graças à revisão documental, foi possível iden-
ticar os documentos elencados na Tabela 4,
que serviram de insumo à construção deste
capítulo de caracterização.
Tabela 4.
Insumos para a caracterização da agroecologia na Colômbia
Fonte: Elaboração própria, com base em matriz de análise qualitativa.
16
Na tabela 4, destaca-se, em verde, os cenários realizados no âmbito do projeto “Semeando Capacidades”; e, em rosa, os insumos que foram obtidos em
outros eventos.
Instrumento/cenário N° de participantesCobertura territorialN° de ocinas
Diretrizes para a Agricultura Familiar de base agro-
ecológica. UPRA (2014)
Diretrizes estratégicas de política pública para a
ACFC. MADR (2017)
Atas das oficinais regionais de política pública em
agroecologia. MADR (2018)
Atas do seminário internacional “Políticas públicas
para a agroecologia na Colômbia”. UN (2019)
Atas da oficina de conceituação “Agroecologia para
uma Agricultura Camponesa, Familiar e Comuni-
tária”. FAO-MADR (2019)
1° Seminário sobre a Política Brasileira de Agroecolo-
gia e Produção Orgânica.
2° Seminário sobre a Política Brasileira de Agroecolo-
gia e Produção Orgânica.
3° Seminário sobre a Política Brasileira de Agroecolo-
gia e Produção Orgânica.
1ª Oficina regional para a retroalimentação da pro-
posta de diretrizes de política pública para a agro-
ecologia na Colômbia.
2ª Oficina regional para a retroalimentação da pro-
posta de diretrizes de política pública para a agro-
ecologia na Colômbia.
Mais de 15
oficinas regionais
7
5
1
1
1
1
1
1
1
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
Nacional
Seis cidades e
nacional
Quatro cidades e
nacional
Internacional
Nacional
Binacional
Col -Bra
Binacional
Col -Bra
Binacional
Col -Bra
Regional
Colômbia
Regional
Colômbia
Mais de 350
pessoas
Mais de 300
pessoas
250 aprox.
250 aprox.
29
300
84
88
30
38
1 71934 TOTAL
35
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
[Fecha]
Memorias del Seminario Internacional “Políticas
Públicas para la Agroecología en Colombia”
Bogota D.C. Colombia
Agosto 22 al 24
2019
1
Agenda del Taller para la Construcción de Política Pública para el fomento de la Agroecología
Fecha: Miércoles 29 de Agosto de 2018
Lugar: Unillanos, Sede Urbana San Antonio (Calle 37 No. 41 02, Barrio Barzal) Salón Biblioteca
Objetivo: Construir insumos de políticas públicas para el fomento de la Agroecología y el reconocimiento de los
Sistemas Participativos de Garantía (SPG).
HORA
ACTIVIDAD
RESPONSABLE
7:45 8:00 a.m.
Registro de participantes
MADR y giz
8:00 8:30 a.m.
Bienvenida y Presentación de participantes
MADR + giz + anfitrión
8:30 9:00 a.m.
Presentación del MADR y metodología del taller
MADR
9:00 10:00 a.m
Presentaciones de contexto:
- Agroecología (20 minutos)
- Sistemas Participativos de Garantía (SPG) (20 minutos)
Academia
10:00 10:45 a.m.
Inicio Café del mundo:
- Presentación del tema: Sesión 1 (5 mesas temáticas)*
- Elementos orientadores (insumos de la Resolución 464/2017)
- Nuevos insumos de la sesión
MADR/ giz
10:45 11:30 a.m.
Sesión 2
La facilitación principal
debe llevar el tiempo (45
min) e invitar a los
asistentes a rotar y salir a
refrigerio.
11:30 12:15 p.m.
Sesión 3
12:15 2:00 p.m.
Almuerzo incluido
2:00 2:45 p.m.
Sesión 4
2:45 3:30 p.m.
Sesión 5
3:30 4:00 p.m.
Resumen de resultados y conclusiones del taller
MADR/ giz
*MESAS TEMÁTICAS
Se trabajarán 5 ejes estructurantes de la Política Pública. Estos ejes serán
presentados en cada mesa: 1 x mesa. Cada uno estará dispuesto en la
cartelera de la mesa y contará con elementos orientadores para abordar el
eje.
1. Producción
2. Conocimiento
3. Distribución y consumo: en esta mesa se abordará lo concerniente
a SPG y otros Circuitos Cortos de Comercialización
4. Incidencia
5. Uso y conservación de los recursos naturales
Cada uno de estos ejes/mesa contará con un facilitador, las discusione s del
grupo serán consolidadas en las carteleras ubicadas sobre cada mesa.
Cada elemento o criterio que se aborden en los ejes serán abordados bajo
las siguientes preguntas orientadoras: (resaltadas en negrilla):
1. Por qué abordamos el elemento en cuestión? (Problemática)
2. Qué se puede hacer para superar la problemática? (Estrategia)
3. Cómo se puede desarrollar la estrategia? (Acciones)
4. Quiénes pueden ser los responsables de acuerdo con su
competencias? (Responsables institucion ales, en coordinación
con otros actores).
lineamientos
estratégicos
de política
pública
Agricultura
Campesina,
Familiar
y Comunitaria
ACFC
Os insumos elencados acima são documentos
de apoio para instrumentos políticos ou atas de
diversas ocinas, reuniões e seminários sobre
o tema da agroecologia na Colômbia, coletan-
do-se assim os resultados de 34 ocinas, com
cobertura nacional, além da participação de,
pelo menos, 1.719 pessoas de diferentes re-
giões e setores da sociedade.
Na fase de caracterização, foram identicados
três aspectos:
Questões envolvidas;
Indicadores relacionados à agroecologia,
com base no Censo Nacional Agropecuário;
Principais atores
6.1. Identicação de questões
relacionadas à agroecologia
Essa identicação de questões baseou-se
numa revisão documental de informações se-
cundárias, projetando-se, para tal, uma matriz
de análise qualitativa (Anexo 2), a partir dos
insumos documentais elencados na Figura 4.
Figura 4.
Insumos documentais para a identificação das questões relacionadas à agroecologia.
Fonte: Elaboração própria, com base em matriz de análise qualitativa
DIRETRIZES PARA A AFBA
UPRA - 2014
Abordagem de AFBA nas
PP
AF e transição
agroecológica
Mercados para a AFBA
Geração de
conhecimentos sobre a
AFBA
Financiamiento para a
AFBA
Valor agregado para a
AFBA
Fortalecimento
organizativo para a AFBA
Aspectos culturais, de
gênero e geracionais
OFICINAS REGIONAIS PP
AE MADR - 2018
Produção
Conhecimento
Distribuição e consumo
Incidência
Uso e conservação de
recursos naturais
DIRETRIZES PARA A ACFC
MADR - 2017
Extensão rural e fort. de
capacidades
Bens públicos rurais
Acesso e posse da terra
Incentivos e financiamento
Sistemas produtivos sust.
Cir. curtos de comerc.
Marketing social
Diversificação produtiva para
além da agropecuária
Incidência e participação
Sistemas de informação
SEMINÁRIO INTERNACIONAL
AE U.N - 2019
Conceituação e política
pública em AE
Produção AE
Uso e conservação de
recursos naturais
Mulheres, jovens e AE
Reformas e papel do
Estado na PP de AE
Distribuição, consumo e
SPG
Saberes, conhecimento e
educação em AE
36
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
A partir do exercício de revisão documental
e análise qualitativa das informações, são
apresentadas abaixo, para os ns do presente
documento, cinco (5) categorias temáticas
de questões relacionadas à agroecologia,
que são o resultado de uma adaptação dos
eixos identicados e abordados pelo MADR
nas ocinas regionais sobre políticas públicas
em agroecologia na Colômbia, durante o ano
de 2018, sendo retroalimentadas com outros
insumos documentais. A análise acima men
-
cionada pode ser aprofundada com o Anexo 2
deste documento.
Principais questões identicadas em
relação à agroecologia
a. Produção agroecológica e nanciamento.
Ausência de políticas especícas para promo-
ver a produção agroecológica, o que se reete
em fatores como:
Falta de diagnóstico setorial e de progra-
mas e projetos diferenciados em nível te-
rritorial;
Diculdade de acesso ao crédito agrope-
cuário, sob os critérios dos sistemas agro-
ecológicos;
Diculdade de acesso e formalização de
terras para uso agrícola (conitos no uso
da terra, concentração de terras);
Ausência de programas de assistência téc-
nica e capacitação adaptados à agroeco-
logia;
Limitações regulamentares à recuperação,
ao uso e à multiplicação de materiais vege
-
tais e animais (nativos e crioulos);
Efeitos contaminantes dos sistemas de
produção convencionais (insustentáveis);
Baixos níveis de planejamento produtivo,
em termos de transição agroecológica;
Problemas de manejo tossanitário nos
sistemas produtivos; diculdade para gerar
valor agregado à produção.
b. Comercialização e consumo
Diculdade de acesso a mercados especializa-
dos, sob a perspectiva da ACFC e da agroeco-
logia, e a processos de transformação, distri-
buição e consumo, o que se reete em fatores
como:
Falta de valor agregado na produção agro-
ecológica, o que tem impacto em sua valo-
rização;
Altos níveis de intermediação para a comer-
cialização da ACFC e da produção agroeco-
lógica;
Ausência de programas nacionais e locais
que promovam o estabelecimento de mer-
cados locais, circuitos curtos de comercia-
lização e compras públicas;
Condições desiguais para a ACFC e a agro-
ecologia, diante das políticas de impor-
tação de alimentos; Regulamentações que
não favorecem a produção agroecológica;
Falta de programas de apoio à elaboração e
implementação de planos de negócios para
a agroecologia e os SPG;
Condições viárias e de infraestrutura pre-
cárias nas áreas rurais, em especial, naque-
las onde predomina a ACFC, o que aumenta
os custos de transporte dos produtos;
Baixos níveis de associatividade e organi-
zação para a comercialização;
Cultura de consumo voltada para a pro-
dução convencional (insustentável) e ultra-
processada;
Ausência de programas que promovam o
consumo consciente e sua relação com a
saúde, bem como a recuperação de sabe-
res gastronômicos associados à agroeco-
logia.
c. Capacitação, extensão e pesquisa
Ausência de uma abordagem sustentável e
agroecológica nas políticas de extensão, edu-
cação e pesquisa voltadas para a ruralidade, o
que se reete em fatores como:
37
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
Ausência de planos e programas de assis-
tência técnica com abordagem agroecoló-
gica;
Baixos níveis de articulação intersetorial
em âmbito nacional e local;
Falta de nanciamento para pesquisa e
inovação em tecnologias agroecológicas,
tanto nos centros educacionais quanto nos
institutos de pesquisa, ciência e tecnologia;
Perda de saberes ancestrais e tradicionais,
além do desconhecimento sobre a diversi-
dade natural e cultural das comunidades
rurais; ausência de relação entre saberes
ancestrais e conhecimentos cientícos,
sendo esse um motor de desenvolvimento
local;
Alto índice de analfabetismo nas áreas ru-
rais.
