Região Caribe
Estratégia de Conectividades
Socio-ecossistêmicas: Conexão
BioCaribe
Montes de María (Morroa,
Chengue, Carmen de Bolívar)
Rede de Inovação para a
Sustentabilidade dos Montes
de María.
Zona litorânea de Sucre e
Córdoba
Estratégia de Inovação Rural
Participativa
Departamento do Cauca
Centro de Inovação e
Apropriação Social da
Cafeicultura Cicaficultura
Caucana
Policarpa, Nariño
Territórios Socio e
Ecologicamente Resilientes e
Inovadores
Documentação Experiências de
Sistemas Territoriais de Inovação
Agropecuária na Colômbia
Semeando Capacidades
Cooperação Brasil- Colômbia- FAO
Documentação Experiências de
Sistemas Territoriais de Inovação
Agropecuária na Colômbia
Semeando Capacidades Cooperação Brasil- Colômbia - FAO
Aperfeiçoar as políticas públicas por meio da gestão do conhecimento para a Agricultura Camponesa,
Familiar e Comunitária (CFCA) em territórios rurais da Colômbia, com enfoque agroecológico”
COOPERAÇÃO INTERNACIONAL
BRASIL-COLÔMBIA-FAO
ANCIA BRASILEIRA DE COOPERAÇÃO DO MINISRIO
DAS RELAÇÕES EXTERIORES (ABC/MRE)
Cecilia Malaguti do Prado
Coordenador de Cooperação Sul-Sul Trilateral com
Organizações Internacionais
Carolina Salles Smid
Analista de projeto
Luis Fernando Bacelar
Assistente de Projetos
MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, PECUÁRIA E
ABASTECIMENTO DO BRASIL (MAPA)
Fernando Henrique Kohlmann Schwanke
Secrerio de Agricultura Familiar e Cooperativismo
(SAF)
Nelson Andrade Júnior
Assessor (SAF)
Rafael Martins Dias
Analista Técnico de Políticas Sociais (SAF)
MINISTÉRIO DA AGRICULTURA E DESENVOLVIMENTO
RURAL DA COLÔMBIA (MADR)
Sergio Rarez Payares
Diretor de Capacidades Produtivas e Geração de
Renda (DCPGI)
Ronald Dallos Rincón
Joaquín Salgado Rodríguez
Empreiteira (DCPGI)
Heidy Barbosa Segura
Internacionais
ESCRITÓRIO REGIONAL DA FAO PARA
AMÉRICA LATINA E CARIBE
Luiz Carlos Beduschi
Ronaldo Ferraz
Coordenador regional do projeto América Latina
e Caribe sem Fome / Programa de Cooperação
Internacional Brasil-FAO
FAO BRASIL
Rafael Zavala
Representante
Rossandra Farias de Andrade
Profissional especializado em Articuladora Interinstitucional
FAO COLÔMBIA
Alan Bojanic
Representante
Manuela Ángel
Marcos Rodríguez Fazzone
Especialista Sênior na Área de Agricultura Familiar e
Mercados Inclusivos
Camilo Ardila Galvis
Coordenador do Projeto de Semeando Capacidades
Texto elaborado por:
Ana Garcia Hoyos
Fernando Moreno
Revisao Tecnica:
Camilo Ardila Galvis, Marcos Rodríguez Fazzone
Ángela Silva
Glück Comunicaciones SAS
Bogotá D.C , Colômbia
2021
nem as políticas do MADR Colômbia, MAPA Brasil, ABC / MRE e / ou FAO.
A FAO incentiva o uso, reprodão e disseminão do material contido neste produto de informação. Salvo indicação em contrário,
serviços não comerciais, desde que a FAO seja devidamente reconhecida como a fonte e detentora dos direitos autorais e isso não
implicar de alguma forma que a FAO endossa as opiniões, produtos ou serviços dos usuários. Todas as solicitações de direitos de
tradão e adaptação, bem como de revenda e outros direitos de uso comercial, devem ser feitas em www.fao.org/contact-us/
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(www.fao.org/publications/en) e podem ser adquiridos por e-mail em publicações-sales@fao.org.
Agradecimentos.
Apresentação.
1. Introdução
2. Metodologia
3. Marco conceitual
3.1 Concepção dos Sistemas Territoriais de Inovação Agropecuária na política pública
colombiana.
3.2 Ecossistemas de Inovação.
a. Propósito
b. Atores
c. Papéis
d. Recursos
e. Ambiente/fatores habilitantes
3.3 Características dos Sistemas de Inovação Agrícola (STI).
3.4 Fortalecimento de capacidades nos Sistemas de Inovação Agrícola.
3.5 Sistemas Territoriais de Inovação no Brasil e em outros países da região.
4. Experiências de Sistemas Territoriais de Inovação na Colômbia.
4.1 Territórios Inovadores e Socioecológicamente Resilientes (TISERE): uma aproximação ao
YJWWNYखWNTJR5TQNHFWUF3FWNऔT
4.1.1 Ferramentas e aspectos metodológicos.
4.1.2 Atores e papéis.
4.1.3 Recursos.
4.1.4 Ambiente/fatores habilitantes.
4.1.5 Conquistas.
4.2 Estratégia Conexão BioCaribe: conectividade socio-ecossistêmica para a integração
territorial.
4.2.1 Ferramentas e aspectos metodológicos.
4.2.2 Atores e papéis.
4.2.3 Recursos.
4.2.4 Ambiente/fatores habilitantes
4.3 Rede de Inovação para a Sustentabilidade dos Montes de María: uma aposta para o
desenvolvimento sustentável da região.
4.3.1 Ferramentas e aspectos metodológicos.
4.3.2Atores e papéis.
4.3.3 Recursos.
4.3.4 Ambiente/fatores habilitantes.
4.3.5 Conquistas
4.4 Estratégia de Inovação Rural Participativa (IRP) da Corporação PBA: rumo à consolidação de
um Sistema de Inovação Territorial na zona costeira de Córdoba e Sucre.
17
11
13
15
12
18
17
21
33
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47
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53
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28
25
23
Conteúdo
8
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
Índice de Tabelas
4.4.1 Ferramentas e aspectos metodológicos.
&HYTWJX^WTQJX
4.4.3 Recursos.
4.4.4 Ambiente/fatores habilitantes
4.4.5 Conquistas.
4.5 Centro de Apropriação e Inovação Social para a Cafeicultura Caucana.
4.5.1 Ferramentas e aspectos metodológicos.
4.5.2 Atores e papéis.
4.5.3 Recursos.
4.5.4 Ambiente/fatores habilitantes.
5. &NST[FऋइTSTYJWWNYखWNTIJXFܪTXJQNऋघJXFUWJSINIFX
6. 'NGQNTLWFܪF
53
58
62
57
59
64
66
15
24
44
56
59
63
58
61
Tabla 1.Experiências de Sistemas Territoriais de Inovão na Colômbia documentadas
Tabla 2. (TRUFWFऋइTJSYWJFXHFUFHNIFIJXNIJSYNܪHFIFXUJQF9&5JFXHFWFHYJWऑXYNHFXITX89.ST
83.&*QFGTWFऋइTUWखUWNF
Tabla 3. Território que abrange a iniciativa Biocaribe
Índice de Figuras
18
19
19
20
20
21
22
54
60
60
Figura 1. Elementos de um ecossistema de inovação. D-LAB MIT.
Figura 2. Atores de um ecossistema de inovação. D-Lab MIT (Hoffecker, 2019).
Figura 3. Principais papéis dos atores nos ecossistemas de inovação local.
D-Lab MIT. (Hoffecker, 2019).
Figura 4. Recursos para o funcionamento de um ecossistema de inovação.
D-LAB MIT (Hoffecker, 2019).
Figura 5. Ambiente/fatores habilitantes que incidem no funcionamento do
ecossistema de inovação. D-LAB MIT (Hoffecker, 2019).
Figura 6.
Atores que integram um Sistema de Inovação Agrícola. TAP (2017).
Figura 7. Diagrama conceitual de um Sistema de Inovação Agrícola.
Tomado de (TAP, 2017, 10).
Figura 8. Localização de cinco experiências de Sistemas Territoriais de Inovação na
Colômbia. Elaboração própria
Figura 9. Etapas da estratégia de Inovação Rural Participativa.
Figura 10.*N]TXIJFऋइTJHTRUTSJSYJXIJ(NHFܪHZQYZWF(FZHFSF
9
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
Lista de abreviações
ABC Agência Brasileira de Cooperação
ACFC Agricultura Camponesa, Familiar e Comunitária
ADR Agência de Desenvolvimento Rural
AF Agricultura Familiar
AGROSAVIA Corporação Colombiana de Pesquisa Agropecuária
ANDI Associação Nacional de Empresários da Colômbia
AP Áreas Protegidas
ARS Análises de Redes Sociais
ART Agência de Renovação do Território
ASPROCIG A Associação dos Produtores para o Desenvolvimento Comunitário da
Ciénaga Grande del Bajo Sinú
AUGURA Associação dos Bananeiros da Colômbia
AUNAP Autoridade Nacional de Aquicultura e Pesca
CARDIQUE Corporação Autônoma Regional do Canal del Dique
CARSUCRE Corporação Autônoma Regional de Sucre
CBD Centro de Diversidade Biológica
CELAC Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos
CENICA Centro Nacional de Pesquisa em Café
CQNUMC (TS[JSऋइT6ZFIWTIFX3FऋघJX:SNIFXXTGWJF2ZIFSऋFIT(QNRF
CODECHOCÓ Corporão Autônoma Regional para o Desenvolvimento Sustentável do Chocó
CODECTI Conselho Departamental de Ciência Tecnologia e Inovação
CORPOURA Corporão para o Desenvolvimento Sustentável do Urabá
CVS Corporação Autônoma Regional dos Vales do Sinú e de San Jorge
CSE Conectividade Socio-Ecossistêmica
FAO 4WLFSN_FऋइTIFX3FऋघJX:SNIFXUFWFF&QNRJSYFऋइTJF&LWNHZQYZWF
Fedealgodon Federação Nacional de Produtores de Algodão
Fedearroz Federação Nacional de produtores de Arroz
Fedemaderas Federação de Produtores de Madeiras
Fedepalma Federação Nacional de Produtores de Palma de Azeite
Fedetabaco Federação dos Produtores de Tabaco
Fenalce Federação Nacional dos Produtores de Cereais
FIDA Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola
EGF Fundo Global para o Meio Ambiente
ICA Instituto Colombiano Agropecuário
INTA Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária
IRP Inovação Rural Participativa
ITC (TRऍWHNT.SYJWSFHNTSFQIFX3FऋघJX:SNIFX
MAPA Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Brasil
10
MADR Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural
MIT Instituto de Tecnologia de Massachusetts
ONG Organização Não Governamental
PDEA Plano Departamental de Extensão Agropecuária
PDET Planos de Desenvolvimento com Abordagem Territorial
PNN Parques Nacionais Naturais
RCC Região Caribe da Colômbia
RLIP Estratégia Redes Locais de Integração Produtiva
SENA Serviço Nacional de Aprendizagem
SIA Sistemas de Inovação Agropecria
SIRAP Caribe Sistema de Áreas protegidas do Caribe Colombiano
SNIA Sistema Nacional de Inovação Agropecuária
STI Sistema Territorial de Inovação Agropecuária
TAP Plataforma de Agricultura Tropical
TAR Teoria do Ator Rede
Tecnicafé Parque Tecnológico de Inovação do Café
TISERE Territórios Inovadores e Socioecológicamente Resilientes
UMATA Unidade Municipal de Assistência Técnica
UNCCD (TS[JSऋइTIFX3FऋघJX:SNIFXUFWFT(TRGFYJऄ)JXJWYNܪHFऋइT
URT Unidade de Restituição de Terras
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
11
Agradecimentos
O
Projeto Semeando Capacidades agra-
dece as contribuições e a participação de:
A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
(EMBRAPA), em especial ao Portfólio de Inovação
Social, presidida pela pesquisadora Cristhiane
Oliveira da Graça Amâncio.
Eliana Martínez Pachón, Investigadora Ph.D.
Corporação Colombiana de Pesquisa Agrícola
(AGROSAVIA).
José Gómez Franco, Consultor FAO Estratégia de
Redes de Integração Produtiva Local (RLIP) - FAO.
María Isabel Ochoa Botero, Coordenador de Co-
nexão de Projetos BioCaribe - FAO.
Olga Lucía Cadena Durán, Projeto Centro de Pes-
quisa, Promoção e Inovação Social para o Desen-
volvimento do Café Caucana – Universidade de
Cauca.
Santiago Perry Rubio, Diretor executivo. Corpo-
ração PBA.
Da mesma forma, agradecemos às partes do
projeto Semeando Capacidades: a área de Agri-
cultura Familiar e Mercados Inclusivos da FAO
Colômbia, a área de Cooperação Sul-Sul Trilate-
ral com Organizações Internacionais da Agência
Brasileira de Cooperação; a Diretoria de Capaci-
dades Produtivas e Geração de Renda do Minis-
tério da Agricultura e Desenvolvimento Rural da
Colômbia; o projeto América Latina e Caribe sem
Fome do Programa de Cooperação Internacional
Brasil-FAO; e a Secretaria de Agricultura Familiar
e Cooperativismo do Ministério da Agricultura,
Pecuária e Abastecimento do Brasil.
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
Apresentação
F
oi implementado no âmbito da cooperação
Sul-Sul, o Projeto Semeando Capacidades
entre o Ministério da Agricultura e Desen-
volvimento Rural da Colômbia (MADR), o Minis-
tério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento
do Brasil (MAPA), a Agência Brasileira de Coope-
WFऋइT&'(JF4WLFSN_FऋइTIFX3FऋघJX:SNIFX
para a Agricultura e a Alimentação (FAO), na qual
é desenvolvida uma série de processos, ativida-
des e ações voltadas para o fortalecimento de
políticas públicas alinhadas à Agricultura Cam-
ponesa, Familiar e Comunitária (CFCA) com
foco na agroecologia.
Dentro do conjunto de ações, foi elaborado este
documento que reúne cinco experiências de Sis-
temas Territoriais de Inovação (STI) na Colôm-
bia, cada uma em resposta a um contexto parti-
cular, mas com lições comuns que orientam os
diferentes atores dos STI para a implementação
de esses espaços de articulação, gestão do con-
hecimento e inovação.
Para realizar a presente documentação de ex-
periências, foram realizadas entrevistas semies-
truturadas com atores-chave de cada STI, as
quais foram analisadas à luz dos fundamentos
teóricos desses sistemas e, principalmente, da
abordagem dos ecossistemas de inovação pro-
posta pelo programa do Instituto Tecnológico de
Massachusetts, MIT D-Lab.
3TX(FUऑYZQTXJXइTFUWJXJSYFITXFXUJHYTX
introdutórios e metodológicos, respectivamente,
no Capítulo 3 é feita a descrição do arcabouço
conceitual. Posteriormente, o Capítulo 4 aborda
as cinco experiências de STI, explorando seu
propósito e contexto, ferramentas e metodolo-
gias, atores e papéis, recursos, ambiente e fato-
WJXMFGNQNYFSYJX5TWܪRT(FUऑYZQTFUWJXJSYF
ZRFFSअQNXJGFXJFIFSTXIJXFܪTXJQNऋघJXHT-
muns entre as experiências.
Espera-se que este produto forneça uma base
teórico-prática para o desenvolvimento de ins-
trumentos de política pública voltados para a
consolidação dos Sistemas Territoriais de Ino-
vação Agropecuária no território colombiano,
conforme proposto pela Lei 1876 de 2017, por
RJNTIFVZFQKTNHWNFITT3FHNTSFQ8NXYJRFIJ
.ST[FऋइT&LWऑHTQF83.&
12
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
13
O
8NXYJRF 3FHNTSFQ IJ .ST[FऋइT &LWT-
UJHZअWNF 83.& J]UWJXXFIT SF 1JN
1876/2017, propõe os Sistemas Territo-
riais de Inovação (STI) como parte da estratégia
de gestão do conhecimento nos territórios, po-
sicionando os STI como ferramentas de gestão
dos processos de extensão agropecuária. Em-
bora a lei proponha esses espaços e um marco
UFWFXZFIJܪSNऋइTMअZRFIJRFSIFUTWUFWYJ
dos gestores da política nacional em nível regio-
nal por ferramentas conceituais e experiências
para a gestão e implementação desses espaços.
3F&LWNHZQYZWF+FRNQNFW&+TX8NXYJRFXIJ.ST-
vação Agropecuária (SIA) buscam fortalecer as
experiências e o conhecimento do território. A
Comunidade dos Estados Latino-Americanos e
Caribenhos (CELAC, 2017) ressalta que a AF, por
XZFXHFWFHYJWऑXYNHFXYJRFXXZRNITTXIJXFܪTX
da inovação pelas condições e meios onde ela
THTWWJ&&+GZXHFXZUJWFWTXIJXFܪTXNRUTX-
tos pelos sistemas socioeconômicos e pelas
mudanças climáticas, permitindo que o conhe-
cimento utilizado e a capacidade de aprendiza-
gem sejam recursos e habilidades próprias, ge-
rando processos produtivos, produtos e formas
de organização adaptadas ao ambiente onde
se desenvolve. Portanto, a agricultura familiar,
mesmo com meios limitados, não só conseguiu
sobreviver, mas também proporcionou e incor-
porou conhecimentos e práticas inovadoras.
3TआRGNYTITIJXJS[TQ[NRJSYTITX89.THTS-
ceito de território é destacado como um fator
relevante de compreensão, delimitação e des-
envolvimento. O território pode ser considerado
a partir dos limites estabelecidos pelos aspec-
tos sociais, culturais e econômicos ou como
parte do patrimônio histórico e cultural de uma
população que o habita, também pode ser li-
RNYFIT UJQFX HFWFHYJWऑXYNHFX LJTLWअܪHFX VZJ
o demarcam. Além desses, existem as delimi-
tações políticas determinadas pelos acordos
1. Introdução
constitucionais que uma nação estabelece (Gi-
RऍSJ_ 3JXXJXJSYNIT TYJWWNYखWNT NSHQZN
IJܪSNऋघJX VZJ FGWFSLJR F INRJSXइT HZQYZWFQ
XTHNTUTQऑYNHFJLJTLWअܪHFSFVZFQZRLWZUTIJ
habitantes desenvolve suas atividades.
3T HFXT ITX 89. FX FYN[NIFIJX IJܪSNIFX UJQT
grupo de população-alvo serão as que atingirão
o escopo do sistema. Os STI são delimitados de
acordo com o desenvolvimento de iniciativas
coletivamente compartilhadas, de natureza he-
gemônica e relacionadas à concepção de “es-
paço com sentido”; ou seja, o território como um
espaço com ações predominantes e cujo sen-
tido é a atividade humana (nCara, 2002).
Outro aspecto relevante dentro dos STI é a ino-
vação. Para Alburquerque (2008), a inovação
tem se transformado da abordagem linear que
a concebe como gestada externamente ao terri-
tório, para a abordagem transversal em que os
diferentes atores do território contribuem com
suas experiências, conhecimentos e capacida-
IJX UFWF LJWNW F XTQZऋइT ITX IJXFܪTX UWJXJS-
tes. A inovação se cristaliza quando estimula
a renovação e o aprimoramento dos métodos
de produção; renova e amplia a gama de pro-
dutos e serviços para atender às necessidades;
promove mudanças na gestão, na organização
empresarial e nas condições de trabalho, bem
HTRTSFVZFQNܪHFऋइTUFWFTJRUWJLTJRTYN[F
adaptações socioinstitucionais, culturais e terri-
toriais.
Além do exposto anteriormente, Samper (2015)
menciona que os Sistemas Territoriais de Ino-
vação buscam integrar o conceito de território
aos esquemas dos sistemas de produção exis-
tentes, os quais se integram por sua vez aos
sistemas agrários das regiões, bem como às
cadeias agroalimentares e às cadeias de comer-
cialização que integram os produtores da agri-
cultura familiar. Essa forma de integração do
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
14
conceito de sistemas territoriais abrange toda
a produção de alimentos no território e busca a
integralidade ao gerar soluções para os proble-
mas territoriais de segurança alimentar; nestes
sistemas convergem as diferentes expressões
que são desenvolvidas pelos seus integrantes, e
por isso os sistemas são multifacetados, uma
vez que incluem os elementos produtivos, am-
bientais, comerciais, socioeconómicos, culturais
e políticos do território. que podem ser integra-
dos sob a abordagem de Sistemas Alimentares
Territoriais (FAO, 2019).
3TVZJIN_WJXUJNYTऄXHFWFHYJWऑXYNHFXJKZSHNT-
nalidades dos STI, a Plataforma de Agricultura
Tropical da FAO (TAP) inclui como princípios
destes espaços a articulação dos atores, a par-
ticipação na gestão da inovação e a horizon-
YFQNIFIJ SJXYJX UWTHJXXTX 3F RJXRF QNSMF T
Instituto Tecnológico do Massachusetts (MIT)
apresenta dentro da abordagem de ecossiste-
mas de inovação algumas características como
F ܪSFQNIFIJ SF VZFQ XइT HWNFITX TZ JRJWLJR
atores que interagem dentro deles, bem como
os recursos que possui e que são necessários
para se funcionamento e o ambiente que propi-
cia seu crescimento.
Com base no exposto anteriormente e no marco
conceitual deste documento, procedeu-se à aná-
lise de cinco iniciativas de Sistemas Territoriais
de Inovação, enquanto processos de gestão e
promoção da inovação no sector agropecuário,
com base nas ferramentas para a conformação
dos STI, dando alcance às suas características
principais, o avanço em seus objetivos e os de-
XFܪTXVZJFUWJXJSYFRUFWFXZFHTSYNSZNIFIJ
Dada a importância dos STI para o desenvolvi-
RJSYTIT8NXYJRF3FHNTSFQIJ.ST[FऋइT&LWTUJ-
cuária da Colômbia, com base nesta documen-
tação é apresentada uma série de ferramentas
a serem consideradas para a implementação de
STI e a promoção da inovação no setor agrope-
cuário.
15
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
E
sta documentação fundamenta-se na -
cina Sistemas Territoriais de Inovação:
Uma Abordagem para a Prática, realizado
em outubro de 2019, no âmbito do Projeto Se-
meando Capacidades. A partir desse espaço de
YWTHFKTWFRNIJSYNܪHFIFXJXJQJHNTSFIFXFXJ]-
periências de STI apresentadas neste trabalho
Para a realização desta documentação, foram
realizadas cinco entrevistas semiestruturadas
individuais e em grupo com atores dinâmicos de
cada um dos STI e duas entrevistas estrutura-
das de aprofundamento com atores-chave infor-
mados das experiências Territórios Inovadores
2. Metodologia
e Socioecologicamente Resilientes (TISERE),
Estratégia de Conectividades Socioecossistêmi-
cas: Conexão BioCaribe, Rede de Inovação para
a sustentabilidade dos Montes de María, Estra-
tégia Participativa de Inovação Rural e Centro de
Inovação e Apropriação Social da Cafeicultura
(NHFܪHZQYZWF(FZHFSF HTRTKTSYJX UWNRअWNFX
de informação. Este processo foi acompanhado
por um processo de coletas de informação se-
HZSIअWNF J FSअQNXJ ITHZRJSYFQ 3F 9FGJQF 
algumas características de cada uma das expe-
riências documentadas são indicadas.
Tabela 1.
Experiências de Sistemas Territoriais de Inovação na Colômbia documentadas
Experiência
Abordagem
Localização
Territórios Socio e
Ecologicamente
Resilientes e
Inovadores (TISERE).
Promove resiliência socioecológica,
criando eixos de inovação como unidade
fundamental do sistema.
Policarpa, Nariño.
Estratégia de
Conectividades
Socio-ecossistêmicas:
Conexão BioCaribe.
Visa reduzir a degradação e
fragmentação dos ecossistemas do
Caribe colombiano, por meio da
promoção de modelos de produção
sustentáveis, da participação social
intercultural, entre outras estratégias.
Região Caribe.
Rede de Inovação para
a sustentabilidade dos
Montes de María.
Visa abordar a perda de biodiversidade,
bens e serviços ecossistêmicos por meio
da implementação de pecuária
sustentável, meliponicultura e iniciativas
de governança da água.
Montes de María
(Morroa, Chengue, Carmen
de Bolívar).
