EXPERIÊNCIAS DE TRANSIÇÃO
AGROECOLÓGICA NA COLÔMBIA
SEMEANDO CAPACIDADES
COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
Experiências de transição agroecológica na
Colômbia
Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura
Colômbia 2021
Semeando Capacidades
Cooperação Brasil- Colômbia- FAO
Fonte Imágen Portada: Adaptada Fotografía de Ana Victoria González
As opiniões expressas neste produto informativo são de responsabilidade dos autores e não
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nem as políticas do MADR Colômbia, MAPA Brasil, ABC / MRE e / ou FAO.
ISBN
© FAO
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opiniões, produtos ou serviços dos usuários. Todas as solicitações de direitos de tradução
e adaptação, bem como de revenda e outros direitos de uso comercial, devem ser feitas em
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informação da FAO estão disponíveis no site da Organização (www.fao.org/publications/en)
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ÍNDICE
Agradecimento.
Lista de abreviações.
Apresentação.
Parte I. Conceitos.
1. Agroecologia e outras formas de agricultura alternativa.
2. Transição agroecológica.
2.1 Princípios agroecológicos.
2.2 Níveis de ação na transição.
2.3 Os 10 elementos da agroecologia: um guia para a transição para sistemas alimentários e agrícolas
sustentáveis.

3. O desao da avaliação na transição agroecológica.
Parte II. As experiências de transição agroecológica na Colômbia.
Metodologia.
1. Associação de Produtores Orgânicos La Tulpa.
2. Associação de Produtores Indígenas de San Antonio de Palmito (ASPROINPAL).
3. 
4. 
5. Produção de Algodão Nativo Orgânico - Fundação Pró-Sierra Nevada de Santa Marta.
6. 
7. 
8. Corporação Coletivo de Agroecologia Terra Livre.
9. 
Conclusões.
Bibliograa.
8
54
8
10
59
IX
35
XI
40
3
46
4
50
1
42
61
12
17
19
20
15
22
31
26
5
ÍNDICE DE TABELAS
Tabela 1. Princípios agroecológicos para o manejo sustentável de agroecossistemas.
Tabela 2. Níveis no processo de transição agroecológica (Gliessman, 2007).
Tabela 3. Os 10 elementos da agroecologia (FAO, 2018a; FAO, 2018b).
9
10
12
ÍNDICE DE FIGURAS
Figura 1. Inter-relações e interdependência entre os 10 elementos da agroecologia. Extraído
da FAO, 2018a.
Figura 2. Etapas do instrumento de avaliação de desempenho agroecológico (TAPE).
Adaptado da FAO (2019).
Figura 3.
Localização de nove experiências de transição agroecológica documentadas.
15
18
21
VII
COOPERAÇÃO INTERNACIONAL
BRASIL-COLÔMBIA-FAO
AGÊNCIA BRASILEIRA DE COOPERAÇÃO DO
MINISTÉRIO DAS RELAÇÕES EXTERIORES (ABC/
MRE)
Cecilia Malaguti do Prado
Coordenador de Cooperação Sul-Sul Trilateral com
Organizações Internacionais
Carolina Salles Smid

Luis Fernando Bacelar

MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, PECUÁRIA E
ABASTECIMENTO DO BRASIL (MAPA)
César Hanna Halum
Secretário de Agricultura Familiar e Cooperativismo
(SAF)
Nelson Andrade Júnior
Assessor (SAF)
Rafael Martins Dias
Analista Técnico de Políticas Sociais (SAF)
MINISTÉRIO DA AGRICULTURA E
DESENVOLVIMENTO RURAL DA COLÔMBIA
(MADR)
Sergio Ramírez Payares
Diretor de Capacidades Produtivas e Geração de
Renda (DCPGI)
Ronald Dallos Rincón

Joaquín Salgado Rodríguez
Empreiteira (DCPGI)
Heidy Barbosa Segura

Internacionais
ESCRITÓRIO REGIONAL DA FAO PARA
AMÉRICA LATINA E CARIBE
Luiz Carlos Beduschi

Ronaldo Ferraz

e Caribe sem Fome / Programa de Cooperação
Internacional Brasil-FAO
FAO BRASIL
Rafael Zavala
Representante
Rossandra Farias de Andrade

Interinstitucional
FAO COLOMBIA
Alan Bojanic
Representante
Manuela Ángel

Marcos Rodríguez Fazzone
Especialista Sênior na Área de Agricultura Familiar e
Mercados Inclusivos
Camilo Ardila Galvis

Texto elaborado por:
Ana Garcia Hoyos

sustentável
Revisao Tecnica:
Camilo Ardila Galvis, Marcos Rodríguez Fazzone

Giovanny Aristizabal

Representação da FAO Colômbia
Ángela Silva

Semeando capacidades FAO Colômbia

Glück Comunicaciones SAS
Bogotá D.C , Colômbia
2021
Q
-

Associação de Produtores Orgânicos La Tulpa, Associação de Produtores Indígenas de San Anto-
-
-


-
ração Sul-Sul Trilateral com Organismos Internacionais da Agência Brasileira de Cooperação; a
Secretaria de Agricultura Familiar e Cooperativismo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abas-
tecimento do Brasil; a Direção de Capacidades Produtivas e Geração de Renda do Ministério da

do Programa de Cooperação Internacional Brasil-FAO; e a Área de Agricultura Familiar e Mercados
Inclusivos da FAO Colômbia.
SEMBRANDO CAPACIDADES / COOPERACIÓN BRASIL - COLOMBIA- FAOSEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
AGRADECIMENTOS
IX
LISTADO DE ABREVIATURAS
SEMBRANDO CAPACIDADES / COOPERACIÓN BRASIL - COLOMBIA- FAO
ABC
ANMUCIC
ASOCAMPO
ASOMUCAPI
ASPROINPAL
BPG
CARSUCRE
FAO
HLPE
IFOAM
MESMIS
MADR
MAPA
ONG
SENA
XI
Agência Brasileira de Cooperação
Associação Nacional de Mulheres Camponesas, Negras e Indígenas da Colômbia
Associação de Produtores Camponeses do Oriente Antioqueño
Associação de Mulheres Camponesas de Piñalito
Associação de Produtores Indígenas de San Antonio de Palmito
Boas Práticas de Pecuária
Corporação Autônoma Regional de Sucre
Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura
Grupo de Alto Nível de Peritos em Segurança Alimentar e Nutrição
Federação Internacional de Movimentos de Agricultura Orgânica
Avaliação de Sistemas de Gestão de Recursos Naturais
Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural da Colômbia
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Brasil
Organização Não Governamental
Serviço Nacional de Aprendizagem
O
    
iniciativa de cooperação Sul-Sul trilate-
ral celebrada entre o Ministério de Agri-
cultura e Desenvolvimento Rural da Colômbia
(MADR), o Ministério de Agricultura, Pecuária
e Abastecimento do Brasil (MAPA), a Agência
Brasileira de Cooperação (ABC) e a Organi-
zação das Nações Unidas para a Alimentação
-
mento das políticas e instrumentos orientados
à Agricultura Camponesa, Familiar e Comuni-
tária (ACFC) na Colômbia.
      
fortalecimento das políticas públicas da agri-
    
foi realizada uma documentação descritiva de
nove experiências de transição agroecológica
com base:
na origem do processo;
estratégias de transição agroecológica;
comercialização de produtos agroecológi-
cos;

nas lições aprendidas.
As experiências correspondem a: Associação
de Produtores Orgânicos La Tulpa, Associação
de Produtores Indígenas de San Antonio de
Palmito-ASPROINPAL, Fazenda Agroecológica

    -
 -

Libre, Associação de Produtores Camponeses

 -
-
  
uma perspectiva multidimensional da agroeco-
logia.
A Parte I apresenta conceitos relacionados à
agroecologia, transição agroecológica e os 10
elementos da agroecologia. A Parte II apre-
senta oito práticas utilizadas nos processos
de transição agroecológica, a partir de nove
experiências familiares e organizacionais e al-

ambiente favorável à transição agroecológica.

esforços de sistematização de experiências

-
versão e/ou transição, em particular ao desen-
volvimento da diretriz 5.1 “Promoção de práticas
e conhecimentos agroecológicos” da Resolução
464 de 2017
1
     
mapeamentos de processos agroecológicos
no país, bem como a criação e promoção de
comunidades de aprendizagem agroecológica
através da sistematização e socialização de
estudos de caso da Agricultura Camponesa
Familiar e Comunitária (ACFC) com base agro-
ecológica.
1
-
luci%C3%B3n%20No%20000464%20de%202017.pdf
APRESENTÃO
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
1
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
PARTE I. CONCEITOS
3
1. AGROECOLOGIA E OUTRAS FORMAS
DE AGRICULTURA ALTERNATIVA
O
s sistemas alimentares se deparam com
a necessidade urgente de uma transfor-
mação profunda para atender ao apelo

Desenvolvimento Sustentável e, assim, alcançar
a segurança alimentar e nutricional em suas
   
     
multidimensionais e complexos, como o cres-
cimento da população mundial, a urbanização
-
mento da pressão sobre os recursos naturais,
gerando impactos diretos sobre o solo, a água
e a biodiversidade. Essa transformação exige
uma mudança na forma como nos alimenta-
mos, bem como a forma como os alimentos
são produzidos, armazenados, distribuídos,
processados, comercializados e consumidos
-
dança no modelo de agricultura dominante na
atualidade.
   
base de recursos naturais associada à agricul-
tura moderna, surge o conceito de agricultura
sustentável. No entanto, este conceito exigiu
uma noção mais ampla do contexto agrícola
a partir do estudo da agricultura, do meio am-
biente global e do sistema social, levando em
-
-
dade de fatores; Portanto, foi necessário evoluir
o entendimento da forma meramente técnica
para outra mais complexa, com a inclusão das
dimensões ambiental, social, cultural, política e
econômica para abrir as portas a novas opções

     
verdadeiramente sustentável (Altieri, 2002).
Atendendo ao modelo convencional de pro-
    

     
(20) movimentos alternativos em face da agri-

alimentos saudáveis, como suporte para um

sentido, os sistemas alternativos de agricultura

      -


Dentre as várias correntes do paradigma da
   
    
global:
agricultura orgânica ou ecológica;
agricultura biodinâmica;
permacultura;
agroecologia.
Essa última, o foco deste documento, pelo seu
potencial especial para fortalecer, de forma
sustentável, a soberania alimentar, conservar


o Grupo de Especialistas de Alto Nível em Se-
gurança Alimentar e Nutricional - HLPE (2019),
    
uma abordagem inovadora
2

2



4
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
a formulação de modos de transição para sis-

a segurança alimentar e nutricional
3
.
A agricultura orgânica ou ecológica remonta a
um sistema de produção muito antigo e foi pro-


priorizar a fertilidade e a saúde do solo a partir
da reciclagem de resíduos.
A Federação Internacional de Movimentos de
    
a agricultura orgânica como “Um sistema de
produção que mantém e melhora a saúde dos
solos, ecossistemas e pessoas. Baseia-se fun-
damentalmente em processos ecológicos, bio-
diversidade e ciclos adaptados às condições
locais, sem utilizar insumos que tenham efeitos
adversos. A agricultura orgânica combina tra-
dição, inovação e ciência para favorecer o meio
ambiente que compartilhamos e promover re-
lações justas e uma boa qualidade de vida para
todos os que dela participam”. Além disso, a
IFOAM apresenta os princípios de saúde, eco-

-
volvimento da agricultura orgânica.
Do ponto de vista das práticas agronômicas,
em geral, baseiam-se na exclusão total de fer-

-
ternas por recursos obtidos dentro da mesma
propriedade ou no seu entorno; uso máximo
      
vegetal, esterco animal, leguminosas, adubos

controle biológico de insetos e doenças (Res-
trepo et al., 2000).
No entanto, atualmente, essa abordagem é
     
problemas de dependência dos agricultores de
insumos e tecnologias externas como pestici-
     
       
      -
gens agronômicas desse modelo, suas prá-
ticas não abordam os problemas de susten-
tabilidade ao nível do agroecossistema ou do
sistema agroalimentar como um todo (Guzmán
& Morales, 2011).
A agricultura biodinâmica, fundada por Rudolf
Steiner na década de 1920, considera a unidade
      
capacidade de autorregulação, crescimento,
desenvolvimento e reprodução. Os compo-
nentes deste “organismo-fazenda” são o ser

-
  
ao papel da contemplação e aos sentidos no
processo de aprendizagem (Martínez, 2004). A
ênfase é colocada nas práticas de integração
lavoura e pecuária, reciclagem de nutrientes,
manutenção do solo e a saúde e o bem-estar
das lavouras, animais e agricultor / família. Um

é manter uma alta biodiversidade para a saúde
-
-
terco animal e nove (9) preparações medicinais


A permacultura, modelo e conceito desenvol-
vido por Bill Mollison & David Holmgren na dé-

     
      -
cialmente desenvolvido em ambientes rurais. O
-
nidade pode reduzir ou substituir tecnologias
industriais intensivas em energia e poluição in-
3

de produção e outras abordagens relacionadas (incluindo agricultura inteligente para o clima, agricultura consciente da nutrição e cadeias de valor de alimentos


5
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
tensiva, especialmente na agricultura, por meio
do uso intensivo de recursos biológicos e um

de ecossistemas naturais (eco-mimetismo).
      
     -
restais e o uso tradicional da terra indígena; a

-
  -
      
pontos de alavancagem estratégica onde uma
     -
     
forma como ocorrem naturalmente no sistema
(Morel et al., 2018).
A agroecologia é um dos paradigmas mais am-
plos. O uso contemporâneo do termo remonta
à década de 1970. No entanto, a ciência e a prá-




-
ciente e autossustentável e uma compreensão
mais profunda da natureza dos agroecossis-
       -
cionam, a agroecologia surge como uma dis-
     
    -
   
      
sua vez, são culturalmente sensíveis e social e
economicamente viáveis. Portanto, a agroeco-

agroecossistemas: sua genética, agronomia
etc. Isso abrange uma compreensão dos níveis
ecológicos e sociais de coevolução, sua in-
ter-relação, estrutura e funcionamento dos sis-

sua base multidimensional e transdisciplinar.
A agroecologia é uma abordagem integrada
que aplica simultaneamente conceitos e princí-
pios ecológicos e sociais ao projeto e gestão de
sistemas agrícolas e alimentares. Seu objetivo
é otimizar as interações entre plantas, animais,
humanos e o meio ambiente, levando em consi-
deração, ao mesmo tempo, os aspectos sociais
que devem ser atendidos para se alcançar um
sistema alimentar justo e sustentável” (...) A
agroecologia difere fundamentalmente outras
abordagens para o desenvolvimento susten-
tável. Baseia-se em processos territoriais que
partem da base, o que ajuda a apresentar so-
luções contextualizadas para os problemas lo-
cais. As inovações agroecológicas baseiam-se
na criação conjunta de conhecimentos com-
binando a ciência com os conhecimentos tra-
dicionais, práticos e locais dos produtores. Ao
melhorar sua autonomia e adaptabilidade, a
agroecologia empodera produtores e comunida-
des como principais agentes de mudança(FAO,
2018, p.1-2).
-
    considera os
ecossistemas agrícolas como unidades funda-
mentais de estudo; e nesses sistemas os ciclos
minerais, as transformações de energia, os
processos biológicos e as relações socioeconô-
micas são investigados e analisados como um
todo ”.
Gliessman (2001) denota o entendimento da
-

de agroecossistemas sustentáveis.
Em seu sentido mais amplo, agroecologia é

      
agroecossistemas e sistemas alimentares; um
     -
tam a resiliência e a perdurabilidade dos siste-
mas agrícolas e alimentares, ao mesmo tempo
-
6
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
vimento sociopolítico, voltado para a aplicação
prática da agroecologia, busca novas formas
de considerar a agricultura, a transformação, a
distribuição e o consumo dos alimentos e suas
relações com a sociedade e a natureza ”(CIDSE,
2018, p .4).

     
internos do sistema agrícola, pode ser facil-
mente alcançado a partir da abordagem agro-
ecológica, minimizando o uso de insumos ex-
ternos e, preferencialmente, gerando recursos
-

principais componentes do agroecossistema
(Altieri, 2002).
      
modelos de agricultura alternativa são de al-
guma forma inclusivos e englobantes entre si.
7
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
2. Transição agroecológica
O
s sistemas agroalimentares estão em

ações para a sua transformação (HLPE,
2017; FAO, 2019). Pressões globais como a
rápida urbanização, mudanças dietéticas, evo-
-
vas agrícolas, entre outras mudanças, geram

ecológica das cadeias de valor agroalimenta-
res e participação da agricultura familiar (FAO,
2019).

