Documento Técnico de Ferramentas
de Extensão e Ensino
Semeando Capacidades
Cooperação Brasil- Colômbia- FAO
Documento Técnico de Ferramentas
de Extensão e Ensino
Semeando Capacidades / Cooperação Brasil- Colômbia- FAO
Aperfeiçoar as políticas públicas por meio da gestão do conhecimento para a Agricultura Camponesa,
Familiar e Comunitária (CFCA) em territórios rurais da Colômbia, com enfoque agroecológico
COOPERAÇÃO INTERNACIONAL
BRASIL-COLÔMBIA-FAO
AGÊNCIA BRASILEIRA DE COOPERAÇÃO DO MINISTÉRIO
DAS RELAÇÕES EXTERIORES (ABC/MRE)
Cecilia Malaguti do Prado
Coordenador de Cooperação Sul-Sul Trilateral com
Organizações Internacionais
Carolina Salles Smid
Analista de projeto
Luis Fernando Bacelar
Assistente de Projetos
MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, PECUÁRIA E
ABASTECIMENTO DO BRASIL (MAPA)
Fernando Henrique Kohlmann Schwanke
Secretário de Agricultura Familiar e Cooperativismo
(SAF)
Nelson Andrade Júnior
Assessor (SAF)
Rafael Martins Dias
Analista Técnico de Políticas Sociais (SAF)
MINISTÉRIO DA AGRICULTURA E DESENVOLVIMENTO
RURAL DA COLÔMBIA (MADR)
Sergio Rarez Payares
Diretor de Capacidades Produtivas e Geração de
Renda (DCPGI)
Ronald Dallos Rincón
Joaquín Salgado Rodríguez
Empreiteira (DCPGI)
Heidy Barbosa Segura
Internacionais
ESCRITÓRIO REGIONAL DA FAO PARA
ARICA LATINA E CARIBE
Luiz Carlos Beduschi
Ronaldo Ferraz
Coordenador regional do projeto América Latina
e Caribe sem Fome / Programa de Cooperação
Internacional Brasil-FAO
FAO BRASIL
Rafael Zavala
Representante
FAO COLÔMBIA
Alan Bojanic
Representante
Manuela Ángel
Marcos Rodríguez Fazzone
Especialista Sênior na Área de Agricultura Familiar e
Mercados Inclusivos
Camilo Ardila Galvis
Coordenador do Projeto de Semeando Capacidades
Texto elaborado por:
Fernando Moreno Rozo
Revisao Tecnica:
Camilo Ardila Galvis, Marcos Rodríguez Fazzone
Ángela Silva
Glück Comunicaciones SAS
Bogotá D.C , Colômbia
2021
nem as políticas do MADR Colômbia, MAPA Brasil, ABC / MRE e / ou FAO.
A FAO incentiva o uso, reprodão e disseminação do material contido neste produto de informação. Salvo indicação em contrio,
serviços não comerciais, desde que a FAO seja devidamente reconhecida como a fonte e detentora dos direitos autorais e isso não
implicar de alguma forma que a FAO endossa as opiniões, produtos ou serviços dos usuários. Todas as solicitações de direitos
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Rossandra Farias de Andrade
Interinstitucional
Contenido
1. Apresentação
2. Agradecimentos
3. Conceitualização da extensão rural
3.1. Extensão rural no contexto de suas origens na América Latina e na Colômbia
4. Estrutura para a extensão rural na Colômbia e no Brasil
&VIZIHIWGVMʡʝSHSWERXIGIHIRXIWHS7MWXIQE2EGMSREPHI-RSZEʡʝS%KVʧGSPE
0IMHI7MWXIQE2EGMSREPHI-RSZEʡʝS%KVʧGSPE72-%
4.2. Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) no Brasil
5. Abordagens para a extensão rural
5.1. Abordagens para a extensão rural na América Latina
5.2. Metodologias para o desenvolvimento de capacidades na agricultura familia
5.2.1. Camponês a Camponês (CaC)
5.2.2. Escolas de Campo para Agricultores (ECA)
5.2.3. Pesquisa-Ação Participativa (PAP)
5.2.4. Inovação Rural Participativa (IRP)
5.2.5. Capacitação para a Participação Camponesa (CAPACA)
6. Metodologias participativas para a extensão agropecuária no Brasil
6.1. Metodologia Participativa no meio Rural
6.2. Metodología Participativa de extensión rural para el desarrollo sustentable (MEXPAR)
7. Tecnologias de informação e comunicação (TICs)
como ferramentas de extensão rural
7.1. Recomendações para a inclusão das TICs nos serviços de extensão
8. Caixa de ferramentas para extensão rural na Colômbia
8.1. Ferramentas individuais
8.2. Ferramentas de grupo e em massa
8.3. Rodas de negócio
8.4. Ferramentas selecionadas a partir das metodologias no Brasil
8.4.1. Calendário sazonal