Estratégia de
Inovação Rural
Participativa.
Visa o fortalecimento de capacidades
nas comunidades, estimulando as
competências sociais e individuais dos
produtores, na busca do
desenvolvimento rural com enfoque
territorial.
Zona Litorânea de Sucre e
Córdoba.
Centro de Inovação e
Apropriação Social
da Cafeicultura –
Cicaficultura
Caucana.
Seu objetivo é consolidar a pesquisa, a
educação e a inovação social para o
desenvolvimento regional, a partir da
cafeicultura e de um modelo de gestão
interinstitucional.
Departamento del Cauca.
Ator dinamizador
AGROSAVIA
FAO y GEF
FAO
Corporação PBA
Universidade del
Cauca
16
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
Fonte: elaboração própria.
Experiência
Abordagem
Localização
Territórios Socio e
Ecologicamente
Resilientes e
Inovadores (TISERE).
Promove resiliência socioecológica,
criando eixos de inovação como unidade
fundamental do sistema.
Policarpa, Nariño.
Estratégia de
Conectividades
Socio-ecossistêmicas:
Conexão BioCaribe.
Visa reduzir a degradação e
fragmentação dos ecossistemas do
Caribe colombiano, por meio da
promoção de modelos de produção
sustentáveis, da participação social
intercultural, entre outras estratégias.
Região Caribe.
Rede de Inovação para
a sustentabilidade dos
Montes de María.
Visa abordar a perda de biodiversidade,
bens e serviços ecossistêmicos por meio
da implementação de pecuária
sustentável, meliponicultura e iniciativas
de governança da água.
Montes de María
(Morroa, Chengue, Carmen
de Bolívar).
Estratégia de
Inovação Rural
Participativa.
Visa o fortalecimento de capacidades
nas comunidades, estimulando as
competências sociais e individuais dos
produtores, na busca do
desenvolvimento rural com enfoque
territorial.
Zona Litorânea de Sucre e
Córdoba.
Centro de Inovação e
Apropriação Social
da Cafeicultura –
Cicaficultura
Caucana.
Seu objetivo é consolidar a pesquisa, a
educação e a inovação social para o
desenvolvimento regional, a partir da
cafeicultura e de um modelo de gestão
interinstitucional.
Departamento del Cauca.
Ator dinamizador
AGROSAVIA
FAO y GEF
FAO
Corporação PBA
Universidade del
Cauca
17
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
3. Marco conceitual
A inovação é considerada um fator fundamental
para a produtividade e sustentabilidade agro-
pecuária. Em geral, a inovação é considerada
como a geração de novos conhecimentos ou
adaptação dos existentes para a inclusão ou
melhoria de procedimentos e processos a nível
individual ou organizacional. Portanto, a ino-
vação presume-se como parte fundamental de
todas as iniciativas que buscam o desenvolvi-
mento territorial e que promovam o progresso
sustentável das comunidades.
Dentre as diferentes ferramentas que se pro-
põem para a inclusão da inovação no setor agro-
pecuário, encontram-se aquelas que se desen-
volvem conjuntamente entre atores presentes
em um determinado território (comunidades e
entidades), articulados sob a estrutura de siste-
mas de inovação. De acordo com a FAO (2012),
os sistemas de inovação são constituídos por
um conjunto de atores organizados que bus-
cam prover soluções sociais e econômicas com
novos produtos, processos e formas de organi-
_FऋइTFܪRIJFQHFSऋFWFXJLZWFSऋFFQNRJSYFW
e nutricional, bem como o desenvolvimento
econômico sob o conceito de gestão sustentá-
vel dos recursos naturais.
3F (TQगRGNF F 1JN  IJ  HWNTZ T 8NX-
YJRF3FHNTSFQIJ.ST[FऋइT&LWTUJHZअWNF83.&
e estabeleceu um amplo conceito para Sistemas
Territoriais de Inovação Agropecuária:
“(…)Os Sistemas Territoriais de Inovação (STI)
são entendidos como sistemas complexos que
3.1 Concepção dos Sistemas
Territoriais de Inovação
Agropecuária na política pública
colombiana
favorecem e consolidam as relações entre di-
ferentes grupos de atores, públicos e privados,
que, articulados em redes de conhecimento, têm
como objetivo aumentar e melhorar as capacida-
des de aprendizagem, gestão do conhecimento,
agricultura e inovação aberta que emergem em
um determinado território estabelecido a partir
IT WJHTSMJHNRJSYT IJ NSYJWFऋघJX JXUJHऑܪHFX
entre suas dimensões biofísicas, culturais, insti-
tucionais, socioeconômicas, entre outras. Os STI
são espaços práticos nos quais os processos
de pesquisa, formação de capacidade, aprendi-
zagem interativa, bem como a transferência de
tecnologia e extensão, estabelecem dinâmicas
conjuntas de articulação institucional que especi-
ܪHFRUWTRT[JRJHTSXTQNIFRTXUWTHJXXTXIJ
ciência, tecnologia e inovação. Nos territórios.
1
*XYFIJܪSNऋइTIJXYFHFFNSHQZXइTSFUTQऑYNHFSF-
cional e como parte fundamental no processo
de inovação agropecuária para os STI, propondo
estes espaços como articuladores de ações
para a gestão do conhecimento e formação de
capacidades. Como exposto anteriormente, em
decorrência da relação direta com a abordagem
territorial proposta como princípio da Lei 1876
de 2017, “(...) as ações, instrumentos e estraté-
gias do SNIA serão executados reconhecendo a
diversidade biológica (interação solo-meio am-
GNJSYJTWLFSNXRTX [N[TX J FX JXUJHNܪHNIFIJX
LJTLWअܪHFXXTHNFNXJHTSगRNHFXऍYSNHFXJHZQYZ-
rais dos territórios
2
.”
Além disso, a lei promove os STI por meio das
mesas de ciência, tecnologia e inovação agro-
pecuária. Entre as funções das mesas está: “...
Articular os atores locais em torno dos sistemas
territoriais de inovação para a geração, acumu-
lação, divulgação, aplicação e apropriação de
conhecimentos e tecnologias do setor agrope-
cuário no seu território .... Da mesma forma,
os STI são considerados dentro dos princípios
1
Lei 1876 de 2017. pág. 2
2
Lei 1876 de 2017. pág. 4
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
18
norteadores da lei como articuladores dos pro-
cessos e como um dos espaços onde se realiza
a sistematização de experiências exitosas reali-
zadas pelos serviços de extensão, bem como a
NIJSYNܪHFऋइTJWJUQNHFऋइTIJGTFXUWअYNHFXITX
prestadores.
Como parte das ferramentas para a promoção
do desenvolvimento dos territórios está o for-
talecimento de capacidades, como forma de
promover que os STI sejam autônomos e com
instrumentos e ferramentas para enfrentar os
IJXFܪTX SF WJXTQZऋइT IJ XJZX UWTGQJRFX QT-
HFNX*XYJIJXFܪTSइTUTIJXJWFXXZRNITXJFX
relações entre os atores e a integração institu-
cional nos territórios não criarem as sinergias
que lhes permitam oferecer suas capacidades e
se fortalecer com as dos outros. Portanto, con-
ceitos como a constituição de redes de conhe-
cimento, gestão do conhecimento e capacidade
de aprendizagem são destacados como carac-
terísticas dos STI, valorizando a necessária inte-
gração entre os atores internos e externos e sua
corresponsabilidade na geração de processos
de criação, uso e apropriação do conhecimento,
que visa fortalecer a inovação local.
3JXYJVZFIWTFUWTRTऋइTIFNST[FऋइTFGJWYF
ऍ ZR KFYTW UWJUTSIJWFSYJ VZJ XJ NIJSYNܪHF ST
RFWHT IF UTQऑYNHF IT 83.&  5WTUघJXJ ZR YWF-
balho conjunto entre os atores do território
visando a gestão do conhecimento e sua apro-
priação, valorizando não só o gerado por centros
de pesquisa e universidades, mas também que
estes integrem seus próprios processos co-
munitários, suas redes de conhecimento e sua
capacidade para entender a multidimensiona-
lidade do território, estabelecendo como parte
da política a necessidade urgente de processos
sustentáveis.
3.2 Ecossistemas de Inovação
O modelo de ecossistemas de inovação é pro-
posto pelo D-Lab do Instituto Tecnológico do
Figura 1.
Elementos de um ecossistema de inovação.
D-LAB MIT.
Massachusetts (MIT) (Hoffecker, 2019). Este
modelo oferece uma ampla compreensão dos
XNXYJRFXQTHFNXIJNST[FऋइTJWJܫJYJTXFYWNGZ-
tos estruturais de sistemas complexos para o
funcionamento de um ecossistema de inovação:
o propósito do ecossistema;
seus atores e outros elementos essenciais;
as relações e interconexões entre atores e
elementos.
O D-Lab propõe os seguintes elementos consti-
tutivos de um ecossistema de inovação, que de-
vem ser estudados e analisados de acordo com
cada caso particular.
Ambiente/Fatores de
viabilização
Recursos
Atores
Propósito
O propósito (centro) é cercado por três
HFYJLTWNFXIJJQJRJSYTXVZJNSܫZJSHNFR
diretamente nos resultados do sistema
(Hoffecker, 2019).
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
19
A. Propósito
O propósito é o núcleo do sistema, que pode ser
IJܪSNIT J]UQNHNYFRJSYJ TZ UTIJ XJRFSNKJXYFW
por meio dos resultados do sistema. O propósito
é o centro da compreensão e do planejamento
IJZRXNXYJRFUTNXIJܪSJXZFHTJWऎSHNFJNIJS-
tidade.
B. Actores
O coletivo de atores, formado por organizações,
entidades e indivíduos, cria, apoia e gera ino-
vação por meio de suas atividades e interações.
Estudos sobre sistemas de inovação têm indi-
cado que este tipo de sistemas requerem a ação
complementar de diversos atores, entre os quais
XJNIJSYNܪHFRTXXJLZNSYJXYNUTX
C. Papéis
Mais importante do que a presença ou não de
um tipo de ator em um sistema de inovação é
que os atores presentes possam cumprir deter-
minados papéis. Isso sem ignorar que certos
atores estão mais bem equipados para cumprir
algumas funções e não outras.
Os principais papéis que o conjunto de atores
deve cumprir nos ecossistemas de inovação lo-
cais são:
Figura 2.
Atores de um ecossistema de inovação. D-Lab
MIT (Hoffecker, 2019).
Redes/organizações
sociais
Entidades governamentais
Financiadores
Institutos/agentes de
pesquisa e educação
Organizações Não
Governamentais (ONG)
Empresa
privada
Figura 3.
Principais papéis dos atores nos ecossistemas de
inovação local. D-Lab MIT. (Hoffecker, 2019).
Conectarse
Reconhecer/Celebrar
Recomendar/Motivar
Financiar
Compartilhar conhecimento
Treinar/Preparar
Convocar/Reunir e Facilitar
Inovar
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
20
D. Recursos
Ora, não apenas os atores e seus papéis são
responsáveis pelo cumprimento do propósito
do sistema, uma vez que requer os seguintes
recursos essenciais para funcionar e realizar
processos de inovação:
E. Ambiente/fatores habilitantes
O ambiente ou fatores habilitantes são aque-
les que afetam diretamente toda a operação
do ecossistema de inovação. Esses elementos
KF_JR UFWYJ IT HTSYJ]YT VZJ NSܫZJSHNF INWJ-
tamente a criatividade e a capacidade de em-
preendedorismo e produtividade, determinando
assim a capacidade do sistema de produzir, dis-
seminar e dimensionar a inovação. Os três prin-
HNUFNXFXUJHYTXITFRGNJSYJVZJNSܫZJSHNFRTX
sistemas de inovação locais são:
Figura 4.
Recursos para o funcionamento de um
ecossistema de inovação. D-LAB MIT
(Hoffecker, 2019).
Recursos naturais
Capital social
Capital humano
Infraestrutura
Recursos econômicos
*XXJXWJHZWXTXNSܫZJSHNFRINWJYFRJSYJF
capacidade do sistema de produzir, apoiar,
desenvolver e manter inovações.
Figura 5.
Ambiente/fatores habilitantes que incidem no
funcionamento do ecossistema de inovação.
D-LAB MIT (Hoffecker, 2019).
Mercados
Arranjos institucionais e
culturais
Contexto legal e regulatório
Esses fatores podem, em função do seu estado
e condição no sistema, habilitar ou desabilitar
os processos de inovação, seu desenvolvimento
ao longo do tempo e o impacto social desses
processos, afetando diretamente toda a estrutura
do sistema.
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
21
3.3 Características dos Sistemas
de Inovação Agrícola (STI)
Como complemento à abordagem proposta
a partir dos ecossistemas de inovação, consi-
dera-se importante incluir na análise teórica e
prática dos Sistemas de Inovação Agrícola, as
características propostas pela Plataforma de
&LWNHZQYZWF9WTUNHFQ9&5:R8NXYJRFIJ.ST-
vação Agrícola é uma rede de organizações e
indivíduos que, como atores em uma região ou
território, junto com suas instituições, apoiam
políticas do setor agrícola e demais atores rela-
cionados, pondo em prática, social e economica-
mente, produtos, processos e formas de novas
organização existentes. Por sua vez, as políticas
e instituições (formais e informais) fornecem
um quadro para a forma como esses atores
interagem, geram, aprendem, compartilham e
usam o conhecimento em conjunto (TAP, 2016).
3JXXJ XJSYNIT JSYJSIJXJ VZJ F NST[FऋइT WJ-
quer o desenvolvimento e/ou fortalecimento de
capacidades endógenas para gerar, sistematizar
e adaptar conhecimentos, bem como adotar e
dimensionar novas práticas (FAO, 2017).
&9&5NIJSYNܪHFVZJTXXNXYJRFXIJNST-
vação agrícola são compostos por uma diversi-
dade de atores, entre os quais
Figura 6.
Atores que integram um Sistema de Inovação
Agrícola. TAP (2017).
Agricultores
Organizações e redes de
produtores
Serviços de assessoria e
extensão (públicos e privados)
Comerciantes (fornecedores de
insumos, processamento e
serviços)
Instituições de ensino
superior
Pesquisadores (públicos,
privados, ONGs, universidades)
Decisores de políticas
Consumidores e suas
organizações
Agricultores
Organizações e redes de
produtores
Além desses atores, os sistemas de inovação
agrícola são limitados ou aprimorados tanto
pelo meio ambiente quanto pelos atores,
políticas e outros sistemas relacionados,
HTSKTWRJRTXYWFITSTLWअܪHTFXJLZNW
22
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
Figura 7.
Diagrama conceitual de um Sistema de Inovação Agrícola. Tomado da (TAP, 2017, 10).
Políticas Sobre Ciência e Tecnologia
Sistema político
Atores na área da ciência
Tecnologias decorrentes de outros
sectores
Sistemas de inovação agrícola
Pesquisa e educação
Instituições e pontes
Comércio e empresa
Entorno favorável
Instituições informais, práticas, comportamentos,
modos de pensar e atitudes.
Políticas de inovação e investimentos,
políticas agrícolas.
Pesquisa agrícola (pública, privada,
sociedade civil)
Educação (primária, secundária, terciária
e vocacional)
Plataforma dos atores interessados
Extensão agrícola (pública, privada,
sociedade civil)
Acordos contratuais
Atores na cadeia de valor agrícola &
organizações
(agronegócios, consumidores, produtores
agrícolas)
4FSYJWNTWJXYअIJFHTWITHTRFFGTWIFLJRIT2.9)1FGVZJTXIJܪSJHTRTJQJRJSYTX
necessários para a análise e desenvolvimento dos STI.
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
23
&9&5NIJSYNܪHTZVZJTIJXJS[TQ[NRJSYT
de capacidades para Sistemas de Inovação
Agrícola melhora as interações entre os atores,
facilita a aprendizagem, a criação conjunta e
novos usos do conhecimento para a mudança
social. Contribui também para a criação de um
ambiente favorável para essa interação, aprendi-
zagem e inovação, baseado não apenas em leis
e regulamentos formais, mas também em valo-
res informais, atitudes e comportamentos. Com
base no que foi evocado anteriormente, com o
objetivo de mudar o comportamento das pes-
soas e desenvolver práticas mais sustentáveis
que gerem transformação social.
Este desenvolvimento ou fortalecimento de
capacidades é necessário para melhorar a inte-
WFऋइTHTSXYWZNWHTSܪFSऋFJHWNFWXNSJWLNFXJSYWJ
instituições de pesquisa, atores do setor público
e privado, agricultura familiar e organizações de
desenvolvimento, para facilitar-lhes a realização
de uma ampla gama de atividades, investimen-
tos e políticas e fazer uso das oportunidades
VZJUTXXNGNQNYFRFRZIFSऋF9&53JXXJ
sentido, vale ressaltar que a agricultura fami-
liar tem sido apontada como ator principal nos
sistemas de inovação territorial devido à sua
importância estratégica e multifuncionalidade
(Samper, 2015).
*SYWJ FX HFUFHNIFIJX VZJ KTWFR NIJSYNܪHFIFX
como fundamentais para o desenvolvimento
e funcionamento dos Sistemas Territoriais de
.ST[FऋइT&LWऑHTQFF9&5NIJSYNܪHFFXXJ-
guintes:
Capacidade de lidar com a complexidade: é
a capacidade de compreender as relações
dos atores do território com as suas particu-
laridades e a complexidade dessas relações
nos diferentes subsistemas.
Capacidade de colaboração: busca que o
sistema e seus atores a partir de suas for-
talezas se complementam para alcançar o
cumprimento dos objetivos de resolução de
problemas.
(FUFHNIFIJ IJ WJܫJ]इT J FUWJSIN_FLJR
trata-se de uma retroalimentação constante
nos processos, que cada ator reconheça os
pontos fortes de seus pares, aprenda e en-
sine permanentemente.
Capacidade de participação ou envolvimento
em processos políticos e estratégicos:
conta da compreensão das dinâmicas lo-
cais, da articulação local, mas também da
compreensão e consolidação das políticas
nacionais no território contando com insti-
tuições, envolvendo-as como atores perma-
nentes do STI.
Capacidade de adaptação e resposta para
aproveitar o potencial de inovação: é a soma
das quatro capacidades anteriores, a forma
como a inovação criada em conjunto é utili-
zada, onde se passa de uma de forma reativa
aos problemas para a criação de soluções
conjuntas
&INHNTSFQRJSYJ F 1JN 83.& IJܪSJ ZRF ST[F
abordagem para a extensão agropecuária no
आRGNYTIT8NXYJRF3FHNTSFQIJ.ST[FऋइT&LWT-
pecuária, baseada no desenvolvimento e forta-
lecimento de capacidades nas seguintes áreas:
Capacidades humanas integrais: geração e
aprimoramento das habilidades, aptidões,
talentos, valores e princípios dos produtores
agropecuários.
Desenvolvimento de capacidades sociais in-
tegrais e fortalecimento da associatividade:
UFWF FIRNSNXYWFW HTQJYN[FRJSYJ J HTR -
ciência os sistemas de produção.
3.4 Fortalecimento de
capacidades nos Sistemas de
Inovação Agrícola
24
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
Acesso e uso da informação de apoio:
adoção, adaptação de tecnologias, conheci-
mento, inovação aberta, pesquisa participa-
tiva e uso de Tecnologias de Informação e
Comunicação.
Gestão sustentável dos recursos naturais:
UWअYNHFX UFWF T ZXT JܪHNJSYJ ITX WJHZWXTX
naturais, mitigação e adaptação às mu-
danças climáticas.
Tabela 2.
Comparação entre as capacidades identificadas pela TAP e as características dos STI no SNIA.
Fuente: elaboração própria.
Desarrollo de Capacidades TAP
Características dos STIs
previstas pela Lei SNIA
Capacidade de melhorar a
complexidade
Os STI são desenvolvidas em um
determinado território estabelecido
a partir do reconhecimento de
interações específicas entre suas
dimensões biofísicas, culturais,
institucionais e socioeconômicas.
Capacidade de colaboração Os STI são sistemas complexos
que favorecem e consolidam as
relações entre diferentes grupos de
atores públicos e privados,
articulados em redes de
conhecimento.
Capacidade de reflexão e
aprendizagem
Os STI são espaços práticos nos
quais são realizados os processos
de pesquisa, capacitação,
aprendizagem interativa, bem
como a transferência de
tecnologias e extensão.
Capacidade de participar ou
envolver-se em processos
políticos e estratégicos
Os STI estabelecem dinâmicas
conjuntas de articulação
institucional que especificam,
promovem e consolidam os
processos de ciência, tecnologia e
inovação nos territórios.
Capacidade adaptativa e
responsiva para atingir o
potencial da inovação
Os STI favorecem a gestão do
conhecimento agropecuário e a
inovação aberta.
Habilidades para a participação dos produtores:
espaços de retroalimentação da política pública
setorial e empoderamento para a autogestão da
solução de suas necessidades.
O quadro seguinte apresenta uma comparação en-
YWJ FXHFUFHNIFIJXNIJSYNܪHFIFX UJQF9&5J FX HF-
WFHYJWऑXYNHFXITX 89. INXUTSNGNQN_FIFX ST 83.& VZJ
mostram como o avanço no fortalecimento dessas
capacidades favorece o desenvolvimento dos STI.
4FSYJWNTWJXYअIJFHTWITHTRFFGTWIFLJRIT2.9)1FGVZJTXIJܪSJ
como elementos necessários para a análise e desenvolvimento dos STI.
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
25
A inovação agrícola a nível territorial tem sido
um aspecto abordado em diferentes países da
região, com maior força nos últimos anos.
3T HFXT IT 'WFXNQ T HTSHJNYT IJ 8NXYJRFX IJ
Inovação Territorial (STI) é transposto com a
abordagem de desenvolvimento de capacidades
em Sistemas de Inovação Agropecuária (SIA),
portanto, é necessário considerar a amplitude
de experiências em andamento no Brasil.
Ao analisar as políticas públicas em nível nacio-
nal para a agricultura familiar, observa-se que os
modelos de construção do conhecimento ainda
são fragmentados e construídos a partir da ino-
vação agrícola, sem atingir a abordagem dos
Sistemas de Inovação Agrícola. Embora existam
políticas, elas não são intersetoriais e mostram
um descompasso entre desenvolvimento, pro-
dução e seu dimensionamento, portanto, a for-
mulação de políticas voltadas para a disponibi-
lidade de tecnologia e crédito para o consumo
ignoram a complexidade de fatores daqueles
que atuam na agricultura familiar. O mesmo se
observa na prática da pesquisa agropecuária
(Oliveira da Graça Amâncio, 2021).
Entre as políticas vigentes, destaca-se o Pro-
LWFRF 3FHNTSFQ IJ +TWYFQJHNRJSYT IF &LWNHZQ-
tura Familiar (Pronaf). Porém, nos últimos anos,
UTQऑYNHFXHTRTT5WTLWFRF3FHNTSFQIJ&QNRJS-
YFऋइT*XHTQFW53&*T5WTLWFRF3FHNTSFQIJ
&VZNXNऋइTIJ&QNRJSYTX5&&T5QFST3FHNTSFQ
de Inovação Agropecuária, as convocatórias de
Assistência Técnica e Extensão Rural - com in-
vestimento do Fundo Social do Banco de Desen-
volvimento do Brasil - sofreram redução do orça-
mento e da equipe técnica operacional, gerando
descontinuidade nos recursos de investimento
3.5 Fortalecimento de
capacidades nos Sistemas de
Inovação Agrícola
que garantem a plena capacidade de execução
(Oliveira da Graça Amâncio, 2021).
Entendendo que os STI são espaços protegidos
UTWWJQFऋघJXIJHTSܪFSऋFWJHNUWTHNIFIJYWTHF
IJ HTSMJHNRJSYTX J FT RJXRT YJRUT HTSܪ-
guram ambientes complexos mediados por re-
lações diversas que favorecem o fortalecimento
ou o mesmo desenvolvimento das capacidades
do conjunto de atores sociais envolvidos, as es-
tratégias de ação e a obtenção da legitimidade
institucional não permitem a criação de mode-
los a seguir, mas permite fatores de sucesso e
aspectos metodológicos em virtude dos casos
JRVZJKTWFRFQHFSऋFITXWJXZQYFITXXNLSNܪHFYN-
vos (Oliveira da Graça Amâncio, 2021).