O Grupo de Especialistas de Alto Nível em Se-
gurança Alimentar e Nutricional (HLPE, 2016;
HLPE, 2017) e FAO (2017) enfatizam a neces-
sidade de transformar os sistemas agroalimen-

-

agroalimentares inclusivas e resilientes (FAO,
2018b; HLPE, 2019).
A transição agroecológica é um processo com-
     

afetado por fatores sociais, econômicos, tec-
nológicos, culturais, políticos e ecológicos. Isso
implica uma mudança nos valores e nas formas
de atuação dos agricultores e consumidores,
nas suas relações sociais e produtivas e com
os recursos naturais. (Gliessman et al., 2007).
O processo de transição agroecológica envolve
diferentes práticas, estratégias ou ações, sem

de um processo de transição e sua durabilidade
ao longo do tempo dependem em grande parte
da convicção, necessidades e (pré) disposição
dos atores diretamente envolvidos (agriculto-


-
postas ou o interesse em iniciar esse processo
partem dos mesmos agricultores, extensionis-
 et al., 2018).
É de singular importância deixar claro como
     -
ecológicos não respondem a critérios únicos
-

somente a partir da compreensão da comple-
xidade podem ser gerados sistemas singulares
para certos territórios com base em suas ca-
racterísticas. Assim, a agroecologia como um
todo promove princípios ao invés de regras ou
      -
ração no processo de transição dos sistemas
convencionais para os sistemas de produção

-
ecológica.
2.1 Princípios agroecológicos
Existem várias formas de abordar o estudo e
a prática da agroecologia; a partir de princí-
pios (CIDSE, 2018) ou dimensões - ecológica e
técnica, produtiva, sociocultural, econômica e
-
tórica, social, educacional, biológica, ecológica,
econômica, cultural, política, normativa, ética-
 et al., 2018). Todos os itens acima
coincidem em colocar os agroecossistemas
como as unidades fundamentais de estudo e
-
formações de energia, processos biológicos,
reciclagem de nutrientes, controle natural de
pragas e relações socioeconômicas são consi-
derados e gerenciados como um todo. Assim,
os agroecossistemas são a unidade básica de

diferentes.
8
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
-
-
tema ocorrem com o propósito de estabelecer
-
danças são introduzidas na estrutura e função

      

nutrientes, mecanismos de regulação popula-
     

à agricultura, e os sistemas agrícolas são con-
siderados agroecossistemas, surgem as bases
 
     -
-

sustente a produção de alimentos (Gliessman,
2007).

     

da produção de forma mais sustentável, com
menos impactos negativos ao meio ambiente
ecológico e social.
Os agroecossistemas devem ser estudados,
    -
cípios agroecológicos (Tabela 1). Esses princí-
pios podem ser aplicados por meio de várias
técnicas e estratégias; Cada um deles terá, é
claro, um efeito particular na produtividade, es-
tabilidade e resiliência do sistema, dependendo
da compreensão de interações complexas,
oportunidades locais, disponibilidade de recur-
sos e, em muitos casos, cultura agroecológica

Tabela 1.
Princípios agroecológicos para o manejo sustentável de agroecossistemas.
Princípios agroecológicos para o manejo sustentável de agroecossistemas
1. Estimular a diversicação máxima dos agroecossistemas: diversicação ao nível das espécies e dos recursos
genéticos (vegetais, animais, microbianos) ao longo do tempo, espaço e paisagem.
2. Melhorar a reciclagem da biomassa e otimizar o equilíbrio do uxo de nutrientes, a m de otimizar a
decomposição da matéria orgânica: altas taxas de reciclagem para manter um uxo permanente de nutrientes
e reduzir as necessidades de entrada externa, reduzindo as perdas do sistema, fechando os ciclos da água,
matéria orgânica e nutrientes etc.
3. Proporcionar as condições de solo mais favoráveis ao crescimento das plantas, adicionando matéria orgânica
e aumentando a atividade biológica do solo, a m de manter a fertilidade e a saúde das culturas.
4. Minimizar as perdas de energia, água, nutrientes e recursos genéticos por meio do melhoramento,
conservação e regeneração do solo, água e agrobiodiversidade.
5. Projetar e fortalecer um sistema de gestão ecológica para insetos e doenças: melhorar as interações
biológicas benécas e as sinergias entre os componentes da diversidade biológica agrícola, promovendo assim
processos e serviços ecológicos essenciais.
6. Considerar as bases culturais dos sistemas tradicionais, para o desenho e fortalecimento dos
agroecossistemas baseados na agroecologia.
Fonte: Adaptado de Altieri, 1995; Gliessman, 1998
9
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
2.2 Níveis de ação na transição
      
para alcançar agroecossistemas sustentáveis,

terá suas particularidades em cada caso, vários

de transição agroecológica. Gliessman et al.,
(2007), propõem uma série de níveis ou estágios
de evolução ou transformação (Tabela 2), a par-
-
ecologia. Eles são apresentados a seguir a título

situações presentes nos sistemas alimentares e
     
    -
-

Tabela 2.
Níveis no processo de transição agroecológica (Gliessman, 2007).
Descrição das ações
Aumentar a eficiência das práticas
convencionais para reduzir o consumo e
uso de insumos caros, escassos ou
ambientalmente prejudiciais.
Restabelecer uma conexão mais direta
entre os que produzem e os que
consomem alimentos, com o objetivo de
restabelecer uma cultura de
sustentabilidade, que considere as
interações entre todos os componentes
do sistema alimentar.
Construir um novo sistema alimentar
global, baseado em equidade,
participação, democracia e justiça, que
ajude a restaurar e proteger os sistemas
de suporte de vida da terra de que todos
dependemos.
Redesenho do agroecossistema de forma
que funcione sobre as bases de um novo
conjunto de processos ecológicos.
Substituir práticas e insumos
convencionais por práticas alternativas
sustentáveis.
Nível 1 (Reduzir)
Nível 2 (Substituir)
Nível 3 (Redesenhar)
Nível 4 (Reconectar)
Nível 5 (Reestruturar)
Agroecossistema
Agroecossistema
Agroecossistema e
Sistema
Agroalimentar
Sistema
Agroalimentar
Sistema
Agroalimentar
Níveis de
transição
Principal âmbito
de ação
10
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
Nível 1: Aumentar a eciência das práticas
convencionais para reduzir o consumo e o
uso de insumos caros, escassos ou ambien-
talmente prejudiciais.
-
mos como água, fertilizantes, agrotóxicos,

forma a reduzir seu uso e, portanto, os impactos
negativos. São exemplos de práticas utilizadas:
semeadura em densidades ótimas, evitando o


     -
rações agrícolas levando em consideração a
oportunidade climática, entre outros. Embora
esses tipos de esforços reduzam os impactos
negativos da agricultura convencional, eles não

Portanto, o mais importante é reduzir a depen-
dência de insumos externos tóxicos, muitas
vezes altamente internalizados na prática do
agricultor (Gliessman, 2007).
Nível 2: Substituir as práticas convencionais
e insumos por práticas alternativas sustentá-
veis.
-


mais benignos para o meio ambiente. Exemplos
de práticas usadas podem incluir: uso de cultu-
ras de cobertura, bioinsumos (biofertilizantes,
     -
trogênio para substituir fertilizantes de nitro-
gênio sintético, agentes de controle biológico
vivo, mudança para cultivo mínimo ou reduzido.
Nesse nível, a estrutura básica do agroecossis-
tema não é muito alterada, portanto muitos dos
problemas observados nos sistemas conven-

apenas substituem os insumos. Nesta fase, é

o aumento da matéria orgânica e dos microrga-
nismos (Gliessman, 2007).
Nível 3: Redesenho do agroecossistema para
que funcione com base em um novo conjunto
de processos ecológicos.
Nesta fase são eliminadas na raiz as causas
-

formas mais saudáveis de resolver os proble-
mas, como pragas e / ou doenças, o seu apare-
cimento é diretamente evitado. Os problemas

de design, gestão interna e prazos estabeleci-

da unidade de produção através do uso de ro-
-
tais, cercas vivas; considerada integralmente
no agroecossistema (Gliessman, 2007).
Nível 4: Mudança de ética e valores, uma
transição faz uma cultura de sustentabili-
dade.
Nesse nível, o escopo é o sistema alimentar
como um todo, então, até certo ponto, fala-se
da reintrodução do componente “cultura” na
Fonte: Elaboração própria com base em Gliessman (1998, 2007 y 2015).
Descrição das ações
Aumentar a eficiência das práticas
convencionais para reduzir o consumo e
uso de insumos caros, escassos ou
ambientalmente prejudiciais.
Restabelecer uma conexão mais direta
entre os que produzem e os que
consomem alimentos, com o objetivo de
restabelecer uma cultura de
sustentabilidade, que considere as
interações entre todos os componentes
do sistema alimentar.
Construir um novo sistema alimentar
global, baseado em equidade,
participação, democracia e justiça, que
ajude a restaurar e proteger os sistemas
de suporte de vida da terra de que todos
dependemos.
Redesenho do agroecossistema de forma
que funcione sobre as bases de um novo
conjunto de processos ecológicos.
Substituir práticas e insumos
convencionais por práticas alternativas
sustentáveis.
Nível 1 (Reduzir)
Nível 2 (Substituir)
Nível 3 (Redesenhar)
Nível 4 (Reconectar)
Nível 5 (Reestruturar)
Agroecossistema
Agroecossistema
Agroecossistema e
Sistema
Agroalimentar
Sistema
Agroalimentar
Sistema
Agroalimentar
Níveis de
transição
Principal âmbito
de ação
11
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
agricultura. A sustentabilidade como conceito
contém o enorme potencial de servir de elo
      
       
     -
      
dos agricultores.
Nível 5: Restruturação do sistema alimentar
global
Sobre a base criada por agroecossistemas
agrícolas sustentáveis no nível 3 e relações ali-
mentares sustentáveis no nível 4, a construção
de um novo sistema alimentar global baseado
    -

vai além da sustentabilidade e busca a restau-
ração e proteção da vida na Terra.
   -
veis ou etapas descritos não são exclusivos,
pois diferentes práticas podem ser incorpora-
das de forma combinada em diferentes etapas
     -
ver uma profundidade maior ou menor de cada
um deles dependendo de cada realidade.
A multidimensionalidade da agroecologia exige

escalas: fazenda, comunidade, sociedade /
território local e sistema agroalimentar, bem



ferramentas para valorizar a biodiversidade
-
ciedades sustentáveis (Sevilla, 2011).
2.3 Os 10 elementos da
agroecologia: um guia para a
transição para sistemas agrícolas
e alimentares sustentáveis.
A Organização das Nações Unidas para a Ali-
mentação e Agricultura (FAO, 2018a), no âm-
bito da “Iniciativa para expandir a agroecologia
4
,
apresenta os dez elementos da agroecologia
5
(Tabela 3) como meio de orientar a transição
para sistemas agrícolas e alimentares mais
sustentáveis, em apoio ao cumprimento da
Agenda 2030 para o desenvolvimento susten-
tável.
4
Una propuesta con motivo del Segundo Simposio Internacional sobre Agroecología 3-5 abril de 2018.
5