d. Biodiversidade e mudança do clima
Deterioração dos agroecossistemas e perda
da biodiversidade, decorrentes do modelo de
produção convencional (insustentável), que se
baseia no uso intensivo de insumos de síntese
química, derivados de energias não renováveis,
assim como dos modelos de monocultura, o
que se reete em fatores como:
Contaminação e deterioração das con-
dições físicas, químicas e biológicas dos
solos, o que afeta sua capacidade de pro-
dução;
Contaminação de mananciais, gerando im-
pactos nas práticas de produção agroeco-
lógica e na saúde humana;
Perda de espécies vegetais e animais criou-
las, bem como de espécies orestais nati-
vas;
Perda de resiliência e adaptabilidade dos
agroecossistemas à mudança climática;
Leis e políticas de propriedade intelectual
que restringem o livre uso e a circulação de
sementes;
Conitos no uso da terra, devido a projetos
agroindustriais e à extração de petróleo e
minerais, que geram alto impacto ambien-
tal,
Perda de orestas, devido a práticas como
desmatamento e queimadas, que causam
a perda de habitat para espécies ameaça-
das de extinção;
Aplicação inadequada de pagamentos por
serviços ambientais;
Falta de conhecimento sobre a multifun-
cionalidade da agroecologia e seus baixos
níveis de custo energético, já que são adap-
tadas e apropriadas tecnologias renováveis
voltadas para a transição energética em
áreas rurais e urbanas;
Falta de políticas públicas que promovam
a reconversão produtiva, na direção de pro-
cessos de transição agroecológica.
e. Governança, igualdade de gênero e
juventude
Prevalência de uma cultura patriarcal que apro-
funda as diferenças de gênero e os obstácu-
los no acesso das mulheres a bens e serviços,
além de gerar violência baseada no gênero.
Isso se reete em:
Desconhecimento sobre o valor do papel
exercido pelas mulheres na ACFC e suas
contribuições à agroecologia e ao desen-
volvimento territorial;
Falta de participação das mulheres na to-
mada de decisões sobre a produção e nos
exercícios de planejamento territorial;
Acesso reduzido das mulheres à educação
(incluindo analfabetismo), assistência téc-
nica e informações produtivas, nanceiras
e comerciais;
Tripla discriminação, por serem campone-
sas, mulheres e vítimas do conito armado,
em quase todas as regiões do país;
38
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
Desigualdade no acesso, controle e uso de
ativos rurais fundamentais e meios de sub-
sistência, em sentido amplo, em especial,
a terra;
Prevalência da violência baseada no gê-
nero, nomeadamente, a violência sexual,
em decorrência do conito armado;
Exclusividade no trabalho doméstico não
remunerado (TDNR) e no papel reprodutivo,
sem que seja reconhecido o seu valor mo-
netário para a família e a comunidade;
Tripla jornada e uso desigual do tempo em
relação aos homens, por serem responsá-
veis pelos cuidados, por atividades gerado-
ras de renda e pelo trabalho comunitário;
A lei sobre a economia dos cuidados não
reconhece as mulheres como sujeitos que
cuidam da natureza (guardiãs de sementes,
conhecedoras de conhecimentos tradicio-
nais e defensoras de seus territórios, como
parte integrante dos processos agroecoló-
gicos), sendo elas associadas somente ao
cuidado de pessoas;
As políticas públicas têm uma abordagem
limitada dos problemas diferenciais enfren-
tados pelas mulheres e das relações de
gênero na ACFC, assim como estratégias
limitadas (quando existem) para propor
soluções para as questões de gênero e o
reconhecimento das mulheres;
Falta de garantias para a proteção efetiva
dos direitos das mulheres rurais.
Já entre a juventude rural, o fenômeno de
êxodo rural está em ascensão, o que é provo-
cado por condições como:
Falta de oportunidades de trabalho para a
juventude rural,
Falta de oportunidades educacionais no
campo, em especial, daquelas voltadas
para processos de produção sustentáveis;
6.2. Indicadores relacionados à
agroecologia a partir do Censo
Nacional Agropecuário
Segundo dados do Censo Nacional Agrope-
cuário (CNA), foram identicadas 2.913.163 Uni-
dades de Produção (UP), abarcando 5.126.734
pessoas que vivem na “área rural dispersa
17
.
Dentre elas, 81,36% (2.370.099) correspondem
a Unidades de Produção Agrícola (UPA), onde
se encontram 3.781.464 pessoas, o que repre-
senta 73% da população recenseada
18
.
A partir de uma revisão dos resultados do CNA,
foram identicadas 7 questões relacionadas à
agroecologia (perguntas 76, 77, 125, 127, 131,
133 e 135) especicamente, em aspectos de
manejo do solo, manejo da água, manejo tos-
sanitário, manejo de resíduos, uso de fontes
de energia nas Unidades de Produção Agrícola
(UPA) e assistência técnica.
Como resultado da revisão das 7 perguntas su-
pracitadas e suas respectivas respostas, dá-se
Restrições à produção agrícola, em particu-
lar, à produção agroecológica e sua comer-
cialização;
Altos índices de militarização e violência
nas áreas rurais, com maior impacto sobre
mulheres e jovens;
Falta de foros para a participação de jo-
vens, mulheres e produtores agroecológi-
cos na construção de políticas públicas e
instrumentos de planejamento e ordena-
mento do território. Os fatores elencados
acarretam o empobrecimento e o envelhe-
cimento da população rural, sendo a ACFC
agroecológica a mais afetada, uma vez que
exige uma alta porcentagem de mão de
obra familiar.
17
O Censo Nacional Agropecuário tem como universo de estudo as “áreas rurais dispersas”. Isso difere daquilo que é normalmente conhecido como “rural”, pois a
categoria rural utilizada pelo DANE (Departamento Administrativo Nacional de Estatística) inclui tanto áreas rurais dispersas quanto centros povoados.
18
Realizado na Colômbia em 2014, o Censo Nacional Agropecuário (CNA) adotou como unidade de análise as Unidades de Produção (UP), diferenciando aquelas
que desenvolvem atividades agropecuárias (Unidades de Produção Agropecuária – UPA) daquelas que não desenvolvem (Unidades de Produção Não Agropecuária
-UPNA). Para os ns desta análise, tomou-se como referência as UPA.
39
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
destaque a alguns elementos de análise, que
poderiam servir de referência para o direcio-
namento de ações destinadas a fortalecer os
processos de transição para a agroecologia. Os
resultados detalhados da análise dos dados do
CNA podem ser encontrados em anexo (Anexo
3).
O Gráco 8 fornece um resumo dos resultados
obtidos com as sete perguntas do CNA e evi-
dencia aspectos importantes a serem destaca-
dos.
Por um lado, do número total de UPAs
(2.370.099), apenas 2,57%, o que corresponde
a 60.834 Unidades, receberam assistência ou
assessoramento em questões relacionadas
às práticas agroecológicas para desenvolver
as suas atividades agrícolas, o que reete a
necessidade de fortalecer o serviço de capaci-
tação, extensão e assistência técnica em agro-
pecuária e de contemplar ferramentas e téc-
nicas agroecológicas para promover e apoiar,
entre os agricultores familiares, os processos
de reconversão produtiva e transição para a
agroecologia. Isso pode estar relacionado ao
pequeno número de UPAs que aplicam adu-
bos orgânicos e bioinsumos para o manejo de
pragas, ervas daninhas e doenças, ou aplicam
práticas agroecológicas no manejo de resíduos
animais e vegetais.
Além disso, evidencia-se que, do número total
de UPAs, apenas 1,69% (equivalente a 40.095
Unidades) relatou ter utilizado energias reno-
váveis em suas atividades agrícolas (moinho
de vento, energia eólica, painel solar, biogás,
tração animal e transporte) (Gráco 8), o que
demonstra a necessidade de avançar em di-
reção a sistemas agroalimentares sustentáveis
(agroecológicos) que promovam o uso de ener-
gias alternativas e tecnologias ecológicas na
produção agrícola, reduzindo assim os impac-
tos ambientais, econômicos e sociais gerados
pelo uso de energias não renováveis e pela alta
demanda energética da produção convencional
(transporte de alimentos, aplicação de insumos
à base de petróleo, mecanização, etc.).
Por m, do número total de UPAs, cabe destacar
que um signicativo percentual de 72,24% (co-
rrespondentes a 1.712.063 Unidades) indica-
ram ter implementado práticas agroecológicas
para a conservação do solo, como, por exem-
plo: lavoura conservacionista, plantio direto ou
manual, plantio de cobertura vegetal, práticas
de conservação, orações, ritos, colas entomo-
lógicas, rotação de culturas, revegetação natu-
ral - que correspondem, mormente, às práticas
culturais de seus sistemas produtivos. Nesse
sentido, também vale frisar que um percentual
representativo das UPAs (52,32%), equivalente
a 1.240.109 Unidades, protegem mananciais
graças à adoção de práticas agroecológicas,
tais como: conservação da vegetação, plantio
de árvores, manejo das áreas de preservação
hídrica, reutilização da água, tratamento de
águas residuais, orações, rituais, colas e ma-
nejo de locais sagrado (Gráca 8).
Esses fatores de conservação do solo e da água
poderiam servir como ponto de partida para a
reconversão produtiva em direção a sistemas
de transição agroecológica, acompanhando-se
de capacitações, extensão agrícola e acesso
a nanciamentos e mercados especializados,
como descrito nos eixos estratégicos destas
diretrizes para políticas públicas em agroecolo-
gia na Colômbia.
40
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
19
Mapeamento realizado com método misto de pesquisa, qualitativa e quantitativa-descritiva, que exigiu a concepção e aplicação de pesquisas. Para uma visuali-
zação interativa dos resultados do mapeamento, foi utilizado o serviço de análise comercial da Microsoft, Power Bi.
Figura 5
Metodologia implementada para o mapeamento de processos agroecológicos.
Identicação de iniciativas
e processos agroecológi-
cos coletivos existentes na
Colômbia.
Consolidação da base de
dados com informações
preliminares e dados de
contato
Aplicação da pesquisa online
Envio de e-mails para a base de
dados criada na etapa 1.
Convite para participar do mapea-
mento, através da conta de Twitter da
FAO-Colômbia e do WhatsApp.