Em 2015, a Empresa Brasileira de Pesquisa
Agropecuária (Embrapa) propôs ao seu Comitê
de Gestão Estratégica a criação do Portfólio de
Inovação Social Agropecuária
4
, aprovada em
maio de 2016. Esse portfólio tem como objetivo
gerar valor e riqueza por meio da agricultura,
NRUFHYFSITSFXZUJWFऋइTITXIJXFܪTXXTHNFNX
sob a premissa de promover novas abordagens
de inovação destinadas a resolver problemas
sociais e ambientais que permitem a transição
de regimes sociotécnicos, promovendo a copro-
dução e valorização dos recursos endógenos
ITXYJWWNYखWNTX7JQFYखWNT5.8& 3JYMJWQFSIX/7J
Penna, 2019).
3JXXJ XJSYNIT T TQMFW UFWF T JXUFऋT IF UWT-
dução agrícola não se restringe à área produtiva
em si, é um lugar de vida para inúmeros indiví-
duos cuja agricultura não é apenas seu modo
de vida, mas sobretudo sua identidade e cultura.
Sua reprodução social é relevante na conser-
vação dos ecossistemas, na segurança alimen-
tar e como prestadora de serviços ecossistêmi-
cos (Embrapa, 2020).
Esse portfólio tem abrangência nacional e é pau-
tado pelo apelo ao fortalecimento ou promoção
4.
Los Portafolios son instrumentos de apoyo gerencial para la organización de proyectos y prioridades de investigación, desarrollo e innovación (I+D+i); son geren-
ciados por la Secretaría de Investigación y Desarrollo de Embrapa.
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
26
de processos que resultem em mudança social.
(TSXNIJWFXJ VZJ TX IJXFܪTX UFWF F NSHTWUT-
ração de “novidades” por parte dos agricultores
não estão relacionados ao desconhecimento
da existência de tecnologia ou da oferta de cré-
dito ou custo, mas sim ao desalinhamento de
expectativas entre os diferentes atores envolvi-
dos, que podem ser superada pela criação de
certas condições que favoreçam a construção
de novas institucionalidades, identidades e com-
promissos sociais. Assim, construir uma dire-
cionalidade para os sistemas produtivos implica
na construção conjunta (cocriação) da visão
de futuro para a sustentabilidade desses siste-
mas; a experimentação das formas possíveis de
construí-la é essencial para que as soluções co-
rrespondam às reais necessidades das pessoas
que trabalham na agricultura (Oliveira da Graça
Amâncio, 2021).
(FIF UTWYKखQNT IJܪSJ XJZ JXHTUT IJ FYZFऋइT
HTRGFXJSTXIJXFܪTXIFNST[FऋइTJXXJXIJ-
XFܪTXXइTIJQNSJFITX HTRGFXJSF FSअQNXJIT
cenário por especialistas no assunto, bem como
na consulta externa a diversos atores interessa-
dos.
A partir do Portfólio de Inovação Social Agrope-
cuária da Embrapa e como parte dos Sistemas
Territoriais de Inovação, foram traçados objeti-
vos estratégicos para fornecer soluções aos se-
LZNSYJXIJXFܪTXIJNST[FऋइT*RGWFUF
RReduzir as iniquidades de acesso à água,
saneamento básico, tratamento de resíduos,
JܫZJSYJX ITRऍXYNHTX HTR LWZUTX XTHNFNX
em situação de vulnerabilidade socioeconô-
mica e produtiva.
Implementar laboratórios de inovação social
para sistemas de produção de mandioca,
hortaliças, grãos, leite, produtos apícolas,
ovos, carnes, peixes, frutas nativas, junto às
populações em situação de vulnerabilidade
socioeconômica e produtiva.
Viabilizar sistemas agroalimentares com
signos distintivos ou identidade territorial
nas cadeias de produtos apícolas, leite, ovos,
carnes e peixes, junto às populações em si-
tuação de vulnerabilidade socioeconômica e
produtiva.
Gerar renda (monetária e não monetária) e
valor para os sistemas agroalimentares com
marcas distintivas ou identidade territorial
nas cadeias da mandioca, hortaliças e grãos,
junto às populações em situação de vulnera-
bilidade socioeconômica e produtiva.
)N[JWXNܪHFWTFHJXXTFRJWHFITXJFLJWFऋइT
de renda associada ao uso sustentável de
frutas e frutos nativos da agrobiodiversidade
e à multifuncionalidade do meio rural, junto
às populações em situação de vulnerabili-
dade socioeconômica e produtiva.
Disponibilizar produtos artesanais agroin-
dustriais oriundos da multifuncionalidade do
espaço rural, associados a signos distintivos
ou identidade territorial com capacidade de
geração de renda (monetária e não mone-
tária) e valor para populações em situação
de vulnerabilidade socioeconômica e produ-
tiva.
Para a construção de projetos de inovação so-
cial, sugere-se considerar alguns elementos es-
tratégicos como:
J[NIऎSHNFIJVZJTGJSJܪHNअWNTIFNST[FऋइT
ऍZRLWZUTHQFWFRJSYJNIJSYNܪHFITJRYJW-
mos das limitações experimentadas;
que os mecanismos de geração e apro-
priação de valor sejam pautados pela dis-
tribuição de benefícios entre os atores do
processo;
que haja integração de conhecimentos ajus-
tados à realidade concreta vivida, buscando
FUWT]NRFWTHTSMJHNRJSYTHNJSYऑܪHTIFWJF-
lidade do trabalho na agricultura (adaptação
sociotécnica) para que seja possível conver-
ter a teoria em prática incorporada (adoção);
que a intervenção proposta permite o des-
envolvimento de capacidades para enfren-
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
27
tar a condição de vulnerabilidade, norteada
pelos princípios da sustentabilidade: produ-
tividade, resiliência, estabilidade, equidade e
autonomia (Embrapa, 2020).
Oliveira da Graça Amâncio (2021) com base
na experiência, conclui sobre a necessidade de
construir ou adaptar tecnologias, produtos, pro-
cessos e serviços personalizados, a partir da
experiência de trabalho de quem necessita des-
sas “novidades” para superar uma determinada
condição limitadora da realidade. Superar as
QNRNYFऋघJXIJKTWRFRFNXJܪHNJSYJITVZJFXXT-
luções disponíveis permite aumentar os lucros e
gerar valor para a sociedade.
Ao invés de estar inserido em sistemas que
potencializam a capacidade inovadora dos su-
jeitos, diante da inovação social, se permite
que o acesso aos ativos dos diferentes atores
se torne possível, proporcionando a geração de
capacidades que permitam a criação de traje-
tórias sustentáveis de reprodução socioeconô-
mica e melhoria das condições de vida. Assim,
o sentido da inovação adotado para os projetos
alinhados a este portfólio está comprometido
com a mudança social e a inovação focada nas
pessoas.
Da mesma forma, no caso argentino, e segundo
Dalmasso et al. (2016), desde 2017 foi imple-
mentada a estratégia territorial denominada Pro-
jeto Regional com enfoque territorial, proposta
UJQT .SXYNYZYT 3FHNTSFQ IJ 9JHSTQTLNF &LWTUJ-
HZअWNF.39&HTRTJXYWFYऍLNFUFWFKTWYFQJHJWTX
processos de inovação agrícola nos territórios.
Dentro das linhas de ação destes planos está o
fortalecimento da autogestão das organizações
agropecuárias e sociais estabelecidas no terri-
tório com uma categoria intermediária, desta
forma estabelecem vínculos interinstitucionais
para a criação de processos que incluam a
inovação agropecuária. Outra estratégia imple-
RJSYFIFUJQT.39&UFWFTIJXJS[TQ[NRJSYTIF
inovação a nível local tem sido a implementação
de Observatórios de Práticas Territoriais como
instrumento de geração de informação, conhe-
cimento e gestão do território, que funcionam
como sistemas complexos com a inclusão de
atores locais. conceitualmente com base na
Teoria da Rede de Atores (TAR) (Dalmasso et al.,
2016).
3T(MNQJXJLZSITF+ZSIFऋइTUFWFF.ST[FऋइT
Agrária (FIA, 2017), a metodologia Redes para
Inovar (RI) tem sido promovida como uma es-
tratégia territorial para a promoção de proces-
sos que levem à articulação dos atores locais e
suas instituições. A FIA promove a formação de
grupos de atores em cada território por meio de
YWऎX YNUTX IJ TܪHNSFX 4ܪHNSF (TSJHYF 4ܪHNSF
,JWRNSF J 4ܪHNSF (WJF *XXJX JXUFऋTX [NXFR
criar vínculos entre instituições governamentais,
produtores, organizações sociais e demais ato-
res do território.
3T :WZLZFN XJLZSIT 'FUYNXYF et al, (2018) foi
implementada a Análise de Redes Sociais (ARS),
como estratégia para o desenvolvimento de pla-
nos de melhoria na articulação local e geração
de informação e conhecimento em diferentes
cadeias agropecuárias. Esta ferramenta fornece
subsídios para o estabelecimento de recomen-
dações para melhorar o diálogo entre os atores
locais e as instituições nacionais, fortalecendo
os conhecimentos e as competências dos pro-
ܪXXNTSFNX J IFX TWLFSN_FऋघJX UWTRT[JSIT
lideranças e pontes para o estabelecimento de
capital social, entre outros.
28
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
N
a Colômbia, sob o impulso da Lei 1876-
83.&INKJWJSYJXNSXYNYZNऋघJXIJUJXVZNXF
e organizações que contêm nos seus ei-
xos de trabalho a promoção da inovação agro-
4. Experiências de sistemas territoriais de
inovação na Colômbia
pecuária construíram propostas para o desen-
volvimento de STI. Este documento apresenta
as cinco experiências seguintes:
Figura 8.
Localização das cinco experiências de Sistemas Territoriais de Inovação na Colômbia documentadas.
Região Caribe
Estratégia de Conectividades
Socio-ecossistêmicas: Conexão
BioCaribe
Montes de María (Morroa,
Chengue, Carmen de Bolívar)
Rede de Inovação para a
Sustentabilidade dos Montes
de María.
Zona litorânea de Sucre e
Córdoba
Estratégia de Inovação Rural
Participativa
Departamento do Cauca
Centro de Inovação e
Apropriação Social da
Cafeicultura Cicaficultura
Caucana
Policarpa, Nariño
Territórios Socio e
Ecologicamente Resilientes e
Inovadores
Fuente: elaboração própria.
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
29
Territórios Inovadores e Socioecologica-
mente Resilientes (TISERE).
Estratégia de Conectividades Socioecossis-
têmicas: Conexão Biocaribe.
Estratégia Participativa de Inovação Rural.
Rede de Inovação para a sustentabilidade
dos Montes de María.
Centro de Inovação e Apropriação Social da
(FKJNHZQYZWF(NHFܪHZQYZWF(FZHFSF
A partir dessas experiências, têm sido gerados
espaços de promoção da inovação agrope-
cuária por meio da inserção de diversos atores
no território e da utilização de metodologias e
ferramentas para o desenvolvimento sustentá-
vel da atividade agropecuária em cinco áreas do
país (Figura 8).
Essas experiências são iniciativas de STI em di-
ferentes estados com trajetória de consolidação.
A análise desses STI oferece uma série de ele-
mentos chave para o desenvolvimento desses
XNXYJRFX ST आRGNYT IF 1JN 83.& 3JXXF
ordem de ideias, esta documentação é realizada
à luz dos seguintes aspectos descritivos e ana-
líticos de cada um deles, tomando como base
conceitual a proposta do MIT em relação aos
Ecossistemas de Inovação:
Descrição geral
Ferramentas e aspectos metodológicos
Atores e papéis
Recursos
Ambiente/fatores habilitantes
Conquistas
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
30
4.1 Territórios Inovadores e
Socioecológicamente Resilientes
(TISERE): uma aproximação ao
território em Policarpa, Nariño
A metodologia de Territórios Inovadores e
Socioecologicamente Resilientes (TISERE)
foi elaborada pela Empresa Colombiana de
Pesquisa Agropecuária (AGROSAVIA), com o
objetivo de apoiar a promoção da inovação
agropecuária em territórios submetidos a
condições de violência de grupos à margem
da lei, incorporando o conceito de resiliência
ecológica e social, como forma de promover
a integralidade do desenvolvimento territo-
rial. Suas bases conceituais estão ligadas às
ideias dos sistemas socioecológicos, que se-
gundo (Farhad, 2012), é um conceito que res-
salta a presença dinâmica do ser humano no
contexto da natureza e analisa as interações
territoriais nos âmbitos político, cultural,
econômico, social e ecológico.
De forma geral, os sistemas socioecológicos
abordam a resiliência nos agroecossistemas
e buscam o desenvolvimento territorial sob
a visão da sustentabilidade, visando garantir
recursos para as gerações futuras. Os TISERE
são um instrumento de gestão e articulação
do conhecimento territorial e estão enquadra-
ITXST8NXYJRF3FHNTSFQIJ.ST[FऋइT&LWTUJ-
HZअWNF83.&IJܪSNSITTYJWWNYखWNTUFWFFQऍR
das divisões ou limites políticos ou adminis-
trativos pré-existentes; conforme mencio-
nado no marco conceitual, os territórios são
delimitados por aspectos sociais, culturais,
ambientais e políticos. Equivalem a Sistemas
Territoriais de Inovação (STI) e são considera-
dos plataformas de autogestão de territórios
rurais em que se criam ou se fortalecem re-
des de gestão do conhecimento, onde além
de reconhecer os saberes dos produtores e
das produtoras, espera-se a articulação dos
seguintes processos: formação de talentos
humanos, pesquisa e extensão agrícola (Mar-
tínes et al., 2020).
Os TISERE são elaborados a partir do estudo
de diversas metodologias e são propostos
como um modelo para a implementação dos
STI nas condições de ruralidade da Colômbia
e seu contexto sociopolítico, em particular o
HTSܫNYT FWRFIT VZJ XJ IJXJS[TQ[JZ SJXXFX
áreas juntamente com as atividades extrati-
vistas que deterioraram os recursos naturais e
TFRGNJSYJHZQYZWFQ3JXXFUJWXUJHYN[FFUWT-
UTXYF 9.8*7* GZXHF HTSYWNGZNW UFWF ܪSX SF-
cionais como o alcance dos Objetivos de Des-
envolvimento Sustentável (2016-2030), o que
está contemplado na Convenção sobre Diver-
sidade Biológica (CDB), o que é acordado pelo
UFऑXSTआRGNYTIF(TS[JSऋइTXTGWJ3FऋघJX
:SNIFX3FऋघJXIJ(TRGFYJऄ)JXJWYNܪHFऋइT
:3(()JF(TS[JSऋइT6ZFIWTIFX3FऋघJX
:SNIFXXTGWJ2ZIFSऋFIT(QNRF:3+(((
A AGROSAVIA determinou três fases para a
execução da metodologia: a fase umऍ IJܪ-
Objetivo
Consolidar Policarpa como um território
socio e ecologicamente resiliente e inovador.
A metodologia TISERE visa o desenvolvimen-
to sustentável, passando do quadro de ação
da sustentabilidade ao da resiliência socioe-
cológica para um olhar para a realidade mais
complexa, a partir do conhecimento dos
atores, da sua interação e da forma como
uma visão comum é construída a partir do
território, promoção e gestão da inovação em
parceria para uma mudança significativa na
melhoria da qualidade de vida dos habitantes
deste município.
31
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
Figura 9.
Fases de la metodología TISERE (Martínez et al., 2020).
Fuente: elaboração própria.
Seleção do território,
avaliação da resiliência
pelos atores territoriais e
identificação de linhas de
ação para alcançar maior
resiliência socioecológica.
Identificação de iniciativas
de inovação e articulação de
atores (habitantes do
território, empresa privada,
instituições, ensino e
investigação, setor público)
com vista ao aumento da
resiliência ecológica.
Acordos de gestão e
administração do território;
construção de portfólio de
programas e projetos e
consolidação de eixos de
inovação.
Fase I Fase II Fase III
nida pela implementação e inclui ações como
a seleção do território, diagnóstico da resiliên-
cia socioecológica e planejamento participa-
tivo; a fase dois HTSYJRUQF F NIJSYNܪHFऋइT
de iniciativas de inovação e a articulação de
atores; e a fase três abrange o fortalecimento
dos nós de inovação e a consolidação do sis-
tema. Esses processos baseiam-se nos prin-
cípios que dão abrangência à proposta me-
todológica e com isso orientam-se as ações
que dinamizam os STI: transdisciplinaridade,
participação, empoderamento, equidade, sus-
tentabilidade e resiliência (Ver Figura 9).
Para a gestão do conhecimento e para promo-
ver a inovação através da articulação dos seus
atores, a metodologia propõe a articulação
de determinados espaços para cada etapa da
constituição do TISERE. Estes espaços não se
propõem como novos dentro da dinâmica do
território ou podem estar inseridos em espaços
que se encontram com dinâmicas que permitem
o desenvolvimento dos propósitos do STI, da
mesma forma, propõe-se consultar documentos
de diagnóstico e de planejamento pré-existentes
de diferentes iniciativas.
Para a implementação da metodologia TISERE,
a AGROSAVIA selecionou como um dos pilotos
TRZSNHऑUNTIJUTQNHFWUF3FWNऔTJRUFWF
avaliar a relevância em regiões fortemente afeta-
IFXUJQTHTSܫNYTFWRFITJJXUJHNܪHFRJSYJJR
um dos denominados municípios com Progra-
mas de Desenvolvimento com Enfoque Territo-
rial (PDET), nos quais devem ser implementadas
as ações da Reforma Rural Integral (Martínez et
al., 2021)
Os espaços de gestão desenvolvidos no TISERE
são:
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
32
*VZNUJ INSFRN_FITWF formada por atores do
STI, suas ações visam orientar a discussão
quanto às expectativas do sistema e seu funcio-
namento, principalmente nas primeiras fases,
portanto, devem compreender e assimilar os
princípios norteadores do sistema.
Nós de inovação: espaços físicos permanentes
de troca entre atores, a gestão do conhecimento
e diálogo do conhecimento, faz parte de sua
KZSऋइT F HTSXYWZऋइT IJ HTSܪFSऋF J WJHNUWTHN-
dade entre os participantes, visando à consoli-
dação de ações que gerem maior resiliência, ab-
sorção ou adaptação voltada para os sistemas
produtivos.
Mesa de governança do TISERE: a mesa é com-
posta por homens e mulheres líderes e repre-
sentantes de organizações comunitárias, uni-
versidades, centros de pesquisa, escolas rurais,
43,XFZYTWNIFIJXQTHFNXJJSYNIFIJXSFHNTSFNX
e do setor privado. Foi criado para apoiar as ati-
vidades de governança do TISERE. Da mesma
forma, de acordo com a metodologia, a mesa
deve gerar acordos entre os atores para a re-
gulamentação da gestão de produtos, serviços,
informações, monitoramento e avaliação do sis-
tema.
Em 2017, foi executada a fase 1, que resultou
no diagnóstico da resiliência do território e algu-
mas iniciativas ou nós de inovação a partir da
implementação de metodologias de diagnóstico
rural participativo e planejamento estratégico.
Posteriormente, em 2019, foram desenvolvidos
diálogos de saberes por nós de inovação que
UJWRNYNWFR NIJSYNܪHFW UWTUTXYFX HTSHWJYFX IJ
desenvolvimento rural sustentável no município
de Policarpa, bem como estabelecer alianças
com atores locais e externos ao território para
NSYJLWFऋइTITXXZGXNXYJRFXIT83.&UTWRJNT
de trabalho colaborativo entre instituições (Mar-
tínez et al., 2021).
Destaca-se a importância da abordagem de
metodologias participativas que envolvam dire-
tamente os produtores no reconhecimento dos
problemas de forma holística a partir de um
diagnóstico de resiliência para a construção de
sistemas produtivos mais sustentáveis, espe-
HNFQRJSYJJRYJWWNYखWNTXUखXHTSܫNYT
Em 2020, foi consolidado o documento do plano
de ação TISERE, IJܪSNSIT FXQNSMFXJXYWFYऍLN-
cas estabelecidas em relação às iniciativas dos
diferentes atores do território para promover a
inovação em cada nó. Com base na árvore de
problemas e objetivos, destacam-se as seguin-
tes alternativas como linhas de trabalho nos di-
ferentes nós do TISERE:
IN[JWXNܪHFW FX KTSYJX IJ WJSIFX WJSYअ[JNX
das atividades agrícolas;
fortalecer as capacidades para formação e
consolidação de processos associativos e
gestão de recursos;
promover uma governança adequada para a
gestão e administração dos recursos hídri-
cos;
desenvolver estratégias para a gestão ade-
quada de resíduos orgânicos e inorgânicos
(Anexo 1. Descrição dos processos da Fase
..IFRJYTITQTLNFNIJSYNܪHFऋइTIJNSNHNFYN[FX
de inovação e coordenação de atores, Inspi-
rado de: Martínez et al., 2021).
A metodologia TISERE inclui também o acom-
panhamento e avaliação do plano de ação para
[JWNܪHFWTXF[FSऋTXFTSऑ[JQSTIFQGJRHTRT
os impactos no território e a promoção e cons-
tituição de Sistemas Territoriais de Inovação
(Martínez et al., 2020).
4.1.1 Ferramentas e
aspectos metodológicos
O trabalho interdisciplinar é proposto como parte
dos aspectos que regem ou direcionam a meto-
ITQTLNFXTRFITXऄNIJSYNܪHFऋइTIFXMFGNQNIFIJX
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
33
comportamentais (soft skill) e seu desenvolvi-
mento entre os atores. Para o desenvolvimento
desses aspectos, são aplicadas premissas
como “... não resgatar ... acompanha processos”
, expressão que acompanha as ações que visam
monitorar as lições aprendidas e nivelar as expec-
tativas dentro do STI ”. .. o que pode ser feito e até
onde está planejado...
O TISERE adota os conceitos de desenvolvimento,
território, inovação e resiliência socioecológica e
tem como objetivos:
fortalecer as capacidades dos atores territo-
WNFNXUFWFINFLSTXYNHFWIJܪSNWJUWNTWN_FWJX-
tratégias de vida que lhes permitam enfren-
tar as mudanças no meio rural e construir
alternativas de desenvolvimento territorial
sustentável;
permitir, por meio de acordos de governança,
o desenvolvimento de iniciativas especí-
ܪHFX JSVZFIWFIFX SFX YWऎX UWTUWNJIFIJX
da resiliência socioecológica: absorção de
choques, adaptabilidade a novas circunstân-
cias e a transformação pela qual choques e
rupturas se convertem em oportunidades de
melhorar o bem-estar (Béné et al., 2014).
Em relação às fases, a principal ferramenta da
fase um é a medição de indicadores de resi-
liência socioecológica a partir do desenvolvi-
RJSYT IJ ZRF TܪHNSF JR VZJ  NSINHFITWJX
são considerados em cinco eixos (adaptando a
metodologia Toolkit for Indicators of Resilience
5
. São eles: diversidade da paisagem e proteção
de ecossistemas, agrobiodiversidade, bem-estar
e estratégias de vida, conhecimento e inovação,
governança e equidade social.
Como produto do diálogo e da etapa que se
seLZJ ऄ VZFQNܪHFऋइT ITX NSINHFITWJX TXFX
UFWYNHNUFSYJXNIJSYNܪHFRFXQNSMFXIJFऋइTUFWF
alcançar o aumento da resiliência. A partir deste
NSXZRTXइTWJFQN_FIFXTܪHNSFXUFWFUFHYZFWZR
plano de trabalho com atividades de curto, mé-
dio e longo prazo e, assim, construir um portfólio
de acordos, estratégias e projetos a serem dis-
cutidos e aprimorados na fase dois.
A metodologia utilizou ferramentas para abor-
dar cada uma das etapas. Essas ferramentas
buscam direcionar as ações no marco dos prin-
cípios norteadores do sistema, especialmente a
participação da comunidade como instrumento
de formulação e monitoramento de propostas
relacionadas às premissas do território.
3FJYFUFIJINFLSखXYNHTKTWFRWJFQN_FIFXJSYWJ-
vistas semiestruturadas como forma não ape-
nas de obter informações, mas de interagir com
a comunidade; esse tipo de entrevista é descrito
como uma ferramenta para promover a troca
de ideias entre o entrevistado/a e o/a entrevis-
tadora.