Os 10 elementos da agroecologia
Tabela 3.
Os 10 elementos da agroecologia (FAO, 2018a; FAO, 2018b).
Diversidade
Através da gestão da diversidade as abordagens agroecológicas contribuem para
uma série de benefícios de produção, socioeconômicos, nutrição e ambientais:
potência a prestação de serviços ecossistêmicos (polinização, saúde do solo); pode
aumentar a produtividade e a eficiência na utilização dos recursos, otimizando a
colheita de biomassa e a captação de água; e a diversidade das fontes de renda
contribui para estabilizar a renda familiar.
"A diversificação é fundamental nas transições agroecológicas para garantir a segurança
alimentar e a nutrição e, ao mesmo tempo, conservar, proteger e melhorar os recursos
naturais".
Criação
conjunta e
intercâmbio de
conhecimentos
Os conhecimentos desempenham um papel central no processo de desenvolvimen-
to e implementação de inovações agroecológicas para enfrentar desafios nos
sistemas alimentares. Através de um processo de criação conjunta, a agroecologia
combina os conhecimentos tradicionais, indígenas, práticos e locais dos produtores
com os conhecimentos científicos globais.
Sinergias
A agroecologia dá atenção especial ao desenho de sistemas diversificados que
combinam estrategicamente diferentes tipos de culturas, animais, solos, água e
outros componentes, de forma a aumentar as sinergias e favorecer a produção e os
múltiplos serviços ecossistêmicos.
Eficiência
Maximizar a eficiência na utilização dos recursos é uma propriedade emergente dos
sistemas agroecológicos. Através da otimização do uso de recursos naturais como
o solo, o ar, a energia solar e a água, a agroecologia utiliza menos recursos externos,
reduzindo assim os custos e os impactos ambientais negativos.
Reciclagem
Ao imitar os ecossistemas naturais, as práticas agroecológicas apoiam os proces-
sos biológicos que impulsionam a reciclagem de nutrientes, biomassas e água
dentro dos sistemas produtivos, o que aumenta a eficiência no uso de recursos e
reduz o desperdício e a contaminação.
Resiliência
Ao melhorar a resiliência ecológica, social e econômica, os sistemas agroecológi-
cos têm uma maior capacidade de recuperação frente a desastres naturais como as
secas, inundações ou furacões, e de resistência ante pragas e doenças. Do mesmo
modo, a diversificação e a redução da dependência de fatores de produção externos
reduzem a vulnerabilidade dos produtores aos riscos econômicos.
Valores
humanos e
sociais
A agroecologia coloca uma forte ênfase nos valores humanos e sociais como a
dignidade, a equidade, a inclusão e a justiça, que contribuem para meios de vida
sustentáveis. Tudo isto coloca as aspirações e as necessidades das pessoas que
produzem, distribuem e consomem os alimentos no centro dos sistemas alimenta-
res. A agroecologia procura combater as desigualdades criando oportunidades para
mulheres e pessoas jovens.
Cultura e
tradições
alimentares
A agroecologia desempenha um papel importante no restabelecimento do equilíbrio
entre a tradição e os hábitos alimentares modernos; unindo-os de uma forma
harmoniosa que promova a produção e o consumo de alimentos saudáveis e apoie
o direito a uma alimentação adequada. Nesse sentido, a agroecologia busca cultivar
uma relação saudável entre as pessoas e a alimentação.
Governança
responsável
São necessários mecanismos de governança transparentes, responsáveis e inclusi-
vos são necessários em vários níveis para criar um ambiente propício que ajude os
produtores a transformar seus sistemas. O acesso equitativo à terra e aos recursos
naturais não é apenas fundamental para a justiça social, mas também essencial
para incentivar investimentos de longo prazo em sustentabilidade.
Economia
circular e
solidária
A agroecologia busca reconectar produtores e consumidores por meio de uma
economia circular e solidária que dá prioridade aos mercados locais e apoia o desen-
volvimento territorial. Os mercados inovadores que apoiam a produção agro-ecológi-
ca ajudam a responder à crescente procura de regimes alimentares mais saudáveis
por parte dos consumidores.
2
4
5
6
7
8
10
1
"As inovações agrícolas respondem melhor aos desafios locais quando são criadas em
conjunto através de processos participativos".
"Criar sinergias potencializa as principais funções dos sistemas alimentares, o que
favorece a produção e múltiplos serviços ecossistêmicos".
"As práticas agroecológicas inovadoras produzem mais utilizando menos recursos
externos".
“Reciclar mais significa uma produção agrícola com menos custos econômicos e
ambientais ”.
"Melhorar a resiliência das pessoas, das comunidades e dos ecossistemas é fundamental
para a criação de sistemas alimentares e agrícolas sustentáveis".
"Proteger e melhorar os meios de vida, a equidade e o bem-estar social são fundamentais
para a realização de sistemas alimentares e agrícolas sustentáveis".
“Para se conseguir uma alimentação e uma agricultura sustentáveis, é necessário adotar
mecanismos de governança responsáveis e eficazes a diferentes níveis, da local à
nacional e à mundial".
As economias circulares e solidárias que reconectam produtores e consumidores
oferecem soluções inovadoras para viver dentro dos limites do nosso planeta e, ao
mesmo tempo, afiançam as bases sociais para o desenvolvimento inclusivo e
sustentável”.
"Através do apoio a dietas saudáveis, diversificadas e culturalmente adequadas, a
agroecologia contribui para a segurança alimentar e a nutrição, mantendo ao mesmo
tempo a saúde dos ecossistemas".
9
3
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SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
Diversidade
Através da gestão da diversidade as abordagens agroecológicas contribuem para
uma série de benefícios de produção, socioeconômicos, nutrição e ambientais:
potência a prestação de serviços ecossistêmicos (polinização, saúde do solo); pode
aumentar a produtividade e a eficiência na utilização dos recursos, otimizando a
colheita de biomassa e a captação de água; e a diversidade das fontes de renda
contribui para estabilizar a renda familiar.
"A diversificação é fundamental nas transições agroecológicas para garantir a segurança
alimentar e a nutrição e, ao mesmo tempo, conservar, proteger e melhorar os recursos
naturais".
Criação
conjunta e
intercâmbio de
conhecimentos
Os conhecimentos desempenham um papel central no processo de desenvolvimen-
to e implementação de inovações agroecológicas para enfrentar desafios nos
sistemas alimentares. Através de um processo de criação conjunta, a agroecologia
combina os conhecimentos tradicionais, indígenas, práticos e locais dos produtores
com os conhecimentos científicos globais.
Sinergias
A agroecologia dá atenção especial ao desenho de sistemas diversificados que
combinam estrategicamente diferentes tipos de culturas, animais, solos, água e
outros componentes, de forma a aumentar as sinergias e favorecer a produção e os
múltiplos serviços ecossistêmicos.
Eficiência
Maximizar a eficiência na utilização dos recursos é uma propriedade emergente dos
sistemas agroecológicos. Através da otimização do uso de recursos naturais como
o solo, o ar, a energia solar e a água, a agroecologia utiliza menos recursos externos,
reduzindo assim os custos e os impactos ambientais negativos.
Reciclagem
Ao imitar os ecossistemas naturais, as práticas agroecológicas apoiam os proces-
sos biológicos que impulsionam a reciclagem de nutrientes, biomassas e água
dentro dos sistemas produtivos, o que aumenta a eficiência no uso de recursos e
reduz o desperdício e a contaminação.
Resiliência
Ao melhorar a resiliência ecológica, social e econômica, os sistemas agroecológi-
cos têm uma maior capacidade de recuperação frente a desastres naturais como as
secas, inundações ou furacões, e de resistência ante pragas e doenças. Do mesmo
modo, a diversificação e a redução da dependência de fatores de produção externos
reduzem a vulnerabilidade dos produtores aos riscos econômicos.
Valores
humanos e
sociais
A agroecologia coloca uma forte ênfase nos valores humanos e sociais como a
dignidade, a equidade, a inclusão e a justiça, que contribuem para meios de vida
sustentáveis. Tudo isto coloca as aspirações e as necessidades das pessoas que
produzem, distribuem e consomem os alimentos no centro dos sistemas alimenta-
res. A agroecologia procura combater as desigualdades criando oportunidades para
mulheres e pessoas jovens.
Cultura e
tradições
alimentares
A agroecologia desempenha um papel importante no restabelecimento do equilíbrio
entre a tradição e os hábitos alimentares modernos; unindo-os de uma forma
harmoniosa que promova a produção e o consumo de alimentos saudáveis e apoie
o direito a uma alimentação adequada. Nesse sentido, a agroecologia busca cultivar
uma relação saudável entre as pessoas e a alimentação.
Governança
responsável
São necessários mecanismos de governança transparentes, responsáveis e inclusi-
vos são necessários em vários níveis para criar um ambiente propício que ajude os
produtores a transformar seus sistemas. O acesso equitativo à terra e aos recursos
naturais não é apenas fundamental para a justiça social, mas também essencial
para incentivar investimentos de longo prazo em sustentabilidade.
Economia
circular e
solidária
A agroecologia busca reconectar produtores e consumidores por meio de uma
economia circular e solidária que dá prioridade aos mercados locais e apoia o desen-
volvimento territorial. Os mercados inovadores que apoiam a produção agro-ecológi-
ca ajudam a responder à crescente procura de regimes alimentares mais saudáveis
por parte dos consumidores.
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"As inovações agrícolas respondem melhor aos desafios locais quando são criadas em
conjunto através de processos participativos".
"Criar sinergias potencializa as principais funções dos sistemas alimentares, o que
favorece a produção e múltiplos serviços ecossistêmicos".
"As práticas agroecológicas inovadoras produzem mais utilizando menos recursos
externos".
“Reciclar mais significa uma produção agrícola com menos custos econômicos e
ambientais ”.
"Melhorar a resiliência das pessoas, das comunidades e dos ecossistemas é fundamental
para a criação de sistemas alimentares e agrícolas sustentáveis".
"Proteger e melhorar os meios de vida, a equidade e o bem-estar social são fundamentais
para a realização de sistemas alimentares e agrícolas sustentáveis".
“Para se conseguir uma alimentação e uma agricultura sustentáveis, é necessário adotar
mecanismos de governança responsáveis e eficazes a diferentes níveis, da local à
nacional e à mundial".
As economias circulares e solidárias que reconectam produtores e consumidores
oferecem soluções inovadoras para viver dentro dos limites do nosso planeta e, ao
mesmo tempo, afiançam as bases sociais para o desenvolvimento inclusivo e
sustentável”.
"Através do apoio a dietas saudáveis, diversificadas e culturalmente adequadas, a
agroecologia contribui para a segurança alimentar e a nutrição, mantendo ao mesmo
tempo a saúde dos ecossistemas".
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SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
Fuente: FAO, 2018a; FAO, 2018b.
Os 10 elementos da agroecologia são inter-re-
lacionados e interdependentes (Figura 1); de-
terminam propriedades de sistemas agrícolas
e abordagens agroecológicas, bem como as-
pectos fundamentais para o desenvolvimento
de um ambiente favorável à agroecologia (FAO,
2018a).
Diversidade
Através da gestão da diversidade as abordagens agroecológicas contribuem para
uma série de benefícios de produção, socioeconômicos, nutrição e ambientais:
potência a prestação de serviços ecossistêmicos (polinização, saúde do solo); pode
aumentar a produtividade e a eficiência na utilização dos recursos, otimizando a
colheita de biomassa e a captação de água; e a diversidade das fontes de renda
contribui para estabilizar a renda familiar.
"A diversificação é fundamental nas transições agroecológicas para garantir a segurança
alimentar e a nutrição e, ao mesmo tempo, conservar, proteger e melhorar os recursos
naturais".
Criação
conjunta e
intercâmbio de
conhecimentos
Os conhecimentos desempenham um papel central no processo de desenvolvimen-
to e implementação de inovações agroecológicas para enfrentar desafios nos
sistemas alimentares. Através de um processo de criação conjunta, a agroecologia
combina os conhecimentos tradicionais, indígenas, práticos e locais dos produtores
com os conhecimentos científicos globais.
Sinergias
A agroecologia dá atenção especial ao desenho de sistemas diversificados que
combinam estrategicamente diferentes tipos de culturas, animais, solos, água e
outros componentes, de forma a aumentar as sinergias e favorecer a produção e os
múltiplos serviços ecossistêmicos.
Eficiência
Maximizar a eficiência na utilização dos recursos é uma propriedade emergente dos
sistemas agroecológicos. Através da otimização do uso de recursos naturais como
o solo, o ar, a energia solar e a água, a agroecologia utiliza menos recursos externos,
reduzindo assim os custos e os impactos ambientais negativos.
Reciclagem
Ao imitar os ecossistemas naturais, as práticas agroecológicas apoiam os proces-
sos biológicos que impulsionam a reciclagem de nutrientes, biomassas e água
dentro dos sistemas produtivos, o que aumenta a eficiência no uso de recursos e
reduz o desperdício e a contaminação.
Resiliência
Ao melhorar a resiliência ecológica, social e econômica, os sistemas agroecológi-
cos têm uma maior capacidade de recuperação frente a desastres naturais como as
secas, inundações ou furacões, e de resistência ante pragas e doenças. Do mesmo
modo, a diversificação e a redução da dependência de fatores de produção externos
reduzem a vulnerabilidade dos produtores aos riscos econômicos.
Valores
humanos e
sociais
A agroecologia coloca uma forte ênfase nos valores humanos e sociais como a
dignidade, a equidade, a inclusão e a justiça, que contribuem para meios de vida
sustentáveis. Tudo isto coloca as aspirações e as necessidades das pessoas que
produzem, distribuem e consomem os alimentos no centro dos sistemas alimenta-
res. A agroecologia procura combater as desigualdades criando oportunidades para
mulheres e pessoas jovens.
Cultura e
tradições
alimentares
A agroecologia desempenha um papel importante no restabelecimento do equilíbrio
entre a tradição e os hábitos alimentares modernos; unindo-os de uma forma
harmoniosa que promova a produção e o consumo de alimentos saudáveis e apoie
o direito a uma alimentação adequada. Nesse sentido, a agroecologia busca cultivar
uma relação saudável entre as pessoas e a alimentação.
Governança
responsável
São necessários mecanismos de governança transparentes, responsáveis e inclusi-
vos são necessários em vários níveis para criar um ambiente propício que ajude os
produtores a transformar seus sistemas. O acesso equitativo à terra e aos recursos
naturais não é apenas fundamental para a justiça social, mas também essencial
para incentivar investimentos de longo prazo em sustentabilidade.
Economia
circular e
solidária
A agroecologia busca reconectar produtores e consumidores por meio de uma
economia circular e solidária que dá prioridade aos mercados locais e apoia o desen-
volvimento territorial. Os mercados inovadores que apoiam a produção agro-ecológi-
ca ajudam a responder à crescente procura de regimes alimentares mais saudáveis
por parte dos consumidores.
2
4
5
6
7
8
10
1
"As inovações agrícolas respondem melhor aos desafios locais quando são criadas em
conjunto através de processos participativos".
"Criar sinergias potencializa as principais funções dos sistemas alimentares, o que
favorece a produção e múltiplos serviços ecossistêmicos".
"As práticas agroecológicas inovadoras produzem mais utilizando menos recursos
externos".
“Reciclar mais significa uma produção agrícola com menos custos econômicos e
ambientais ”.
"Melhorar a resiliência das pessoas, das comunidades e dos ecossistemas é fundamental
para a criação de sistemas alimentares e agrícolas sustentáveis".
"Proteger e melhorar os meios de vida, a equidade e o bem-estar social são fundamentais
para a realização de sistemas alimentares e agrícolas sustentáveis".
“Para se conseguir uma alimentação e uma agricultura sustentáveis, é necessário adotar
mecanismos de governança responsáveis e eficazes a diferentes níveis, da local à
nacional e à mundial".
As economias circulares e solidárias que reconectam produtores e consumidores
oferecem soluções inovadoras para viver dentro dos limites do nosso planeta e, ao
mesmo tempo, afiançam as bases sociais para o desenvolvimento inclusivo e
sustentável”.
"Através do apoio a dietas saudáveis, diversificadas e culturalmente adequadas, a
agroecologia contribui para a segurança alimentar e a nutrição, mantendo ao mesmo
tempo a saúde dos ecossistemas".
9
3
14
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
Fonte: FAO, 2018a.
Figura 1.
Inter-relações e interdependência entre os 10 elementos da agroecologia. Extraído de FAO, 2018a
2.4 Desaos e fatores que
condicionam os processos de
transição para a agroecologia
Acompanhamento do Estado

uma forte participação do Estado por meio

apoiem os processos de mudança. Assim, o
produtor rural pode contar com mais infor-
mações técnicas e recursos para o enfrenta-
mento do processo. A conversão de sistemas

vontade política, participação, educação e ino-

do setor agrícola (Marasas et al., 2012).
Da mesma forma, é imprescindível a geração e
reorientação de um sistema integral de apoio e
-
cas fundamentais do processo, mas também
incorpore as dimensões sociais e culturais. O
suporte técnico é um instrumento preciso para
a transformação agroecológica (INDAP & FAO,
2018).
Acesso a recursos de investimento
    
-
cisão do agricultor de iniciar um processo de
transição. Os recursos de investimento devem

faz parte de um processo de transição agro-
-

Diversidade
Criação conjunta e
intercâmbio de
conhecimentos
Sinergias
EficiênciaReciclagem Resiliência
Valores
humanos e
sociais
Cultura e
tradições
alimentares
Governança
responsável
Economia
circular e
solidária
15
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
     
-
sistema (INDAP & FAO, 2018).
Mercados alternativos
Ter mercados locais e circuitos curtos de co-

      
realidade socioeconômica da agricultura fami-
liar é decisivo para favorecer a transição e di-

de comercialização precários geram incertezas

transição agroecológica (Marasas et al., 2012).
Organização comunitária
A formação de grupos, redes, organizações
-ou modos particulares de organização- de
   
do processo de transição agroecológica é um

um dos produtores individualmente. A organi-
zação comunitária traz como benefício a troca


econômicos, consultivos ou não (Marasas et
al., 2012).
Acesso à informação sobre os sistemas
agroecológicos
No contexto da agricultura familiar, é neces-
sário desenvolver mecanismos de diálogo atra-
-


práticas ou costumes de natureza agroecoló-

a transformação de um sistema (INDAP & FAO,
2018).
Para apoiar o processo de transição, é conve-
niente contar com plataformas de apoio por


da agroecologia, práticas agroecológicas e al-
ternativas técnicas para enfrentar as limitações
e problemas dos sistemas produtivos; e com-
plementar para ter informações claras sobre os
     -
tura (INDAP Y FAO, 2018).
Geração coletiva do conhecimento
     