Acompanhamento por telefone para
diligenciar a pesquisa.
Concepção da pesquisa.
Criação da pesquisa no
software gratuito e de có-
digo aberto KoBo Toolbox
Depuración, análisis
y visualización de la
información con el
Power Bi.
ETAPA 2
ETAPA 3
ETAPA 4
ETAPA 1
Fonte: documentos de mapeamento de processos e iniciativas em agroecologia.
Gráfica 1
Porcentaje de prácticas agroecológicas en las UPA.
Fonte: elaboração própria com base em análise estatística
Porcentagem do EPS total,
que realizam atividades agroecológicas
00%
10%
20%
20,32%
29,89%
52,32%
72,24%
16,54%
1,69%
2,57%
30%
40%
50%
60%
70%
80%
Quantidade de UPA
em cada categoria
Manejo do solo
Controles de
plagas
Controles
pragas
Conservação de
Aparência do solo
Gestão
desperdício
Eu uso fontes
de energia
Assistência técnica
481.551 708.541 1.240.109 1.712.063 391.926 40.095 60.834
41
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
6.3. Identicação de atores relacionados à agroecologia
Para identicar os atores relacionados à agroecologia na Colômbia, foi realizado um mapea-
mento dos atores
19
, que teve como objetivo levantar processos e iniciativas de agroecologia na
Colômbia, sendo realizado com a metodologia descrita na (Figura 5).
20
Vale destacar que existe, na Colômbia, uma grande diversidade de processos agroecológicos e que o mapeamento de atores realizado no âmbito do projeto
“Semeando Capacidades” é apenas uma aproximação das iniciativas de transição agroecológica no país.
Como resultado do mapeamento, foi identi-
cado um total de 128 processos relacionados
à agroecologia na Colômbia
20
, que abarcam
22.977 famílias, sobre as quais foram coleta-
das informações relacionadas a quatro aspec-
tos:
Informações gerais sobre a organização;
2 Descrição dos sistemas produtivos;
Redes e alianças; 4. Informações de contato.
Foram identicadas iniciativas e processos
agroecológicos em 24 departamentos do te-
rritório colombiano (Figura 6), o que equivale
a 72,7% do número total de departamentos, de
acordo com a divisão administrativa e política
da nação.
Os seguintes departamentos tiveram mais de
5 processos mapeados: Cundinamarca (20),
Boyacá (12), Antioquia (11), Bogotá D.C. (11),
La Guajira (8), Cauca (7), Córdoba (7), Meta (6),
e Nariño/Risaralda/Santander/Valle del Cauca
(5) (Gráco 2).
Fonte: documentos de mapeamento de processos e iniciativas em agroecologia.
Gráfico 2
Percentual registrado de iniciativas e processos agroecológicos por departamento.
20 (15,63%)
12 (9,38%)
11 (8,59%)
11 (8,59%)
8 (6,25%)
7 (5,47%)
7 (5,47%)
6 (4,69%)
5 (3.91%)
5 (3.91%)
5 (3.91%)
4 (3,13%)
4 (3,13%)
3 (2,34%)
3 (2,34%)
2 (1.56%)
(0,78%)
1
5 (3.91%)
Cundinamarca 20 (15,63%)
Boyacá 12 (9,38%)
Antioquia 11 (8,59%)
Bogotá 11 (8,59%)
La Guajira 8 (6,25%)
Cauca 7 (5,47%)
Córdoba 7 (5,47%)
Meta 6 (4,69%)
Bolívar 2 (1.56%)
Caquetá (0,78%)
Tolima
Arauca 1
Casanare
Huila
Quindío
Nariño 5 (3.91%)
Risaralda 5 (3.91%)
Santander 5 (3.91%)
Valle del Cauca 5 (3.91%)
Chocó 4 (3,13%)
Putumayo 4 (3,13%)
Caldas 3 (2,34%)
Magdalena 3 (2,34%)
Departamento
42
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
Figura 6
Mapa da Colômbia com a localização aproximada das 128 iniciativas e processos agroecológicos.
Fonte: documentos de mapeamento de processos e iniciativas em agroecologia.
43
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
A partir do conceito de multidimensionalidade
da agroecologia, buscou-se uma categorização
múltipla das iniciativas e processos agroeco-
lógicos, baseada em sua diversidade. Foram
selecionadas as 13 categorias a seguir, com a
opção de escolher mais de uma categoria para
cada processo:
Institutos de pesquisa;
Órgãos de capacitação em agroecologia;
Instituições de ensino superior;
Processos/iniciativas de comercialização;
Organizações de primeiro nível;
Organizações de segundo nível;
Organizações de terceiro nível;
Organizações/grupos de mulheres;
Organizações étnicas;
Agências de cooperação;
Organizações não governamentais;
Entidades governamentais;
Outros processos.
Essas 13 categorias cobrem cinco grupos
de atores: organizações da sociedade civil;
organizações/entidades de capacitação e
ensino; entidades governamentais; agências de
cooperação; organizações não governamentais
e empresas privadas.
O número de processos categorizados como
processos/iniciativas de marketing (71) é
notável, seguido pelo número de processos
categorizados como órgãos de capacitação em
agroecologia (38) e organizações de primeiro
nível (35). O Gráco 10 apresenta as respostas
armativas recebidas para cada uma das
categorias.
Gráfica 3
Categorias das iniciativas e processos agroecológicos.
Fonte: documentos de mapeamento de processos e iniciativas em agroecologia.
# respostas afirmativas
0
40
20
60
71
38
35
27
25
18
17
11
9
8 8
5
2
Comercialização 71
Org. Treinamento 38
Org. 1 nível 35
ONG 27
Outros 25
Org. Étnica 18
Org. Mulheres 17
Org. 2 nível 11
Cop. Internacional 9
Investigação 8
Governo 8
Edu. Superior 5
Org. 3 nível 2
44
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
Gráfico 4
Linha do tempo das iniciativas e processos agroecológicos
Fonte: documentos de mapeamento de processos e iniciativas em agroecologia.
% TG Contagem de nome, iniciativa e / ou processo
1980 1985 1990 1995 2000 2005 2010 2015 2020
15%
10%
5%
0%
2,36%
1,57%
1,57%
3,94%
Ano
0,79%
0,79%
0,79%
0,79%
3,15%
3,15%
3,94%
4,72%
7,87%
13,39%
11,02%
0,79%
Com base nos resultados do mapeamento, foi
elaborada uma linha do tempo (de 1989 a 2020)
que reete os 40 anos de desenvolvimento da
agroecologia na Colômbia. O primeiro processo
ocorreu em 1980 e refere-se à Fundação San
Isidro, sendo seguido pela Fundação Swissaid
em 1983; esses são dois dos processos recen-
seados entre as organizações não governamen-
tais. Entre 1990 e 1992, tem-se o nascimento
da Associação de Pescadores Camponeses
Indígenas e Afrodescendentes para o Desenvol-
vimento Comunitário de Ciénaga Gran del Bajo
Sinú (ASPROCIG), no departamento de Córdoba,
e da Granja Los Sauces, no departamento de
Caldas.
Nessa linha do tempo, destacam-se quatro pi-
cos associados ao surgimento de iniciativas e
processos agroecológicos, como segue: 3,15%
em 2001, o que equivale a 4 processos; 4,72%
em 2006, equivalentes a 6 processos; 7,87% em
2014, 10 processos; e 13,39% em 2018, equiva-
lentes a 17 processos. É possível destacar, tam-
bém, uma tendência crescente desde o início do
ano 2000 (Gráco 4).
45
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
Gráfico 5
Papeis desempenhado pelas iniciativas e processos agroecológicos
Fonte: documentos de mapeamento de processos e iniciativas em agroecologia.
Dim. Ambiental
Dim. Productivo
Dim. Social
Dim. Econômico
Dim. Educacional
Dim. Cultural
Dim. Política
Outro
100
123
121
111
50
0
# Respostas afirmativas
Cada processo pode selecionar várias respostas
92
71
10
Como a multidimensionalidade da agroecolo-
gia foi o elemento que orientou o mapeamento,
investigou-se o desenvolvimento de várias di-
mensões nas iniciativas e processos, sendo
permitido escolher mais de uma dimensão
como resposta. O Gráco 5 mostra que 123
processos agroecológicos desenvolvem as
dimensões ambiental e produtiva; 121, a di-
mensão social; 111, a dimensão econômica;
108, a dimensão educacional; 92, a dimensão
cultural; 71, a dimensão política; e 10 proces-
sos, outras dimensões, como a eclesiástica e
espiritual.
Para aprofundar a caracterização dos proces-
sos, procurou-se saber qual papel acreditam
desempenhar dentro do sistema alimentar. Foi
permitido escolher várias funções.
Frise-se, assim, que 117 processos desem-
penham um papel na produção; 100, na co-
mercialização; 78, no intercâmbio; 76, no pro-
cessamento; 58, na pesquisa, enquanto 53 são
instituições educacionais. O Gráco 13 ilustra
esse conjunto de funções.
O mapeamento resgata a relevância da comer-
cialização nas iniciativas e processos agroeco-
lógicos colombianos, tomando-se como base
os 100 processos que desempenham um papel
da comercialização (não necessariamente de
forma exclusiva) e a autodeclaração de 71 pro-
cessos na categoria de “Iniciativas/processos
de comercialização”.
Na abordagem agroecológica, são promovidos
circuitos curtos de comercialização e redes
alternativas de alimentos, visando uma co-
mercialização direta. A atuação agroecológica
concentra-se na conguração de um sistema
justo e solidário entre produtores e consumi-
dores, conferindo segurança e estabilidade aos
primeiros, e qualidade e saúde aos segundos.
Como resultado, são criados, graças à articu-
lação entre esses atores, novos espaços de
relação social, onde a conança e a proximi-
dade são fatores-chave para a sustentabilidade
(González de Molina, 2011).
46
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
Gráfico 6
Papeis desempenhado pelas iniciativas e processos agroecológicos
Fonte: documentos de mapeamento de processos e iniciativas em agroecologia.
Papeis Produção117
Papeis comercialização 100
Papeis troca 78
Papeis transformação 76
Papeis investigação 58
Papeis
instituiçãoeducacional 53
100
117
100
78
76
58
50
0
# Respostas afirmativas
Cada processo pode selecionar várias respostas Ano: 2020
53
No mapeamento dos processos de transição
agroecológica, perguntou-se também sobre o
desenvolvimento de sistemas produtivos, ob-
servando-se assim que 92,19% dos processos
desenvolvem sistemas produtivos, o que não
faz parte das atividades dos 7,81% restantes.