A metodologia TISERE lançou os diálogos de
saberes que são sessões de troca de conheci-
mentos que integram ferramentas de pesquisa
participativa para obter a descrição do Diag-
SखXYNHT 7ZWFQ 5FWYNHNUFYN[T )75 3JXXJX INअ-
logos, incentiva-se a comunicação horizontal
com e entre produtores e produtoras, e o uso
de alternativas tradicionais de transferência de
tecnologia como capacitações, dias de campo,
demonstrações de métodos, jornadas partici-
pativas onde o conhecimento local é resgatado
e valorizado, diagnósticos e caracterização de
pessoas dedicadas à produção e organizações.
O deriva ou transecto apresenta-se como uma
ferramenta utilizada para a fase de diagnóstico,
caracterizada pela programação e execução de
[NXNYFXJRLWZUTUTWZRXJYTWJXUJHऑܪHTITYJWWN-
tório com objetivos previamente estabelecidos.
Esta ferramenta permite não só o conhecimento
das ideias ou conceitos da comunidade, mas
do seu contexto agroecológico e sociocultural,
além disso a metodologia se propõe a utilizá-la
em conjunto com entrevistas semiestruturadas.
Com base nos resultados do DRP e nas ativi-
dades de planejamento estratégico de cada nó,
5.
UNU-IAS, Bioversity International, IGES and UNDP, 2014. Toolkit for the Indicators of Resilience in Socio-ecological Production Landscapes and Seascapes (SEPLS).
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
34
e na revisão do Plano Estratégico de Ciência,
Tecnologia e Pesquisa Agropecuária (PECTIA),
KTNWJFQN_FIFFNIJSYNܪHFऋइTIFXIJRFSIFXJX-
UJHऑܪHFX JR WJQFऋइTऄX अWJFX IJ HFUFHNYFऋइT
pesquisa e extensão (Martínez et al., 2021).
:YNQN_FऋइTIFYऍHSNHF)7&+54TSIJTXJQJRJS-
tos de análise são as Fraquezas, Resistências,
Ameaças, Pontos Fortes, Potenciais e Oportuni-
dades por nó para os diferentes componentes
(técnico-ambientais, socioeconómicos). A partir
da matriz resultante da análise DRAFPO e DRP,
constrói-se a árvore de problemas e a árvore de
objetivos para a formulação de projetos por nó.
Outra ferramenta apresentada para a utilização
do diagnóstico e conhecimento do território nas
KFXJXNSNHNFQJ IJ UQFSJOFRJSYTऍ FHFWYTLWFܪF
social, esta ferramenta é descrita como ideal na
TGYJSऋइT IJ NSKTWRFऋघJX LJTLWअܪHFX HTWWJQF-
cionadas com aspectos biofísicos, culturais e so-
ciopolíticos. Como resultado, há uma represen-
YFऋइTLWअܪHFITYJWWNYखWNTHTRFXNSKTWRFऋघJX
obtidas a partir dos aspectos mencionados, que
podem ser em versões do tempo presente e fu-
turo esperado.
Como resultado das diversas ferramentas uti-
QN_FIFX F HFWFHYJWN_FऋइT ITX IJXFܪTXIJ WJXN-
liência socioecológica para o nó é obtida nos
seguintes eixos:
biodiversidade e conservação;
agrobiodiversidade e manejo sustentável de
recursos naturais;
conhecimento e inovação;
governança e equidade;
estratégias de vida e bem-estar.
o território; incluindo funcionários de secretarias
departamentais e municipais, entidades nacio-
nais e locais com presença territorial. A identi-
ܪHFऋइT IJXYJX FYTWJX TZ FQNFITX KTN XZUTWYFIF
pelas informações fornecidas pelos exercícios
IJRFUJFRJSYTIJFYTWJXJUJQFXTܪHNSFXTSIJ
de acordo com a sua experiência na gestão de
FऋघJX FSYJWNTWJX HTR TX SखX NIJSYNܪHFWFR T
grupo que compõe a equipe dinamizadora que
exerce a coordenação de as ações do sistema,
além de promover, facilitar e sistematizar a expe-
riência do TISERE.
4WLFSN_FऋघJX8THNFNX
Associação de Produtores de Cacau Policarpa
(Asocacao), Associação Agropecuária Alto de Li-
RTSFW&XTQNRTSFW574&>:(47&845>:(47
Grupo de mulheres produtoras de espécies me-
nores do Ejido (em consolidação), produtoras de
HFKऍ3ZJ[T&RFSJHJWJLWZUTXIJUJXXTFXIJIN-
cadas à pecuária.
Entidades governamentais
A Agência de Renovação do Território (ART) teve
o papel de conectar e facilitar, a Agência de Des-
JS[TQ[NRJSYT 7ZWFQ &)7 ܪSFSHNTZ NSNHNFYN[FX
UWTIZYN[FXT8JW[NऋT3FHNTSFQIJ&UWJSIN_FLJR
8*3& T (TSXJQMT )JUFWYFRJSYFQ IJ (NऎSHNF
9JHSTQTLNFJ.ST[FऋइT(4)*(9.JFX:SNIFIJX
Municipais de Assistência Técnica Agropecuária
de cada um dos municípios desenvolveram
o papel de conectar e compartilhar conheci-
mento, AGROSAVIA, Governo do Departamento
IJ &LWNHZQYZWF IJ 3FWNऔT (TWUTWFऋइT 7JLNTSFQ
&ZYगSTRFIJ3FWNऔT(47543&7.ࣹ4.SXYNYZYT
Colombiano de Agricultura (ICA), Instituição Agro-
UJHZअWNF*Q*ONIT+ऎSF(TQगRGNFIT*]ऍWHNYT3F-
cional também participou deste processo.
4WLFSN_FऋघJX3इT,T[JWSFRJSYFNX
(ONG)
&OZIFJR&ऋइTHTRTUFUJQIJܪSFSHNFWJHTR-
partilhar conhecimentos.
4.1.2 Atores e papéis
3F XZF NRUQJRJSYFऋइT T 9.8*7* IF 5TQNHFWUF
HTSXJLZNZ FWYNHZQFW [अWNTX FYTWJX NIJSYNܪHFITX
como estratégicos na tomada de decisões para
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
35
Entidades multilaterais e de cooperação
&&LऎSHNFITX*XYFITX:SNITXUFWFT)JXJS[TQ[N-
RJSYT.SYJWSFHNTSFQ:8&.)F4WLFSN_FऋइTIFX
3FऋघJX:SNIFXUFWFF&QNRJSYFऋइTJ&LWNHZQYZWF
(FAO), o Centro de Comércio Internacional das
3FऋघJX :SNIFX .9( J F 4WLFSN_FऋइT .SYJWSF-
cional para as Migrações (OIM). Essas entidades
têm desempenhado o papel de conectar e facili-
tar o compartilhamento de conhecimentos.
.SXYNYZNऋघJXIJUJXVZNXF
(TWUTWFऋइT :SN[JWXNYअWNF &ZYगSTRF IJ 3FWNऔT
com a função de conectar e compartilhar conhe-
cimentos
A integração destes atores permitiu estabelecer
projetos que têm como objetivo a gestão dos
recursos naturais, iniciativas que foram tidas
em conta por outros exercícios de ordenamento
do território, como os Programas de Desenvol-
vimento com Enfoque Territorial (PDET), assu-
RNSITTUFUJQIJܪSFSHNFWHTSJHYFWWJZSNWJKFHN-
litar o compartilhamento de conhecimentos.
em relação às variedades tradicionais e alto
conhecimento do manejo dos processos
produtivos com aproveitamento dos recur-
sos do meio ambiente.
Capital social: a gestão se destaca na con-
cepção dos PDETs, que tem gerado articu-
lação dos atores locais para a concepção de
apostas produtivas integradas às expectati-
vas locais, essa experiência tem permitido
criar laços de comunicação para desenvol-
ver ações diversas. Como resultado do forta-
lecimento do capital social no TISERE, foram
KTWRFITXTXXJLZNSYJXSखX3खIJ.ST[FऋइT
(FHFZ3खIJ.ST[FऋइT(ऑYWNHTX3खIJ.ST-
[FऋइT9WFSXNYखWNTX 3ख IJ .ST[FऋइT IJ 8NX-
YJRFX 8NQ[NUFXYTWNX 3ख IJ 5JHZअWNF 3ख IJ
Inovação em Espécies Menores.
Capital humano: as comunidades locais
possuem um importante acúmulo de con-
hecimentos ancestrais sobre o território, o
que lhes permite estabelecer processos de
liderança junto às organizações locais para
enfrentar as situações adversas nas áreas
onde vivem. A contínua exposição a diversas
manifestações de violência provocadas pela
economia de cultivos ilícitos tem gerado re-
siliência nas comunidades, capacidade de
superação de diversas situações contrárias
ao desenvolvimento territorial.
Infraestrutura: a região possui infraestrutura
para o desenvolvimento de algumas cadeias
produtivas, entre elas se destaca a usina de
GJSJܪHNFRJSYTIJRFSINTHFVZJऍFIRNSNX-
trada por um ator privado e pela associação
dos produtores de mandioca da região. Outra
é a central de coleta de cacau administrada
pela associação de produtores do município,
que tem conseguido se articular com seus
parceiros, e o resultado disso é a criação de
ZRKZSITRछYZTIJܪSFSHNFRJSYT5TWTZYWT
lado, no setor educacional existem faculda-
des e escolas na zona urbana e nas veredas
(subdivisão territorial dos diferentes municí-
4.1.3 Recursos
Os sistemas territoriais requerem e possuem
os recursos de que dispõem para o seu des-
envolvimento, neste inventário são planeadas
atividades e projetadas ações para o seu des-
JS[TQ[NRJSYT3THFXTIT9.8*7*SF5TQNHFWUF
conforme o Capítulo 3 deste documento, os
principais recursos são apresentados a seguir:
Recursos naturais: o território onde o TISERE
Policarpa se desenvolve é caracterizado pela
paisagem serrana e seus ecossistemas es-
tão enquadrados em agroecossistemas que
variam de 400 a 2.400 metros acima do nível
do mar, essas características proporcionam
riqueza nas paisagens que apresentam es-
ses ambientes, bem como as condições para
o desenvolvimento de uma grande variedade
de cultivos que proporcionam diversidade
36
pios da Colômbia), como complemento da
JIZHFऋइTJIFKTWRFऋइTT8*3&
&WJLNइTYJRZRIJXFܪTJRYJWRTXIJGJSX
públicos que favoreçam a produtividade
agropecuária, que devido aos fenómenos de
violência que tem sofrido, apresentam dete-
rioração ou atraso, como é o caso das vias de
comunicação e a criação de mais distritos de
irrigação.
Recursos econômicos: a metodologia TI-
SERE conseguiu a articulação de diversas
organizações e, com ela, recursos para o
ܪSFSHNFRJSYT IJ UWTOJYTX [TQYFITX UFWF T
desenvolvimento das cadeias produtivas
IT89.:RJ]JRUQTऍFFWYNHZQFऋइTJSYWJF
Agência de Renovação do Território (ART), a
43,&^ZIFJS&HHNखST(JSYWTIJ(TRऍW-
HNT.SYJWSFHNTSFQIFX3FऋघJX:SNIFX.9(T
,T[JWSTIJ3FWNऔTJTXWJHZWXTXIF&,74-
SAVIA, visando o fortalecimento das capa-
cidades das cadeias produtivas do cacau,
pecuária sustentável e limão tahiti junto com
organizações como a Associação dos Pro-
dutores de Limão Tahiti (Asolimonar).
3TVZJIN_WJXUJNYTऄJHTSTRNFFFLWNHZQYZWFऍ
a principal atividade com a exploração do cacau,
café, banana, tomate de mesa, cebola grande,
feijão, amendoim, milho, mandioca, coco, abó-
bora, manga, cítricos, arroz, graviola, maracujá,
amora, mamão e cana-de-açúcar. Esses cultivos
foram plantados em pequenas áreas e, em sua
RFNTWNFUJWYJSHJRऄXHFWFHYJWऑXYNHFXIJܪSNIFX
para a agricultura familiar, exploradas de forma
mista e com alto aproveitamento de mão de
obra familiar.
As condições geradas pelas economias ilícitas
causam desarticulação na região, pois geram
deslocamentos populacionais
6
, que junto com a
chegada de novos atores que se aventuram na
esperança de uma rápida geração de riqueza,
aumentam os preços dos insumos e suprimen-
tos e da cesta básica, bem como a deterioração
da segurança.
Essas características se traduzem em atrasos
ou desenraizamento da agricultura familiar, au-
mento do custo dos insumos, escassez de mão
de obra, deterioração da produção de alimentos
aliada à infraestrutura local e à competitividade
WJLNTSFQ VZJ ऍ FKJYFIF SJLFYN[FRJSYJ 3JXYJ
quadro, os processos do TISERE Policarpa são
atravessados pelos fenômenos propostos e
devem ser desenvolvidos no âmbito dessa rea-
QNIFIJ TSIJ F HTSܪFSऋF JSYWJ TX FYTWJX J TX
processos de articulação também são prejudi-
cados.
3JXXJ RFWHT IJ FऋघJX F NSNHNFYN[F NIJSYNܪHTZ
o fortalecimento do planejamento e da articu-
lação entre os atores como uma oportunidade
de melhoria. Sob esses dois conceitos, o STI
deverá ter ações colaborativas que lhes per-
mitam desenvolver processos voltados para o
desenvolvimento territorial e promover planos
de curto, médio e longo prazo; para o qual os
órgãos de gestão da iniciativa mantém uma co-
municação constante com todos os integrantes,
para que desta forma possam realizar as ações
6.
Segundo o Plano Departamental de Desenvolvimento Nariño Corazón del Mundo (2018), Policarpa é um dos cinco municípios da sub-região da cordilheira, localizado
ao norte do departamento de Nariño, com uma população de 17.159 habitantes e uma área de 467 quilômetros quadrados. O município tem uma subdivisão política de
oito zonas: Altamira, El Ejido, Restrepo, Madrigal, San Roque, Sánchez, Santa Cruz e Especial de Policarpa. Em relação à sua população, é constituída principalmente por
assentados, do total da população menos de 1% é reconhecido como afrodescendente ou de etnia indígena.
4.1.4 Ambiente/fatores
habilitantes
O território do município de Policarpa foi sele-
cionado pela AGROSAVIA como um dos quatro
pilotos onde se implementaria a metodologia
TISERE. Para isso, desde 2017, é realizada a pri-
meira fase, que contempla todas as ações vol-
tadas à delimitação do território, mapeamento
IJFYTWJXJNIJSYNܪHFऋइTIJSJHJXXNIFIJX5FWF
as demais etapas, avança o processo de implan-
tação e adaptação que foi afetado pela pande-
mia provocada pelo vírus COVID-19, além dos
pré-existentes em termos de economia e dinâ-
mica de cultivos de uso ilícito.
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
37
que cada nó propôs como sendo necessárias à
concretização dos seus objetivos a todos os ní-
veis organizacionais do STI.
3T VZJ XJ WJKJWJ ऄ HTSYNSZNIFIJ ऄ JXYWFYऍLNF
TISERE prevê a geração e fortalecimento de ca-
pacidades nos diferentes atores presentes no
território, procurando que contribuam desde os
seus pontos fortes para os processos de gestão
dos recursos a nível interno do STI, e a inclusão
de recursos fora do STI, que podem apoiar as
NSNHNFYN[FX NIJSYNܪHFIFX *XXFX HFWFHYJWऑXYNHFX
fortalecem a governança do STI em prol de sua
sustentabilidade, estabelecendo a estratégia de
sustentabilidade do TISERE.
4.1.5 Conquistas
:RF IFX UWNSHNUFNX HTSVZNXYFX IT9.8*7* ऍ T
diagnóstico e medição da resiliência do territó-
rio que permite contrastá-lo ao longo do tempo,
bem como a formação de seis nós de inovação:
3खIJ.ST[FऋइTIT(FHFZ3खIJ.ST[FऋइT(NYWTX
3खIJNST[FऋइT9WFSXNYखWNTX3खIJ.ST[FऋइTIJ
8NXYJRFX8NQ[NUFXYTWNX3खIJ5JHZअWNFJ3खIJ
Inovação de Espécies menores. Essa estrutura
em rede levou ao estabelecimento de alianças
com atores locais e externos para integrar os
XZGXNXYJRFXIT83.&UTWRJNTITYWFGFQMTHT-
laborativo entre instituições.
Com base no exposto anteriormente e na iden-
YNܪHFऋइT IJ UWTUTXYFX HTSHWJYFX UFWF T IJX-
envolvimento rural sustentável do município, a
estratégia de gestão do conhecimento por nó foi
desenhada e implementada para fortalecer o ca-
pital social e humano do território representado
nas organizações e agrupamentos de produto-
res.
3JXXJ XJSYNIT F TWLFSN_FऋइT &XTQNRTSFW KTN
fortalecida como um grupo associativo a nível
organizacional e técnico-ambiental com o apoio
de estudos de caracterização de solos e águas.
3THFXTIT5WTF^ZHTWJIT&XTU^ZHTWSTआR-
GNYT IF INSआRNHF IF9.8*7* NIJSYNܪHTZXJ ZR
FZRJSYTXNLSNܪHFYN[TITXSऑ[JNXIJUFWYNHNUFऋइT
3THFXTIJ&XTHFHFTFUFWYNWITFHTRUFSMF-
mento na componente técnica ambiental, as
amostragens e análises de solo forneceram fe-
WWFRJSYFXUFWFZRFKJWYNQN_FऋइT RFNXJܪHNJSYJ
e, pela primeira vez, foi realizada a medição do
cádmio.
Internamente, na AGROSAVIA ao longo da imple-
mentação desta metodologia na Policarpa, tem
sido possível fortalecer as capacidades dentro
da corporação para abordar os STI, gerir recur-
sos para as comunidades, realizar um processo
de sistematização para decantação da apren-
dizagem e reconhecimento da importância da
coinovação e processos de transferência de tec-
nologia. Como lição aprendida, resgata-se a rele-
vância de manter uma abordagem territorial em
nível municipal, neste caso, articulando atores,
cadeias produtivas, instituições, conhecimentos
e processos de comercialização.
4.2 2 Estratégia Conexão
BioCaribe: conectividade socio-
ecossistêmica para a integração
territorial
Objetivo
A recuperação da estrutura principal do
Caribe colombiano através da conexão
socioecológica, a fim de garantir a
sustentabilidade dos serviços ecossis-
têmicos que abastecem a dinâmica
social e econômica do território.
A estratégia da Conexão Biocaribe é baseada no
conceito de Conectividade Sócio-Ecossistêmica
(CSE), que visa mitigar a degradação e frag-
mentação dos ecossistemas estratégicos de
ZRFWJLNइT4HTSHJNYTIJ(8*ऍIJܪSNITHTRT
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
38
“... o conjunto de arranjos paisagísticos e socio-
culturais, que integra ações de gestão e ordena-
mento do território, modelos de produção sus-
tentável, ferramentas de manejo da paisagem e
esquemas de governança, visando recuperar o
ܫZ]T J F RT[NRJSYFऋइT ITX TWLFSNXRTX JSYWJ
áreas protegidas e outras áreas de importância
ecossistêmica, e portanto, para melhorar as con-
dições da estrutura ecológica como suporte para
o desenvolvimento das populações…
7
. A partir
IJXYJHTSHJNYTTX5FWVZJX3FYZWFNX3FHNTSFNX
em conjunto com o Ministério do Meio Ambiente
e Desenvolvimento Sustentável, conceberam
um projeto que iria abraçar o conceito de CSE
e facilitar a conexão das áreas protegidas que
estavam sob a gestão desta instituição, uma
proposta com abordagem territorial que integre
atividades produtivas com a conservação da
biodiversidade.
Para a implementação da CSE, são criados os
mosaicos, que são concebidos como a unidade
fundamental onde decorrem as ações desta
proposta, que abraça os princípios de um STI e
que permitem avançar nos propósitos. Para a
HTSܪLZWFऋइTITX RTXFNHTXXइTJXYFGJQJHNIFX
as limitações territoriais e sua composição, que
fazem parte do planejamento do desenvolvi-
RJSYTIFRJYTITQTLNF2TXFNHTXXइTIJܪSNITX
como “...instrumento de gestão com abordagem
territorial, onde coincidem diferentes formas de
uso e tipos de atores sociais e institucionais, cuja
ܪSFQNIFIJऍINWJHNTSFWFNSYJW[JSऋइTKFHNQNYFWFW-
YNHZQFऋघJXJJXYNRZQFWHTSܫZऎSHNFXJUWTHJXXTX
em torno da conectividade entre áreas protegi-
das ou áreas núcleo, com vistas a fortalecer e
HTSXTQNIFWHJSअWNTX JܪHNJSYJXIJRFSJOT JIJX-
envolvimento sustentável…”.
Com base no exposto anteriormente, entende-se
que os mosaicos são a unidade de trabalho e
são concebidos como polígonos que abrangem
e delimitam o território de base da intervenção.
3T HFXT IF NSNHNFYN[F 'NTHFWNGJ JXYFX KTWFR
desenhadas em torno de áreas protegidas ou
अWJFX ܫTWJXYFNX VZJ UTW XZFX HFWFHYJWऑXYNHFX
socioecológicas apresentam condições espe-
ciais. María Isabel Ochoa, coordenadora do Pro-
jeto Conexão Biocaribe, descreve os mosaicos
como: “… espaços onde se conjugam diferentes
temas da intervenção, a começar pelos temas da
reconversão produtiva, fortalecimento e melhoria
da produção, criação de novas áreas protegidas
e apoio a novas iniciativas públicas e privadas
de conservação, como é o caso das reservas da
sociedade civil, através da articulação interinsti-
tucional… ”.
Biocaribe como proposta de sistema territorial,
inclui a articulação dos diferentes atores imer-
sos no sistema, visando que o território seja pla-
SJOFITHTRJܪHNऎSHNFJHTXXNXYऎRNHFTXWJHZW-
sos naturais sejam gerenciados para a geração
de segurança alimentar com a conservação e
aumento das áreas protegidas. A implemen-
tação da estratégia priorizou uma área que co-
rresponde à região oeste do Caribe, na jurisdição
dos departamentos de Bolívar, Sucre, Córdoba,
Antioquia e Chocó (estes últimos parcialmente
no que corresponde ao Caribe), composta pelos
XJLZNSYJX_TSFXMNIWTLWअܪHFX
• Atrato - Darién
• Sinú
Ѭ(FWNGJ:WFGअ
• Caribe - Litoral
Ѭ'FOT2FLIFQJSF(FZHF8FS/TWLJ
• Bajo Magdalena
Para a intervenção, a Conexão Biocaribe deter-
minou uma visão que se materializa através
de eixos de atuação e linhas de intervenção,
enquadrada na Visão Conexão BioCaribe, que
projeta que até 2030 a região do Caribe tenha
conseguido manter a funcionalidade de sua
paisagem, melhore a resiliência dos ecossiste-
mas e das comunidades humanas, e fomentar
a construção de consensos sociais e institu-
cionais através da Estratégia de Conectividade
Sócio-Ecossistêmica como eixo transversal, que
7
Retirado do documento Implementação do projeto do enfoque de conectividade socioecossistêmica para a conservação e uso sustentável da biodiversidade na região
caribenha da Colômbia CÓDIGO DO PROJETO: GCP/COL/044/GFF “
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
39
permite a conservação da biodiversidade e a
sustentabilidade dos serviços ecossistêmicos,
e visa converter o território em um cenário com
forte identidade sociocultural por meio da arti-
culação e fortalecimento do planejamento, do
empoderamento das comunidades e da implan-
tação de iniciativas produtivas sustentáveis que
facilitem o desenvolvimento de uma cultura de
valorização, respeito e proteção à natureza.
Os eixos de atuação para a implementação da
estratégia são:
Gestão territorial da conectividade
socioecossistêmica
5WTUघJFLJWFऋइT JT KTWYFQJHNRJSYTIJ ܪ-
guras e instrumentos de planejamento que
contribuam para a melhoria da gestão am-
biental territorial, intimamente relacionada
com a proteção, recuperação e uso susten-
tável das conectividades socioecossistêmi-
cas do Caribe.