     -

     
agricultores.
As inovações agroecológicas (tecnologias não


os saberes tradicionais, práticos e locais dos
produtores, nascidos in situ com a plena par-
ticipação dos agricultores em um processo
-
tuação particular (FAO, 2018a; Altieri e Toledo,
2011).


outras abordagens do desenvolvimento sus-
tentável e da agricultura alternativa, e se baseie

capacitando os agricultores como principais
agentes de mudança, a partir do fortalecimento
de sua autonomia e adaptabilidade.
    -
rem o apoio transversal de processos de pes-
-
cos ou privados, como universidades, centros

      
-
namento da agroecologia. (INDAP e FAO, 2018).
16
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
3. O desafio da avaliação na transição
agroecológica
A
   

da agroecologia para alcançar o direito
     
    
e, em geral, avançar em direção a sistemas
alimentares sustentáveis e resilientes (FAO,
2018; HLPE, 2019) Apesar disso, os resultados
permanecem fragmentados em decorrência
da utilização de diferentes métodos, escalas
e prazos. Somado a isso, uma boa parte das
evidências é encontrada na “literatura cinza”,
como estudos de caso, experiências da comu-
nidade, observações de campo etc. Há então
a necessidade e a oportunidade de consolidar,
com uma diversidade de atores, uma evidência
-
sional da agroecologia para informar os formu-
ladores de políticas (FAO, 2019).
       
avaliar a agroecologia, com foco em diferentes
dimensões da sustentabilidade ou em diferen-

destinadas a cientistas agrícolas e extensionis-
tas. Estes incluem o Marco para a Avaliação
de Sistemas de Gestão de Recursos Naturais
(MESMIS), comumente usados na América
Latina; o Método de Avaliação da Sustentabili-
dade e Resiliência na Agricultura da Sociedade
   
- SOCLA; a Estrutura de Avaliação de Intensi-
     -
     
rurais do CIRAD; Avaliação de Sustentabilidade
de Sistemas Agrícolas e Alimentares da FAO;
entre outros.
Em 2019, o Painel de Especialistas de Alto Nível
do Comitê de Segurança Alimentar, HLPE por
sua sigla em inglês, e o Comitê de Agricultura
     -
tabeleça e use estruturas abrangentes de me-
     
sistemas alimentares, a partir da coleta de da-
dos no nível nacional, documentação das lições
aprendidas e troca de informações para avaliar
as contribuições da agroecologia.
-
      
sociedade civil, desenvolveu o Instrumento

(TAPE) com base nos 10 elementos da agro-

é favorecer as transições agroecológicas em
escalas e locais diferentes, por meio de proces-
sos informados de formulação de políticas. O
-
temas de produção em relação a múltiplas di-
mensões (ambiental, sociocultural, econômica,
saúde e nutricional e governança), e em uma
variedade de contextos (sistemas de produção,
comunidades, territórios, agroecológicos zonas
etc.) (FAO, 2019).
O TAPE reúne e analisa informações multidi-

17
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
Figura 2.
Etapas do instrumento de avaliação de desempenho agroecológico (TAPE). Adaptado de FAO (2019).
Fonte: adaptado da FAO, 2019.
Ao analisar os dados resultantes desse processo em etapas, as partes interessadas e a comuni-

Paso 0
Descrição do sistema e
contexto.
Descrição do sistema de
produção / agroecossistema;
políticas-ambiente habilitante.
Paso 1
Caracterização da
transição agroecológica
(CAET).
Paso 2
Critérios de desempenho.
Estado atual; baseado nos 10
elementos da agroecologia
com escalas descritivas.
Quantifica o desempenho do
sistema com base em 10 critérios
relacionados à sustentabilidade.
ampliada sobre a ferramenta
TAPE disponível
em:http://www.fao.org/agroec
ology/tools-tape/es/ (CRIAR
CÓDIGO QR) Informação
Paso 3
Análise e interpretação
participativa.
18
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
PARTE II. EXPERIÊNCIAS DE TRANSIÇÃO
AGROECOLÓGICA NA COLÔMBIA
Fonte: FAO, Proyecto Más Algodón.
19
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
19
E
ste documento reúne as estratégias desen-
volvidas por nove experiências familiares
e coletivas em seu processo de transição
agroecológica. Embora nem todas as experiên-
cias de transição agroecológica coletiva e indi-
vidual façam parte desta documentação, desta-

realizado pela Associação dos Produtores Indí-
genas e Camponeses de Riosucio em Caldas, a
Associação dos Produtores para o Desenvolvi-


agroecologia em diferentes regiões do país.
Resultados do mapeamento
disponíveis em:
http://bit.ly/MapeoAgrecologia
Com o objetivo de contribuir com o estado da arte
da agroecologia na Colômbia e especialmente para
a identicação dos processos agroecológicos, o
Projeto Semeando Capacidades em 2020 realizou
um mapeamento de processos agroecológicos
coletivos que agregam riqueza de experiências na
transição agroecológica no país. Foram mapeadas
128 iniciativas e processos agroecológicos,
representando 22.977 famílias.
6
Atores informados selecionados por meio de técnica de amostragem discricionária: Rede IESAC, ONG Swissaid, Agrosavia.
7
Entrevistas virtuais e mediante telefonemas.
Metodologia
Essa documentação compreendeu duas fases:
Fase 1: revisão da literatura para a construção
    
e seleção de experiências bem-sucedidas de
transição agroecológica na Colômbia.
Fase 2: posterior coleta de informações se-
cundárias e primárias, por meio de entrevistas
semiestruturadas com os líderes das experiên-
cias a documentar.
Fase 3:      -
mações coletadas no total de dez experiências
Fase 4: algumas dessas fases foram realiza-
das simultaneamente. Os aspectos relevantes


de transição agroecológica no país, na fase 2
   
6
baseado
no diálogo com atores informados em agroeco-
logia
7

para a seleção de experiências para documen-
-
guintes aspectos: localização, tempo de expe-
riência (0-5, 6-10, 11 anos ou mais), sistemas
-
res da experiência, descrição geral, dimensão
social - dimensão cultural, ambiental e produ-
tiva, dimensão econômica, dimensão política e
escala do Sistema (Família, Meio). Com base
    -
-
tação (Figura 3).
Na Fase três (3) entrevistas semiestruturadas
foram realizadas com membros das organi-

do processo e as estratégias desenvolvidas no
processo de transição agroecológica à luz dos
10 elementos da agroecologia propostos pela
FAO.
20
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
Figura 3
Localização de nove experiências de transição agroecológica documentadas.
21
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
Associação de Produtores
Orgânicos La Tulpa
Origem do processo
A Associação de Produtores Orgânicos La Tulpa
surgiu em 2017 como uma proposta para mu-
dar a forma como os alimentos são produzidos
e consumidos, uma forma de construir pontes
entre a cidade e o campo.
Como resultado do fortalecimento sócio-co-
munitário realizado anos atrás pela ONG suíça


      

a implantação de lote de demonstração para
a produção agroecológica de tomate -cultura
      -
munitárias; com a iniciativa, foi realizado um
      -
ponesas do território e iniciado o processo de
conversão para cultivos agroecológicos.
A princípio, a visão do processo de transição
agroecológica focou na mudança da forma
-
  
e motivou os produtores a se aventurarem na

Atualmente, 57 famílias camponesas dos mu-
      
      -

Grande) e San Juan de Pasto (municípios)
fazem parte de La Tulpa de Gualmatán e El En-

da Associação assenta em três pilares: organi-
zação, produção e comercialização.
Estratégias para a transição agroecológica
Diversidade
Resiliência
      
coletiva sobre o predomínio do tomate como

pioneiras de La Tulpa, determinou-se a diversi-

prática a ser implementada por todos os sócios
em seus pomares, fazendas e parcelas.
Embora as áreas de cultivo variem, busca-se ter
mais de 10 espécies no sistema de produção,
da mesma forma busca-se a diversidade den-
tro de cada espécie, incorporando variedades.
Para muitas famílias, o cultivo do tomate or-
gânico em casa de vegetação é a principal
atividade para a geração de renda da família,
buscando sempre aumentar a diversidade den-
Fonte: Facebook La Tulpa.
Diversicação de culturas
Diversidad Eficiencia ReciclajeResilienciaSinergias
Valores humanos
y sociales
22
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
tro da casa de vegetação com plantas compan-
     
outras. Para outras famílias, a principal cultura
-
cada com o plantio de bananas, frutas cítricas,

aromas diferentes ao café.
Fora da estufa, o sistema de produção é diversi-



parte do sistema a criação e engorda de galin-

Na criação de aves de curral é fundamental
o bem-estar animal, portanto, a alimentação
é complementada com concentrado feito de
     
trigo; e um plano de desparasitação à base de
     
bem como desinfecção de áreas de descanso
     

-
mais tem contribuído para a recuperação da
estrutura, fertilidade e saúde geral do solo,
regulação e controle natural de insetos e
doenças, reciclagem de nutrientes, produção
de biomassa e formação de matéria orgânica.
Desta forma, uma lógica de agroecossistemas
mais resilientes foi transposta.
Além disso, o cultivo de leguminosas destina-
das à adubação verde tem sido incorporado às

incorporar nele grandes volumes de matéria
orgânica de fácil decomposição e nutrientes
assimiláveis pelas plantas.
Atualmente, a organização pretende constituir
um banco de sementes nativas e crioulas de
produção 100% orgânica. Nesse processo, tem
sido importante o estabelecimento de mudas
    -

      
a disponibilidade e demanda dos associados.



-
dução de fertilizantes orgânicos e bioprepa-

Tulpa no processo de transição agroecológica,
  para a re-
cuperação e melhoria das condições biológi-
cas, físicas e de fertilidade do solo.
Em cada fazenda foram instalados “laboratórios
de biopreparações” para a produção de fertili-
-
vino, fertilizantes sólidos à base de gramíneas

8


necessidades da cultura. Microrganismos de
     -
temas mais bem conservados em cada área
também se reproduzem ali. Dessa forma, eles
se concentram na recuperação do solo com
matéria orgânica, micro-organismos e mine-
rais, a 3M, impactando diretamente na nutrição
e saúde da cultura.
Reciclagem Eciência
Produção de fertilizantes orgânicos e outras
biopreparações
8

também eleva a temperatura, permitindo a eliminação de patógenos.
23
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
De acordo com as necessidades de cada
 -
dução, também são feitas biopreparações para
controle de insetos e doenças, além de outras
práticas culturais. Para o controle de insetos,
-
menta, cebola e urtiga; para o controle de fun-
gos os caldos minerais como o caldo bordalês,
     

fresco, soro de leite, sulfato de zinco, sulfato
de cobre, sulfato de cobalto, sulfato de ferro e

condições de cada fazenda.
“Não existe solo igual ao outro, as condições
climáticas também variam em poucos quilô-
metros. É impossível entender a agroecologia
como fórmulas. É necessário observar como
cada solo se comporta diante de cada produto
e assim poder adaptar a aprendizagem ”(Giulia
di Ottavio).
A comercialização, um dos pilares da La Tulpa,
tem sido central no processo de transição e
fortalecimento agroecológico e econômico das

 -
tos, e a redução / eliminação de intermediários.
“Em La Tulpa acreditamos que é possível conce-
ber a comida de uma forma diferente, denindo
preços mais justos para todos. É por isso que
tentamos eliminar ao máximo o uso de interme-
diários. La Tulpa xa preços que permitem aos
agricultores continuar a produzir e ganhar a vida
com a produção agrícola, mas também acessí-
veis aos consumidores e a todos” 

de 150 produtos entre frutas, verduras, verdu-
ras, tubérculos, cereais, ovos, carnes, subpro-
dutos, transformados, entre outros, por meio de
canais curtos de venda direta a restaurantes,
    
em algumas ocasiões mercados camponeses,
e através de seu ponto de venda, “Casa Tulpa”,

-
viço em domicílio, o consumidor tem a opor-
tunidade de comprar “Cestas” com produtos
-
tar por uma semana. Uma cesta clássica geral-

mandioca, banana), 4 a 5 verduras (cebola,
       

ervas.
Por meio dos canais curtos, eles destacam para


sua experiência tem trazido redução nos custos
de produção, possibilitando estabelecer preços

agregado, para o produtor e para o consumidor.
Parte do sucesso de vendas de La Tulpa está
       
Fonte: Facebook La Tulpa.
Econômia circular e
solidária
Comercialização de produtos
agroecológicos
24
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
esperam ter os produtos semana a semana,
para isso cada família tem um plano de plantio

da organização.
Com isso, conseguiram garantir a disponibi-
lidade e comercialização de seus produtos e
-
formá-los, como é o caso da transformação


O processo de comercialização é realizado com
rigor por uma comissão de comercialização da
 
e desperdícios. Além de ter planos de plantio
e transformar os produtos em superprodução,
busca transportar os alimentos das fazendas
até a “Casa Tulpa” em cestas e em condições

a transferência, manuseiam ofertas de alguns
-
tidades a serem transferidas são orçadas de
acordo com os dias de venda. Com o apoio da
   
feitas doações de alguns produtos para abri-

Pasto.
La Tulpa, visa a criação de um Sistema Partici-
-
rar aos consumidores e compradores não di-

fazendas e processos de reconversão.

foi vital para o processo organizacional de La
Tulpa. Com o seu apoio, é implementada uma
estratégia de formação e assessoria “Camponês
- Camponês” para assistência e fortalecimento
a nível técnico e organizacional. Há um crono-
grama de visitas, as áreas e famílias são dividi-

o atenda com orientação sob o princípio do diá-
logo entre pares. «Esta metodologia permite falar
uma mesma língua, compreender os esforços e
potenciar os conhecimentos sobre as culturas, a
partir da troca de experiências entre os produto-
res» (Giulia di Ottavio).
A primeira coisa a fazer na assessoria de Cam-
ponês a Camponês é a caracterização das pro-

a fazenda como sistema, analisando a relação
com todos os recursos ambientais, o compo-
nente produtivo, social e econômico. No pro-
      

mudanças a serem feitas no processo de tran-
sição, tempo, recursos necessários e o plano
de plantio está estruturado. Esta estratégia per-
mitiu a participação de 100% dos agricultores
em todas as vertentes de La Tulpa: produção,
comercialização, gestão organizacional e comu-
nicação.
-
     
agroecológico de sucesso, em colaboração com
a Prefeitura de Pasto participam de espaços de
socialização de sua experiência para tecer redes
no território.
Lições aprendidas
Desde o início do processo de transição agroeco-
lógica, a conscientização sobre o cuidado com o
meio ambiente foi fundamental para a mudança
na forma de produzir e interagir na comunidade.

      
biológicos, para La Tulpa o mais valioso é o fato
de as fazendas, em sua maioria, terem alocado
Criação conjunta
e intercambio de
conhecimento
Relações e intercâmbio de conhecimento
25
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
uma área para plantio de árvores para susten-
tar a fauna presente no ecossistema, especial-


lavouras.
“Para La Tulpa, a agricultura orgânica implica: não
usar fertilizantes agroquímicos ou inseticidas
nas lavouras; preparar fertilizantes, fertilizantes,
inseticidas e remédios contra pragas e doenças
com materiais das próprias fazendas (quando
possível); não incinere as plantas nas parcelas de
cultivo; cuide da natureza, da água, dos animais e
do ser humano (Giulia di Ottavio).
Essa mudança na consciência e na forma de
se relacionar com o meio ambiente, representa
para os membros a capacidade de assumir no-
vos riscos. Em sua experiência, isso tem sido
     
sustenta a dimensão produtiva por meio do
     
dimensão econômica do processo coletivo e de
geração de renda em cada uma das famílias.