8.4.2. Diagnóstico participativo em campo
8.4.3. Diagrama de Ven
8.4.4. Hierarquização dos problemas de acordo com sua frequência
8.4.5. Caminhadas
8.4.6. Entrevista estruturada
9. Boas práticas da extensão rural (BPE)
&MFPMSKVEƼE
10
11
8
9
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13
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17
20
SEMEANDO CAPACIDADES/ COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
8
E
ste documento apresenta boas práticas
em extensão agropecuária como ferra-
mentas que contribuem para a melhoria
dos serviços de extensão rural para agricultores
e produtores da Agricultura Camponesa, Fami-
liar e Comunitária (ACFC). Ele faz parte das ati-
vidades desenvolvidas pelo Projeto Semeando
Capacidades, uma iniciativa Trilateral de Coo-
peração Sul-Sul desenvolvida pelo Ministério da
Agricultura e Desenvolvimento Rural (MADR) da
Colômbia, a Agência Brasileira de Cooperação
(ABC), o Ministério da Agricultura, Pecuária e
Abastecimento (MAPA) do Brasil e a Organi-
^EʡʝSHEW2EʡʮIW9RMHEWTEVEE%PMQIRXEʡʝSI
a Agricultura (FAO) na Colômbia.
O projeto busca melhorar as políticas públicas
através da gestão do conhecimento para a
Agricultura Camponesa, Familiar e Comunitária
(CFCA) em territórios rurais da Colômbia, com
uma abordagem agroecológica.
O presente documento reúne informações rela-
cionadas a metodologias, métodos e práticas
bem sucedidas de serviços de extensão na
América Latina. Também inclui contribuições
de várias instituições dedicadas à prestação de
serviços de extensão no Brasil e na Colômbia,
dadas através de reuniões técnicas e apresen-
tação de suas experiências bem-sucedidas no
desenvolvimento de suas atividades, bem como
no intercâmbio em torno de boas práticas. Isto
JSMTSWWʧZIPVIEPM^EVRESƼGMRE9QSPLEVWSFVIEW
ferramentas de extensão rural para a agricultura
camponesa, familiar e comunitária, que foi rea-
lizada virtualmente, reunindo vários atores em
extensão rural nos dois países.
As informações aqui apresentadas destinam-se
a organizações que prestam serviços de ex-
tensão rural, famílias da ACFC, extensionistas
que trabalham com essas famílias, assim como
líderes de organizações de agricultura familiar.
1. Apresentação
SEMEANDO CAPACIDADES/ COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
9
A
gradecemos a contribuição das diferentes
organizações e entidades que compartil-
haram suas experiências e metodologias
ao longo do processo de intercâmbio e cons-
trução desenvolvido pelo Projeto Semeando.
'SPʭQFME %+637%:-% %WWSGMEʡʝS 2EGMSREP
HI9WYʛVMSW'EQTSRIWIWHE'SPʭQFME%29'
Corporação PBA; Ministério da Agricultura e
Desenvolvimento Rural; One Earth Future/Paso
'SPSQFME 7IVZMʡS 2EGMSREP HI %TVIRHM^EKIQ
7)2%9RMZIVWMHEHI1MRYXSHI(MSWIE9RMZIV-
WMHEHI2EGMSREPHE'SPʭQFME
2S &VEWMP )QTVIWEW )WXEHYEMW HI %WWMWXʤRGME
Técnica e Extensão Rural (EMATER) dos estados
de Alagoas, Amazonas, Espirito Santo, Goiás,
Maranhão, Minas Gerais, Pará, Paraná, Piauí,
Rio Grande do Sul, Rondônia, Santa Catarina e
7IVKMTI4EVEIQWIKYMHEE%KʤRGME2EGMSREPHI
%WWMWXʤRGME8ʣGRMGEI)\XIRWʝS6YVEP%2%8)6
a Associação Brasileira das Entidades Estaduais
de Assistência Técnica e Extensão Rural (AS-
BRAER); a Secretária da Agricultura Familiar-
7%*1%4%IS7IVZMʡS2EGMSREPHI%TVIRHM^E-
KIQ6YVEP7)2%6
2. Agradecimentos
SEMEANDO CAPACIDADES/ COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
10
D
e acordo com a Lei 1876 de 2017, a ex-
tensão rural é: “...o processo de acompan-
hamento, gestão, produtos e articulação
de tecnologias em seu ambiente, cujo objetivo
é tornar a produção agrícola competitiva e sus-
tentável; contribuindo assim para a melhoria da
UYEPMHEHIHEZMHEJEQMPMEVƉ2IWXETIVWTIGXMZE
a extensão rural engloba os processos de pro-
dução primária, pós-colheita, comercialização,
acesso ao crédito, formalização da propriedade,
GIVXMƼGEʡʝSIQ FSEWTVʛXMGEWEKVʧGSPEW EWWMQ
como a troca de experiências.