Modelos de produção sustentáveis e
ferramentas de manejo da paisagem
Envolve o desenho e implementação de
modelos de produção sustentáveis e ferra-
mentas de manejo da paisagem, ou seja,
diversos agroecossistemas alinhados com
os diferentes contextos territoriais, de forma
que contribuam para: funcionalidade do
ecossistema, resiliência ecológica, incentivo
à conservação e utilização do desenvolvi-
mento sustentável da biodiversidade e dos
serviços ecossistêmicos, melhorar a segu-
rança alimentar e nutricional, gerar alimen-
tos saudáveis e renda para as famílias ao
longo do ano, contribuir para a adaptação e
mitigação das mudanças climáticas e a re-
cuperação do tecido social e da paz.
Governança territorial
Visa que a estratégia contribua para o forta-
lecimento das capacidades dos atores insti-
tucionais e sociais por meio de mecanismos
VZJ KF[TWJऋFR FRGNJSYJX IJ HTSܪFSऋF
coesão social e aumento das capacidades
de gestão das conectividades socioecos-
sistêmicas. A construção da governança
territorial é entendida, neste caso, como um
conjunto de processos dinâmicos e inclusi-
vos de tomada de decisão e, portanto, re-
quer arranjos institucionais, organizacionais
e comunitários que garantam a participação
de todos as partes interessadas no acesso,
manejo e conservação dos recursos natu-
rais.
De forma transversal, a Conexão Biocaribe
se propõe a ter a governança como eixo que
visa a inclusão das abordagens de gênero,
interculturalidade e intergeracional nas polí-
ticas locais e nacionais. María Isabel Ochoa
IJܪSJ T JN]T IJ LT[JWSFSऋF IF XJLZNSYJ
forma: “… onde se propõem espaços de inte-
ração e articulação em nível nacional e local
para a conectividade, todas os temas de edu-
cação socioambiental que podem transmitir
essa informação sobre conectividade so-
cioecossistêmica e a integração multi - abor-
IFLJSX UFWYNHNUFYN[FX VZJ ܪ_JWFR J KF_JR
parte da estratégia do projeto, que são as
abordagens de gênero, interculturalidade e
intergeracionalidade ... ”la integración de mul-
ti-enfoques participativos que en el proyecto
han estado y hacen parte de la estrategia, que
son enfoques de género, interculturalidad y
de intergeneracionalidad…
4.2.1 Ferramentas e
aspectos metodológicos
Como principal orientação dentro das ações
da estratégia BioCaribe, está a participação
ativa dos diferentes atores assentados ou com
NSܫZऎSHNFSTYJWWNYखWNT&participação é um as-
pecto altamente relevante dentro desta estraté-
gia que visa que os atores sejam aqueles que
gerem permanentemente a oferta e a demanda
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
40
dos serviços ecossistêmicos, mantendo a har-
monia entre os conceitos de produção e conser-
vação em cada um dos mosaicos unidos aos
corredores de biodiversidade no sistema total.
Para que estes processos participativos se ar-
ticulassem inicialmente, para acompanhar os
processos, foi implementada a estratégia dos
promotores locais, que são camponeses das co-
munidades e territórios. Estes promotores e pro-
motoras apoiam a gestão articulada da iniciativa
com diálogo permanente no território, prestando
apoio técnico e logístico em torno do seu con-
MJHNRJSYTLJTLWअܪHTHZQYZWFQJXTHNTUTQऑYNHTIF
WJLNइTIJNSܫZऎSHNFIJHFIFRTXFNHTJXYFGJQJ-
cido.
Para a consolidação territorial, o Biocaribe bus-
cou a gestão nos espaços existentes de diálogo
e pactuação comunitária por meio da inserção
SFX JXYWZYZWFX TWLFSN_FHNTSFNX que já convo-
cam diversos atores, como a Mesa Interinstitu-
cional de Mudanças Climáticas de Córdoba
8
^F
2JXFIJ࣪WJFX1THFNX5WTYJLNIFXJR8FS/ZFS
3JUTRZHJST FZRJSYFSIT FXXNR *ܪHNऎSHNF
conjunta.
Estes espaços caracterizam-se por abordar
questões relacionadas com a estratégia, que
apoiam a divulgação dos objetivos e a coorde-
nação das atividades no território e no STI. Além
de estabelecer ações coordenadas, como, por
J]JRUQTTGYJW ܪSFSHNFRJSYTF UFWYNW IJHTR-
pensações derivadas de licenças ambientais
concedidas para exploração de recursos no te-
rritório. Porém, na ausência de espaços de ges-
YइTSTRTXFNHTIT:WFGअKTNHWNFITZRLWZUT
de trabalho interinstitucional sob coordenação
HTQJLNFIF JSYWJ F (4754:7&'࣪ J T(TSXJQMT
Indígena de Chigorodó. Por outro lado, no pro-
cesso de fortalecimento comercial e organiza-
cional, foram criados comitês para coordenar
os Sistemas Participativos de Garantia em cada
um dos mosaicos.
Outro aspecto metodológico corresponde à im-
plementação da estratégia de integração entre
biodiversidade e produção, que transcende
as áreas ambientais e produtivas para integrar
agentes ou atores que permitem a estreita re-
lação entre produção, serviços agroecossistêmi-
HTXJHFSFNXIJHTRJWHNFQN_FऋइTJܪHNJSYJX
Para alcançar esta integração, destacam-se fe-
rramentas como o apoio técnico permanente e
de qualidade, atividades de formação e troca de
conhecimentos, articulação das organizações
locais como fornecedores diretos de materiais
e insumos e a gestão de incentivos, e a seleção
pertinente dos diversos agroecossistemas em
cada um dos mosaicos de conservação e uso
sustentável, de acordo com as iniciativas locais
de desenvolvimento e as atividades potenciais
do território. Dessa forma, conseguiu-se a incor-
poração de diversos agroecossistemas como
modelo de produção sustentável, baseado na
segurança alimentar, geração de renda e recu-
peração e/ou conservação da biodiversidade.
8.
A Mesa Interinstitucional sobre Mudanças Climáticas (MICC) é um espaço de trabalho sistemático composto por diversos atores e setores governamentais e não gover-
namentais relacionados com a questão das mudanças climáticas, para facilitar, do ponto de vista institucional, o intercâmbio de conhecimentos, a articulação de propostas
e consenso de posições sobre a gestão de planos, projetos e medidas de resposta às mudanças climáticas no departamento de Córdoba.
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
41
Implementação de diversos agroecossistemas na estratégia de
Conectividade Sócio-Ecossistêmica
O modelo de produção sustentável desenhado e desenvolvido no âmbito da estratégia de
conectividades socioecossistêmicas baseia-se em:
A capacitação e sensibilização de habilitantes ou promotores para a apropriação do modelo.
&NIJSYNܪHFऋइTITUWNSHNUFQHZQYN[TIJHFWअHYJWFLWऑHTQFTZUJHZअWNFJFIN[JWXNܪHFऋइTITXHZQYN[TX
ao seu redor, com cinco a seis espécies.
A restauração ecológica e implantação de viveiros familiares ou comunitários
O resgate, conservação e multiplicação de sementes nativas e crioulas.
A produção de adubos orgânicos com insumos da fazenda.
O plantio e a disponibilização de alimentos ao longo do ano para consumo familiar.
Com base no exposto anteriormente, conseguiu-se, entre outras coisas:
A implementação de sistemas silvipastoris com o plantio 1.111 mudas de estacas com capacidade
de rebrota de espécies como gliricídia, ameixa, carvalho, uvito, árvores madeiráveis e frutíferas como
o caracolí (Anacardium excelsum), sapucaia e manga, e a meliponicultura (criação de colmeias de
abelhas sem ferrão).
)N[JWXNܪHFऋइT JR YTWST IF UNXHNHZQYZWF 3TX HFRFQMघJX JSYWJ TX QFLTX KTN WJFQN_FIT T UQFSYNT
de hortaliças, frutíferas, madeiras, espécies de consórcio de cultivos (pancoger em espanhol),
especiarias e plantas ornamentais, além do preparo de adubos orgânicos e a implantação de bancos
de sementes (diversidade entre 30 e 100 espécies).
&NRUQJRJSYFऋइTIJHZQYN[TXFLWTܫTWJXYFNXJRHFHFZJअW[TWJXKWZYऑKJWFXHTRTUQFSYNTIJJXUऍHNJX
de consórcio de cultivos (pancoger em espanhol), especiarias, outras árvores frutíferas e madeiráveis.
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
42
4.2.2 Atores e papéis
6ZFSYTFTXUFWYNHNUFSYJXT'NTHFWNGJHTSXJLZNZ
incluir um grande número de atores que se arti-
culam em torno dos objetivos do STI, são agru-
pados em diferentes categorias de acordo com
o papel que desempenham no sistema.
Fundamental para a governança do STI foi a
IJܪSNऋइTIJFHTWITXXTGFܪLZWFIJPactos de
conectividade, a utilização das secretarias téc-
nicas dos espaços existentes e a participação
de diferentes atores nos comitês técnicos e ges-
tores do projeto, de tal maneira que os atores
YN[JXXJRFUTXXNGNQNIFIJIJIJHNINWJNSܫZJSHNFW
esses espaços de integração e gestão.
4WLFSN_FऋघJXXTHNFNX
Organização Indígena de Antioquia (OIA), Con-
KJWऎSHNF 3FHNTSFQ IJ 4WLFSN_FऋघJX &KWT(T-
lombianas, Organização Indígena Colombiana,
Conselhos Maiores do Resguardo alto Sinú,
(TSXJQMT2FNTWIT7JXLZFWIT6ZJGWFIF(FऔF-
[JWFQIJQ8FS/TWLJ(TSXJQMT2FNTW.SIऑLJSFIJ
Chigorodó, Conselho Maior Indígena de Mutatá,
Resguardo indígena Zenú de San Andrés de So-
tavento, Comitês Técnicos Interinstitucionais
IJ*IZHFऋइT&RGNJSYFQ/ZSYFIJ&ऋइT(TRZ-
SNYअWNF /&( IJ 5TWWTXT /&( 1JखS 5TWWTXT
/&( :SNइT FX 5FWHJQFX J &XXTHNFऋइT ITX *R-
UWJXअWNTX(FHFZNHZQYTWJX+ZYZWT;JWIJ&(*+:-
VER). Essas organizações têm sido a base das
ações na primeira fase de desenvolvimento do
modelo de STI, tiveram papéis como conectar,
motivar e compartilhar conhecimento. Elemento
fundamental para a governança das iniciativas
é reconhecer e valorizar os papéis e lideranças
presentes no território.
Entidades governamentais
Ministério da Agricultura e Desenvolvimento
Rural, Ministério do Meio Ambiente e Desenvol-
vimento Sustentável, Ministério da Educação
3FHNTSFQ,T[JWSTXIJ'TQऑ[FW(MTHख(खWITGFJ
Sucre, Prefeitura de Turbo, Prefeitura de Parques
3FYZWFNX IJ &UFWYFIख 533 1TX 0FYऑTX 533
5FWFRNQQT 8JW[NऋT 3FHNTSFQ IJ &UWJSIN_FLJR
8*3&5WTLWFRF8JWJ5TQऑHNFIJ:WFGअ*XXJX
atores têm desempenhado papéis distintos, mas
XJ IJXYFHFR JR FऋघJX HTRT ܪSFSHNFRJSYT
convocação, reunião e facilitação.
4WLFSN_FऋघJX3इT,T[JWSFRJSYFNX
(ONG)
Fundação Omacha, Fundação Herança Am-
biental do Caribe, Conservação Internacional,
Fundação Rede de Desenvolvimento e Paz dos
Montes de María, Rede de Mulheres do Caribe
Colombiano, Rede de Mulheres Afro-caribenhas,
Associação da Rede Colombiana de Reservas
3FYZWFNX IF 8THNJIFIJ (N[NQ 4GXJW[FYखWNT IT
(FWNGJ(TWUTWFऋइT5'&+ZSIFऋइT:SNGअS5F-
YWNRगSNT 3FYZWFQ +ZSIT UFWF F 'NTIN[JWXNIFIJ
e Áreas Protegidas. Esses atores desempenha-
ram o papel de conectar, reunir, facilitar e com-
partilhar conhecimentos.
Entidades multilaterais e de cooperação
4WLFSN_FऋइTIFX3FऋघJX:SNIFXUFWFF&QNRJS-
tação e Agricultura (FAO), Instituto Humboldt,
.SXYNYZYT ,JTLWअܪHT &LZXYऑS (TIF__N &XXT-
HNFऋइT 3FHNTSFQ IJ .SIZXYWNFNX &3. ,WऎRNTX
+JIJYFGFHT*RUWJXF:77࣭8&*85+JIJUFQRF
Fedemaderas, Augura, Fedearroz, Fenalce, Fede-
ralgodón. Corporações autônomas, Programa
IJ7NVZJ_F3FYZWFQWJLNTSFNX(TIJHMTHख(TW-
pouraba, CVS, Carsucre, Cardique, sistema de
áreas protegidas do Caribe colombiano (SIRAP
Caribe). Esses atores contribuem com diferen-
YJXUFUऍNXJXZFXFऋघJXIJSYWTITܪSFSHNFRJSYT
são destacadas, assim como inovar, capacitar.
Institutos de pesquisa
Instituto de Pesquisas Marinhas e Costeiras
.3;*2&7JXYFJSYNIFIJYJRIJXJS[TQ[NITT
papel de compartilhar conhecimento, inovar e
capacitar/preparar
43
4.2.3 Recursos
Seguindo a proposta analítica descrita no iní-
cio deste documento, os recursos da proposta
de STI feita pela iniciativa Biocaribe podem ser
agrupados nas seguintes categorias:
Recursos naturais: a abordagem da estraté-
gia nesta matéria está voltada para a gestão
integral dos serviços ecossistêmicos e da
biodiversidade, destacando o solo e a água
como meio de sustento da vida, com o ob-
jetivo de conectar as áreas protegidas do
Caribe colombiano, a diversidade de ecos-
sistemas e práticas agrícolas sustentáveis.
A existência dessas áreas tem favorecido,
juntamente com a diversidade agroecossis-
têmica, o desenvolvimento dos propósitos
do STI, mas por sua vez, essa diversidade é
ZRIJXFܪTUFWFTIJXJSMTIJFLWTJHTXXNX-
temas multifuncionais que visem o desen-
volvimento cultural, social e produtivo.
Capital social: 3TYJWWNYखWNTJ]NXYJRSTWRFX
ações do Estado e das comunidades que
têm favorecido o desenvolvimento do Bio-
caribe como proposta, dentro deles estão a
declaração e formulação de planos de ma-
nejo de áreas protegidas, os Planos de Orde-
SFRJSYTJ,JXYइTIJ'FHNFX-NIWTLWअܪHFX
a sentença que declara o rio Atrato como
sujeito de direitos e espaços de gestão terri-
torial como a mesa de mudanças climáticas
de Córdoba, na qual a iniciativa conseguiu in-
serir os propósitos do CSE. Por outro lado, os
territórios coletivos cujas comunidades são
atores ativos nos espaços de trabalho têm
seus próprios planos de desenvolvimento,
que incluem um ordenamento ambiental vol-
tada para a conservação dos recursos, que
segundo María Ochoa “... as comunidades
têm respeito pela natureza, e pelo meio am-
biente em seu DNA ... “
Capital humano: destaca-se o resgate das
práticas dos povos Embera e Zenú que as
comunidades têm exercido por meio de suas
organizações como parte dos pontos fortes
do território. Da mesma forma, a existência
prévia de iniciativas como o sistema local de
अWJFXUWTYJLNIFXVZJJ]NXYJJR8FS/ZFSIJ
3JUTRZHJST ST VZFQ F HTRZSNIFIJ JXYअ
integrada com o desenvolvimento rural em
torno da conservação e proteção das reser-
vas da sociedade civil e da reserva do San-
tuário de Los Colorados.
Infraestrutura: destaca-se a existência de
espaços de acordo com a transformação e
comercialização dos produtos dos modelos
de agroecossistemas implementados nos
mosaicos, como é o caso da loja no municí-
pio de Lorica, no departamento de Córdoba,
instalada pela Associação de Produtores
para o Desenvolvimento Comunitário da Cié-
naga Grande del Bajo Sinú (ASPROCIG). Por
outro lado, existem as pousadas de ecotu-
WNXRTITRZSNHऑUNTIJ:SLZऑF
9
.
Recursos económicos os recursos econó-
micos do Biocaribe enquanto iniciativa têm
como principal fonte principal proveniente
IT ܪSFSHNFRJSYT IT UWTOJYT ST आRGNYT IF
dinâmica da intervenção foram apresenta-
das outras formas de fazer avançar as ações
em cooperação com os vários atores do
STI, que têm permitido maior abrangência e
abrangência de alguns produtos, agregando
recursos ou pactuando intervenções conjun-
YFXJRVZJXYघJXJXUJHऑܪHFXHTRTFFIJXइT
FT533SFLJXYइTIJअWJFXUWTYJLNIFXJTX
recursos de compensação econômica gera-
dos pelas intervenções de empresas priva-
das.
9
4UWTOJYT'NTHFWNGJNIJSYNܪHTZZRFTUTWYZSNIFIJFTJSHTSYWFWTUWTOJYTIJUTZXFIFXIJJHTYZWNXRTJRIJXJS[TQ[NRJSYTSTRZSNHऑUNTIJ:SLZऑFUTYJSHNFQN_TZJXYF
iniciativa para gerar renda sustentável no fortalecimento das capacidades de administração e comercialização.
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
44
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
4.2.4 Ambiente/fatores
habilitantes
A implementação da estratégia no Caribe co-
lombiano começou em 2017 e sua gestão foi
projetada até o ano 2030 para sua fase inicial
de instrumentalização, e na modalidade de
projeto foi planejado para um período de cinco
anos. Destaca-se como fator habilitante, a es-
trutura regulatória existente na Colômbia em
relação à gestão de áreas protegidas, a cargo
IJ 5FWVZJX 3FYZWFNX 3FHNTSFNX 533 VZJ
entre outras coisas, permite projetar a conti-
nuidade e liderança da estratégia de conecti-
vidade deste ator. Além disso, este trabalho
também está articulado com a Estratégia
Integral de Controle do Desmatamento e Ma-
nejo Florestal.
Tabela 3
Território coberto pela iniciativa Biocaribe.
Corredor de Conectividade
Departamento do qual faz parte
Marino de Corales del Rosario y SB
– Golfo de Morrosquillo
Bolívar y Sucre
Corchal-Colorados
Bolívar y Sucre
Bajo Sinú-Colorados
Bolívar, Sucre, Córdoba
Katíos-Paramillo
Antioquia, Chocó
Paramillo-Sinú
Córdoba
A referida normativa se refere ao Sistema
3FHNTSFQ IJ ࣪WJFX 5WTYJLNIFX 8.3&5 VZJ
foi base e objeto de retroalimentação desde
o Projeto Conexão Biocaribe, participando
da formulação de um novo documento do
(435*8JRFSIFRJSYT)FRJXRFKTWRF
anteriormente o sistema era concebido a par-
tir de três atributos: ser representativo dos
ecossistemas do país, ter um bom manejo
e contar com os atores necessários. Como
resultado da implementação da estratégia
de conectividades socioecossistêmicas, um
quarto atributo foi incluído, enfatizando a ne-
cessidade de o sistema estar bem conectado.
O projeto é desenvolvido em cinco departa-
mentos: Bolívar, Sucre, Córdoba, Antioquia e
Chocó, dentro de cada departamento foram
NIJSYNܪHFITXUTQऑLTSTXUFWFZRITXHNSHTHT-
WWJITWJXIJHTSJHYN[NIFIJNIJSYNܪHFITX
Fuente: elaboração própria.
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
45
A iniciativa tem orientado suas ações para a con-
servação da biodiversidade dentro do conceito
de Conectividade Sócio-Ecossistêmica (CSE).
Sob esses parâmetros, inovou na criação de mo-
delos de agroecossistemas que integram diver-
sas formas de produção em cada local (hortas
mistas, medicinais, abelhas e outros animais),
visando mitigar as mudanças climáticas e que
são projetados para o estabelecimento de uma
relação saudável entre produção e conservação.
Parte dessa gestão inovadora se dá graças à in-
tegração dos conceitos nas ações e resultados
pelas comunidades e organizações locais pre-
sentes, que integram os princípios da metodo-
logia aos seus projetos, valorizando os produtos
e a forma como são produzidos. Eles incorpo-
raram a mitigação dos efeitos do aquecimento
global como parte das ações, bem como a mi-
tigação dos impactos gerados pelas mudanças
no clima local e suas consequências.
6ZFSYTFTXUTSYTXKTWYJXa articulação ou uti-
QN_FऋइT IJ JXUFऋTX IJ UQFSJOFRJSYT TZ INX-
cussão regional foi apontado como um deles.
Esses pontos fortes estão diretamente relacio-
nados às condições do território, e além de criar
novos espaços de diálogo e consenso, busca-se
que aqueles estabelecidos possam ser incluídos
na metodologia Biocaribe. Por exemplo, a Mesa
Interinstitucional de Mudanças Climáticas em
Córdoba e a Mesa Local de Áreas Protegidas em
8FS/ZFS3JUTRZHJST
*RWJQFऋइTFTXIJXFܪTXFarticulação dos te-
rritórios é vista como um dos principais, bem
como a introdução nos planos de desenvol-
vimento local das iniciativas que conduzam
ao objetivo de ter territórios que avancem em
produtividade sem afetar a biodiversidade dos
ecossistemas. Dessa forma, torna-se possível a
incorporação dos princípios da CSE às políticas
locais, possibilitando a produção de alimentos e
matérias-primas, além da conservação da biodi-
versidade.
4ZYWTIJXFܪTJXYअ[TQYFITUFWFTdesenho e im-
plementação de modelos de agroecossistemas
que gerem segurança alimentar em cada um
dos mosaicos e que sejam concebidos a partir
da articulação dos diversos atores com a visão
de promover a segurança alimentar local e con-
tribuições para a região, com alimentos e maté-
rias-primas que são produzidos com impacto
mínimo sobre a biodiversidade do sistema.
Entender as ações e conceitos que estão asso-
ciados à mitigação dos impactos ambientais faz
UFWYJITVZJYFRGऍRऍHTSXNIJWFITZRIJXFܪT
Para isso, é necessário incorporar ideias e ações
às atividades dos diferentes grupos populacio-
nais e atores do território. Para María Isabel
Ochoa, coordenadora da Conexão BioCaribe “...
a educação ambiental baseada no território, nos
serviços ecossistêmicos, vai desde crianças de
JIZHFऋइT NSKFSYNQ FYऍ UWTܪXXNTSFNX HTR ITZYT-
rado e pós-doutorado ...”, para avançar na apro-
priação de iniciativas que levem à harmonização
da produção e conservação da biodiversidade e,
de uma forma geral, na educação para as ques-
tões ambientais.
Por outro lado, a sustentabilidade da iniciativa é
IJܪSNIFJRHNSHTUNQFWJXNIJSYNܪHFITX
a institucionalidade que se articula;
a consolidação de acordos de conservação e
uso sustentável nos mosaicos;
a incorporação da abordagem da conectivi-
dade socioecossistêmica nos instrumentos
de planejamento local e regional e na norma-
tividade;
a consolidação de mecanismos de incentivo
e compensação para a conservação e uso
sustentável;
a integração de abordagens múltiplas parti-
cipativas de gênero, interculturalidade, inter-
geracionalidade, nos diferentes espaços de
interação.
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
46
A primeira e a segunda linhas são lideradas pe-
QTX5FWVZJX3FYZWFNX3FHNTSFNXJUJQFX(TWUT-
rações Autônomas Regionais (CAR), que criaram
o conceito de CSE. Durante esse processo, foi
empoderado com a metodologia implementada,
assimilando lideranças em diferentes espaços.
3TVZJXJWJKJWJFTXRJHFSNXRTXIJNSHJSYN[T
e compensação, a aplicação de recursos prove-
nientes das compensações ambientais do se-
tor privado, atualmente atores da iniciativa que
NIJSYNܪHF JXYF RJYTITQTLNF HTRT KJWWFRJSYF
para o investimento de recursos.
Da mesma forma, foi fundamental a criação de
canais de comunicação e o estabelecimento de
ações entre os atores privados e a sociedade ci-
vil do território, em busca de novos paradigmas
em torno da relação dos processos comerciais,
produtividade e conservação da biodiversidade.