-

-
cionamento com o consumidor é uma estratégia

     
   
agroecológicos. Além disso, todos os membros
da La Tulpa são participantes, cada um desde

a sua consciência sobre o rigor dos planos de

A produção orgânica ou agroecológica é um
aprendizado constante a nível organizacional,
-

Associação de Produtores
Indígenas de San Antonio de
Palmito (ASPROINPAL)
Origem do processo
A ASPROINPAL, localizada na Reserva San An-
drés de Sotavento, surge como resultado de
    
     -
ciação de Produtores Alternativos (ASPROAL)
e a Associação de Artesãos de San Andrés de
-
cio dos anos 90. A ASPROINPAL foi legalmente
constituída em 1999 como uma entidade sem
-
dígenas, negras e camponesas do município de
-
lação do organizacional e do produtivo ao redor
da cultura Zenú
9
-
mentais da organização são agroecologia, ar-
tesanato, proteção ambiental, fortalecimento
de pátios produtivos, recuperação de semen-
tes e comercialização.




dos valores originais e ancestrais da cultura

em várias instâncias da organização, como a
diretoria e o papel de promotores da agroeco-
logia.
É formada por 61 famílias. Cada família tem
uma área para o cultivo de espécies alimenta-
      -

    
como aves e suínos dependendo da área para
9





26
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
         


e gado.
O compromisso com a transição agroecológica
na ASPROINPAL tem se fortalecido com o des-
-
cos Sustentáveis (SAS).
O SAS propõe a distribuição e uso integral da
propriedade para desenvolver vias de ação
contra: insegurança alimentar, baixa produtivi-
dade, perda da agrobiodiversidade, incidência
de insetos e doenças em plantas e animais,
degradação da água e do solo. Na medida em

alimentos para o autoconsumo e geram exce-

Estratégias para a transição agroecológica
finca puerta roja
Frutales
Cultivo de name
Cultivo asociado
Hortalizas
Jaguey
Fonte: Adaptado de SWISSAID, 2019.
como garantia da segurança alimentar e da
    -
SAID, 2019).


maior nível de sustentabilidade através da in-
tegração da família Zenú com todos os com-
    
-
bacias. A produção dos pátios está integrada
ao cultivo de “pancogeres” e plantas medici-
nais, de espécies menores como porcos, galin-

O planejamento predial tem permitido que os
produtores indígenas organizem suas pequenas
propriedades e aproveitem todos os elementos
do sistema como insumo para a alimentação de
espécies menores e para a ciclagem de nutrien-
tes, por exemplo, por meio do uso de adubos no
preparo de biofertilizantes”. (Juan de la Cruz).
Fuente: fotografía de Ana Victoria González.
A recuperação de sementes nativas e crioulas
foi predominante no início do processo e tem
Sinergias Resiliência
Diversidade
Cultura e tradições
alimentares
Sistemas Agroecológicos Sustentáveis (SAS)
Resgate, conservação e multiplicação de
sementes
Diversidad Eficiencia ReciclajeResilienciaSinergias
Valores humanos
y sociales
Cultura y tradiciones
alimentarias
Diversidad Resiliencia
Sinergias
Fonte: Fotograa de Ana Victoria González
27
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
       
da participação feminina. O resgate, uso e con-
servação de sementes tem sido uma estratégia
fundamental no processo de transição agroeco-
lógica. Para isso, no início da Associação, eram
realizados inventários de sementes na parcela,
pátios e fazenda em geral, e uma avaliação
da agrobiodiversidade com base em variáveis
como abundância, escassez ou perda de ma-
teriais vegetais. Assim surgiram os guardiães

zeladores de espécies e variedades. Esta es-
tratégia tem vindo a ser reforçada ao longo do
tempo, graças à ligação à Rede de guardiões
e guardiães de sementes autóctones e criou-
las
com outras organizações e na formação de Ca-
sas de Semente Comunitárias, como estruturas
de conservação. da diversidade de materiais
     
    
Da mesma forma, a organização realizou in-
ventários e caracterização de espécies meno-

incentivando o aumento da criação de gado

A ASPROINPAL possui cinco casas de semen-

a conservação do material genético e do con-
     -
sas casas de sementes são preservadas 13 va-

de batata doce, 2 de arroz, 2 de gergelim, 3 de
-
cia nutricional para a cultura Zenú. Como es-
tratégia de manutenção das casas de semente,
cada família compromete-se a plantar duas va-
riedades garantindo assim a sua conservação
e disponibilidade.
A conservação e multiplicação de sementes
nativas e crioulas tem se fortalecido com tro-
cas, empréstimos, doações e vendas, pois isso
A reserva indígena de San Andrés de Sotavento,
       
água e falta de infraestrutura para seu abas-
tecimento, situação agravada pela grave seca

2012 e 2014.
Em resposta à crise ambiental, alimentar e
-

10
-

     
como um esforço das famílias - contribuições

Fuente: fotografía de Ana Victoria González.
10


biodiversidade.
acarreta a dispersão de sementes no território
entre famílias associadas à ASPROINPAL e não,

tecido social das comunidades Zenú.
Eciência
Captação de água da chuva através de
Jagüeyes
28
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
A ASPROINPAL iniciou seus processos de co-
mercialização de produtos agroecológicos em
2003 com o desenvolvimento de mercados lo-
cais na sede municipal de San Antonio de Pal-
-

os excedentes da produção familiar.

       
foram elaborados para fortalecer a economia

-
lização de produtos alimentícios até a comer-
cialização de artesanato de forma coletiva e
individual.
Estamos constantemente em busca de mer-

agregado da produção agroecológica e dos
materiais locais, como as feiras organizadas
       
      
medida do possível elimine o cadeia de inter-
mediários e ao mesmo tempo fortalece o rela-
cionamento com os consumidores; Todos os
     
       
relação com as tradições culinárias e com a co-
mida local, onde a comunidade traz uma série
     

       
capacidade de armazenamento de água, fazer
frente aos meses de verão, proteger as lavou-
ras, valorizar a abundância e a diversidade do
    -
dade de vida das famílias.
O impacto desta estratégia transcende a di-
      -



era utilizado na captação de água, tarefa des-
    
    

aumentando a solidariedade entre as famílias.

elemento fundamental da organização, ano

-
munidades ASPROINPAL. Em grande medida,
-
cultura e produção agroecológica nos pátios e


proteção das sementes e na salvaguarda dos

A organização também possui um eixo de tra-
-

-
ganização. Em 2014, a comunidade indígena
Zenú elegeu à primeira cacica
11
regional, Yainis
Contreras - membro de ASPROINPAL, para go-
vernar 19 comunidades indígenas no departa-
mento de Sucre.
11

Valores humanos
e sociais
Economia circular
e solidária
Abordagem de gênero e juventude
Comercialização de produtos
agroecológicos
29
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
“Com a comercialização dos produtos, o obje-
tivo é fortalecer o circuito da economia solidária
entre os associados e assim se busca a comer-
cialização e troca conjunta de produtos entre
famílias e produtores. Por meio das casas de se-
mentes fortalecemos nossa economia solidária:
se um produtor não possui uma determinada
variedade, o material é entregue ao produtor
com o compromisso de que, após a colheita, ele
retornará para casa o dobro do que foi entregue,
por exemplo, se é eles entregaram 5 libras de
sementes de milho, entregarão 10 libras. Isso
permite que a família resolva suas necessidades
e que a casa de sementes continue crescendo
(Juan de la Cruz).
Além dos processos de comercialização, so-
mam-se os de transformação, principalmente


-
zação tem sido limitada por não ter um registro

O planejamento da produção tem sido uma
ferramenta fundamental para a venda fora das
comunidades e, assim, atender aos pedidos lo-

está crescendo, em grande parte graças à par-
ticipação em intercâmbios com organizações
do movimento agroecológico, especialmente
da Rede de Sementes Livres de Colômbia e
o Movimento Agroecológico Latino-America-
no-MAELA. Para tanto, são utilizados cartões
de monitoramento e cadastro de vendas em
cada mercado.
O Cabildo
12
Mor da Reserva Indígena Zenú me-

13
, tem ressaltado a

transformação de produtos locais e agroecoló-
gicos por meio dos programas de alimentação
escolar “Sementes de vida” para a primeira in-
fância. Atualmente, o Cabildo avança no forta-
lecimento produtivo e organizacional de forma

locais e agroecológicos nos cardápios escola-
-
tura Zenú.
     
     
      

-
-
verno.
-
      -
solidaram relações com entidades como a
CARSUCRE para monitoramento de áreas de
    -

têm aproveitado os espaços de participação
da Agência de Renovação do Território na de-

pilares de alimentos, água e terra; Com o apoio
      -

e implementação dos planos de negócios. Da
mesma forma, com organizações não gover-
  
-
cessos de formação e articulação.
12


os regulamentos internos de cada comunidade.
13



Criação conjunta
e intercâmbio de
conhecimento
Relações e intercâmbio de conhecimento
30
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
A principal ferramenta de geração e troca de
     “indí-
gena - indígena, sob a premissa do aprender
fazendo e ensinar pela demonstração e o res-
gate dos saberes tradicionais em busca da
transformação do pensamento para gerar mu-
dança (Juan de la Cruz).
A promoção surge como resultado de um am-
plo processo de capacitação em produção
    
famílias associadas na montagem de expe-
riências produtivas agroecológicas e gestão
ambiental na área. As trocas de experiências
dentro e fora do território articulam-se com os

a curiosidade, permitem a criação em parceria
       -
envolvimento e manutenção do SAS. A estra-
tégia também tem incentivado a permanência
      
capacitados e atuantes como promotores em
sua comunidade. A sustentabilidade ao longo


    -

Lições aprendidas
Para a ASPROINPAL, a agroecologia entrelaça
processos sociais e produtivos, em sua expe-
riência de transição de mais de 15 anos conse-
guiram fortalecer a economia local e apoiar as
    
no território. Nestes anos, as trocas de expe-
riências e processos de formação têm sido
fundamentais para motivar a mudança e gerar

O processo de transição agroecológica alterou
as condições produtivas e sociais. De con-
dições iniciais como a falta de água e a perda
de mais de 20 variedades de sementes com a

variedades de sementes resgatadas. Isso tem
impactado diretamente no sentimento de per-
tencimento ao território e na permanência nele

de desenvolver planos de negócios de acordo
com as atividades agrícolas como a produção
de sementes, fertilizantes orgânicos e produtos

se tornaram mais fortes.
    
garantam a soberania alimentar e a comer-
cialização de produtos agroecológicos, é ne-
     
      
-

processos são truncados para esperar benefí-
cios imediatos. Junto com isso, é fundamental
fortalecer as relações intrafamiliares de forma
       -
cesso de transição.
Fazenda Agroecológica Pura Vida
Origem do processo
        

para plantar seus alimentos e aplicar princípios
-



-
vimento de uma proposta agroecológica. Esta

e seus ensinamentos sobre o funcionamento
do solo.
“Depois de 5 anos já tínhamos uma fazenda que
nos dava boa parte da nossa alimentação, um
pomar com frutas, verduras, raízes e tubérculos,
também os primeiros animais, inicialmente uma
vaca, depois uma piscicultura, sempre com a
premissa de diversicar ao autoconsumo (Al-

31
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
Em 2008 a família enfrentou problemas econô-
-
zação da fazenda para transformá-la em um
sistema de produção escalonado para poder
comercializar seus produtos nos mercados
camponeses.
20 anos depois, consolidam-se como um pro-
    
produção agrícola ecológica, soberania alimen-
tar familiar e abastecimento de produtos natu-
rais.
Estratégias para a transição agroecológica

agroecológica é baseado nos seguintes princí-
pios: o uso da biodiversidade (vegetal, animal,
microbiológica); a integração entre agricultura
   
recursos vegetais, produção primeiro para au-
toconsumo; participação em mercados locais;
-
cos; o uso mínimo de insumos externos; o uso
de energias alternativas.
O sistema de produção agroecológico integral

de alimentos para autoconsumo, áreas de pro-
dução para o mercado, áreas forrageiras, áreas
de pastagem, infraestrutura para animais, in-
fraestrutura para fertilizantes, infraestrutura
para processamento e transformação, área
     

de proteção, conservação ou reserva.
Lote 4
lote 7
5
6
lote 6
Lote 5
pozos
Pollos
pollos 4
Pollos 3
Pollos 8
Pollos engorde
pollos 2
Recreacion
Potrero
Huerta
Maiz
maiz
Casa
Acceso
Plano general de la Granja Agroecologica
“PURA VIDA”
Corral de
gallinas 1
Zona de
pastoreo
Fuente: Granja Agroecológica Pura Vida.

princípios agroecológicos acima mencionados e
por sua vez permite o seu desenvolvimento.
      
para cultivo de pancogeres, árvores frutíferas,

medicinais e aromáticas, plantas ornamentais
e animais. Com a incorporação de toda essa
biodiversidade, a fazenda passou de 1 espécie
(grama estrela) para mais de 125 espécies em
5700 m2.