São 10 os processos mapeados que não desen-
volvem sistemas produtivos, correspondendo a
processos de instituições de ensino superior ou
dedicados à comercialização de produtos agro-
ecológicos ou orgânicos.
Para obter mais detalhes sobre o desenvolvi-
mento de sistemas produtivos, foram coleta-
das informações sobre 5 tipos de sistemas
21
.
O desenvolvimento de sistemas agrícolas é
predominante, com um total de 90 processos
que os implementam, seguido por sistemas
diversicados, com 82 processos. O desenvol-
vimento de sistemas pecuários e orestais foi
identicado em 67 e 42 processos, respectiva-
mente (Gráco 7).
21
Variáveis com dicotomia múltipla.
47
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
O conceito de soberania alimentar
22
tem grande
relevância no desenvolvimento da agroecologia,
como prática e movimento social, pois é uma
via potencial para capacitar as comunidades lo-
cais, tanto na produção quanto no consumo de
alimentos. Nesse sentido, a agroecologia está
diretamente relacionada ao objetivo político da
soberania alimentar, que visa restaurar a pro-
dução e o consumo de alimentos das pessoas
que os produzem ou consomem (Sevilla, 2010).
De acordo com o acima exposto, vericou-se
que 89,68% das iniciativas armaram alocar um
percentual de sua produção ao autoconsumo.
Dentre os processos que declararam dedicar
uma parte de sua produção ao autoconsumo,
10 armaram que alocam 100% de sua pro-
dução ao autoconsumo; 9 processos, 90%; 6
processos, 80%; 7 processos, 70%; e 6 proces-
sos, 60%, enquanto 20 processos relataram
destinar 50% de sua produção. O Gráco 15
mostra em detalhes os percentuais destinados
ao autoconsumo nos diferentes processos.
Gráfica 7
Descrição dos sistemas produtivos nos processos agroecológicos.
Fonte: documentos de mapeamento de processos e iniciativas em agroecologia.
Florestal
Agrícola Diversificado Outros Pecuário
42 (3%)
27 (%)
33 (2%)
24 (2%)
48 (4%)
73 (63,4%)
90 (7%)
82 (71,2%)
93 (7%)
67 (58,2%)
Não
Sim
Não
Sim
NãoSim NãoSim NãoSim
Gráfico 8
Percentual de produção que as iniciativas e processos agroecológicos destinam ao autoconsumo.
3 (25% AC)
6 (60% AC)
6 (40% AC)
7 (70% AC)
9 (90% AC)
9 (20% AC)
10 (100% AC)
11 (10% AC)
15 (30% AC)
20 (50% AC)
6 (80% AC)
Fonte: documentos de mapeamento de processos e iniciativas em agroecologia
48
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
22
Soberania alimentar é entendida aqui como o direito que tem qualquer país de denir as suas próprias políticas e estratégias sustentáveis para a produção,
distribuição e consumo de alimentos, no intuito de garantir a toda a população o direito a uma alimentação saudável e nutritiva, respeitando suas próprias culturas
e a diversidade dos sistemas de produção, comercialização e gestão dos espaços rurais (Resolução 464, de 2017, MADR).
Gráfico 9
Porcentagem de iniciativas e processos que têm ou estão relacionados a certificações confiáveis.
Os laços de conança entre produtores e con-
sumidores são um pilar fundamental para a
comercialização de produtos agroecológicos,
que se desenvolve e fortalece de várias manei-
ras; uma delas consiste em criar certicações
de conança, que vão além dos processos de
certicação e servem de incentivo para avançar
rumo a uma melhoria contínua das práticas, ao
mesmo tempo que permitem o compartilha-
mento de orientações comuns. Os Sistemas de
Garantia Participativa (SGP) foram classica-
dos como processos de certicação participa-
tiva, baseados na conança
23
.
Vericou-se que 44 iniciativas ou processos
agroecológicos declararam ter ou estar as-
sociados a alguma certicação de conança
(39,39%) (Gráco 9).
Certificação
39,29%
0%
50%
60,71%
NÃO
SIM
Perguntou-se ainda sobre o uso de sementes nativas, crioulas e comerciais nas iniciativas e
processos agroecológicos, como componente do sistema de produção.
Sobre o uso de sementes, vericou-se que 83,59% dos produtores utilizam sementes nativas ou
crioulas, enquanto 16,41% não usam (Gráco 17). Destaca-se que 27 processos utilizam 100% de
sementes nativas e crioulas em seus sistemas produtivos; 8 processos, 90%; 15 processos, 80%;
11 processos, 70%; e 16 processos; 50%.
Gráfico 10
Uso de sementes nativas/crioulas
Fonte: documentos de mapeamento de processos e iniciativas em agroecologia.
Fonte: documentos de mapeamento de processos e iniciativas em agroecologia.
Nativas/Crioulas
16,41%
0%
50%
83,59%
SIM
NÃO
23
Os sistemas participativos de garantia são ferramentas de certicação e têm como objetivo validar um processo de produção (e, às vezes, de distribuição). Den-
tro de um determinado grupo, a partir de uma participação horizontal, esses sistemas estabelecem processos que permitem avaliar, nas unidades de produção,
o grau de conformidade com os critérios denidos pelo próprio grupo. A sua principal característica é que, além de avaliar, eles permitem um aconselhamento e
acompanhamento dos produtores em seu processo de melhoria das práticas, tendo como objetivo nal um aumento constante da sustentabilidade (e da sobera-
nia alimentar, quando assim determinado pelo grupo) (Torremocha, 2012).
49
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
Para identicar o desenvolvimento em rede dos
processos agroecológicos colombianos, foi rea-
lizado um mapeamento de rede, incluindo uma
caracterização, baseada no tipo e no número
de alianças de cada iniciativa ou processo. Em
termos de rede, os processos “Proyecto Sin
Fronteras” e “Corporación Agroecológica Tierra
Libre” apresentaram o maior número de entra-
das (13 e 14 atores, respectivamente), o que
permite identicá-los como nós de articulação
entre os processos agroecológicos.
No que diz respeito ao tipo de relações em rede,
vericou-se que as alianças predominantes
são técnicas (34%), seguidas pelas comerciais
(18%), educacionais (15%), nanceiras (13%) e
sociais (12%). À luz dos resultados supracita-
dos, as ações destinadas a fortalecer as redes
agroecológicas poderiam adotar esse ponto
de partida e encetar um fortalecimento dos
aspectos técnicos e comerciais, levando em
consideração a presença desse tipo de atores
nos territórios, assim como os seus processos
de articulação.
Os resultados desse mapeamento constituem
indicadores da diversidade e multidimensio-
nalidade das práticas agroecológicas colom-
bianas, evidenciando ainda uma tendência de
crescimento da agroecologia na Colômbia, o
que reforça o apelo da sociedade civil pela for-
mulação e implementação de políticas públicas
destinadas a desenvolver a agroecologia no
país, como ciência, prática e movimento social.
50
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
7. Quadro estratégico das diretrizes para
políticasblicas
7.1. Objetivos das diretrizes
Direcionar ações públicas e privadas para o
apoio e a promoção da transição agroeco-
lógica na ACFC e outros atores rurais.
Estabelecer as linhas de ação prioritárias
para a capacitação do ACFC, com uma
abordagem agroecológica.
7.2. Abordagens das diretrizes
A partir dos resultados obtidos nas diferentes fases
contempladas para o desenvolvimento do presente
documento, em particular, na fase de revisão e
caracterização documental, foram identicadas
as seguintes abordagens, a serem nele incluídas
(Figura 7).
Figura 7
Elementos de abordagem das diretrizes para políticas públicas em agroecologia
Fonte: Elaboração própria
Abordagem
territorial
Abordagem
intersetorial
Abordagem de
sustentabilidade
Abordagem
multidimensional
Abordagem
diferencial
Abordagem
participativa
Elementos de
enfoque de los
lineamientos de
PP AE
51
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
As diretrizes, ações e estratégias para fortalecer
a agroecologia incorporam uma abordagem te-
rritorial, levando em consideração as condições
de diversidade biológica e as particularidades
geográcas, sociais, culturais, étnicas, ambien-
tais e econômicas de cada território. Além disso,
parte-se de uma visão sistêmica, que permite o
fortalecimento de várias capacidades locais e
contempla a participação direta dos atores pre-
sentes no território, assim como a promoção de
ações voltadas para o planejamento e o desen-
volvimento territorial sustentável.
Abordagem territorial
As diretrizes e ações de política pública em
agroecologia incorporam uma abordagem di-
ferencial, reconhecendo as particularidades de
idade, gênero, pertencimento étnico e deciên-
cia, cabendo assim reconhecer as práticas e
conhecimentos de cada ator, além de buscar-se
garantir o gozo efetivo de seus direitos. Em ma-
téria de gênero, fomenta-se a democratização
das relações de gênero dentro da família, como
unidade produtiva, por meio da redistribuição de
cotas de poder”, que podem ser consideradas
fatores de empoderamento coletivo e individual
das mulheres (Arias, 2014).
Abordagem participativa
As diretrizes partem do reconhecimento dos
saberes ancestrais e tradicionais das comu-
nidades rurais, promovendo diálogos com o
conhecimento cientíco, em suas diversas
áreas; dessa forma, graças a um processo par-
ticipativo que inclui vários atores, experiências
e visões, e ao diálogo de saberes que estabe-
lecem entre si, é possível gerar conhecimentos
adequados a cada contexto e realidade territo-
rial.
Abordagem intersetorial
As ações das diretrizes para políticas públicas
em agroecologia integram uma abordagem
intersetorial, uma vez que, para sua implemen-
tação, várias áreas de atuação estão envolvi-
das, tais como agricultura, educação, saúde
ou meio ambiente; sendo assim, essas áreas
estão relacionadas às missões de órgãos liga-
dos a diferentes ministérios e, em geral, a vários
setores da sociedade civil.
Abordagem multidimensional
As diretrizes para políticas públicas incorpo-
ram uma abordagem multidimensional, pois a
agroecologia não se expressa apenas nas di-
mensões produtiva e tecnológica, abordando
também categorias sociais, culturais, ambien-
tais, éticas e políticas, o que permite uma con-
cepção integral e sistêmica da agroecologia e
sua interconexão com o território, como um
campo relacional.
Abordagem de sustentabilidade
As diretrizes para políticas públicas em agro-
ecologia incorporam uma abordagem de sus-
tentabilidade, uma vez que ela promove uma
gestão sustentável da base de recursos natu-
rais, bem como a transformação tecnológica
e institucional necessária para tal, de modo a
garantir a resposta e a permanente satisfação
das necessidades humanas, para gerações pre-
sentes e futuras.