Para isso, foi desenvolvida uma estratégia de ro-
dadas de negócios com o objetivo de conectar
e gerar alianças comerciais entre empresários
agroecológicos do Caribe colombiano e com-
pradores que apoiam o comércio justo, a sus-
tentabilidade e a construção da paz.
Por outro lado, o estabelecimento de papéis
desde a fase de planejamento também possi-
bilita a formação de conexões e compromissos
voltados para processos de sustentabilidade do
sistema. Para esse processo, o estabelecimento
de lideranças dentro dos atores nacionais, mas
com ações locais, é concebido como uma etapa
fundamental.
A Biocaribe tem passado por um processo con-
tínuo de aprendizagem, no qual reconheceu que
o fortalecimento das capacidades individuais e
coletivas das organizações locais faz parte do
seu sucesso; A este respeito, María Isabel Ochoa
expressa: “… o empoderamento das pessoas no
território é fundamental e isso minimiza o im-
pacto de deixar o projeto como o protagonista
do processo…”. Parte desse fortalecimento tem
THTWWNIT HTR F NRUQJRJSYFऋइT IF ܪLZWF ITX
promotores e promotoras dentro dos mosaicos,
o que permite o empoderamento das comunida-
des nas capacidades e competências que esses
atores adquirem ao longo da implementação
da proposta, uma ação que é projetadas como
parte da sustentabilidade da iniciativa, uma vez
que serão uma fonte de conceitos e metodo-
QTLNFX ZYNQN_FIFX UFWF JSKWJSYFW TX IJXFܪTX IT
sistema.
Essa articulação e participação de espaços, que
coordenam as experiências e capacidades de
cada um dos atores, são destacadas como parte
do sucesso do Biocaribe. Cabe ressaltar que em
meio à pandemia gerada pelo vírus da COVID
19, esses espaços têm mantido comunicação
por meio de gestão própria das comunidades
e demais organizações presentes no território,
realizando ações de gestão da conectividade
socioecossistêmica.
4.2.5 Conquistas
Segundo María Isabel Ochoa, coordenadora da
Conexão BioCaribe, “foi desenvolvido um modelo
em que a biodiversidade foi integrada aos siste-
mas produtivos do Caribe colombiano, com base
na conectividade socioecossistêmica; isso vai
além do componente ambiental que é abordado
nas atividades produtivas, que normalmente é
voltado para a conservação e uso sustentável da
água, solo, etc. Tratou-se de um modelo com en-
foque territorial baseado no desenho de corredo-
res biológicos para a conexão entre o Parque Na-
tural Nacional Paramillo e o complexo pantanoso
do Bajo Sinú, com base na implantação de práti-
cas agroecológicas nos sistemas produtivos que
integram o território. Por outro lado, a utilização
IJIWTSJXJ8NXYJRFXIJ.SKTWRFऋइT,JTLWअܪHF
como ferramentas tecnológicas possibilitou rea-
lizar o monitoramento das fazendas, integrado à
coleta de informações pelos atores do sistema
com o uso de tablets em campo. Este foi um
grande insumo para a construção da plataforma
interoperável baseada em geoserviços web para
a gestão da informação e avaliação intersetorial
da Estratégia de Conectividade Socioecossistê-
mica ”.
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
47
A obtenção de conquistas foi possível graças
à premissa de “construir sobre o que foi cons-
truído”, para a qual o ponto de partida foi o ma-
peamento de atores e serviços ecossistêmicos,
JFNIJSYNܪHFऋइTIJNSNHNFYN[FXWJQFHNTSFIFXFTX
corredores de conectividade priorizados no
âmbito da estratégia, que permitiu maior articu-
lação no território, bem como o fortalecimento
de processos que já vinham sendo realizados
por organizações da sociedade civil e outras en-
tidades.
As seguintes conquistas se destacam:
a participação e articulação entre atores
locais, regionais e nacionais, bem como a
criação de espaços de prestação de contas
GFXJFITXSFLJWFऋइTIJHTSܪFSऋF
O desenvolvimento de processos relevantes
para o contexto de cada território e comuni-
dade a partir do reconhecimento da diversi-
dade cultural, ambiental e produtiva, a visão
diferencial entre homens e mulheres, uma
abordagem intergeracional, o seu conhe-
cimento do território e cosmovisão, o que
resulta num maior interesse, apropriação
e comprometimento das comunidades e a
sustentabilidade das ações;
Comunicação territorial baseada na pro-
moção de iniciativas locais de comunicação
que incentivem a participação de jovens,
mulheres, meninos e meninas;
a implementação de ações de gestão do
conhecimento e espaços de aprendizagem
como: cursos de educação ambiental, di-
ploma de conectividades socioecossistêmi-
cas, além de capacitações para organizações
sociais em apicultura, piscicultura, sistemas
FLWTܫTWJXYFNXIJ HFHFZJSYWJ TZYWTX&QऍR
de fortalecer as capacidades, esses espaços
promovem a participação, o interesse, o in-
tercâmbio, a construção coletiva do conheci-
mento e a coesão social;
a transformação dos sistemas de produção
em diversos agroecossistemas por meio do
modelo de produção sustentável.
A Rede de Inovação para a Sustentabilidade
dos Montes de María surge como uma aposta
para a gestão e articulação territorial da região,
fortalecida a partir da implementação da estra-
tégia de Redes Locais de Integração Produtiva
(RLIP), no âmbito do Projeto de Fortalecimento
da implementação da política pública de terras
JYJWWNYखWNTXNRUQJRJSYFIFUJQF+&4F:SNIFIJ
IJ7JXYNYZNऋइT IJ9JWWFX:79 JF *RGFN]FIF
da Suécia na referida região. A Rede de Inovação
para a Sustentabilidade dos Montes de María é o
resultado de dinâmicas de trabalho articuladas
que se desenvolvem no território, como cenário
de gestão e tomada de decisões de carácter so-
cial, económico e ambiental no sector agrope-
HZअWNTJWZWFQSTXYJWWNYखWNTXIJNSܫZऎSHNF
Esta rede representa uma oportunidade de tra-
balho mancomundo que visa atender, especial-
mente, a rápida transformação da paisagem,
a perda de biodiversidade e bens e serviços
4.3 Rede de Inovação para a
Sustentabilidade dos Montes
de María: uma aposta para o
desenvolvimento sustentável da
região
Objetivo
Em um primeiro nível, contribuir para o
desenvolvimento de uma composição de
atores no território que conduza a um
segundo nível para garantir dinâmicas de
inter-relação entre eles, de forma a
alcançar a transformação integral dos
sistemas territoriais de produção, obede-
cendo à abordagem da sustentabilidade,
resiliência, inclusão segurança alimentar
e inovação como motor de mudança.
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
48
ecossistêmicos, que afeta a região dos Montes
de María através da construção participativa,
colocando a implementação e promoção de al-
ternativas para o uso sustentável dos recursos
naturais.
Tendo em conta a concepção de rede como um
conjunto de atores que interagem, disseminam,
adotam e adaptam conhecimentos a partir do
alcance de objetivos comuns, foi proposta como
parte da estratégia a atuação da Rede de Ino-
vação para a Sustentabilidade dos Montes de
Maria no território através de um nó de ação para
o acompanhamento das entidades territoriais e
outros atores-chave para a gestão conjunta da
sustentabilidade do território.
Em seu processo de formação, a rede orientou
suas ações a partir da abordagem territorial, em
rede, de agroecossistema sustentável, gênero,
direitos e mercado desenvolvido e implemen-
tado pelo escritório da FAO na Colômbia. Outro
foco da rede tem sido as políticas públicas de
FYJSऋइTऄX[ऑYNRFXJR_TSFXIJHTSܫNYTFWRFIT
que impliquem um esforço pela transformação
integral dos territórios em busca do retorno das
famílias e comunidades. Trouxe consigo ações
destinadas a fortalecer a implementação da po-
lítica pública de restituição de terras, e foi assim
que, desde o exercício da rede, três iniciativas
foram consolidadas para a sustentabilidade dos
Montes de María:
pecuária comunitária sustentável em El Car-
men de Bolívar;
governança da água - manejo social produ-
YN[FIJ/FLझJ^JXJR(FRGNRGF2TWWT
Melicultura - incentivos autogeridos para a
conservação de bens e serviços agroecos-
sistêmicos em Chengue, Ovejas.
Além do exposto anteriormente, o cenário de res-
YNYZNऋइTFHTRUFSMFIT UJQF+&4 JUJQF:79IZ-
rante os anos de 2015 e 2016 foi fundamental na
formação da rede, onde se evidenciou a impor-
YआSHNFIJYWFSXHJSIJWF[NXइTIFXKFRऑQNFXGJSJܪ-
ciárias da restituição para uma visão do território.
Esta foi uma oportunidade de atender às expecta-
tivas das comunidades a partir do fortalecimento
dos sistemas agroalimentares locais, como meio
JܪRIFYWFSXKTWRFऋइTYJWWNYTWNFQ)JXXFKTWRF
consolidou-se a reconversão produtiva, a agre-
gação de valor social, econômico e ambiental
(empreendimentos) e a gestão sustentável dos
recursos agroecossistêmicos como base para a
articulação dos atores no território. Esta articu-
lação deu-se através da gestão de redes, que deu
origem à estratégia Redes Locais de Integração
Produtiva (RLIP).
O elemento central da estratégia RLIP é a abor-
dagem territorial; A partir disso, busca-se desen-
volver mecanismos e modelos de integração de
atores-chave do território, a partir de iniciativas
empreendedoras de famílias restituídas e não
restituídas. A estratégia desde as suas origens
visou fortalecer as capacidades em contextos de
restituição como forma de reparação às vítimas,
HTSXYNYZNSITXJHTRT ZRFѦܪLZWFIJWJUFWFऋइT
territorial, isto é, a transformação das condições
em que algumas famílias e outras desenvolvem
ZRUWTOJYTIJ[NIFѧ/TXऍ,खRJ_+WFSHT+&4
Foi assim que se criou a Rede de Inovação para a
Sustentabilidade dos Montes de María, apontando
para um cenário favorável ao desenvolvimento de
um Sistema Territorial de Inovação (STI), enten-
dido como “uma estrutura de gestão do território
em seus componentes ecossistêmico produtivo,
organizacional, de abastecimento e de mercado,
agenciados por instituições, empresas privadas,
academia, centros de pesquisa, organizações de
produtores, centros de formação e outros atores
ITYJWWNYखWNTѧ/TXऍ,खRJ_+WFSHT
Este esforço é reconhecido como iniciativas te-
rritoriais de sustentabilidade, um acordo entre
estes atores em prol de objetivos estratégicos de
desenvolvimento sustentável, por meio do qual
se espera permitir a transição para um cenário de
consolidação de um STI.
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
49
A Rede de Inovação para a Sustentabilidade dos
Montes de María é formada para apoiar entida-
des territoriais, organizações de produtores e
produtoras, e outros atores estratégicos para a
gestão conjunta da sustentabilidade do território,
com base nos seguintes objetivos:
Contribuir para a construção e fortalecimento
de cenários de articulação entre atores-chave,
como instituições públicas, academia, organi-
zações de produtores, sociedade civil, empre-
sas privadas e organizações de cooperação.
'ZXHFW WJXUTXYFX JXYWFYऍLNHFX FTX IJXFܪTX
enfrentados pelos Montes de María por meio
de ferramentas e acompanhamento para a
NIJSYNܪHFऋइTJ HFWFHYJWN_FऋइTIJUWTGQJRFX
e a construção participativa de soluções alter-
nativas.
Contribuir para a coesão territorial a partir da
dinamização de objetivos comuns de desen-
volvimento.
Advogar para que a abordagem da sustenta-
bilidade seja incorporada nos planos de des-
envolvimento departamentais e municipais,
de forma a alcançar eixos e ações mais es-
tratégicas.
4.3.1 Ferramentas e
aspectos metodológicos
A rápida transformação da paisagem na sub-re-
gião dos Montes de María coloca em risco a bio-
diversidade, os bens e serviços ecossistêmicos
e, portanto, a base produtiva e o sustento das
famílias. Diante desse cenário, a rede projetou
espaços de diálogo multi-ator, como mesas de
trabalho baseadas nas três iniciativas pela sus-
tentabilidade da região em El Carmen de Bolívar,
Morroa e Ovejas para a aproximação entre famí-
lias, associações e a institucionalidade.
Esses espaços de diálogo têm sido fundamentais
para a adaptação de práticas sustentáveis e o
empoderamento das famílias, principalmente
das mulheres, que assumiram o papel de cui-
dadoras e gestoras de práticas de restauração
dos ecossistemas e conservação do território. É
SJXYJXHJSअWNTXTSIJXJNIJSYNܪHFRFXUTYJSHNF-
lidades, oportunidades, aptidões do território e do
STI, de forma a dinamizar acordos com objetivos
e planejamentos concretos, criando assim um
modelo de coesão territorial com atores plurais.
O trabalho em rede tem se gerado a partir da
articulação de políticas públicas e dinâmicas lo-
cais em termos de associação territorial, fortale-
cimento organizacional, reconversão produtiva,
desenvolvimento de capacidades sociais e de
gênero e acesso a mercados. Em particular, os
instrumentos de política pública fundiária e de
justiça transicional (Lei 1448 de 2011) têm permi-
tido a abordagem e a articulação dos atores para
o alcance dos objetivos.
8JLZSIT &QKWJIT 'WF^ UWTܪXXNTSFQ YऍHSNHT FR-
biental da FAO no território, como resultado do
conjunto de ferramentas aplicadas na rede, “a
melicultura tem sido promovida como uma ativi-
IFIJIJHTSXJW[FऋइTJZXTXZXYJSYअ[JQIFܫTWF
RJQऑKJWFIFXܫTWJXYFXTWNZSIFXIFUWTIZऋइTFUऑ-
cola, que também resulta em incentivos econô-
micos para as famílias e a consequente melhora
na produtividade dos cultivos, principalmente em
Chengue, Ovejas; pecuária sustentável com inte-
gração de sistemas silvipastoris, estabelecimento
de áreas protegidas e criação de corredores de
conectividade, suspensão do uso de herbicidas e
práticas de corte e queima e promoção do plantio
IFܫTWFRJQऑKJWF JFLT[JWSFSऋFIFअLZFFUFWYNW
IFHTSXTQNIFऋइTIJZRFWJIJIJOFLझJ^JXWJUWJ-
sas) em Cambimba, Morroa, como diretriz para
o uso desse recurso na produção agropecuária
sustentável. Assim, iniciativas para a proteção da
biodiversidade têm sido promovidas de acordo
com a aptidão do território ”.
Como elemento metodológico de articulação em
rede foram vitais os Nós de Produção Susten-
tável (NPS) dinamizados a partir da base social
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
50
com as comunidades, em função de seu bem-es-
YFWNSIN[NIZFQJHTQJYN[T4X358XइTHTSXYNYZऑITX
por famílias segundo critérios de vizinhança e/ou
FܪSNIFIJJXइTFHTRUFSMFITXUTW(TRNYऎX,JX-
tores compostos por membros das organizações
JRKZSऋइTITXUFUऍNXUJWܪXJNSINHFITWJXUFWF
a gestão da rede e equipes de técnicos locais da
+&43JXYJXSखXJHTRNYऎXUWJITRNSFFMTWN_TS-
talidade na interação, no trabalho colaborativo, no
planejamento e no acompanhamento das ativida-
des voltadas ao cumprimento dos objetivos dos
empreendimentos numa perspectiva de desen-
volvimento territorial. Para isso, é necessário des-
envolver capacidades de diálogo e ação conjunta
com atores-chave do território, de forma que o
conjunto de atores alcance uma compreensão
das dinâmicas territoriais e de atuação com uma
visão holística.
4.3.2 Atores e papéis
:RFUFWYJ JXXJSHNFQIF JXYWZYZWFIT 89.ऍ IJ-
ܪSNIF UJQT LWZUT IJ FYTWJX & 7JIJ XZWLJ IF
NIJSYNܪHFऋइTIJSJHJXXNIFIJXJXUJHऑܪHFXKFHJ
à participação, articulação, coesão e ação entre
os atores do território. A seguir, os atores que
criaram e participaram da Rede de Inovação
para a Sustentabilidade dos Montes de María.
&XXTHNFऋघJXIJUWTIZYTWJX
Associação dos Pequenos Agricultores de
Cambimba (APACAMBI), Associação dos
Camponeses Produtores da Aldeia El Respaldo
(ASORESPALDO) e Associação das Vítimas
de Chengue. Essas organizações e as famílias
que as compõem são a base da rede, com
a implantação de iniciativas sustentáveis
promovidas na região, que motivam a mudança
e compartilham conhecimentos entre si. Esses
atores têm desempenhado o papel de inovar,
reconhecer e compartilhar conhecimentos.
Entidades governamentais
8JW[NऋT 3FHNTSFQ IJ &UWJSIN_FLJR 8*3&
Instituto Colombiano de Bem-Estar Familiar
.('+ .SXYNYZYT ,JTLWअܪHT &LZXYऑS (TIF__N
Instituto Colombiano de Agricultura (ICA),
Prefeitura Municipal e Secretaria da Agricultura,
Meio Ambiente e Desenvolvimento Rural de El
Carmen de Bolívar, Diretoria de Gestão Territorial
do Governo de Bolívar, Prefeitura Municipal
de Ovejas, Prefeitura Municipal de Morroa,
Secretaria de Desenvolvimento Econômico e
Meio Ambiente de Sucre, Corporação Regional
&ZYगSTRF IJ 8ZHWJ (&78:(7* (TWUTWFऋइT
Autônoma Regional do Canal del Dique
(&7).6:*J:SNIFIJIJ7JXYNYZNऋइTIJ9JWWFX
:79  *XXJX FYTWJX IJXJRUJSMFWFR UFUऍNX
HTRTܪSFSHNFWHTS[THFWWJZSNWJKFHNQNYFW
Entidades multilaterais e de cooperação
& 4WLFSN_FऋइT IFX 3FऋघJX :SNIFX UFWF F
Alimentação e Agricultura (FAO) e a Embaixada
da Suécia tiveram as funções de conectar, reunir,
KFHNQNYFWܪSFSHNFWJLJWJSHNFWTHTSMJHNRJSYTJ
a inovação.
.SXYNYZNऋघJXFHFIऎRNHFXJIJUJXVZNXF
(TWUTWFऋइT :SN[JWXNYअWNF IT (FWNGJS (*(&7
:SN[JWXNIFIJ5TSYNܪHNF'TQN[FWNFSF:SN[JWXNIFIJ
de Sucre e a Corporação Colombiana de
Pesquisa Agropecuária (AGROSAVIA). A
academia tem sido especialmente estratégica
por seu papel de recomendar por meio da
extensão universitária, consultórios jurídicos,
empresariais, arquitetônicos, e de atendimento
psicossocial. Além disso, esses atores
IJXJRUJSMFR T UFUJQ IJ HTSJHYFW ܪSFSHNFW
compartilhar conhecimento, treinar, facilitar e
inovar.
4.3.3 Recursos
Como recursos essenciais para o funcionamento
e desenvolvimento dos processos de inovação no
âmbito do STI que se desenvolve a partir da Rede
de Inovação para a Sustentabilidade dos Montes
de María, destacam-se:
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
51
Recursos naturais: a valorização da biodiver-
sidade tem sido o eixo central da rede e das
iniciativas que promovem a sua conservação
J WJHZUJWFऋइTFYWF[ऍX IT WJܫTWJXYFRJSYT J
proteção de corpos d’água, que contribuem
para mitigar o efeito das atividades antrópi-
cas no âmbito agropecuário e em outros. A
pecuária comunitária sustentável tem incor-
porado importantes ferramentas de gestão
ambiental, ao mesmo tempo em que aumenta
a produtividade e o bem-estar dos animais. O
RFSJOTXTHNFQUWTIZYN[TITXOFLझJ^JXWJUWJ-
sas) cria uma oportunidade para a proteção
IFGFHNFMNIWTLWअܪHFJܫTWJXYFXFXXTHNFIFX
e impacta positivamente nos sistemas produ-
tivos ao garantir este recurso escasso. Além
disso, as iniciativas levam à geração de renda
e condições de bem-estar para famílias e co-
munidades.
Deste modo, a melicultura, a pecuária susten-
tável e a governança das águas são o motor
da proteção do conjunto de recursos naturais
presentes no território, numa perspectiva ho-
lística, que reconhece a necessidade de mu-
danças no comportamento do ser humano
enquanto co- habitante do território.
Capital social e humano: Todos os atores que
fazem parte da rede e os atores potenciais a
serem integrados no futuro constituem o ca-
pital de mudança mais importante. A partir
dos diversos papéis dessa rede multi-ator,
é possível gerenciar a inovação a partir de
soluções sustentáveis em prol da melhoria
das condições ambientais, sociais e econô-
micas. Destaca-se o capital social e humano
que possibilita essa rede, os empreendimen-
tos ou iniciativas sustentáveis que hoje são
autogeridas. Existe uma grande capacidade
de resiliência que por sua vez exige a supe-
WFऋइTITX IJXFܪTX IJHTWWJSYJX IT HTSܫNYT
armado e evidenciados no retorno ao territó-
rio em um cenário de restituição dos direitos
à terra.
Infraestrutura: destaca-se a criação da rede
IJ /FLझJ^JX JR (FRGNRGF UFWF F LJXYइT
social e produtiva dos recursos hídricos pela
APACAMBI, bem como o desenvolvimento de
infraestrutura coletiva para a comercialização
de mel na Associação das Vítimas de Chen-
gue. Em relação a estes últimos, destaca-se
TLWFSIJIJXFܪTIJܪSFQN_FWFFIJVZFऋइTITX
espaços de acordo com as normas sanitárias.
Recursos económicos: a rede vista como
“um passo para a consolidação de um STI
SF WJLNइTѧ /TXऍ ,खRJ_ FNSIF WJVZJW ZRF
IJܪSNऋइTHQFWFIFXKTSYJXIJWJHZWXTXJHTSग-
micos que atualmente são a soma do acom-
UFSMFRJSYTJJXKTWऋTXIJYTITTXFYTWJX3T
entanto, a maior parte dos recursos econô-
micos veio da cooperação internacional e da
:795TWYFSYTFQHFSऋअQTXUFWFTUWTHJXXTIJ
consolidação e sustentabilidade do CTI repre-
XJSYFJRXNZRLWFSIJIJXFܪT
4.3.4 Ambiente/fatores
habilitantes
3TVZJXJWJKJWJFTHFRUTSTWRFYN[T[FQJIJX-
tacar a Lei 1448 de 2011 “pela qual se expedem
medidas de atenção, assistência e reparação in-
YJLWFQऄX[ऑYNRFXITHTSܫNYTFWRFITNSYJWSTJXJ
outorgam outras disposições”, pois tem desem-
penhado um papel importante nos programas de
apoio que se desenvolvem nos departamentos
de Bolívar e Sucre, particularmente por meio dos
cenários de articulação previstos em lei, como
os comitês territoriais de justiça de transição e
os subcomitês de restituição de terras. A partir
IJXYJXHJSअWNTXNIJSYNܪHTZXJFSJHJXXNIFIJIJ
criação de cenários complementares (não for-
mais) e mais amplos nos temas e necessidades
do território a serem atendidos, dando origem
à criação de grupos de trabalho para tratar dos
temas e necessidades do território nas áreas
ambiental, infraestrutura e habitação.
52
A criação e apropriação de um modelo de in-
centivo autogestionário para a conservação
ܫTWJXYFQ UTW RJNT IJFQYJWSFYN[FXJHTSगRN-
cas sustentáveis como a apicultura , que é
acompanhada por uma estrutura organiza-
cional formada por quatro organizações de
produtores que alcançou a consolidação de
um órgão técnico interno e local para a pro-
dução de mel.
A implementação de um modelo de gover-
nança e gestão comunitária em torno dos
sistemas de captação e armazenamento de
águas pluviais como solução para os siste-
mas produtivos e a disponibilização do re-
curso para consumo em casa a partir do res-
gate dos saberes tradicionais que levaram à
HTSXYWZऋइTIJOFझJ^JXWJUWJXFXXNXYJRFX
ancestrais da Região do Caribe e da cultura
Zenú.