-

     

fazenda:
Diversidade Resiliência
Diversidade
Cultura e tradições
alimentares
Planicação de um sistema
agroecológico integral
Biodiversidade
Cultura y tradiciones
alimentarias
Diversidad Resiliencia
Sinergias
32
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
Pancogeres
Pomares
Hortaliças
Raízes e tubérculos
Plantas medicinais,
aromáticas e ornamentais
Animais
Forragens
Cinco variedades de feijão volúvel nativo; feijão do milênio, feijão de caraota, feijão
de carga rosa, milho amarelo camponês, mandioca, banana da terra (Dominico
hartón, cachaco, africano), banana (Gross Michelle, anão, do tipo doce), cidra,
inhame, batata do ar, bore, mafafa, sagu, cúrcuma, chaya, espinafre, pimenta,
abóbora, arracacha, feijão bóer.
Três variedades de goiaba (pêra, maçã e coroa), duas variedades de abacate,
duas de manga, sapotes, fruta-do-conde, biribás, abacaxi, pitayas, mamão, jambo,
mamey, nonis, granadas, palmeira de coco, palmeira de corozo, palmeira de
pupunha, maracujá, graviola, cítricos, laranjas Valencia, tangelo, duas variedades
de tangerinas, limões da variedade Taiti, passarinho, cubiu, maracujá melão,
carambolas.
Tomate crioulo, pimentão, pepino, pimenta, alface, couve-flor, repolho, coentro,
coentro chimarrão, espinafre inconstante, espinafre arbóreo.
Achira, sagu, açafrão, inhame, bore, mafafa, arracacha, mandioca.
Nacedero, matarratón, amora, botão de ouro, bores, capim elefante roxo, capim
Guatemala, capim ponteiro, capim índio, cana, feijão bóer, feijão mucuna, kudzu,
ramio, leucena.
Camomila, arruda, verbena de limão, alecrim, manjericão, entre outros.
Bovino, porcos, galinhas, frangos, patos, peixes, cabras.
33
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO

       
A integração das árvores no sistema tem sido
muito importante para a regulação do clima. O

e, portanto, contribui para a saúde do solo. Es-

de biomassa para o consumo da família e dos
animais da fazenda. A integração dessa biodi-
versidade no sistema também é feita com um

      -
  
      
-
trole biológico de vermes nas plantações.
Graças a essa biodiversidade, a ciclagem de nu-
trientes é ótima, porém, busca-se sempre pre-
servar a saúde do solo com a incorporação de
matéria orgânica verde e seca, fertilizantes só-

todos produzidos na mesma fazenda.
A ração animal é produzida na própria fazenda,
       
como ração para peixes e aves, tudo baseado
-
gente.
Para aproveitar os recursos da fazenda, foram
construídos um biodigestor e um secador solar

A produção da fazenda fornece alimentação
para a família de 6 pessoas e permite a geração
de renda com a comercialização dos mais di-
versos produtos.
Eles fazem parte da Rede de Mercados Agroeco-

12 mercados camponeses e agroecológicos no
 
um espaço de encontro solidário entre produto-
res e consumidores, contribuindo para a cons-
trução do tecido social através de um processo
de participação comunitária, e é baseado nos
princípios da solidariedade, respeito, tolerância,

amor e sentimento de pertença. A Rede cons-
truiu um Sistema Participativo de Garantia ou
     
-
dutos, por meio do relacionamento direto com
os consumidores. A Rede comercializa os seus
produtos principalmente em feiras agroecoló-

     
-
dutor-consumidor. Como resultado da pande-
mia Covid-19, a periodicidade dos mercados foi
afetada e, como muitas crises, abriu as portas
para outra fase no processo de comercialização
da fazenda.
Em 2020, a própria fazenda tornou-se um am-
       
-
gicos frescos e transformados era feita direta-
mente na fazenda, inicialmente informalmente
na entrada da fazenda e posteriormente com
        

e ir mais além na oferta de serviços de alimen-
tação, nutrição e capacitação.
Economia circular
e solidária
Comercialização de produtos agroecológicos
34
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
As primeiras relações a serem fortalecidas são
      
a prioridade é a família e o bem-estar de cada
um de seus membros. Depois disso, vêm as re-
lações na comunidade e no território.

       -
ecológica da Universidade Nacional de Palmira

parte da Rede Nacional de Agricultura Familiar,
Movimento Agroecológico Latino-Americano,

processo agroecológico em nível nacional e re-
-
tercontinental de Organizações de Agricultores
Orgânicos – INOFO
14
.
A Rede MAC oferece suporte e treinamento
para processos de transição, por meio do mo-
delo Camponês a Camponês, também são rea-
lizadas viagens de experiências bem-sucedidas
-
cimentos.
A fazenda tornou-se referência por sua abran-

-
cia e treinar em relação aos princípios agroeco-

foram um tanto dizimados como resultado da

condições permitirem.
Lições aprendidas
Nesses 20 anos, o processo de transição tem
       -
formar o sistema em um agroecossistema
      

  -
cia da produção da própria comida, é um dos

transição.
-
nário de cooperação e não de competição em

-
corporação da maior diversidade possível no
sistema.
Parte de seu aprendizado é a necessidade de
dimensionar a agroecologia no nível territorial,
embora isso possa ser feito de forma inde-
pendente, uma estrutura de política pública é

apoie os processos de transição.
14

seu relacionamento para, eventualmente, expressar-se com uma voz legítima.
15


Projeto Montanhas Vivas
Origem do processo
 
15
, é um processo de desen-
     
      
 
territorial para os páramos, a partir da recupe-
ração e uso racional dos agroecossistemas das
bacias Leonera e Saza como unidade básica de
-
cípios de Mongua e Gámeza no departamento
-
      -

de 2.600 a 3.800 metros acima do nível do mar.
Criação conjunta
e intercâmbio de
conhecimentos
Relações e intercâmbio de conhecimento
35
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
Neste processo de desenvolvimento comuni-

a participação de cinco organizações campo-
nesas: Associação Camponesa Integral Huerto
Alto Andino AHAA de Mongua, Associação
      
TDS de Mongua, Associação para o Desenvol-
vimento de a família Gámeza ASOGAMEZA, o

do setor Carrizal do município de Gámeza e a
Associação dos Produtores e Comerciantes
Agropecuários.

aos principais problemas ambientais, pro-
       
    
agrícola e pecuária convencional com alto uso
      
vegetal natural, deixando os solos expostos,
produzindo erosão e diminuição da fertilidade.
Por outro lado, o estabelecimento de pastagens
nos sub-páramos e páramos tem afetado seu
serviço como coletores, retentores e re-distri-
buidores de água, devido à destruição da vege-


água, nascentes e pântanos.
Estratégias para a transição agroecológica
    
conservação e gestão ambiental do território,
como a promoção de práticas agroecológicas
para a produção, restauração de ecossistemas
naturais através do fortalecimento da conectivi-
-
nanciais
16
.
-
     
estratégia de restauração ecológica a partir de
     
baseados em atividades como:
Estudo da saúde da área a ser intervinda

solos, o tipo de plantas e animais silvestres
      
atividades socioeconômicas desenvolvidas
nos últimos 50 anos. Com isso, foi possível
caracterizar problemas como: contaminação
de mananciais devido ao uso de agrotóxicos,
    



interferir no desenvolvimento do material
vegetal para restaurar, sendo a pecuária a

    
     
referência;
    
fazer “pontes de vegetação 

     
crescimento (pioneiras);
produção de material vegetal para

viveiros comunitários;
plantio de mudas no entorno de corpos
d’água e em pastagens, implementando
práticas de cercas para protegê-las de
possíveis danos pelo gado.
16

Eciência Resiliência
Restauração ecológica
36
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
Proteção de fontes de água
No âmbito da estratégia de restauração ecoló-
gica e em função dos problemas de escassez e
-
cesso de caracterização, limpeza e isolamento
dos mananciais nos municípios de Mongua e
Gámeza, à frente do camponês organizações.

    -
nanciais e seu estado de conservação, eviden-
ciando-se a necessidade de implementação de
estratégias de proteção dos mananciais. Com

resíduos sólidos com a participação de alunos
de escolas, professores e comitês ambientais
de cada uma das organizações; isolamento e
estabelecimento de contornos de vegetação

e vedação para impedir a passagem de gado.
Assim, sob a liderança das organizações, a pro-
teção das fontes foi dada em benefício da su-
cessão natural para a recuperação da cobertura
vegetal e dos solos.
Construção de hortas comunitárias
   -
-
-
taleceram o processo de restauração ecológica
com o estabelecimento de três viveiros comuni-

sementes e mudas de vegetação nativa de alta


-
    
em relação à fenologia das plantas e seus usos
para estabelecer cercas vivas e conectores de
corredores biológicos. Além disso, a partir da
implantação dos viveiros, foram implantadas
práticas de produção de fertilizante orgânico
-

Dadas as condições de escassez de água no
verão e alterações nos parâmetros pluviomé-
tricos, foi implantado um sistema de captação
-

e aplicação de biopreparações, permitindo as-
sim a manutenção da estufa e a produção de

-
       


Fonte: Fotograa extraída de: SWISSAID, 2018.
Eciência
Coleta de água da chuva
37
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
Como estratégia de reconversão, o empodera-
-
-
nário de violência doméstica, submissão e baixa
participação, para um cenário de revalorização
      
social da agroecologia. Como resultado de um
-
seguiu-se o envolvimento ativo e dinâmico das
     -

processos de transição agroecológica, na mu-
dança para dietas saudáveis e na conservação
dos ecossistemas. Por exemplo, a Associação
Huerto Altoandino é uma organização formada

Camponesa Integral TDS será composta por 45

Fonte: Fotograa extraída de: SWISSAID, 2019
A comercialização dos excedentes da produção
agroecológica é efetuada principalmente no
âmbito local e municipal, em Mongua e Gámeza.
A comercialização local tem resultado na rea-
     -
dutos e alimentos pela comunidade, somada
à geração de laços solidários expressos nas
trocas e trocas de produtos, criando circuitos
de economia solidária. Por exemplo, as famílias
     
passando de comprar do comerciante / inter-

comprar produtos locais de famílias como amo-


da venda porta a porta e da venda para o par-

Na crise gerada pela Covid-19, as associações
      -
gurança alimentar dos territórios e tiveram a
oportunidade de contribuir com os mercados
entregues pela Prefeitura às famílias mais vul-
neráveis (Olga Rincón).
Por outro lado, está sendo realizada a iniciativa
“Cidade-Campo”,-
res e consumidores através de visitas e passeios

desta forma o consumidor sabe como são os
alimentos agroecológicos. produzidos, a orga-
nização dentro do processo e as ações em prol
da conservação do ecossistema, como a res-
tauração, proteção de mananciais e corredores
para a fauna silvestre com especial atrativo na
avifauna. Com esta iniciativa foi possível conso-

Valores humanos
e sociais
Economia circular
e solidária
Empoderamento das mulheres Comercialização de produtos agroecológicos
38
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO

-
taurantes para a comercialização de produtos
gourmet produzidos pela organização Huerto
Alto Andino (Rubén García).
Com a extensão da monocultura da batata e a
implantação de pastagens para o gado, as famí-
lias da região perderam o costume de cultivar
alimentos para autoconsumo, lançando-se en-
tão uma estratégia de valorização da produção
tradicional ou ancestral. Iniciou-se a recupe-
ração do modelo ancestral de produção Huerto
-

vegetais e plantas aromáticas na parte inferior,
seguidos de árvores frutíferas de porte médio e
alto, tudo em uma extensão proporcional ao re-
dor da casa. Junto com essa estratégia e com o

   
na recuperação de sementes nativas e crioulas
      
alimentar. Para tanto, por meio de exercícios de
resgate da memória e diálogos de saberes, fo-
ram elaboradas listas de alimentos perdidos e
sensíveis ao desaparecimento.
O resgate do “Huerto Altoandino” tem sido
     
da culinária ancestral da região e da educação
em relação ao consumo de alimentos nativos
como tubérculos andinos e nutrição, com o
apoio da organização Educar Consumidores, a

e conscientizar sobre os perigos do consumo
de alimentos industrializados.
A capacitação e a educação em todos os temas
citados têm sido fundamentais no processo de
transição agroecológica, desde a abordagem

entre técnicos e produtores e a troca de expe-
riências entre produtores.
Lições aprendidas
-
rial tem mostrado como a transição agroecoló-
gica extrapola os limites da fazenda. A conscien-
tização sobre os impactos positivos ou negativos


A implementação de tecnologias locais e de
baixo custo teve um impacto positivo não só
na produção, mas também na recuperação de
solos, vegetação nativa, fauna e processos de

organizações Living Mountains. Isso foi possí-
      
      -
luções adaptadas ao contexto local.




superado.
     
não só a forma de produção, mas também a
forma de consumo. Passaram da produção
exclusivamente de leite para venda à produção
     
comerciante / intermediário. Isso incentivou o
 

a biodiversidade do agroecossistema.
Criação conjunta
e intercâmbio de
conhecimentos
Relações e intercâmbio de conhecimento
39
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
Produção de Algodão Nativo
Orgânico – Fundação PróSierra
Nevada de Santa Marta
Origem do processo
A Fundação Pró-Sierra foi fundada em 1986


-
teger e preservar a Serra Nevada de Santa Marta
e seu entorno
17
. Nos últimos 34 anos, eles tra-

      -
vação, desenvolvimento rural e compensações
 
está o de Produção de algodão orgânico nativo,

Esta iniciativa teve início em 2016 sob a lide-
rança da Fundação Pró-Sierra e da organização

a transição para um mundo onde o desenvolvi-
mento econômico e o uso sustentável dos re-
cursos naturais coexistem
18
.
A produção do algodão orgânico nativo foi mo-

no rio Buritaca (Magdalena) e pela escassez
de sementes para as comunidades indígenas
-
gem.
Em 2018, foram iniciadas as atividades no
campo e obtida a primeira produção em 2019.
Em 2020, a iniciativa foi articulada com o Pro-
     -
lizado em parceria pela Agência Brasileira de
Cooperação, Ministério da Agricultura e Desen-
volvimento Rural da Colômbia e da FAO.
       
desenvolvimento sustentável da cadeia de valor
do algodão nos países parceiros e apresenta a
-

valor e a geração de renda para as famílias
19
.
17

18

19

20

Fuente: FAO, Proyecto Más Algodón.
 -


       -
caos, o algodão é a semente e o legado de seus
ancestrais
20
.
        
anos na Serra Nevada de Santa Marta, estava
ciente da escassez de sementes autóctones
para aumentar as áreas de produção para au-
toconsumo e com vista à comercialização ex-
terna. Como resultado, um processo de resgate
Diversidade
Resgate e reprodução de sementes de
algodão nativo
Estratégias para a transição agroecológica
40
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
“Do ponto de vista das comunidades indígenas,
há uma longa história de cultivo de algodão para
autoconsumo, mas não para produção comer-
cial” (Santiago Giraldo).
A Environomica e a Pró-Sierra realizaram um
estudo de mercado antes do resgate e repro-

demanda por algodão orgânico crescia ano a
       -
dão orgânico na Colômbia, então propuseram
o desenvolvimento de cadeias produtivas e

plantar. A partir de 2018 iniciaram um processo
de aproximação com o setor têxtil e de moda do


Em fevereiro de 2021, eles conseguiram a
venda direta da primeira tonelada de algodão
orgânico nativo produzido na Colômbia para



-
godão com a compra antecipada de safras para
incentivar o cultivo na Sierra Nevada de Santa
Marta e outras áreas do país.