7.3. Diretrizes para políticas
públicas em agroecologia na
Colômbia
A partir da revisão e análise documental dos
11 documentos elencados na Tabela 5 do pre-
sente documento, foi projetada uma matriz de
análise qualitativa das informações (Anexo 4),
que identicou 508 propostas relacionadas à
agroecologia, codicadas em 64 linhas temáti-
cas e agrupadas em 5 eixos estratégicos; esses
eixos correspondem às questões identicadas
neste documento, que, por sua vez, estão rela-
cionados com os 5 eixos abordados nas oci-
nas regionais sobre políticas públicas em agro-
ecologia, encabeçadas pelo MADR em 2018.
Isso está representado na Figura 8.
52
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
Como exposto acima, as 64 linhas temáticas identicadas foram incorporadas aos 5 eixos estra-
tégicos, estruturando as suas principais ações, como mostrado no Gráco 11.
Figura 8
Processo de codificação e análise dos insumos documentais
Gráfico 11
Distribuição das linhas temáticas nos eixos estratégicos
Fonte: Elaboração própria, com base em matriz de análise qualitativa
Fonte: elaboração própria com base em matriz de análise qualitativa.
Revisão e
síntese dos
insumos
documentais
Agrupamento
das 64 linhas
temáticas
em 5 eixos
estratégicos
Produção AE e
nanciamento;
Comercialização e
consumo;
• Capacitação,
extensão e pesquisa
Biodiversidade e
mudança do clima;
• Governança,
equidade de gênero
e juventude.
Identicação
de 508
propostas
relacionadas à
agroecologia
Codicação
qualitativa das
508 propostas
em 64 linhas
temáticas
Governança, igualdade de gênero e juventude
Biodiversidade e mudanças climáticas
Marketing e consumo
Treinamento, extensão e pesquisa
Produção e financiamento agroecológico
Distribuição de linhas nos eixos
Eixos estratégicos
0
2
4
6
8 10 12
14
16 18 20
53
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
As linhas temáticas agrupadas nas diretrizes
estratégicas são apresentadas como as princi-
pais linhas de ação para cada eixo. Vale men-
cionar que algumas linhas temáticas foram
agrupadas ou fundidas, além de terem sido
incluídas linhas de trabalho com perspectiva de
gênero, no intuito de reduzir possíveis lacunas.
Eixos estratégicos das diretrizes para políticas
públicas em agroecologia
Como para qualquer sistema de produção agrí-
cola, o fortalecimento e a promoção da agro-
ecologia na Colômbia exigem que condições
básicas de desenvolvimento rural sejam garan-
tidas. Essas condições, que afetam tanto os
produtores agroecológicos quanto os produto-
res convencionais e os demais habitantes do
campo, são uma condição sine qua non para o
desenvolvimento da agroecologia. Como ponto
de partida, as diretrizes aqui propostas recon-
hecem a necessidade de fortalecer políticas
e programas, em termos de acesso e forma-
lização de terras, moradia rural, infraestrutura
viária e produtiva, serviços públicos (água, es-
goto, eletricidade, internet), saúde, educação,
segurança e outros bens públicos, tendo isso
sido salientado tanto pela Reforma Rural Inte-
gral quanto pela Missão para a Transformação
do Campo. Nesse sentido, as diretrizes apre-
sentadas a seguir só alcançarão o seu máximo
potencial se forem implementadas em conjunto
ou ampararem-se no fortalecimento dessas
condições básicas de desenvolvimento rural.
A presente proposta de diretrizes para políticas
públicas está em consonância com as estraté-
gias e diretrizes contempladas no Documento
CONPES 3934, de 2018, que elabora a política
de crescimento verde, indicando em seu plano
de ação, diretriz 15, que “uma política pública de
promoção da agricultura ecológica e agroecoló-
gica deverá ser formulada, cabendo publicá-la
em 2022. De igual modo, no âmbito dessa po-
lítica, a Agrosavia (Corporação Colombiana de
Pesquisa Agropecuária) deverá incluir aborda-
gens de gestão sustentável da terra e práticas
agroecológicas no desenvolvimento de novas
propostas tecnológicas, em 2020 e 2021
24
” .
De igual modo, estas diretrizes estão em con-
sonância com o indicado na Resolução 464
de 2017, que incorpora em suas 10 diretrizes,
estratégias e ações destinadas a fortalecer a
agroecologia; bem como o que está contem-
plado nos acordos de paz entre o governo e as
FARC, especicamente no ponto 1 da Reforma
Rural Integral - RRI, que incorpora em suas lin-
has de ação, inovação e desenvolvimento tec-
nológico em áreas como a agroecologia.
As diretrizes também estão em consonância
com o disposto na Resolução 464, de 2017,
que incorpora às suas 10 diretrizes estratégias
e ações destinadas a fortalecer a agroecologia,
sendo igualmente contempladas nos Acordos
de Paz entre o Governo e as FARC, especi-
camente, no ponto 1 da seção sobre Reforma
Rural Integral – RRI, que inclui, em suas linhas
de ação, inovação
25
e desenvolvimento tecno-
lógico em diversas áreas, como agroecologia.
Frise-se que o presente documento se concen-
tra nas diretrizes para agroecologia e, embora
reconheça a importância do acesso a bens e
serviços públicos (saúde, educação, moradia,
terra, etc.), considera-se aqui que são políticas
transversais para o desenvolvimento rural, de
forma geral. Assim sendo, este documento não
aprofundará esses aspectos.
Como mencionado acima, é apresentada a
seguir uma descrição dos 5 eixos estratégi-
cos das diretrizes para políticas públicas em
agroecologia, além de suas principais linhas de
ação.
24
CONPES 3934 de 2018, 78.
25
Por inovação, entende-se o processo por meio do qual pessoas, comunidades ou organizações produzem mudanças na concepção, na produção ou na recicla-
gem de bens e serviços, bem como no entorno institucional circundante. HLPE, # 14.
54
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
Este eixo inclui ações voltadas para o fomento
e o fortalecimento dos processos de transição
agroecológica, ressaltando fatores como:
acesso a crédito especializado; geração de valor
agregado nos sistemas de produção; promoção
da segurança alimentar com abordagem agro-
ecológica; e visibilidade, massicação/escalo-
namento da agroecologia na Colômbia.
As principais linhas de ação incluem:
1.1 Identicação e caracterização dos agri-
cultores e empreendimentos agroecológicos,
para servir de insumo a um sistema nacional de
informação e registro dos produtores agroeco-
lógicos, o que pode ser realizado graças a ins-
trumentos como: “Meu Registro Rural”, Regis-
tro de Usuários da Extensão Agrícola, Sistema
de Informação da Lei 2046/2020, entre outros.
Todo o acima exposto está em consonância
com as disposições da Resolução n°464 de
2017, diretriz 10.1, que se refere a sistemas de
informação para a ACFC
26
.
1.2 Criação e implementação de linhas de
crédito especícas para processos de conver-
são e transição agroecológica que contemplem
a diversidade de sistemas e arranjos produtivos
(por exemplo, policultura, culturas consorcia-
das, sistemas agroorestais e silvopastoris,
entre outros). Para o desenvolvimento dessa
estratégia, pode-se levar em conta as linhas de
crédito destinadas à agricultura familiar, adap-
tando-as à produção agroecológica. Isso con-
tribui para a realização da linha de ação 16 da
CONPES 3934 (Política de crescimento verde),
que se refere à criação de linhas de crédito de
desenvolvimento agrícola para atividades pro-
dutivas sustentáveis
27
.
1.3 Criação de linhas de fomento para a pro-
dução de bioinsumos, estabelecimento de
biofábricas e gestão de resíduos, tanto no âm-
bito das fazendas quanto em nível territorial, in-
tegrando-os aos empreendimentos rurais (por
exemplo, nos Projetos Integrados de Desenvol-
vimento Agrícola e Rural - PIDAR-ADR, nos Pla-
nos de Estruturação - ART, nos Programas de
Desenvolvimento Rural com Igualdade - MADR,
entre outros).
1.4 Concepção e implementação de estraté-
gias para o fortalecimento e sustentabilidade
das economias solidárias locais, vinculadas à
transição agroecológica, podendo-se levar em
O eixo 1 contribui para os ODS 1, 2, 8, 12, 13 e 15
Eixo 1: Produção agroecológica e financiamento
26
MADR. 2017. Resolução 464, de 2017, Bogotá, 85.
27
CONPES 3934 de 2018, 78.
55
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
consideração: projetos de capital semente, cré-
ditos a juros baixos, isenções, condições prefe-
renciais, fundos rotativos, entre outros. Todo o
acima exposto contribui para o Plano Nacional
de Fomento da Economia Solidária e das Coo-
perativas Rurais - PLANFES (2017-2032), Reso-
lução 2950, de 2020.
1.5 Implementação e fortalecimento de pro-
gramas de segurança e soberania alimentar e
nutricional, colocando ênfase nos sistemas de
transição agroecológica e reconhecendo a qua-
lidade biológica dos alimentos cultivados nes-
ses modelos de produção (por exemplo, hortas
agroecológicas, hortas tradicionais indígenas
ou “chagras”, hortas escolares e comunitárias,
sistemas diversicados de produção agroeco-
lógica, entre outros).
1.6 Visibilidade às iniciativas de reconversão
e transição agroecológica, por meio de ma-
peamentos, estudos e sistematizações de ex-
periências bem sucedidas, que possam servir
como referência para avançar na massicação
da agroecologia.
1.7 Concepção e implementação de progra-
mas de investimento para a massicação e
escalonamento da agroecologia, de modo que
as unidades de produção familiar possam ser
replicadas e escalonadas, tanto em âmbito te-
rritorial quanto de sistema agroalimentar.
1.8 Desenvolvimento de programas voltados
para o fomento da agricultura agroecológica
urbana e periurbana, sob iniciativa das autori-
dades territoriais, em diálogo com os proces-
sos locais, e como alternativa para diversicar
a renda e promover o autoconsumo de alimen-
tos livres de agroquímicos.
56
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
Este eixo inclui ações voltadas para o fomento
e fortalecimento de circuitos curtos de comer-
cialização, mercados alternativos e mercados
especializados, no âmbito da ACFC, com abor-
dagem agroecológica, dando-se destaque a
fatores como: impulsionar processos de certi-
cação de conança e Sistemas Participativos
de Garantia SPG, assim como a certicação
por terceiros; fomentar compras institucionais;
impulsionar o biocomércio e os negócios ver-
des, numa ótica de inovação agroecológica e
promoção do consumo saudável e sustentável.