A reconversão de sistemas de pecuária ex-
tensiva em sistema de pecuária comunitária
XZXYJSYअ[JQHTRIJܪSNऋइTIJअWJFXHTSOZS-
tas de proteção nodal dentro das fazendas,
com modelo de conectividade, produção de
forragem, compra e comercialização con-
junta de animais com a mesma infraestrutura
UFWFTRFSJOTITXFSNRFNX3JXYFNSNHNFYN[F
conseguiu-se a articulação com atores como
empresas privadas, conseguindo um preço
mais baixo na aquisição de animais, graças
ऄܪLZWFFXXTHNFYN[F9FRGऍRKTNNRUTWYFSYJ
reconhecer os pontos fortes de atores como
a AGROSAVIA em termos de pecuária sus-
tentável, o que permitiu somar esforços de
outros produtores e produtoras e incentivou
a implementação desta estratégia a partir da
troca de experiências vivenciais.
5TWܪRFNST[FऋइTXTHNFQITX 3खXIJ5WT-
IZऋइT 8ZXYJSYअ[JQ YJR XNIT XNLSNܪHFYN[F
como forma de organização colaborativa
das famílias, que consolidou um modelo
horizontal que permite a gestão do conheci-
Em grande medida, no STI que se visualiza a
partir da Rede de Sustentabilidade dos Montes
de María se desenvolve cada um dos fatores
habilitantes como os mercados, os arranjos ins-
titucionais e culturais, bem como um contexto
jurídico e normativo para o seu desenvolvimento
J J[TQZऋइT3T JSYFSYTXइT NIJSYNܪHFIFX HTS-
dições desfavoráveis no território que afetam
HFIFZRIJXXJXKFYTWJXYTWSFSITXJIJXFܪTXF
serem superados:
A apropriação do Sistema Territorial de Ino-
vação pelo conjunto de atores, como unidade
que permite o desenvolvimento ou articulação
de instrumentos de política pública para o
desenvolvimento do território. Vinculado à ne-
HJXXNIFIJIJFUWTUWNFऋइTTIJXFܪTHTSXNXYJ
em ter a mobilização ótima das instituições
em torno da inovação e da busca de soluções
a partir da rede multi-ator que se forma no
STI.
O reconhecimento das organizações de pro-
dutores como parte do STI e não apenas
como depositárias do conhecimento no sis-
tema, uma vez que as organizações e famílias
são garantes da gestão da inovação, que é
por natureza endógena nos territórios e de-
ܪSNIF YFSYT UJQFX XZFX SJHJXXNIFIJX HTRT
pelos seus requisitos quanto à capacidade de
contribuir com suas próprias ações.
A sustentabilidade do STI, visto que o desen-
volvimento e a consolidação desses sistemas
requerem arranjos institucionais sólidos que
possibilitem as condições necessárias para
sua sustentabilidade ao longo do tempo,
tendo em vista os recursos econômicos ne-
cessários à sua gestão. Isso, por sua vez,
determina a relação do grupo de atores em
torno de objetivos comuns.
10.
1TXNSHJSYN[TXFQFHTSXJW[FHNखSHTRUWJSIJSZSF[FWNJIFIIJNSXYWZRJSYTXJHTSखRNHTXܪSFSHNJWTXNSXYNYZHNTSFQJX^STWRFYN[TX8ZܪSFQNIFIJXRTYN[FWJNSHN-
INWJSHFRGNTXIJHTRUTWYFRNJSYTIJQTXFHYTWJXJHTSखRNHTX^XTHNFQJXJSYTWSTFQTXTGOJYN[TXIJRFSJOTIJQYJWWNYTWNTHTSܪSJXIJHTSXJW[FHNखSIJQFSFYZWFQJ_F
(Fondo Patrimonio Natural, 2014).
4.3.5 Conquistas
A partir de iniciativas sustentáveis foi conse-
guida a geração de inovações como:
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
53
mento e uma visão do sistema agroalimen-
tar, não apenas do sistema produtivo.
4.4 Estratégia de Inovação Rural
Participativa (IRP) da Corporação
PBA: rumo à consolidação de um
Sistema de Inovação Territorial
na zona costeira de Córdoba e
Sucre
A Corporação PBA desenvolveu a Inovação Ru-
ral Participativa (IRP) como principal estratégia
para acompanhar os processos de inovação e
desenvolvimento participativo dos pequenos
produtores. A própria estratégia e suas metodo-
logias contribuíram para o desenvolvimento das
comunidades rurais da Colômbia e dos países
do Consórcio Andino.
Entre os STI promovidos pela Corporação PBA
Corporation, está a da zona costeira de Córdoba
e Sucre, que se originou no âmbito da Missão
para a Transformação do Campo Colombiano .
Este STI foi iniciado com a vinculação de vários
municípios desses departamentos, entre os
quais se destacam Puerto Escondido, Los Cór-
ITGFX(FSFQJYJ8FS'JWSFWITIJQ;NJSYT2TऔN-
tos e San Antero.
4.4.1 Ferramentas e
aspectos metodológicos
O método do IRP é um conjunto de etapas
baseadas na participação e sustentabilidade.
3JXXF FGTWIFLJR T IJXJS[TQ[NRJSYT XZX-
tentável é entendido como um processo inte-
gral de promoção das potencialidades locais
nas dimensões organizacional, política, edu-
cacional, econômico-produtiva, investigativa
e cultural. É uma metodologia abrangente,
no sentido de que serve para abordar todas
essas dimensões e não apenas uma delas, e
porque se baseia em uma perspectiva e ação
transdisciplinar.
Essa metodologia capacita pequenos produ-
tores e produtoras rurais a serem atores in-
ܫZJSYJX ST IJXJS[TQ[NRJSYT QTHFQ JQJ[FSIT
a autoestima, aprimorando suas capacidades
em gestão, promovendo sua autonomia e
fortalecendo suas competências produtivas.
Parte-se do princípio de que a melhor forma
Objetivo
O propósito dos Sistemas Territoriais de
Inovação é criar um mecanismo de médio
e longo prazo, no qual se dê a articulação
dos atores de um território para trabalhar
na resolução dos principais problemas
enfrentados pelas comunidades nos seus
sistemas produtivos e promover desta
forma, por meio da inovação, produtivida-
de, competitividade e sustentabilidade.
11.
Iniciativa del gobierno nacional que tuvo lugar entre el año 2014 y 2015, en cabeza del Departamento Nacional de Planeación, a través de la cual se generaron
lineamientos de política pública con el objetivo de tomar mejores decisiones de inversión pública para el desarrollo rural y agropecuario en los próximos 20 años.
A Corporação PBA iniciou suas atividades em
1997 em quatro departamentos do Caribe, pos-
teriormente expandindo suas atividades nos ou-
tros três departamentos do Caribe e na região
andina do país.
Atualmente coordena o Consórcio Andino de
Inovação Participativa com Pequenos Agriculto-
res, que é uma aliança de entidades de pesquisa
e inovação e organizações de pequenos produ-
tores agropecuários da Bolívia, Colômbia, Equa-
dor, Peru e Venezuela, cujo objetivo é contribuir
para a melhoria do nível e qualidade de vida das
comunidades rurais dos países andinos, a partir
do apoio a processos participativos de inovação
no uso sustentável da agrobiodiversidade.
54
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
de promover o desenvolvimento rural susten-
tável é estimulando as competências sociais
e individuais desses atores e de suas famí-
QNFX3JXXFRJYTITQTLNFJXYइT[NSHZQFIFXFX
dimensões pessoal e coletiva, bem como as
ações tecnológicas e produtivas que se articu-
lam com as culturais e educacionais.
É uma construção coletiva entre diversos pro-
IZYTWJXFX YऍHSNHTXFX J UWTܪXXNTSFNX JR
construção contínua desde o seu caráter dinâ-
RNHTJܫJ]ऑ[JQ
A estratégia é um processo gradual que vai do
comunitário ao territorial em três etapas:
• Diagnóstico da comunidade
Rota de inovação
Plano de acompanhamento
• Estabelecimento de Sistemas
de Inovação Territorial através da
metodologia DOI.
• 3 etapas DOI: (i) inicial ou de
conformação do STI; (ii) de construção
e (iii) de escalonamento.
• Fortalecimento de capacidades das
TWLFSN_FऋघJX
• Apropriação e liderança
ETAPA 2. Comunidades em
consolidação e crescimento
ETAPA 1. Comunidades
construindo e iniciando suas
rotas de inovação
ETAPA 3. Comunidades
NSܫZJSHNFSITTIJXJS[TQ[NRJSYT
territorial e suas cadeias
produtivas.
Figura 10.
Etapas da estratégia de Inovação Rural Participativa.
Fonte: Elaboração própria.
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
55
se Na etapa 1, inicia-se com o diagnóstico da
comunidade, em seguida, é construída sua rota
de inovação e elaborado o plano de acompanha-
mento. Dependendo da situação e do contexto
da comunidade, é acompanhado de ferramen-
tas em: crescimento pessoal e fortalecimento
de valores; criação de organização informal; pre-
paração e início de processos participativos de
UJXVZNXF JNIJSYNܪHFऋइTIJSJLखHNTXHTRZSXJ
promoção de hábitos empresariais.
Na etapa 2, são implementadas ferramentas
para que as organizações possam aprender a
formular, gerenciar e executar suas próprias ini-
ciativas (projetos, programas, etc.); formalizam
sua organização, aprendam a gerenciá-la e a for-
talecê-la; desenvolvem processos participativos
de pesquisa e aprimorar sua tecnologia; e con-
solidar sua visão de negócios e negócios a partir
da construção participativa de seus planos de
negócios. As comunidades assumem a proprie-
dade de seus processos e aprendem a liderá-los
Na etapa 3, as comunidades e suas organi-
zações adquirem reconhecimento local e pas-
XFR F NSܫZJSHNFW T IJXJS[TQ[NRJSYT IJ XJZX
territórios e cadeias de valor. Assim, as organi-
zações coordenam ações, constroem parcerias
e formam Sistemas Territorial de Inovação e/ou
participam de Programas de Desenvolvimento
Rural Integral com abordagem Territorial; partici-
pam de redes de aprendizagem e inovação; mul-
tiplicam seus conhecimentos e dimensionam
seus resultados tecnológicos e comerciais, tor-
nando-se multiplicadores.
3T IJXJS[TQ[NRJSYT IF JYFUF  FYNSLJXJ ZR
alto grau de apropriação por parte dos atores,
razão pela qual as comunidades são motivadas
FNSܫZJSHNFWTIJXJS[TQ[NRJSYTIJXJZXYJWWNYख-
rios e de suas cadeias de valor. Para isso, uma
das principais estratégias é a construção de Sis-
temas Territoriais de Inovação, como parte da
metodologia de Desenvolvimento Organizacio-
nal para a Inovação (DOI)
12
.
A construção e implementação dos Sistemas
de Inovação Territorial, por sua vez, constam de
três etapas:
etapa inicial o de conformação do STI;
etapa de construção;
etapa de escalonamento.
A etapa inicial ou de conformação do STI é ca-
WFHYJWN_FIFUJQFHTSܪLZWFऋइTIFJVZNUJIJYWF-
balho e elaboração do plano de ação. Para tal, é
realizado um mapeamento dos atores, seguido
de uma abordagem aos principais atores iden-
YNܪHFITX *R XJLZNIF XइT WJFQN_FIFX TܪHNSFX
locais e formados grupos para dar continuidade
aos processos de fortalecimento das organi-
_FऋघJXIFFLWNHZQYZWFKFRNQNFW3JXYFKFXJTYWF-
balho interinstitucional e com os agricultores/
as familiares é fundamental para a mudança da
cultura institucional. A partir disso, são gerados
espaços de articulação e diálogo, é realizada a
assembleia para a conformação do STI, na qual
XइTNIJSYNܪHFITXJUWNTWN_FITXTXUWNSHNUFNXXNX-
temas produtivos, o comitê coordenador do STI
e formados comitês ou comissões em cada um
dos sistemas produtivos priorizado; todos eles
devem contar com a ampla participação dos
atores da respectiva cadeia.
A etapa de construção consiste na formulação
dos projetos por sistema de produção (revisão
das propostas, projetos executados e tecnolo-
gias existentes); gestão de recursos; a execução
de projetos de pesquisa e desenvolvimento; e o
acompanhamento, análise e sistematização dos
resultados.
5TWܪRFetapa de escalonamento é caracteri-
zada por: organização das equipes de multipli-
cação e acompanhamento; elaboração do plano
IJYWFGFQMTJNRUQFSYFऋइT IJ3छHQJTX IJ 5JX-
VZNXF5FWYNHNUFYN[F3.5em espanhol) nas comu-
nidades de expansão; visitas de intercâmbio; e
NIJSYNܪHFऋइTIJST[TXUWTHJXXTXIJUJXVZNXFJ
inovação tecnológica que precisam ser realiza-
dos.
12
Metodologia que faz parte da Inovação Rural Participativa, desenvolvida pela Corporação PBA.
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
56
O desenvolvimento e o percurso de cada uma
das etapas ilustradas dependem de múltiplos
fatores, tais como: história da comunidade e
do território, grau de escolaridade, grau de des-
envolvimento produtivo, aspectos culturais,
coesão social, entre outros. Por isso, o tempo de
cada uma dessas etapas responde à dinâmica
de cada STI e contexto.
Tendo em conta que a articulação dos atores
determina a funcionalidade do sistema, no STI
da zona costeira de Córdoba e Sucre, foram es-
tabelecidos acordos voluntários entre os atores
e espaços de participação e coordenação da
rede multi-ator, tais como :
O comitê promotor do STI (temporário).
A assembleia do STI.
O comitê de coordenação.
As comissões de trabalho.
A assembleia conta com a participação de to-
dos os atores do sistema e é responsável pela
nomeação da comissão coordenadora, que se
encarrega de orientar os trabalhos do STI. Tam-
bém cria comissões de trabalho para os princi-
UFNXXNXYJRFXUWTIZYN[TXITYJWWNYखWNTFܪRIJ
atuar em conjunto na solução dos principais
problemas, melhorar a produtividade, a com-
petitividade e a sustentabilidade dos sistemas
produtivos. Essas comissões por sistema pro-
dutivo levam os projetos formulados ao comitê
coordenador para que sejam transferidos para o
espaço decisório da assembleia e, assim, priori-
zem ações e metas para o STI.
A composição desses espaços de gestão de
STI é heterogênea e participam representantes
de organizações comunitárias, centros de pes-
quisa, universidades, entidades governamentais
territoriais e do setor privado.
3T VZJ XJ WJKJWJ FT HTRNYऎ UWTRTYTW JXYJ ऍ
constituído no início do STI e é liderado pela or-
ganização promotora do STI que tem raízes te-
rritoriais e vínculos consolidados com os atores
do território; também tem uma composição he-
terogênea. Este comitê se torna o comitê coor-
denador assim que a assembleia for formada.
3T89.IF_TSFHTXYJNWFIJ(खWITGFJ8ZHWJF
Corporação PBA foi o organismo promotor que
hoje faz parte do comitê coordenador.
4.4.2 Atores e papéis
Em geral, para os STI, com base na experiência
da Corporação PBA, é considerada como es-
sencial a participação de diversos atores como
autoridades municipais e departamentais, au-
toridades comerciais e industriais, institutos de
pesquisa, universidades, secretarias de agri-
cultura e turismo dos municípios, entre outros,
considerando as organizações de produtores/as
como um ator central.
A título de exemplo, o Sistema Territorial de Ino-
vação da zona costeira de Córdoba e Sucre é
formado e alimentado pela diversidade de ato-
res que não só estão integrados dinamicamente
no processo, mas também surgiram do próprio
STI.
4WLFSN_FऋघJXXTHNFNXJIJUWTIZYTWJXJ
produtoras
Rede de Produtores de Banana formada por 18
organizações, Associação de Mulheres Proces-
sadoras de Óleo de Coco (Aceluz); Associação
+JRNSNSFIJ7ऑT(JIWT(THT7NT 7JIJ IJ/T-
[JSX7ZWFNXSख2TऔNYTX ,WZUTX5FWYNHNUFYN[TX
Locais (GPL) juvenis de comunidades étnicas
IJ 8FS &SYJWT (T[JऔFX J9TQछ VZJ IJXJS[TQ-
vem atividades produtivas na piscicultura; GPL
/Z[JSNXITXHTSXJQMTXNSIऑLJSFXIJ9TWWJSYJJ
Reparo, que realizam trabalhos de troca de água;
Agência de Turismo Harembée com o desenvol-
vimento de uma proposta de turismo étnico em
regime de associação de jovens; Organização
/T[JSX&SHJXYWFNXXJR+WTSYJNWFXITHTSXJQMT
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
57
indígena de Isla Gallinazo com foco no turismo
étnico e comunitário; e a Asociación Hortifrutí-
cola da Colômbia (Asohofrucol), vinculada aos
processos de comercialização da Rede de Pro-
dutores de Banana. Este conjunto de atores des-
empenhou papéis no STI como inovar, reconhe-
cer, conectar e compartilhar conhecimentos.
Entidades governamentais
Prefeitos da zona costeira de Córdoba e Sucre,
Secretaria de Turismo de San Antero, Ministério
da Agricultura e Desenvolvimento Rural (MADR),
)JUFWYFRJSYTIJ5QFSJOFRJSYT3FHNTSFQ)35
Instituto Colombiano de Agricultura (ICA), Autori-
IFIJ3FHNTSFQIJ&VZNHZQYZWFJ5JXHF&:3&5
Regional Corporação Autônoma dos Vales do
8NSछJ8FS/TWLJ(;8,T[JWSTIJ(खWITGFJ
Governo de Sucre. As entidades governamentais
têm participado nas funções de convocar, reco-
mendar e compartilhar conhecimentos.
.SXYNYZNऋघJXFHFIऎRNHFXJIJUJXVZNXF
:SN[JWXNIFIJ IJ (खWITGF :SN[JWXNIFIJ IJ 8Z-
HWJ:SN[JWXNIFIJ(JSYWFQ:SN[JWXNIFIJIJ&SYNT-
quia e AGROSAVIA; com os papéis de compartil-
har conhecimentos, recomendar, motivar, inovar,
treinar e facilitar.
ONGs e Agências de Cooperação
Destaca-se o papel da Corporação PBA, como
força motriz do STI, tem desempenhado as
funções de conectar, reconhecer, recomendar,
RTYN[FW ܪSFSHNFW HTRUFWYNQMFW HTSMJHNRJSYT
treinar/preparar, convocar/reunir, facilitar e ino-
var. Da mesma forma, a participação do Fundo
Internacional de Desenvolvimento Agrícola
(FIDA) e da Fundação Bolívar Davivienda, como
FYTWJXܪSFSHJNWTXUFWFFNRUQJRJSYFऋइTIT89.
na zona costeira de Córdoba e Sucre.
5TW ܪR JXYJ 89. NIJSYNܪHTZ F NRUTWYआSHNF IJ
contar com a participação do setor privado para
que ele faça parte de uma cadeia produtiva es-
UJHऑܪHFVZJXJWJQFHNTSJHTRTYJWWNYखWNT9FSYT
as empresas quanto as fundações têm um pa-
UJQUTYJSHNFQSTܪSFSHNFRJSYTIJFऋघJX[TQYF-
das ao fortalecimento dos sistemas produtivos.
3JXYJHFXTUFWYNHZQFWIJXYFHFXJXTGTXFZXUऑ-
cios da Fundação Bolívar Davivienda.
4.4.3 Recursos
Recursos naturais: Os recursos naturais do
STI da zona costeira de Córdoba e Sucre
têm sido valorizados como base para a ges-
tão dos sistemas produtivos, reconhecendo
a importância de sua proteção. Além disso,
JQJXYऎRXNITFGFXJUFWFFIN[JWXNܪHFऋइTIJ
renda nas famílias do STI por meio da imple-
mentação de iniciativas de ecoturismo.
Capital social e humano: a participação de
mais de 30 tipos de atores no STI é res-
ponsável pela riqueza do capital social e
humano. O STI, por si só, tem fortalecido as
organizações, motivando o surgimento de
empreendimentos para geração de renda. A
articulação de autoridades territoriais e visi-
tas às diferentes organizações de produto-
res, produtoras e comunidades étnicas são
destacadas como estratégias para a imple-
mentação da Assembleia do STI, como prin-
HNUFQNSXYWZRJSYTIJINअQTLTJIJܪSNऋइTIJ
ações. Destaca-se o fortalecimento de diver-
sas organizações de produtores de banana,
óleo de coco e turismo étnico, bem como a
criação e fortalecimento da Associação Fe-
minina do Rio Cedro-CocoRio.
Infraestrutura: destaca-se a construção da
planta de produção de óleo de coco virgem,
pelas organizações Aceluz e Associação
Feminina Río Cedro-CocoRio, que mostra o
impacto no fortalecimento das organizações
e capacidades produtivas para a geração de
renda; Da mesma forma, a criação da agên-
cia de turismo étnico Harambée com rotei-
ros culturais, gastronômicos e ecológicos,
por jovens afrodescendentes
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
58
Recursos econômicos: a gestão dos recur-
sos econômicos por parte das organizações
comunitárias e da Corporação PBA tem le-
vado ao envolvimento de outros atores im-
portantes da região que, juntos, contribuem
UFWFTܪSFSHNFRJSYTIFXFYN[NIFIJXIJNR-
plementação do STI e do fortalecimento das
organizações por meio da inovação local .
3T JSYFSYT WJHZWXTX JHTSगRNHTX YFRGऍR
começam a ser gerados dentro do mesmo
XNXYJRF T VZJ ܪHF J[NIJSYJ ST KTWYFQJHN-
mento das iniciativas de comercialização e
geração de renda familiar. Por outro lado, é
necessário avançar na gestão dos recursos
IT8NXYJRF,JWFQIJ7T^FQYNJXUFWFFHTSXT-
lidação dos STI na Colômbia.
4.4.4 Ambiente/fatores
habilitantes
A construção dos STI é baseada em experiên-
cias e teorias sobre a mudança de paradigmas
de inovação e extensão, de como o conheci-
mento e a tecnologia são gerados.
Portanto, para o desenvolvimento dos STI é
imprescindível o predomínio da abordagem te-
rritorial participativa, a existência de sistemas
MTWN_TSYFNX IJ HTTUJWFऋइT de diferentes ato-
res que possuem diferentes fontes de conhe-
HNRJSYT NST[FऋइT J FUWJSIN_FLJR Também
KTNNIJSYNܪHFIFFNRUTWYआSHNFIJXJHTSYFWHTR
ferramentas de gestão territorial, como as co-
missões de trabalho dos sistemas produtivos do
território formadas por várias cadeias, que abor-
dam questões transversais como a proteção e
conservação dos recursos naturais e do meio
ambiente, uso sustentável solo, manejo da água
e produção de bioinsumos.
A Corporação PBA considera que a inovação
se constrói a partir de um sistema produtivo e
de serviços integrados com outros elementos
transversais, que, entre outros, permitem a ge-
ração de renda para as populações rurais. Para
isso, são necessários mecanismos de compar-
tilhamento de conhecimentos e experiências en-
tre os atores dos diferentes sistemas produtivos
para avançar a partir da inovação local; como
exemplo prático, há o comitê de coordenação
do STI.
A inovação é um processo social que atua em
comunidade, na busca de soluções para os pro-
GQJRFXRFNXUWJRJSYJXJXUJHऑܪHTXJHTSHWJYTX
da atividade produtiva e econômica, resolvendo
ao mesmo tempo a questão do empoderamento,
da consolidação das organizações e do desenvol-
vimento das capacidades organizacionais, técni-
cas, produtivas, comerciais e empresariais”
13
.
4.4.5 Conquistas
3JXYJ89.FUWNSHNUFQNST[FऋइTऍFHTSHWJYN_FऋइT
da articulação dos atores do território em prol
do desenvolvimento e gestão da inovação local.
Esta inovação organizacional tem permitido a
consolidação de uma rede multi-ator que tem
permitido mudanças na forma de conceber o te-
rritório, na forma de se relacionar, passando de
um foco de competição entre os atores para um
foco de sinergias e alianças que promovem a
inovação em sistemas abertos de cooperações
horizontais.
Foi possível promover o aperfeiçoamento tec-
nológico, comercial e organizacional das orga-
nizações produtoras de banana, o que resultou
na criação da Associação Agropecuária de
Córdoba (AGROCORD). Esta organização de
segundo nível é composta por membros de 12
organizações bananeiras e duas associações
de produtores de óleo de coco virgem. Esse
fortalecimento organizacional permitiu a comer-
cialização local e conjunta de 700 hectares de
banana e a consolidação de um processo se-
mi-industrial de processamento do óleo de coco
que passou de 10 litros para 1 000 litros por mês.