No primeiro caso, uma cultura piloto foi estabe-
lecida para a produção de sementes; Em 2020,

uma porcentagem foi reservada para uma nova
semeadura em uma nova unidade de cultivo pi-
-
     
        
possam estabelecer lavouras para consumo

seus interesses. O processo é recente e aponta
para a criação de um banco de sementes in situ
para essa variedade de algodão.
As duas safras piloto de algodão foram planta-


tradicionais da região. Espera-se desta parcela
       -

este tem potencial para ser incorporado em
plantações orgânicas de manga, café, cacau,
abacate, como cultura transitória utilizável no
início da produção dos permanentes.
A iniciativa de produção de algodão orgânico
nativo na Serra Nevada de Santa Marta vem se
     



de algodão orgânico com comercialização ga-
rantida e isso foi possível graças às relações
Economia circular
e solidária
Criação conjunta
e intercâmbio de
conhecimentos
Comercialização de produtos
agroecológicos
Relações e intercâmbio de conhecimento
41
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
estabelecidas com a indústria têxtil e da moda
do país. Isso implicou um esforço econômico
para ir a feiras de moda, visitar empresas em
-


em torno desta iniciativa, a Pró-Sierra disponibi-
liza a semente para plantio às comunidades in-
dígenas e agricultores interessados, bem como

consolidou nestes anos.
Lições aprendidas

transição agroecológica são lentos e de longo
alcance, principalmente devido ao contexto

     
convencional, muitas vezes promovida nos pro-
cessos de extensão.
A transição traz consigo um fator de risco, pois
implica novos aprendizados e os resultados
em algum momento podem ser considerados
incertos, por isso considera-se imprescindível
      
risco, sob esse entendimento, a iniciativa bus-
cou assumir o risco para depois de este estar
na capacidade de motivar o plantio do algodão
orgânico em uma base sólida de experiências e

É preciso investir nesses processos com ciência
“na maioria das vezes
começamos o inverso, ou seja, primeiro a pro-
dução e aí pode haver falhas” (Santiago Giraldo).
     
fundamental para a realização desse tipo de

como transporte, entre outros.
Associação de Mulheres
Campesonesas de
Piñalito (ASOMUCAPI)
Origem do processo
    -
       
 
      -

       -
partamento do Meta.
Em sua formação, a organização estabeleceu

Promover sistemas agrícolas sustentáveis

solidária por meio da promoção do empode-

Promover novas relações sociais, espirituais

tecido social.
Promover o gozo efetivo dos direitos das

moradia, meio ambiente e território.
Há mais de cinco anos, cada um dos associa-
dos da ASOMUCAPI busca uma forma de inte-
grar a agroecologia ao seu sistema de produção

cada fazenda para a operação de biofábricas de
    
estabelecimento de lavouras. banana e abacaxi
     
    
mesma.
42
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
Estratégias para a transição agroecológica
A ASOMUCAPI está em uma fase inicial do
processo de transição agroecológica em
       

orgânicos produzidos nas propriedades de cada
associado, e a reprodução de microrganismos
típicos do ecossistema, como ferramenta para
a recuperação do solo.
construção
de biofábricas para a produção de fertilizante

de esterco bovino disponível em cada fazenda,
compostagem de resíduos vegetais, reprodução

caldos minerais para o controle de fungos.
Produção de fertilizante orgânicos

    
tem permitido o aproveitamento do esterco bo-
vino disponível em cada uma das fazendas das

      
misturado a outros ingredientes disponíveis na
região como: carvão, casca de arroz, cinzas,
mel de açúcar, fermento, solo argiloso e água,
      
aeróbia. (Com presença de oxigênio). Para a
produção do biológico, o esterco fresco é mis-
turado à água em recipientes com capacidade

de fermentação anaeróbia (na ausência de oxi-
gênio). Para fortalecer a capacidade nutritiva e

       
    

todos os associados para fertilizar as pasta-
gens. Além disso, a compostagem é feita com

resíduos da cultura da banana e do abacaxi.
A aplicação desses tipos de fertilizantes pro-
duzidos em cada fazenda tem permitido a
incorporação de matéria orgânica ao solo e a
contribuição de micro e macro elementos mi-
nerais para as plantações de banana, abacaxi e

Madrid).
Fonte: Fotograas de Jenny Paola Madrid.
Reprodução de micro-organismos

e a biodiversidade do solo, as biofábricas tam-

-
-
tadas ao tipo de matéria orgânica., Temperatura,
umidade, entre outras condições. A reprodução
é feita em meio sólido e posteriormente em

Isso permitiu multiplicar a memória do solo de
cada unidade produtiva, restaurando a biodiver-

Reciclagem Eciência
Construção de biofábricas para produção de
fertilizantes orgânicos, microrganismos e
caldos minerais
43
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
Por outro lado, os micro-organismos em meio
sólido são um suplemento para gado e aves, o
       
peso nos animais, maior produção de leite e
ovos respectivamente.
Caldos minerais
-
ticidas, a ASOMUCAPI integrou nas biofábricas a
produção de caldos minerais à base de enxofre,
cobre e cálcio para a prevenção, controle de in-
setos e doenças causadas por fungos nas plan-
tas e fertilização em alguns casos. Desta forma,
contribui para a proteção do meio ambiente,

    
     

de cálcio e a mistura bordalesa. O enxofre do
cálcio é feito do enxofre e da cal e é usado para
controlar doenças fúngicas na plantação de ba-
nana. A mistura bordalesa, à base de sulfato de
cobre e cal, tem sido fundamental no controle de
doenças causadas por fungos.
       

-

      
 -
dagens territoriais e diferenciais no marco da
política de gênero construída pela organização.
   -
cionadas entre si e levantam a possibilidade de
-
Os produtos da biofábrica são comercializados
     -

-
res, bem como sua relação com as estruturas

        
ação da organização (ver Origem do processo),
a ASOMUCAPI dá prioridade no seu plano de
      -
     

-
dade sensibiliza, treina e atua frente à violência
    
educacionais em sistemas agrícolas sustentá-

da ASOMUCAPI nos espaços de formulação e
-
cialmente as referentes à construção da paz -;
-

(Política de Gênero, ASOMUCAPI 2020-2030).
Fonte: fotograa de Jenny Paola Madrid
Valores humanos
e sociais
Economia circular
e solidária
Empoderamento das mulheres
Comercialização de produtos agroecológicos
44
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
Desde as suas origens, a ASOMUCAPI tem tra-
    
individualidades e complementos de cada uma
-

Por outro lado, o fortalecimento das capacida-
des técnicas dos associados. Por meio do Ser-
viço Nacional de Aprendizagem (SENA), eles
puderam receber treinamento em Boas Práticas

a iniciativa, puderam contar com o apoio téc-

       
organização abriu as portas para o processo de
-
geno. Quanto ao fortalecimento organizacional,
contaram com a colaboração da Associação
     
Indígenas da Colômbia (ANMUCIC).
cialização, distribuição e comercialização de fer-
tilizantes e condicionadores de solo.
A comercialização de produtos como leite, ba-
nana, abacaxi e outras safras alimentícias é rea-

para a organização entrar em mercados onde a
-

das feiras camponesas organizadas pela Prefei-
tura, sem encontrar um mercado diferenciado
para seus produtos. No entanto, a ASOMUCAPI
-
     
o plantio e a comercialização estáveis é um de

-
dade de oportunidades de capacitação técnica
-

    -

    
importante foi o estabelecimento de uma plan-

-
cimento de boas relações.
Lições aprendidas
Para a ASOMUCAPI, uma das principais lições
aprendidas foi a importância de se ter uma rede
-
temas de produção em sistemas sustentáveis.
Graças à organização e aos relacionamentos

processo de transição são vislumbrados. Agora
os recursos da fazenda são mais bem aprovei-

plantações.

-
sidade da região, com restauração de pântanos
com palmeiras de buriti, plantio de madeira na-
tiva e leguminosas. Para isso, é necessário for-
talecer a infraestrutura para o pastoreio racional
com estações de água para o gado por irrigação
-
-


afetará diretamente a geração de sua renda.
     
-
dar, para conseguir a transformação não só de
suas fazendas, mas também do território.
Criação conjunta
e intercâmbio de
conhecimentos
Relações e intercâmbio de conhecimento
45
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
Conselho Comunitário Río Valle
Origem do processo




tradicionais de produção e o direito à proprie-
dade coletiva
21
-


naturais no território a partir de práticas de uso,
-
dições ecológicas em modelos de produção ade-

entre outros
22
.
-
toridade étnico-territorial localizada no municí-

formada por 120 famílias afro-colombianas.
      -
       -
SAID, iniciaram um processo de exploração
denominado rota da baunilha
caracterizar as variedades da região no âmbito

23
. Essa expe-
riência despertou na comunidade o interesse

-
tal, seus benefícios ambientais e suas possíveis
    -
SAID, 2020). Nesse mesmo ano, iniciou-se o uso
      
mudas de plantas silvestres nas roças dos agri-

      -

      
resgate de saberes ancestrais locais e de desen-

pensar o território de forma diferente.
21

e também eleva a temperatura, permitindo a eliminação de patógenos.
22




23


Estratégias para a transição agroecológica
Nos territórios de uso coletivo, sob a adminis-
      
manteve-se a tradição de semear pães no sis-
-
postas por fruteiras, bananas, associações de
mandioca e banana, entre outros. No entanto,
as principais atividades econômicas têm sido a
pesca e a extração de madeira para sua comer-
cialização, a produção artesanal e a construção
de moradias. Nos últimos anos, dado o valor
      
silvestres tem aumentado.
Fonte: SWISSAID. 2020. Aroma Chocó: a trilha de baunilha.
Eciência Resiliência
Sistemas agroorestais
46
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
      
      
    
-
      
    
territórios.
A experiência começou com viagens de
    baunilha
selvagem
24
e avaliação da importância das
práticas agroecológicas como aliadas para a
gestão ambiental do território.
-
restamento nas margens dos rios e fortalecidos

      
foram fortalecidos com o plantio de árvores fru-

      
necessária para a parte basal da planta.
Isso também foi resultado de um processo de
    
da área selvagem foram levados para domesti-
cação em 3 cenários diferentes de exposição ao
sol: 1) 100% de luz, 2) 70-80% de luz, 3) 50-50%
-
res condições para o desenvolvimento de bau-

-
      
dos insetos é feito manualmente, com práticas
noturnas de captura de besouros e aplicação de
extratos de plantas de tabaco, pimenta e sabão.
       
    


frutíferas também são reproduzidas e, assim,
têm o material disponível para a utilização de
     -
       -



-
lias interessadas no cultivo.
     -

     
   
  “Cultivando baunilha estamos
protegendo a oresta

24


seus frutos curados.
  -
     -
cação ambiental para a conservação e uso sus-

principalmente com as famílias (integrantes do
-

-
tamento.
São membros ativos da Mesa Técnica da Bau-

       -
ração Autônoma para o Desenvolvimento Sus-
       
 

-
     
      
Governança
responsável
Governança ambiental
Creación conjunta
e intercambio de
conocimientos
Cultura y
tradiciones
alimentarias
Valores humanos
y sociales
Gobernanza
responsable
47
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
Nacional e Exército. Por meio desse espaço de
governança, protocolos de vigilância e controle
  -
      

também é monitorada para recuperar as mudas
 
levá-las ao viveiro. Adicionalmente, através da
gestão da Mesa, espera-se obter uma licença
de uso sustentável para a comercialização das
mudas e frutos fora do território. Atualmente co-
-


Fonte: SWISSAID. 2020. Aroma Chocó: a trilha de baunilha.
   
-


      -
restais contribui para agregar valor ao sistema
produtivo local e, portanto, aos produtos comer-
-
      

     -
-
  

   
      
acordo com as exigências do mercado.

3 meses ou mais dependendo das condições

garantia de comercialização são transformados
para a produção de sabão, extrato e essência
para alimentos.
     -
cela é vendida para a comunidade e turistas; A
maior parte é vendida diretamente nas cidades
de Medellín, Bogotá e Manizales, sob a marca

se os padrões do mercado internacional forem
atendidos.


e social por restaurantes, sorveterias e confei-
  
     
sua marca. Esta é uma fonte de motivação para

dar o exemplo à comunidade da importância
-

uma boa reputação no mercado.
Economia circular
e solidaria
Comercialização de produtos agroecológicos
48
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
Em 2017, foram estabelecidas alianças com
      
       
      
      
desenvolver ações de gestão, conservação e
uso sustentável.
Internamente, o espaço de intercâmbio e

minga
25
-
munitário, vem se disseminando a iniciativa de




laços de solidariedade são fortalecidos para
construir estratégias para desatar os nós do

       -
envolveu um plano de aprendizagem e inter-

 
     
    -

comercialização fortalecimento organizacional



-
-

no uso sustentável dos recursos.
Lições aprendidas
       

permitido se reconectar com os saberes ances-
trais, com as formas tradicionais de produção
-
pacto direto no bem-estar dos seus membros,
fortalecendo relações de apoio e solidariedade.
Por meio dessa experiência, eles se conscien-
-
zas da selva. Passaram de uma atividade pu-
ramente extrativista para o estabelecimento de
    
condições de vida do ponto de vista econômico

-
      

e outras espécies de importância nutricional e

Esta iniciativa teve um impacto positivo na ges-
tão de outras culturas de pancoger, uma vez


ser geridas agroecologicamente.
      
-
     
      

gestores dos recursos naturais e de autoridade
-

25


Criação conjunta
e intercambio de
conhecimentos
Relações e intercâmbio de conhecimento
49
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
Corporação Coletivo de
Agroecologia Terra Livre
Origem do processo
       
coletiva em 2004, no município de Fusagasugá
(Cundinamarca) no âmbito da Federação de
Estudantes de Agronomia da Colômbia, uma

com organizações, organismos internacionais
de agronomia, movimentos sociais, latinos Mo-
vimentos indígenas americanos e a Associação
Nacional de Usuários Camponeses (ANUC).
Graças a esse processo e à motivação de alu-
nos próximos ao término da carreira em agro-
nomia, em 2005 foi formado o Coletivo de Agro-
ecologia Tierra Libre, com formalização legal
em 2006 como Corporação. Desde o primeiro

camponesas de Fusagasugá e Silvania, com o
desenvolvimento de um primeiro diploma em
agroecologia. Em 2009, foi realizado o primeiro
diploma internacional em agroecologia, ampla-

“Desde as nossas origens, entendemos a agro-
ecologia como um compromisso social, polí-
tico-comunitário e não apenas técnico, desde
este ponto de vista fazemos um trabalho à es-
cala territorial. O seu epicentro de construção e
evolução é a província de Sumapaz” (Jerónimo
Pulido).
Atualmente, 120 famílias de produtores de cinco
municípios da região de Sumapaz fazem parte
da Corporação: Fusagasugá, Pandi, Pasca,
    
Bogotá e nos departamentos de Tolima, Cauca,

Os eixos de ação dessa organização social e
política são a agroecologia camponesa, a sobe-
rania alimentar, a defesa e proteção da água e
do território, a educação popular e os direitos
      
construção e fortalecimento de processos de
organização social e comunitária em nível local
e regional, bem como processos de incidência
e articulação para a construção de um movi-
mento socioambiental e político, comprometido
com a defesa da vida, água, território, direitos
fundamentais e paz (Pulido Y Tierra Livre, 2021).
Estratégias para a transição agroecológica
Para Terra Livre, a transição agroecológica é um
     
      
modelo de agricultura convencional
26
. Não foi
concebido como uma receita. Porém, são recon-

Fonte: Tierra Libre, fotografía de Facebook.
26

deles é maximizar a produção e outro maximizar os lucros econômicos. O modelo agrícola convencional é baseado em seis práticas fundamentais, a saber:

1998).
Sinergias Resiliência
Diagnóstico agroecológico e
planejamento da fazenda
Diversidad Eficiencia ReciclajeResilienciaSinergias
Valores humanos
y sociales
50
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO

fazenda é uma ferramenta fundamental para
iniciar um processo de transição agroecológica.
A partir de observações em campo e de um
      
     
um determinado diagnóstico, busca-se con-
        

etc. O ambiente da propriedade ou fazenda é
analisado sob os aspectos ambientais, econô-
micos, culturais, sociais, políticos, tecnológicos,
entre outros. Em relação ao processo produtivo,
    
-

devem ser mantidas.
É necessário desenvolver e selecionar os crité-
rios de análise para cada área de acordo com
       
cada situação particular a ser diagnosticada,
pois correspondem aos seus próprios tempos


de transição.


construção do plano da fazenda.
Para construir o plano da fazenda, os seguintes
componentes são considerados:
informações gerais sobre a fazenda;
a visão da família;
a situação atual da fazenda;
as limitações ou “problemas da fazenda;
as oportunidades para o desenvolvimento
da fazenda;

       