As principais linhas de ação incluem:
2.1 Criação de programas destinados a forta-
lecer capacidades para formar circuitos cur-
tos de comercialização e mercados agroeco-
lógicos alternativos, destacando-se: mercados
camponeses, feiras itinerantes, esquemas com
cestas a domicílio, lojas ecológicas, rodadas
de negócios, entre outros. Será dada priori-
dade às ações voltadas para o fortalecimento
de infraestruturas comerciais, plataformas lo-
gísticas, plantas de processamento e armaze-
namento; também será incentivada a partici-
pação de organizações de mulheres, jovens e
comunidades étnicas. Todo o acima exposto
contribui para o Plano Nacional de Promoção
da Comercialização da Produção da Economia
Camponesa, Familiar e Comunitária, especi-
camente, para sua estratégia 2, linha 3
28
.
2.2 Concepção e implementação de projetos
voltados para o fortalecimento de negócios ver-
des, especicamente, em suas 4 categorias:
uso e exploração sustentável dos recursos
naturais, produtos ecológicos, serviços am-
bientais e mecanismos de desenvolvimento.
Isso está em consonância com o disposto na
linha de ação 16 da CONPES 3934 (Política de
crescimento verde), que se destina ao desen-
volvimento de estratégias para o nanciamento
de projetos produtivos sustentáveis, sendo a
agroecologia destacada como um critério para
o crescimento verde na Colômbia.
2.3 Incluir no processo de regulamentação
da Lei n°2046, de 2020, relativa a compras
públicas, a visibilidade dos agricultores fami-
liares agroecológicos na caracterização da
oferta, além de incluir critérios e pontuações
ou preços diferenciados para a compra de ali-
mentos oriundos de sistemas agroecológicos
(como indicado no parágrafo único do Artigo
9°, Lei 2946/2020).
Eixo 2: Comercialização e consumo
O eixo 2 contribui para os ODS 2, 3, 4 e 12
28
MADR 2020. Resolución 006 de 2020, 22.
57
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
2.4 Criação de programas destinados a recon-
hecer, promover e apoiar selos de conança
e Sistemas Participativos de Garantia (SPG)
em sua condição de mecanismos alternativos
de certicação para a produção agroecológica,
que sejam acessíveis para os agricultores e
conáveis para os consumidores. Isso contribui
para o Plano Nacional de Promoção da Comer-
cialização da Produção da Economia Campo-
nesa, Familiar e Comunitária, especicamente,
em sua estratégia 1, linha
29
2 , além de permitir
a priorização de alimentos agroecológicos nas
compras públicas (parágrafo único, Art. 9, Lei
2046/2020).
2.5 Concepção e implementação de estraté-
gias para prestar apoio técnico na certicação
por terceiros de agricultores familiares, desta-
cando-se: certicação ecológica, orgânica, Ra-
inforest Alliance, Global GAP, UTZ, entre outros,
como um mecanismo de acesso a mercados
especializados e internacionais. Isso contribui
para o desenvolvimento do Plano Nacional de
Promoção da Comercialização da Produção da
Economia Camponesa, Familiar e Comunitária,
especicamente, em sua estratégia 2, linha 4
30
.
2.6 Elaboração e implementação de uma es-
tratégia para a promoção de hábitos alimenta-
res saudáveis, incluindo ações de Informação,
Educação e Comunicação (IEC), voltadas para
o fomento do consumo consciente, saudável
e sustentável de alimentos de origem local, re-
cuperando assim os saberes e culinárias tradi-
cionais e priorizando os sistemas de produção
agroecológicos. Isso está em consonância com
a Resolução n°464, de 2017, artigo 9°, estraté-
gia 14
31
. Essas ações de IEC darão prioridade
aos programas públicos de abastecimento
e distribuição de alimentos, no marco da Lei
2046/2020, mas também incluirão estratégias
de mídia de massa.
2.7 Concepção e adaptação de cardápios ali-
mentares, derivados de sistemas de produção
agroecológicos e de acordo com a cultura e há-
bitos alimentares locais.
29
Ibid, 21.
30
MADR 2020. Resolución 006 de 2020, 24.
31
MADR. Ministerio de Agricultura y Desarrollo Rural de Colombia. 2017. Resolución 464 de 2017. Bogotá, 13.
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
5858
32
Ibid,. 80.
33
Ley 1876 del 29 de diciembre de 2017. Por medio de la cual se crea el Sistema Nacional de Innovación Agropecuaria y se dictan otras disposiciones, 16. disponi-
ble en: http://es.presidencia.gov.co/normativa/normativa/LEY%201876%20DEL%2029%20DE%20DICIEMBRE%20DE%202017.pdf.
ECA
AGROECOGICA
Este eixo inclui ações destinadas a fortalecer os
processos de capacitação, extensão e pesquisa,
a partir de uma abordagem de inovação agro-
ecológica, destacando-se fatores como: siste-
matização de experiências e pesquisas, numa
perspectiva agroecológica e com abordagem
diferencial; fomento a processos que envolvem
escolas camponesas agroecológicas; recupe-
ração de saberes tradicionais/ancestrais e diá-
logo com o conhecimento cientíco, adotando
uma abordagem de inovação participativa, sob
os princípios da agroecologia.
As principais linhas de ação incluem:
3.1 Desenvolvimento de programas, cursos,
seminários e cátedras de agroecologia nos
currículos de educação primária, secundária,
técnica e prossional, assim como nos Projetos
Escolares Ambientais (PRAE), nos Comitês Inte-
rinstitucionais de Educação Ambiental (CIDEA) e
nos Projetos Cidadãos de Educação Ambiental
(PROCEDA). Isso está em consonância com a
Resolução n°464, de 2017, diretriz 7.3
32.
3.2 Incluir cursos ou programas de agroecologia
nos currículos de formação de extensionistas,
tanto através do SENA quanto de instituições de
ensino superior.
3.3 Desenvolvimento de programas de extensão
agropecuária que incluam ferramentas de tran-
sição agroecológica e que permitam aos exten-
sionistas acompanhar a ACFC em seus proces-
sos de reconversão produtiva ou transição para
modelos de produção agroecológicos. Serão
envidados esforços para incluir o acima exposto
nos Planos Departamentais de Extensão Agro-
pecuária (PDEA), assim como no subsistema
nacional de extensão agropecuária, uma vez que
um dos cinco elementos de sua abordagem se
refere ao manejo sustentável dos recursos natu-
rais e à adoção de práticas voltadas para a mi-
tigação e adaptação às mudanças climáticas
33
.
3.4 Promoção e fortalecimento das escolas
camponesas agroecológicas e escolas de
multiplicadores, em sua condição de espaços
para capacitação e intercâmbio de saberes
e experiências, a partir de conhecimentos
tradicionais/ancestrais presentes nos territórios.
3.5 Concepção e implementação de estratégias
de comunicação sensíveis ao gênero e inter-
culturais, com vistas a intercâmbios e capaci-
tações, assim como à visibilidade da agroecolo-
Eixo 3: Capacitação, extensão e pesquisa
O eixo 3 contribui para os ODS 2, 4, 9 e 12
59
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
gia (rádio, redes sociais, plataformas interativas),
em consonância com o objetivo 7 do Sistema
Nacional de Inovação Agrícola (SNIA)
34
.
3.6 No marco da atualização do Plano Estraté-
gico de Ciência, Tecnologia e Inovação Agrope-
cuária (PECTIA)
35
, especicamente, na seção
2.3.3, relativa à agricultura familiar,
incluir pro-
gramas e linhas de ação voltadas para a gestão
do conhecimento, a inovação colaborativa
36
e
a integração tecnológica,
com vistas à recon-
versão produtiva e à transição agroecológica,
em coordenação com as autoridades territoriais,
incluindo cotas diferenciadas.
3.7
Aumentar os recursos destinados ao
nanciamento de projetos de pesquisa
em agroecologia e criar editais especícos
para esse m, por meio do Sistema Geral de
Royalties (SGR) ou de instituições nacionais,
departamentais e municipais. Essas pesquisas
devem incorporar metodologias participativas
que incentivem o diálogo entre o conhecimento
cientíco e os saberes tradicionais/ancestrais.
3.8 Integração de perspectivas de
gênero,
geracional e étnica
nos processos de
pesquisa e extensão agropecuária voltados
para a reconversão produtiva e a transição
agroecológica, no intuito de enfatizar a
contribuição e o papel de mulheres, jovens,
crianças e grupos étnicos na agroecologia.
34
Ibid, 6.
35
PECTIA (2017-2027). Plan Estratégico de Ciencia, Tecnología e Innovación Agropecuaria , 65.
36
Innovación colaborativa, entendida como el proceso de innovación que ocurre en un marco de colaboración entre diferentes actores, con altos niveles de cohe-
sión con el entorno en el que se produce y con mayores probabilidades de adopción y éxito. (Ley 1876 de 2017, artículo 2).
60
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
Este eixo inclui ações destinadas a promover
práticas agroecológicas, como um mecanismo
para a conservação da agrobiodiversidade e a
mitigação e adaptação à mudança climática,
destacando-se fatores como: concepção e im-
plementação de tecnologias ecológicas para a
conservação dos recursos hídricos e edácos,
reconhecimento e uso de serviços ecossistêmi-
cos derivados da agroecologia, entre outros.
As principais linhas de ação incluem:
4.1 Caracterização, recuperação, conser-
vação e uso sustentável de espécies animais
e vegetais (nativas e crioulas) típicas dos agro-
ecossistemas, como uma ferramenta para a
conservação da agrobiodiversidade, articulada
com o plano nacional de sementes liderado
pela Agrosavia.
4.2 Concepção e implementação de programas
de fomento para o estabelecimento de bancos
e casas de sementes, além da promoção de
feiras, intercâmbios e permutas para o uso e
troca de sementes nativas e crioulas, desen-
volvendo-se assim o ponto 1.3.3.2 do Acordo
de Paz.
4.3 Criar linhas de fomento para a implemen-
tação de tecnologias ecológicas apropriadas e
o uso de energias renováveis, como ferramenta
para a conservação dos recursos hídricos e ed-
ácos e para a prevenção/gestão de riscos e
mitigação de gases de efeito estufa, por exem-
plo: captação de água, carneiros hidráulicos,
cozinhas energeticamente ecientes, fossas
para tratamento de água, entre outros, em con-
sonância com as disposições da Lei n°1931,
de 2018, “Diretrizes para a gestão da mudança
climática”, artigo 12
37
.
4.4 Desenvolvimento de projetos destinados a
promover práticas agroecológicas em áreas
de importância ambiental onde é permitido
um uso condicional da terra para atividades
agrícolas, o que está em conformidade com
as disposições do pacto de sustentabilidade
do Plano Nacional de Desenvolvimento 2018 -
2022.
4.5 Concepção e implementação de linhas de
fomento e apoio técnico para o pagamento por
serviços ambientais derivados da agricultura
familiar de base agroecológica.