Por outro lado, conseguiu-se uma mudança na
forma de trabalhar das organizações comuni-
13
Santiago Perry, Corporación PBA.
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
59
4.5 Centro de Apropriação
e Inovação Social para a
Cafeicultura Caucana
O Centro de Apropriação e Inovação Social da
(FKJNHZQYZWF (FZHFSF  (NHFܪHZQYZWF (FZHFSF
nasceu a partir do Projeto Centro de Pesquisa,
Promoção e Inovação Social para o Desenvol-
[NRJSYT IF (FKJNHZQYZWF (FZHFSF ܪSFSHNFIT
UJQT7JLNRJ,JWFQIJ7T^FQYNJX8ZWLNZIJZRF
aposta entre o Centro de Pesquisa da Federação
dos Cafeicultores e o Mestrado em Estudos In-
YJWINXHNUQNSFWJXUFWFT)JXJS[TQ[NRJSYTIF:SN-
versidade de Cauca, em 2016, a partir de um
processo de formação em nível de mestrado de
33 extensionistas rurais.
O Centro busca promover estratégias que moti-
vem e possibilitem a permanência da população
rural no campo por meio de uma abordagem
hermenêutica, sistêmica, integrativa da história,
transdisciplinar e, sobretudo, baseada nos sen-
tidos e na memória de quem constrói o territó-
rio. O grande objetivo é consolidar a pesquisa,
promoção e inovação social para o desenvolvi-
mento regional, fundamentado nas cafeicultu-
ras a partir de:
a implementação de estratégias educacio-
nais articuladas com diversas cafeiculturas,
com relevância na inovação e desenvolvi-
mento social;
planejamento e implementação de estraté-
gias socioterritoriais para a construção de
economias sociais e solidárias nas cafeicul-
turas;
a criação de desenhos e a transição para
sistemas cafeeiros agroecológicos e susten-
táveis.
Para Olga Cadena, do Centro de Projetos de Pes-
quisa, Promoção e Inovação Social para o Des-
envolvimento da Cafeicultura Caucana, esse tra-
balho “é um modelo de gestão interinstitucional;
o trabalho de um grêmio privado com uma uni-
versidade pública e a comunidade é uma pode-
rosa aliança estratégica que permite às pessoas
pensar, imaginar o território, local, regional, para
conviver com cenários políticos de resistência, a
STXXT[JWJYFRGऍRܪQTXखܪHFIJXTGWJ[N[ऎSHNF
de pensar a identidade do café…”.
4.5.1Ferramentas e
aspectos metodológicos
O Centro implementou três eixos de ação, em 33
municípios do departamento de Cauca:
pesquisa;
educação;
inovação social.
tárias com foco no turismo rural, que hoje des-
envolvem estratégias de cooperação entre si.
60
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
O eixo de pesquisa é desenvolvido em torno
de quatro componentes:
O componente da economia social e solidária
GZXHFNIJSYNܪHFWTXUWTHJXXTXQTHFNXJXUJHNFQ-
mente aqueles diretamente relacionados à pro-
dução cafeeira, estabelecendo relações sociais
e políticas, atividades econômicas, identidade
HZQYZWFQHTSܫNYTXFRGNJSYFNXJUWअYNHFXIJRJQ-
horia de vida e as formas de organização que
surgiram em cada território. Conforme citado
anteriormente, em benefício da transformação
do setor rural por meio de sinergias comunitárias
e inovação social.
A componente de educação intercultural é uma
ferramenta estratégica e pedagógica para o re-
conhecimento e construção de outras condições
ontológicas, cognitivas, subjetivas, civilizatórias
e vivenciais.
A componente de comunicação intercultural en-
tende a comunicação como um processo e uma
experiência em que “nos encontramos e nos
YWFSXKTWRFRTX IJ KTWRF RछYZFѧ FܪWRF 4QLF
Cadena, a partir dos interesses, expectativas e
visões de quem participa do encontro. Conforme
citado anteriormente segundo as orientações
dos princípios comunicativos do reconheci-
mento mútuo, escuta do outro, corresponsabili-
dade, reciprocidade, equidade e afeto. Pela ex-
periência, a comunicação intercultural tem sido
um elemento essencial para a dinâmica social,
inovação social, onde a comunicação intercul-
tural vai além da divulgação da informação e é
entendida como inter-relação. É a possibilidade
de as pessoas compartilharem seus saberes e
FऋघJX T VZJ QJ[F F JSHTSYWFW XNLSNܪHFITX HT-
muns para dar sentido à vida, às práticas e às
representações simbólicas de sujeitos que vi-
vem em diferentes contextos. A comunicação
torna-se assim um elemento estratégico para o
trabalho compartilhado nas organizações e para
a geração de processos associativos.
A componente agroecologia e território cen-
tra-se na recuperação, adaptação e inovação de
modelos de produção rural ou primária a partir
Eixos de ação
Pesquisa
Componentes
Economia social e
solidária
Educação
intercultural
Comunicação
intercultural
Agroecologia e
território
Educação
intercultural
Inovação social
Figura 10.
*N]TXIJFऋइTJHTRUTSJSYJXIJ(NHFܪHZQYZWF(FZHFSF
Fonte: Elaboração própria.
Abordagem horizontal para extensão rural
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
61
da criação de sistemas produtivos em várias
escalas que funcionem de forma sustentável,
adaptando práticas produtivas integrais e bio-
diversas. Igualmente importante é o reconheci-
mento do legado biocultural dos povos indíge-
nas, camponeses e comunidades negras.
O eixo da educação intercultural propõe e des-
envolve ferramentas estratégicas e pedagógicas
para o reconhecimento e construção de outras
condições cognitivas, ontológicas, subjetivas e
vivenciais.
O eixo da inovação social tende a funcionar
em rede, a capacidade de escuta e o trabalho
conjunto entre atores e instituições públicas e
privadas. Isso faz parte do entendimento e do
pensamento local, para alcançar processos só-
lidos de desenvolvimento territorial. Além disso,
a inovação social está baseada na diversidade
cultural, acadêmica e geracional, como uma
força na geração de ideias e na criação de con-
dições favoráveis para a inovação e aprendiza-
gem coletiva.
O desenvolvimento dos quatro eixos de ação
descritas acima foi realizado sob a égide de uma
abordagem horizontal para a extensão rural por
meio de:
O desenho e a transição para sistemas ca-
feeiros agroecológicos e sustentáveis;
A implementação de estratégias socioterri-
toriais para a construção de economias so-
ciais e solidárias;
A implementação de estratégias educacio-
nais articuladas com diversas cafeiculturas,
com relevância, desenvolvimento e inovação
social.
Entre as metodologias utilizadas para o desen-
volvimento dos eixos de ação estão: inovação
organizacional, gestão acadêmica, diagnóstico
WZWFQUFWYNHNUFYN[TJYSTLWFܪFFSअQNXJRZQYNHWNYऍ-
rio, análise de forças, análise econométrica, teo-
4.5.2 Atores e papéis
Entidades governamentais
5WJKJNYZWF IJ 5TUF^अS ,T[JWST IJ (FZHF 8J-
cretaria de Educação e Cultura do Cauca, Secre-
taria de Agricultura e Desenvolvimento Rural do
Cauca; Estes têm sido atores governamentais
que desempenharam o papel de reconhecer e
HTSJHYFW5TWTZYWTQFITIJXYFHFXJTUFUJQܪ-
SFSHNFITWIT8NXYJRF3FHNTSFQIJ(NऎSHNF9JH-
nologia e Inovação.
.SXYNYZNऋघJXFHFIऎRNHFXJIJUJXVZNXF
:SN[JWXNIFIJIT(FZHFSFXKZSऋघJXIJHTSJH-
YFWWJHTRJSIFWRTYN[FWܪSFSHNFWHTRUFWYNQMFW
conhecimento, formar, convocar e inovar. Além
INXXT F :SN[JWXNIFIJ &ZYगSTRF IJ 6ZJWऍYFWT
participou do sistema. Essas duas instituições
fortalecem a inovação no território a partir da
GZXHFIJXTQZऋघJXUFWFXZUJWFWTXIJXFܪTXSFX
dimensões da cafeicultura.
ria de redes e, em geral, uma mistura de dados
qualitativos e quantitativos em o território.
Como ferramentas, o desenvolvimento das
fazendas - escolas agroecológicas tem sido
fundamental, sob o esquema camponês/a a
camponês/a e a partir do exercício da teoria das
redes, estabelecendo cada escola como um nó;
o desenho de sistemas cafeeiros agroecoló-
gicos; a formação e dinamização de redes de
experiência; pesquisa participativa; o desenvolvi-
mento de uma estratégia de comunicação, bem
como a utilização e desenvolvimento de Siste-
RFXIJ.SKTWRFऋइT,JTLWअܪHF8., TWJXLFYJ
e valorização do patrimônio biocultural; gestão
documental por meio da sistematização de ex-
UJWNऎSHNFX JܪSFQRJSYJFLJXYइTIFUJXVZNXF
apropriação e inovação social para a cafeicul-
tura.
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
62
Como resultado do trabalho conjunto com dife-
rentes atores, foi estabelecido o núcleo da com-
UJYNYN[NIFIJITHFKऍKTWRFITUJQF:SN[JWXNIFIJ
IT (FZHF F 5WJKJNYZWF IJ 5TUF^अST ,T[JWST
IT (FZHF T (TRNYऎ IJ (FKJNHZQYTWJX &3). F
Câmara de Comércio e Parque Tecnológico de
Inovação do Café (Tecnicafé).
4WLFSN_FऋघJX3इT,T[JWSFRJSYFNX
(ONG)
& +JIJWFऋइT 3FHNTSFQ ITX (FKJNHZQYTWJX YJR
desempenhado um papel fundamental no forta-
lecimento das capacidades técnicas, organiza-
cionais e tecnológicas para fortalecer a cadeia
do café a partir da otimização de processos e
avaliação de alternativas para o uso de subpro-
dutos.
Tem sido de especial relevância o trabalho ar-
ticulado com o Comitê de Cafeicultores do de-
partamento do Cauca, a partir do qual foram
investigados os motivos da saída de jovens ca-
feicultores do campo, ressaltando a importância
de se ter uma política pública de educação rural
intercultural no surge a articulação entre as Se-
cretarias de Educação e as Secretarias de Agri-
cultura ou Desenvolvimento Agropecuário, sepa-
radas em sua atuação e abordagem ao longo da
história. Os papéis que se destacam desses ato-
res são os de inovar, recomendar, compartilhar
HTSMJHNRJSYTXHFUFHNYFWKFHNQNYFWJܪSFSHNFW
Assim, por meio do trabalho em equipe e de
alianças interinstitucionais, foi criada uma rede
de atores que se concentrou não apenas na
geração de conhecimento e estratégias, mas
também na valorização do conhecimento da
comunidade como eixo central de ação para for-
talecer a cafeicultura no Cauca.
3JXXJ XJSYNIT NIJSYNܪHFXJ ZR IJXFܪT NRUTW-
tante na hora de se articular com os vínculos
governamentais, uma vez que a relação é limi-
tada por fatores estruturais do esquema de con-
4.5.3 Recursos
O projeto lançou várias estratégias socioterri-
toriais que permitiram o desenvolvimento de
economias solidárias na cafeicultura do Cauca
a partir do uso e geração de recursos.
Recursos naturais: com base na abordagem
agroecológica do conjunto de estratégias, a
revitalização e o uso sustentável dos recur-
sos naturais são centrais. O desenho de sis-
temas agroecológicos do café se destaca.
Capital social e humano: destaca-se a
agenda temática de comercialização, meio
ambiente, fortalecimento organizacional,
fortalecimento da família cafeeira, produção
cafeeira, educação rural e valores humanos
promovidos a partir da estratégia, o que ge-
rou visibilidade e fortalecimento dos proces-
sos produtivos, econômicos, organizacio-
nais e educacionais com enfoque territorial
nas comunidades cafeeiras do Cauca. Da
mesma forma, destacam-se a apropriação
social do conhecimento e a implementação
de práticas nas economias sociais e soli-
dárias, bem como o desenvolvimento de es-
YWFYऍLNFXIJIN[JWXNܪHFऋइTIJWJSIFUFWFFX
famílias cafeicultoras.
Infraestructura: destacam-se a criação de
fazendas-escola agroecológicas demons-
trativas e a consolidação de redes de ex-
periências em agroecologia. Além disso, a
infraestrutura existente do Cenifacafé e da
:SN[JWXNIFIJIT(FZHFYJRXNITKZSIFRJS-
tal para o desenvolvimento das estratégias
implementadas nos níveis de pesquisa, edu-
cação e comunicação.
Recursos econômicos: a articulação entre
T(TRNYऎIJ(FKJNHZQYTWJXIJ(FZHFF:SN-
tratação dos entes territoriais, o que gera uma
ruptura nos processos.
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
63
mentar programas educacionais relevantes para
o contexto rural.
Com base no trabalho da abordagem multidi-
RJSXNTSFQIFHFKJNHZQYZWFKTNNIJSYNܪHFIFZRF
série de estratégias que podem transcender ou-
tras agendas temáticas com a participação de
diferentes atores:
a implementação de planos de desenvolvi-
mento de vida com abordagem territorial;
o desenvolvimento de programas de edu-
cação rural intercultural diferenciada para a
permanência no território;
o reconhecimento do patrimônio biocultural
em todo o departamento;
o fortalecimento das organizações por meio
da associatividade e da formação de redes;
o desenvolvimento de estratégias de diver-
XNܪHFऋइTIJWJSIF UWTHJXXTXIJHTSXHNJS-
tização para a concretização de mudanças
nos sistemas produtivos que incidem direta-
mente na qualidade de vida das famílias.
5TWܪRZRFLWFSIJQNऋइTYJRXNITFNRUTWYआS-
cia da gestão acadêmica interinstitucional e
comunitária na gestão de uma inovação que se
baseia no reconhecimento biocultural e em uma
educação com relevância cultural. Essa gestão
também tem sido palco de dar visibilidade e re-
conhecer os processos no território. “São nove
anos de trabalho e podemos dizer que estamos
no meio do processo e à medida que nos reuni-
mos com mais atores, conseguimos mais coi-
sas. Temos trabalhado na inovação social para
a extensão rural, eles já enxergam a família e não
só o cultivo, agora o extensionista é muito mais
humano”.
versidade de Cauca e as organizações de
cafeicultores têm proporcionado apoio a
processos de formação intercultural com re-
levância para docentes, pais e alunos.
4.5.4 Ambiente/fatores
habilitantes
A partir da experiência em gestão da inovação
para a cafeicultura, torna-se evidente a neces-
sidade de um maior número de programas de
graduação de qualidade com foco na produção
agroecológica, de forma que essa se agregue às
alternativas de economia local e solidária, prin-
cipalmente para os jovens e sua permanência
no território, a partir de uma série de sinergias
comunitárias para o desenvolvimento rural com
enfoque territorial.
Para conseguir “uma região para viver” a partir
do compromisso agroecológico e da conquista
da soberania alimentar, a organização local, o
desenvolvimento social e a integração dos cir-
cuitos locais de produção e comercialização do
HFKऍ J TZYWTX UWTIZYTX IJWN[FITX IF IN[JWXNܪ-
cação dos sistemas de produção como fatores
essenciais para atingir este objetivo são aborda-
dos de forma transversal na estratégia.
Em todas as dimensões da cafeicultura, eviden-
HNFXJZRFXऍWNJ IJIJXFܪTXIJ QTSLTFQHFSHJ
para sua superação, devido aos fatores que os
delimitam. Do componente técnico-produtivo,
JSKWJSYFRXJTXIJXFܪTXIJFQYFUWTIZऋइTUWN-
mária de bens, alta dependência de insumos de
síntese química e solos extremamente degrada-
dos.
Desde o componente social, deve-se enfrentar
o preocupante estado de desequilíbrio nutricio-
nal da população cafeeira, fruto da precariedade
da segurança e soberania alimentar e produto
da alta dependência do café. Por outro lado, a
migração de jovens para as áreas urbanas tem
mostrado a importância de conceber e imple-
64
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
5. A inovação no território: desafios e lições
aprendidas
A
UFWYNWIFFSअQNXJIFXJ]UJWNऎSHNFXVZJܪ-
_JWFRUFWYJIJXYJYWFGFQMTܪHFJ[NIJSYJ
a capacidade de inovação e resiliência
ITX YJWWNYखWNTX WJܫJYNIF SF HFUFHNIFIJ IJ FWYN-
cular o trabalho produtivo com a conservação e
uso sustentável da biodiversidade; essas iniciati-
vas agregam o conjunto de capacidades huma-
SFXXTHNFNXJܪSFSHJNWFXINWJHNTSFSITFXUFWFF
gestão sustentável dos agroecossistemas.
Esta capacidade territorial é o resultado da
soma das capacidades individuais de cada um
dos atores articulados em nós, comitês, entre
outras unidades de trabalho e planejamento, em
busca da integração da produção agrícola e as
dimensões da sustentabilidade.
(TRTRTYTWIT89.NIJSYNܪHFRTXFTQTSLTIFX
experiências o princípio da articulação, que per-
mite tanto aos atores assentados no território
como às organizações gestoras e implemen-
tadoras de políticas nacional e regional desen-
volverem iniciativas transversais de inovação
agropecuária. Este princípio - muito almejado
por todos - é fruto do trabalho conjunto e do en-
tendimento entre os atores, e requer esforços de
curto, médio e longo prazo; As bases da articu-
QFऋइTXइTIFIFXUJQFXWJQFऋघJXIJHTSܪFSऋFVZJ
se consolidam a partir da realização de ativida-
des conjuntas, que vão desde iniciativas locais
até grandes planos regionais.
3T JSYFSYT F FWYNHZQFऋइT JSYJSINIF HTRT YWF-
balho sob objetivos comuns, é um dos maiores
IJXFܪTX ITXYJWWNYखWNTXJ UTWYFSYT TX 89. XइT
cenários ideais para a sua construção, que é
truncada pelos processos de degradação so-
cial e econômica gerados pelos fenômenos da
violência; porém, os territórios com essas ca-
racterísticas apresentam resiliência, com maior
força nos processos produtivos realizados pela
agricultura familiar.
O fortalecimento das capacidades dos atores
dos STI é outro elemento fundamental para a
gestão da inovação e consolidação desses sis-
temas. As experiências têm mostrado que o for-
talecimento per se traz consigo a necessidade
de co-inovar sob uma visão de horizontalidade
entre os atores.
Para potencializar a inovação nesses espaços,
XइT UWTUTXYFX ܪLZWFX VZJ UJWRNYJR F FWYNHZ-
lação entre os atores e o fortalecimento das ca-
UFHNIFIJX:RFIJXXFXܪLZWFXऍFITUWTRTYTW
que tem se mostrado adequado dentro da estra-
tégia Biocaribe para a gestão do conhecimento,
a troca de saberes no território e a sustentabili-
dade ao longo do tempo do STI.
:RFIFXKTWRFXUJQFXVZFNXTX89.KTWYFQJHJR
suas ações é por meio da inserção em espaços
de diálogo e gestão já estabelecidos no territó-
rio, espaços que convocam diversos atores e
que têm experiência na realização de atividades
HTSOZSYFXVZJXJYWFIZ_JRJRHTSܪFSऋFJSYWJ
os membros. Essas características permitem
a articulação dos atores em torno da inovação
agropecuária. Como parte das vantagens desta
estratégia está a transferência da experiência
espacial para o STI.
Esses espaços conhecem a história do territó-
rio, as potencialidades e fragilidades dos atores,
bem como os diversos planos estabelecidos
para a gestão; onde as ações do STI podem ser
enquadradas e não retroceder nos caminhos
já percorridos. Em territórios onde os espaços
de diálogo e gestão têm sido fragilizados por
economias ilícitas ou diversos fenômenos de
SEMEANDO CAPACIDADES / COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
65
[NTQऎSHNFTX89.YऎRRFNTWIJXFܪTIJFWYNHZQFWJ
fortalecer as capacidades de seus atores, visto
VZJ JXXJX KJSगRJSTX INܪHZQYFR F FWYNHZQFऋइT
dos atores institucionais e a gestão da inovação
territorial pelo desenraizamento que geram.
As diferentes iniciativas de STI entendem os
territórios como espaços diversos em seus as-
UJHYTXHZQYZWFNXGNTQखLNHTXJLJTLWअܪHTX5FWF
atender a essas características, são criados nós
ou núcleos como unidades constitutivas do STI,
que possuem autonomia para a gestão de seus
recursos e conhecimentos e, portanto, planejam
suas ações de acordo com a disposição dos re-
HZWXTXMZRFSTXGNTQखLNHTXJܪSFSHJNWTX
Essa forma de articulação territorial facilita a
gestão do STI, e por sua vez, reconhece as ca-
pacidades de cada espaço e se propõe como
unidade assertiva de planejamento territorial.
Os nós são a unidade constitutiva desses siste-
RFXHZOTIJXFܪTऍFLJXYइTITHTSMJHNRJSYT
para promover a inovação nos mesmos, além
de se articularem em rede para a troca de infor-
mações e o fortalecimento das capacidades. Es-
ses espaços deverão traçar suas próprias linhas
de desenvolvimento a partir das capacidades
de seus integrantes e de seu poder de constituir
seus próprios modelos de produção sustentável.
O desenho de modelos de agroecossistemas
que se adaptem a cada nó posiciona-se como
objetivo do STI, integrando os recursos disponí-
veis de forma sustentável, valorizando o conhe-
cimento ancestral das comunidades do territó-
rio e suas formas de produção, bem como os
diálogos de saberes.
Mais um princípio para a concepção e conso-
lidação dos STI é desenvolver um processo de
intervenção relevante para o contexto de cada
território e comunidade. É fundamental partir da
abordagem territorial e do reconhecimento da
diversidade social, cultural, ambiental e produ-
tiva. Promover o desenvolvimento de atividades
e iniciativas das comunidades locais de acordo
com sua identidade étnica, a visão diferencial
entre homens e mulheres, seu conhecimento
do território, sua visão do mundo e os insumos
e instrumentos que regem seus territórios (pla-
nos de vida e etnodesenvolvimento) , resulta
em maior interesse, apropriação e comprome-
timento das comunidades na implementação e
sustentabilidade das ações.
5TWܪRJRWJLNघJXTSIJFXHTRZSNIFIJXKTWFR
empoderadas por diversos processos e houve
articulação dos atores, são geradas ações que
impactam os territórios. Em sentido inverso,
nos territórios onde o processo de integração e
diálogo dos diversos atores não se estabelece
IJKTWRFJܪHNJSYJJXइTFHTRUFSMFITXIJHTS-
dições alheias à metodologia, como a violência
JT SFWHTYWअܪHT VZJXJ TUघJR FTIJXJS[TQ[N-
mento desta articulação, a gestão é visivelmente
afetada. Em geral, as dinâmicas sociais, políti-
HFXJHZQYZWFNXFKJYFRFXFऋघJXIJFWYNHZQFऋइT
e, portanto, a gestão do sistema.
66
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e articulação de atores.
: SAÍDA: priorização de ações, projetos ou iniciativas
consolidadas em um plano de ação ajustado
Apresentação da metodologia, exposição de princípios e motivações
Monitoramento e avaliação - Sistematização
Apresentação dos planos de
ação dos atores locais às
instituições
Reuniões entre equipe
dinâmica e instituições
Encontro interinstitucional de atores
Estratégia de articulação de partes interessadas
Reuniões
interinstitucionais
Participação em atividades de
projetos de instituições
parceiras no território
Diálogos de saberes
Visitas de expertos
Visitas em lote de
produtores/visitas de
especialistas
Discussão em grupos
focais
Formação de nós de
inovação: produtos ou
serviços - articulação de
atores
Identificação participativa de
prioridades de extensão,
capacitação e pesquisa. Ação
coletiva
Acordos para a governança
do TISERE: mesa de apoio
SNIA, POEA, PECTIA,
AGENDA DE
ACTORESDEL SNIA
ENTRADA: planos de ação com linhas
estratégicas para melhorar a resiliência do
território
Fuente: Martínez et al., 2020.