Para abordar os componentes acima mencio-
nados, são utilizadas ferramentas de mapea-
mento social. Com a participação de todos os
    
e contribuições, é elaborado o mapa atual da
fazenda, para isso pode-se fazer um esboço de
uma imagem de satélite se ela for georreferen-

A partir deste mapa, os pontos fortes, proble-
   -

e o futuro mapa e planta da fazenda. É muito
       
modelo, porém o plano é construído em torno de

os seguintes elementos: diversidade, baixa de-
pendência de insumos externos, boa gestão da

nutrientes, entre outros.
  
fazenda devem ser 100% participativos, valori-
-

família for autora e protagonista do plano.
Embora na agroecologia convergem uma série
      
livre, abordar a saúde do solo é fundamental
no processo de transição agroecológica. A
fertilidade do solo depende em grande parte
da vida do solo, pois este é um organismo
vivo, portanto, grande parte das práticas e


    

entre outras práticas nocivas da agricultura
convencional.
Reciclagem Eciência
Recuperação e conservação do solo
51
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
A recuperação e conservação do solo é uma
estratégia transversal à substituição de fertili-
-
temente o estado de transição mais comum
em muitas famílias e explorações agrícolas e
não deve ser entendida como uma mera substi-
tuição por fertilizantes orgânicos ou biológicos.


terá impacto direto na nutrição da cultura.
Dentre as práticas promovidas e utilizadas
     
(também utilizadas nos processos de acom-
      -
tos), destaca-se a elaboração de fertilizantes
    


outras práticas de conservação do solo, como:
cultivo mínimo, rotação de culturas, plantio de
culturas de cobertura, símbolo de adubo verde,
      
construção de terraços para semear em encos-
tas proteção da superfície do solo com matéria
      

Essas e outras práticas são utilizadas de acordo
com as condições de cada fazenda, incluindo
aspectos socioeconômicos. Existem muitas
outras práticas, mas para Tierra Libre não se

Nesse sentido, destaca-se também a impor-
tância do aumento da biodiversidade nos
agroecossistemas, intimamente relacionada
a algumas das práticas conservacionistas
mencionadas. Isso não visa apenas recuperar
a diversidade produtiva, recuperar e restaurar
      

      

as lavouras. Um exemplo claro é a transfor-
mação dos sistemas de monocultura de café

Fonte: Tierra Libre, fotografía de Facebook. https://www.
facebook.com/pg/tierralibreco/photos/?ref=page_internal
Na experiência de Terra Livre, o desenvolvi-
mento de estratégias de comercialização é
crucial na transição agroecológica, “existe uma
relação direta entre a transição e a comerciali-
zação(Jerónimo Pulido).
A organização da aposta na soberania alimen-
tar territorial, portanto, a comercialização se

-
    -
zação de produtos agroecológicos em uma
economia camponesa.
As estratégias de comercialização sempre fo-
ram buscadas para proporcionar um espaço de
encontro direto entre o produtor e o consumi-
dor. Há vários anos, acontecem nas calçadas
feiras de troca de produtos, sementes e venda.
Em 2016 foi consolidada a Ecotienda (Eco-mer-


de forma coletiva.
Economia circular
e solidária
Comercialização de produtos agroecológicos
52
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
Aproximadamente 50% das famílias são cafei-
cultoras, mas complementam sua produção

-
bérculos, árvores frutíferas, existe também a pe-
cuária (leite, carne, ovos), com isso existe uma
grande variedade de produtos na Ecotienda, uns
100% orgânicos e outros em transição. As prá-


manter um relacionamento transparente com o

é 100% orgânico. Nesse sentido, temos trabal-
      
Sistema Participativo de Garantias ou aval de

-
nal para expandir para outros mercados e con-
seguir a comercialização de todos os produtos
disponíveis.
Para Terra Livre, a transição agroecológica faz
      -
tou em um tecido social sólido baseado em re-

eles construíram uma identidade com um pro-

comunidades camponesas. Isso tem permitido
a formação de redes de alianças com outras
organizações sociais, Organizações Não Gover-
namentais (ONGs) e a Confederação Interna-
cional OXFAM para a mobilização de recursos e
promoção da agroecologia.
A educação e a formação são um elemento
fundamental nos processos de transição e, em
Terra livre, são realizados com base na troca de

Por um lado, desde 2016 lançaram as Escolas
Camponesas Agroecológicas - ECAS em cinco
     
Fusagasugá (aldeias do sul). As ECAS são um
      -
tos em torno das práticas de cultivo, plantio e
produção de insumos agroecológicos, são tam-
bém um espaço de formação político-pedagó-

podem afetar o território.
Têm sido promovidos pela criação de biofábri-
cas como espaços de diálogo, encontro, expe-
rimentação, aprendizagem e produção de ferti-
lizantes nos cinco municípios com exceção de
Pasca
27
.
Por outro lado, desde 2018 Tierra Libre faz parte
de um grupo multidisciplinar de alunos, gradua-
dos e professores da Universidade Nacional da
Colômbia, da Universidade de Cundinamarca,
da Universidade Pedagógica Nacional e OXFAM.
Este exercício coletivo consolidou o Laboratório
de Juventude Rural da província de Sumapaz,
-

-
logia e da inovação no campo, a partir do des-
envolvimento de metodologias participativas, o
troca de experiências e criação coletiva
28
.
Lições aprendidas
Em sua experiência de mais de 15 anos, apren-
  “o processo de transição deve ser
feito do fácil ao complexo e do pequeno ao
grande”, pois a economia da família está em
risco e é preciso alimentar os motivação com
27


28

Criação conjunta
e intercâmbio de
conhecimentos
Relações e intercâmbio de conhecimento
53
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
Associação de produtores camponeses
do oriente antioquenho (ASOCAMPO)
Origem do processo
ASOCAMPO surge de um processo de formação
promovido pelo município de Marinilla (Antio-

Agroecológica. A Escola desenvolveu 10 módu-
        
foi abordada a teoria e prática da confecção
de fertilizantes, controle de insetos e doenças,
    -
sociatividade empresarial, entre outros, e reali-
      
produtor. Como resultado deste último módulo,
     
decidiram constituir a Associação; Em 2000 re-
gistraram-se na Câmara de Comércio e abriram
seu próprio ponto de venda em Marinilla para a
comercialização de produtos agroecológicos,

-
-
      
       -
mente para uma preparação mais complexa
“co-
meçar com uma coisa de cada vez, pois quanto
maior o número de práticas e tecnologias, maior
a complexidade”     -

no sistema de produção e incentivo das pes-
soas a empreender mudanças.
-
sionador dos processos, pois você aprende com
a experiência, motiva e consolida uma rede de
apoio no processo de transição. Desse modo,

agroecológica desde o nível da fazenda até o
nível comunitário e territorial.
A Associação surge para promover alternati-
vas de produção agroecológica, motivada pela
necessidade de integrar a conservação dos re-
cursos naturais com a produção de alimentos e
reduzir a dependência de insumos externos de
-
mente a biodiversidade associada aos agroecos-
sistemas e à saúde das famílias camponesas.
A partir disso, realizam processos de reconver-
são produtiva da agricultura convencional aos
sistemas de produção agroecológicos, promo-
vendo a conservação dos recursos naturais,
a soberania e a segurança alimentar da popu-
lação rural e a prestação de saúde e bem-estar
aos consumidores. Para os associados, é uma
      
    
associados.
Atualmente, 22 famílias camponesas fazem
parte da ASOCAMPO, das quais nenhuma é mem-
bro fundador, o que denota para elas uma estru-
tura social muito sólida na qual a agroecologia foi
apropriada como estilo de vida, sob três pilares:
ambiental, social e econômico
Estratégias para a transição agroecológica
No processo de reconversão, a fazenda é pla-
      
forma transversal. Desta forma, busca-se a
integração da componente agropecuária em
cada fazenda, de acordo com as condições de
cada família, garantindo o bem-estar animal.
Na componente agrícola do ASOCAMPO pre-
domina a produção de vegetais em policultura.
Nas policulturas, as espécies vegetais se esta-
Diversidade Eciência
54
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
belecem na mesma área ou superfície, dentre

medicinais e ornamentais.
Cada planta fornece alguns nutrientes e subtrai
outros. A rotação de culturas é baseada em
-

-
sumo de seus frutos, como tomate, páprica,
-
das para consumir suas raízes, como cenouras,
nabos, cebolas, beterrabas, rabanetes; plantas

cobertura).
     
       
como às necessidades e interesses de cada
família. É geralmente organizado em seções

-
turas de raízes, (4) culturas de leguminosas e

     
ocorre ao longo de um período de um ano, de-
pendendo do ciclo da espécie semeada.
Com as policulturas e rotações, benefícios di-
retos têm sido obtidos no sistema produtivo
como: maior aproveitamento do espaço, mel-
   -
dência de insetos e doenças (alelopatia), au-
mento da biodiversidade no agroecossistema e

Por outro lado, e relacionada às práticas volta-
das para a recuperação e conservação do solo,
no processo de transição agroecológica, a cons-
trução de terraços e o plantio de barreiras vivas
polivalentes têm sido muito importantes, uma
-
lizadas em taludes, de forma a evitar a erosão


      -
bitat de pássaros, podem ser utilizadas como
fertilizantes, na alimentação de animais e para
      
agrotóxicos.
      
são estabelecidos a partir de semente orgânica,


Fonte: Asocampo Marinilla, fotografía de Facebook.
Na experiência, para iniciar um processo de con-
versão é fundamental reduzir a dependência de
insumos externos, para isso, cada família pro-
duz seus fertilizantes orgânicos para a nutrição

para o controle de insetos e doenças.
São produzidos fertilizantes orgânicos sóli-
     

-

Reciclagem Eciência
Produção de fertilizantes orgânicos e
extratos vegetais
55
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
A produção é organizada por cada família de
acordo com a necessidade e disponibilidade
de recursos. Os membros da organização
     -
     -
mente da produção. Periodicamente são feitas
análises de solo para determinar as necessida-
des do sistema de produção e, assim, decidir os
tipos de fertilizantes a serem usados.
-
dimentação, conservar a fauna presente no solo
e incorporar matéria orgânica compostada re-

de solo, viva ou seca.
-

      


de repelentes, podem estimular o sistema de
defesa da planta; bem como a produção de cal-
dos minerais, como bordalês e sulfatos, depen-

Além disso, para a produção de fertilizantes,
biopreparações e irrigação da lavoura, foram im-
plantados sistemas de reciclagem e captação

casas.
Fonte: Asocampo Marinilla, fotografía de Facebook. https://es-la.
facebook.com/pages/category/Community-Organization/Aso-
campo-1871283273105183/
ASOCAMPO possui um ponto de venda próprio
       -
rante a comercialização da produção de todos os
associados. “É uma alternativa de mercado mais
justa para os produtores e uma oferta de alimen-
tos mais saudáveis e em harmonia com o meio
ambiente” (
     
       
responda a um plano de produção global da
organização para garantir a disponibilidade do
produto para o consumidor, a família e a renda
esperada; determinar custos de produção e



Para garantir o sucesso do processo, a direção
da organização realiza visitas às fazendas dos
-

O consumidor é informado sobre os produtos
oriundos de sistemas em transição (reconver-

A demanda pelo produto foi construída com os
consumidores e a partir disso, os exercícios de

.
“Entre 2014 e 2019, todas as famílias obtiveram
-
nistério da Agricultura e Desenvolvimento Rural,
principalmente para comercialização em redes
        
resultados não foram os esperados ao nível da
-
-
    
com o grupo da Rede Colombiana de Agricultura
Economia circular
e solidária
Comercialização de produtos agroecológicos
56
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
Fonte: Asocampo Marinilla, fotografía de Facebook.
Biológica - RECAB (está disponibilizado na Rede


     -


-


cestas também são entregues em casa em Ma-
    -
ganização visa fortalecer os processos de apoio
entre os produtores e a rastreabilidade dos pro-
dutos por meio de um Sistema Participativo de

solidariedade.
     -

    
-

ou outra instituição para o território. Sob esse
entendimento, eles se concentram em conso-
lidar as relações entre as famílias ASOCAMPO
para tecer uma rede de solidariedade e apoio, e
com os consumidores.
    
sido a força motriz da reconversão, são reali-
zadas viagens de demonstração, viagens de
      
     
próprios produtores agroecológicos, por exem-
plo, na experimentação com densidades de se-
meadura ou tipos de substrato para determinar

realizada Camponês - Camponês, através do
diálogo de saberes, recuperam-se as práticas
tradicionais.
-
cias e promover a transição agroecológica,
idealizaram a Fazenda Escola Agroecológica de
Marinilla, um processo de aprendizagem na mo-
dalidade presencial concentrada para capacitar
e capacitar todo o processo de produção agro-

em sua primeira coorte.
Lições aprendidas
-

como ela se conecta com a família em seu am-
biente de uso.
Nestes mais de 20 anos de organização, conso-
lidaram o processo de comercialização e com
isso o bem-estar das famílias foi diretamente
     
primeiro lugar.
Tem sido fundamental estabelecer os princípios
da produção agroecológica dentro da organi-
zação, entre eles a produção de fertilizantes com-
Criação conjunta
e intercâmbio de
conhecimentos
Relações e intercâmbio de conhecimento
57
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO


de conservação do solo e o desenvolvimento de
-

As associações de camponeses têm permitido
      
-
dução agroecológica, desenvolvam estratégias

para atender às demandas do mercado.
58
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
Conclusões
O
processo de transição agroecológica en-
volve diferentes práticas, estratégias ou

abordá-lo.
    
iniciar um processo de transição e sua dura-
bilidade ao longo do tempo dependem da mo-
     
    
-

comuns com base na experiência.
A partir dessas nove (9) experiências de tran-
sição agroecológica na Colômbia, as seguintes

59
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
Planejanemto predial.
Conservação do solo: produção de fertilizantes orgânicos
e biopreparações.
Restauração ecológica e sistemas agroorestais.
Trocas de experiências e valorização dos conhecimentos
tradicionais.
Resgate e uso da agrobiodiversidade.
Circuitos de economia solidária.
Coleta e armazenamento de água da chuva.
Abordagem de gênero ou juventude.
Escalar a agroecologia na Colômbia é certa-
mente uma aposta para a transformação sus-
tentável dos sistemas alimentares. Essas oito
(8) práticas fazem parte da consolidação de
-
temas agroecológicos e sua relação com os 10
elementos da agroecologia.
     
    -
nalidade nas práticas e experiências agro-
ecológicas. Este caráter multidimensional
     
e intersetorial nos esforços das instituições
no desenvolvimento de planos, programas e
políticas públicas para a promoção da agro-
ecologia na Colômbia como ciência, prática
     
compreensão sustentável e com abordagem
territorial dos agroecossistemas e do sistema
alimentar a partir das dimensões ambiental,
sociocultural, econômica e política.
60
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
Bibliografia
Altieri, M. 1995. El “Estado del Arte” de la agroecología y su contribución al desarrollo rural en
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
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Manual para la transición agroeco-
lógica: guía para las agricultoras y agricultores agroecológicos.
  -
C3%B3n%20agroecol%C3%B3gica..%20(2).pdf).
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
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Agroecología: promoviendo una transición hacia la soste-
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Manual de transición agroecológica para la agricultura familiar campesina.
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adoptan los lineamientos estratégicos de política pública para la Agricultura Campesina, Familiar
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Montañas Vivas: una apuesta de permanencia en el territorio.
Sistemas agroalimentarios y territorio: la experiencia de la Asociación de Pro-
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