Eixo 4: Biodiversidade e Mudança do clima
O eixo 4 contribui para os ODS
1, 2, 3, 6, 7, 11, 13, 14 e 15
37
Ley 1931 de 2018. Por la cual se establecen directrices para la gestión del cambio climático, 9. https://www.minambiente.gov.co/images/normativa/app/
leyes/5f-ley%201931%20de%202018.pdf.
61
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
4.6 Criação de programas voltados para o re-
conhecimento social e econômico dos serviços
ecossistêmicos derivados da agroecologia,
como mecanismo de diversicação de renda
para a ACFC, destacando-se: fornecimento de
alimentos saudáveis, água e bras; qualidade
do ar e do solo; preservação do habitat para a
vida selvagem e os polinizadores; sequestro de
carbono, além de serviços culturais de ecotu-
rismo, etnoturismo, entre outros). Todo o acima
exposto contribui para a linha de ação 04 do
CONPES 3934 (Política de crescimento verde)
38
e para a Resolução n°464, de 2017, diretriz 8.1.,
“Turismo rural e aproveitamento sustentável da
biodiversidade”
39
.
38
CONPES 3934, de 2018, 68.
39
MADR 2017. Resolução n°464, de 2017, 80.
62
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
Este eixo inclui ações destinadas à valorização
social e econômica do papel das mulheres na
produção agroecológica, assim como na segu-
rança alimentar e, em geral, na economia dos
cuidados, além do fomento à participação da
ACFC nos processos de planejamento e gover-
nança territorial, destacando-se fatores como:
acesso a nanciamentos com abordagem dife-
rencial; fomento de pesquisas sobre a ACFC de
base agroecológica com abordagem de gênero;
acesso a bens e serviços públicos, com abor-
dagem diferencial (saúde, educação, moradias,
infraestruturas viárias, terras, etc.); integração
da abordagem agroecológica nos instrumentos
de planejamento e desenvolvimento territorial
(PMD, POMCA, POT, etc.).
As principais linhas de ação incluem:
5.1 Adequação dos espaços em termos de
cronograma e metodologia, com vistas à par-
ticipação ativa e direta das mulheres nos foros
de construção de políticas públicas em desen-
volvimento rural, de modo a reetir e valorizar
a contribuição das mulheres nos processos de
produção agroecológica, segurança alimentar
e cuidados dispensados aos recursos naturais,
para a implementação da Resolução n°464, de
2017, diretriz 9.2, “Fortalecimentos das capaci-
dades de participação
40
.
5.2 Concepção e implementação de programas
de educação formal e não formal sobre asso-
ciatividade, liderança e fomento à organização
comunitária, voltados para mulheres e jovens,
em sua condição de mecanismos que favore-
cem os processos de produção agroecológi-
cos, processamento, comercialização e diver-
sicação de renda para agricultoras familiares,
em conformidade com as ações contempladas
na Resolução n°464, de 2017, diretriz 2.1, “Edu-
cação rural para a ACFC”
41
.
5.3 Visibilidade e apropriação dos foros de
participação existentes, preparando também
a participação das mulheres na construção de
instrumentos de planejamento e desenvolvi-
mento territorial (PDM, POMCA, POT, EOT, etc.),
com a nalidade de integrar linhas e programas
de produção agroecológica com perspectiva de
gênero. Algumas dessas condições podem in-
cluir: disponibilidade de lugares e funcionários
para cuidar de meninos e meninas durante as
sessões; programação de horários de reunião
acordados com as mulheres; garantia de ali-
mentação, entre outros.
Eixo 5: Governança, equidade de gênero e jovens
O eixo 5 contribui para os ODS 1, 4, 5, 8, 10, 16 e 17
63
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
5.4 Criação e implementação de linhas de
crédito especícas para reconversão e tran-
sição agroecológica, voltadas para mulheres,
jovens e grupos étnicos, que reconheçam os
diversicados sistemas e arranjos da agroeco-
logia, em conformidade com as disposições
da Resolução n°464, de 2017, diretriz 4.1., “Ser-
viços nanceiros rurais”
42
.
5.5 Desenvolver processos de capacitação
sobre questões de gênero, destinados às
famílias de agricultores familiares, no intuito
de promover relações de gênero igualitárias e
a corresponsabilidade, com vistas a uma redis-
tribuição da carga de tarefas domésticas, cui-
dados e atividades de produção agroecológica.
Devem ser criadas condições para a represen-
tação das mulheres rurais e das prossionais
do campo, com paridade na participação (nú-
mero idêntico de mulheres e homens), abor-
dando-se questões de gênero, a economia dos
cuidados e as masculinidades rurais.
5.6 Integração de perspectivas de gênero, gera-
cional e étnica nos processos de pesquisa e ex-
tensão agropecuária voltados para a reconver-
são produtiva e a transição agroecológica, no
intuito de promover um aumento dos estudos
agroecológicos com abordagem diferencial; in-
tegrar a perspectiva de gênero, como boa prá-
tica de extensão; e fomentar um maior número
de jovens e mulheres entre os pesquisadores e
extensionistas colombianos. Isso está reetido
na Resolução n°464, de 2017, diretriz 1.2, “Jo-
vens rurais extensionistas”
43
.
5.7 Gerar programas de apoio (nanciamento,
capacitação e ativos produtivos) para em-
preendimentos agroecológicos liderados por
jovens (biofábricas, processamento, comercia-
lização, agroecoturismo, entre outros), como
parte de uma política pública para a juventude
da Colômbia.
40
Ibid, 83.
41
Ibid, 60.
42
Ibid, 66.
43
Ibid, pág. 58.
64
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
Os 5 eixos identicados na presente proposta
de diretrizes para políticas públicas em agro-
ecologia estão enquadrados nos instrumentos
normativos e políticos indicados na Tabela 3
(capítulo sobre o marco normativo). No entanto,
9 instrumentos se destacam, por evidenciarem
uma contribuição relevante, sendo representa-
dos na Figura 9.
Figura 9
Principais instrumentos políticos para os quais contribuem as diretrizes de política pública em
agroecologia
Fonte: elaboração própria
ECA
AGROE COLÓ GICA
ODS (2015-2030)
PECTIA
(2017-2027)
Res. 006 de 2020
- Plano Nacional
de Comercial-
ização-ACFC
Acordos de Paz
(2016), ponto
1: RRI
PND Colômbia
(2018-2022)
Lei n°1876, de 2017
(SNIA)
CONPES 3934, de
2018 Crescimento
Verde
Lei n°1931, de
2018 Cambio
Climático
Resolução
n°464, de 2017
(ACFC)
5 Eixos
estratégicos
das diretrizes
Eixo 1: Produção agroecológica
e nanciamento
Eixo 5: Governança, equidade
de gênero e jovens
Eixo 3: Capacitação, extensão
e pesquisa
Eixo 4: Biodiversidade e
Mudança do clima
Eixo 2: Comercialização e
consumo
65
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
Tabela 5
Principais atores envolvidos na gestão da proposta de diretrizes para políticas públicas em
agroecologia
7.4 Principais atores envolvidos na gestão da proposta de diretrizes
À luz da abordagem multidimensional e multissetorial da agroecologia, a Tabela 5 elenca os princi-
pais atores envolvidos na gestão da proposta de diretrizes para políticas públicas em agroecologia
na Colômbia.
ATORES ENVOLVIDOS
Ministério da Agricultura e
Desenvolvimento Rural e entidades
vinculadas
EIXO 1: Produção
agroecológica e
nanciamento
EIXOS ESTRATÉGICOS DAS DIRETRIZES
EIXO 3: Capacitação,
extensão e pesquisa
EIXO 5: Governança,
equidade de gênero e
jovens
EIXO 2:
Comercialização e
consumo
EIXO 4:
Biodiversidade e
Mudança do clima
Ministério da Saúde e Proteção
Social
Governadorias
Ministério de Meio Ambiente e
Desenvolvimento Sustentável
Organizações da Sociedade Civil
relacionadas à agroecologia
Universidades, cooperação
internacional e agentes privados
Ministério da Cultura
Ministério da Educação
Ministério de Tecnologias da
Informação e Comunicações
Ministério de Ciência, Tecnologia e
Inovação
Prefeituras
SENA
Fonte: elaboração própria
66
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
Tabela 6
Relação entre os eixos estratégicos das diretrizes para políticas públicas em agroecologia e os ODS
7.5 Relação entre as diretrizes
para políticas públicas em
agroecologia e os ODS
Tendo em vista que a agroecologia contribui sig-
nicativamente para a realização dos Objetivos
de Desenvolvimento Sustentável (ODS), consi-
dera-se relevante produzir uma análise relacio-
nal entre os 5 eixos estratégicos das diretrizes
propostas e os diferentes ODS, representada na
Tabela 6.
Ao fomentar o acesso a terra,
água, serviços nanceiros
e tecnologia para pequenos
produtores; a diminuição da
dependência de insumos
externos; a promoção de
práticas sustentáveis e as
estratégias de diversicação
genética, a agroecologia
impulsiona a produção de
alimentos e a conservação
de ecossistemas, com uma
abordagem de sustentabili-
dade. As melhorias nos sis-
temas de produção e modos
de vida são importantes para
a erradicação da pobreza e
da fome.
É proposto, também, um
aumento dos investimen-
tos e infraestruturas para
a produção agroecológica,
de modo a incrementar a
produtividade e a renda dos
agricultores camponeses,
familiares e comunitários. A
agroecologia trabalha pela
implementação de políticas
públicas dessa ordem.
Uma nutrição adequada
Produção
agroecológica e
nanciamento
Capacitação,
extensão e pesquisa
Comercialização e
consumo
Biodiversidade e
Mudança do clima
Gobernanza, equidad
de género y juventud
A agroecologia privilegia mer-
cados locais e regionais onde
a diversidade e o acesso a
alimentos saudáveis são in-
centivados. Esses mercados
servem de ponte para aproxi-
mar produtores e consumido-
res, diminuir a intermediação
e permitir aos produtores
expandir as possibilidades de
comercializar seus produtos.
Os mercados alternativos
propostos pela agroecologia
ajudam a conservar a biodi-
versidade; proporcionam valor
agregado aos produtos locais;
fortalecem os processos de
participação dos diferentes
atores; facilitam o acesso dos
consumidores a alimentos
saudáveis e reduzem o des-
perdício e a perda de alimen-
tos, ao encurtar as cadeias de
valor.
Para aumentar a escala da
agroecologia, é necessário
fortalecer a educação rural
e os sistemas de extensão,
promovendo ainda formas de
criação conjunta de conheci-
mentos, a partir de um diálogo
de saberes entre conhecimen-
tos cientícos e tradicionais, o
que viabiliza a inovação agro-
ecológica.
A agroecologia valoriza os
conhecimentos e percepções
autóctones sobre os proces-
sos, práticas, tecnologias e
adaptações locais, reconhe-
cendo sua relevância e prati-
cidade, além de favorecer o
empoderamento das mulhe-
res, jovens e comunidades
étnicas.
Agricultores camponeses,
familiares e comunitários
são quem mais têm conhe-
cimentos sobre como lidar
com a mudança do clima,
mas, também, os mais vulne-
ráveis a eventos climáticos
extremos. A agroecologia
propõe práticas e estratégias
de adaptação e resiliência
diante desses fenômenos
climáticos e outros impactos
econômicos e sociais.
A conservação e o uso
sustentável da diversidade
e o aumento das sinergias
nos agroecossistemas são
características da agroeco-
logia. A promoção dessas
interações entre solos, clima,
água, culturas, vegetação de
acompanhamento, animais,
processos de produção, cul-
tura, símbolos, tradições e
perspectivas humanas per-
mite adaptar o conjunto do
As transformações que
acompanham os proces-
sos agroecológicos pro-
porcionam condições de
oferecer possibilidades de
emprego decente, facilitam
a inovação, as habilidades
e o empreendedorismo dos
jovens, além de reduzirem o
seu êxodo rural.
A agroecologia reconhece o
papel das mulheres rurais,
fortalece as suas capaci-
dades e promove os seus
direitos, autonomia, empo-
deramento e participação
na tomada de decisões re-
levantes.
67
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
depende do acesso a ali-
mentos seguros, nutritivos,
sucientes e adequados do
ponto de vista cultural, com
manutenção da diversidade
genética. Tudo isso contribui
para a redução de lacunas.
A agroecologia defende uma
visão de produtividade e
desenvolvimento econômico
que conserve e utilize ecien-
temente os recursos natu-
rais, graças a práticas como
o manejo da diversidade, que
favorece o controle ecológico
dos insetos e o aumento
da fertilidade do solo. Além
disso, a agroecologia busca
reduzir as perdas pós-col-
heita, planejando sistemas
de vendas; reduzindo as ca-
deias de abastecimento e fo-
mentando o comportamento
esclarecido do consumidor;
conscientizando sobre as
interações entre saúde-nu-
trição e mudança climática,
no intuito de aumentar a
demanda por alimentos sau-
dáveis.
Sob os critérios de resiliência,
inclusão e sustentabilidade,
a agroecologia integra e
reconstrói as relações ur-
bano-rurais para melhorar
a circulação de materiais,
reduzir a poluição ambiental,
melhorar a saúde humana,
promover redes de intercâm-
bio sustentáveis e conservar
os recursos naturais.
O resgate e a revalorização
dos conhecimentos locais,
tanto nas práticas de cultivo
quanto no preparo dos ali-
mentos, permitem preservar
as tradições alimentares e
fomentar a produção de cul-
turas tradicionais pouco utili-
zadas e práticas sustentáveis
de produção animal, o que
favorece dietas nutritivas e
culturalmente adequadas ao
contexto.
O impacto positivo na nutrição
das pessoas é direto e indireto,
sendo produzidos alimentos
saudáveis graças a práticas
agroecológicas de produção,
além da geração de empregos
rurais.
O acesso seguro e igualitário
aos mercados e às possibili-
dades de agregação de valor,
para pequenos produtores,
mulheres e comunidades ét-
nicas, permite um aumento da
produtividade e da renda.
A agroecologia busca um
planejamento integrado e par-
ticipativo das áreas urbanas,
periurbanas e rurais, de modo
a permitir a comercialização e
o consumo sustentáveis, bem
como a proteção do patrimô-
nio cultural e biológico.
Ela promove a capacitação
de agricultores familiares
em todos os níveis, incluindo
escolas agroecológicas e pro-
cessos de agricultor a agricul-
tor, entre outros, no intuito de
promover o desenvolvimento
sustentável. Os processos
educacionais também al-
cançam os consumidores,
fortalecendo assim o impacto
da agroecologia.
Também são impulsionadas
pesquisas sobre aspectos
sociais, políticos, ecológicos
e simbólicos da agroecologia,
o que respalda a sua inclusão
nas políticas públicas.
Promove-se a pesquisa, os
serviços de extensão e o
desenvolvimento tecnológico
com abordagem agroecoló-
gica, garantindo investimen-
tos e redes de cooperação.
Promove-se a inovação tecno-
lógica em sistemas produti-
vos e infraestruturas, gerando
comunidades sustentáveis,
prósperas e inclusivas.
sistema às condições locais.
Práticas como sistemas sil-
vopastoris, agroorestais ou
manejo ecológico do solo
contribuem para a mitigação
e adaptação a fenômenos
como secas e inundações,
graças ao sequestro de car-
bono, à conservação da água
e da fertilidade dos solos, à
regulação climática e ao con-
trole biológico de insetos.
A conservação da diversidade
em suas diferentes formas
– sementes, cultivos, plantas
acompanhantes, animais
de fazenda, controladores
biológicos de pragas, de di-
versidade microbiológica e de
ervas daninhas – aumenta a
produtividade e contribui para
a conservação dos serviços
ecossistêmicos. Além disso,
a conservação biológica está
intimamente relacionada à
diversidade cultural e à ma-
nutenção e disseminação dos
conhecimentos tradicionais.
Uma das etapas da transição
agroecológica supõe a re-
dução e eliminação progres-
siva dos insumos agroquími-
cos, que poluem a água, o ar
e o solo, causando doenças e
óbitos.
A redução e eliminação de
produtos químicos perigosos
e eúvios, juntamente com a
utilização de ecotecnologias
para manejo de águas resi-
duais e o uso eciente dos re-
cursos hídricos, reduzem a po-
luição e melhoram a qualidade
e a disponibilidade da água.
A agroecologia propõe que
as comunidades administrem
os ecossistemas marinhos e
terrestres sob critérios de sus-
tentabilidade, prevenindo a po-
luição, reduzindo as formas de
degradação (terras e orestas)
e as perdas de diversidade.
A integração de medidas e
estratégias para enfrentar a
mudança do clima, incluindo o
uso de energias renováveis, a
adoção de tecnologias verdes
e a diminuição dos combustí-
veis fósseis, deve ser desen-
volvida, implementada e in-
cluída em planos, estratégias
e políticas nacionais.
Para alcançar a igualdade
de gênero e empoderar to-
das as mulheres e meninas,
é necessário assegurar in-
vestimentos, estratégias e
planos sensíveis ao gênero,
que busquem integrar ques-
tões de gênero e reduzir as
disparidades.
Garantir o acesso de
crianças, mulheres e co-
munidades étnicas aos
diferentes níveis de edu-
cação, envolvendo não só
práticas agroecológicas,
mas, também, aspectos
relacionados à governança,
à igualdade de gênero e à
diversidade cultural, com
uma visão holística do des-
envolvimento sustentável.
As abordagens agroecoló-
gicas promovem o acesso
a terras, direitos, recursos
econômicos e naturais,
bem como oportunidades,
em particular, para mulhe-
res, jovens e comunidades
étnicas. E também, a igual-
dade de remuneração para
trabalhos de igual valor.
Em seu sentido holístico,
a agroecologia só pode
ser desenvolvida se inte-
grar a organização dos
agricultores, os valores de
solidariedade, autonomia,
confiança, e aprimorar sua
participação produtiva e
política, incentivando a
participação ativa de todos
os atores sociais, com re-
lações de cooperação.
Para a formulação e imple-
mentação de políticas públi-
cas destinadas a fortalecer a
agroecologia, são necessárias
alianças entre os vários atores;
nesse contexto, os governos, a
sociedade civil e a cooperação
internacional desempenham
um papel central.
Fonte: elaboração própria
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72
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
Lista de guras
Lista de grácos
Figura 1. Fases da elaboração de diretrizes para políticas públicas em agroecologia.
Figura 2. Evolução da concepção da agroecologia.
Figura 3. Inter-relações e interações entre os 10 elementos.
Figura 4. Insumos documentais para a identicação das questões relacionadas à
agroecologia.
Figura 5. Metodologia implementada para o mapeamento de processos
agroecológicos.
Figura 6. Mapa da Colômbia com a localização aproximada das 128 iniciativas e
processos agroecológicos
Figura 7. Elementos de abordagem das diretrizes para políticas públicas em
agroecologia.
Figura 8. Processo de codicação e análise dos insumos documentais.
Figura 9. Principais instrumentos políticos para os quais contribuem as diretrizes de
política pública em agroecologia.
Gráca 1. Percentual de práticas agroecológicas nas UPA.
Gráca 2. Percentual registrado de iniciativas e processos agroecológicos por
departamento.
Gráca 3. Categorias das iniciativas e processos agroecológicos.
Gráca 4. Linha do tempo das iniciativas e processos agroecológicos
Gráca 5. Dimensões da agroecologia nas iniciativas e processos agroecológicos.
Gráca 6. Papéis desempenhados pelas iniciativas e processos agroecológicos.
Gráca 7. Descrição dos sistemas produtivos nos processos agroecológicos.
Gráca 8. Percentual de produção que as iniciativas e processos agroecológicos
destinam ao autoconsumo.
Gráca 9. Percentual de iniciativas e processos que têm ou estão associados a
certicações de conança
Gráca 10. Uso de sementes nativas/crioulas
Gráca 11. Distribuição das linhas temáticas nos eixos estratégicos
18
40
48
45
46
42
23
49
47
27
43
35
44
44
47
40
41
49
52
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Lista de tabelas
Lista de anexos
Tabla 1. Os 10 elementos da agroecologia.
Tabla 2. Níveis de transição para a agroecologia.
Tabla 3. Principais instrumentos normativos e políticos relacionados à agroecologia
na Colômbia.
Tabla 4. Insumos para a caracterização da agroecologia na Colômbia.
Tabla 5. Principais atores envolvidos na gestão da proposta de diretrizes para
políticas públicas em agroecologia.
Tabla 6. Relação entre os eixos estratégicos das diretrizes para políticas públicas
em agroecologia e os ODS.
Anexo 1. Marco metodológico das diretrizes para políticas públicas em agroecologia.
Anexo 2. Matriz de análise qualitativa e identicação de questões relacionadas à
agroecologia.
Anexo 3. Resultados da análise de dados a partir do Censo Nacional Agropecuário (CNA).
Anexo 4. Matriz de análise qualitativa e identicação dos eixos temáticos das diretrizes
para políticas públicas em agroecologia.
25
8
27
8
66
31
8
8
8
34
65
8
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