A extensão rural deve então ser entendida como
o processo pelo qual se busca o aumento da
produtividade do agroecossistema alvo. Para
isso, a extensão propõe uma interação com os
produtores, para que sejam reconhecidos como
atores principais na solução de problemas e
geradores de novos conhecimentos, pois são
agentes ativos dentro do sistema. A extensão
também reconhece que o agroecossistema
IWXʛMQIVWSIQYQGIRʛVMSGYPXYVEPKISKVʛƼGS
e econômico especial, portanto, cada ação pro-
posta deve ser contemplada dentro deste ce-
nário (Sastoque, 2006).
A Organização para a Cooperação e Desenvolvi-
mento Econômico (OCDE, 2015), citada no do-
cumento do Plano Estratégico de Ciência, Tec-
nologia e Inovação Agroindustrial colombiano
(PECTIA), destaca dentro de suas recomen-
dações, a necessidade de melhorias nos pro-
cessos de inovação e desenvolvimento, assim
como nos serviços de extensão rural (ER). Desta
forma, o documento cita como sendo estrutural
ao sucesso dos processos realizados nas áreas
rurais, a inclusão nas políticas de uma ampla
participação dos atores regionais e a leitura que
é feita dos processos que são apresentados
nestes espaços.
3. Conceitualização da extensão rural
Com isso, a extensão torna-se um serviço fun-
damental que pode contribuir para o desenvolvi-
mento do setor rural, fornecendo as ferramentas
adequadas para o desenvolvimento de diferentes
aspectos da produção, comercialização e trans-
formação de produtos agrícolas. Entretanto, são
HIWXEGEHSW SW HIWEƼSW UYI E I\XIRWʝS VYVEP
tem em preencher lacunas, melhorando as taxas
de implementação e/ou adoção de tecnologias,
sem ameaçar a biodiversidade e melhorando as
condições de vida da população rural.
11
SEMEANDO CAPACIDADES/ FERRAMENTAS E BOAS PRÁTICAS DE EXTENSÃO PARA A AGRICULTURA FAMILIAR: EXPERIÊNCIAS NO BRASIL E NA COMBIA
3.1. Extensão rural no contexto
de suas origens na América
Latina e na Colômbia
As primeiras histórias sobre extensão rural to-
mam como ponto de partida o pano de fundo da
revolução verde e seu slogan de “acabar com a
fome no mundo”, principalmente no Brasil. com
a implementação de grandes cultivos como
WSNE GEJʣ QMPLS IRXVI SYXVSW %PIQER] 
Mussoii, 2009).
Sob este modelo, é então proposta a necessi-
dade de ter um gerador de conhecimento sobre
os diferentes processos de melhoria da produti-
vidade agrícola e um receptor desta tecnologia
GSQEMRXIRʡʝSHIMQTPIQIRXʛPEEƼQHIQIP-
horar os indicadores individuais e coletivos de
produção de alimentos (Octaviano, 2010).
Sob esta abordagem, na América Latina são
forjados diferentes inícios de processos de ex-
tensão rural, tomando como modelo o sucesso
HSW)WXEHSW9RMHSWUYIGSRWIKYIEYQIRXEVE
TVSHYXMZMHEHIEKVʧGSPERSƼREPHSWʣGYPS<-<I
início do século XX, baseados na transferência
HSW EZERʡSWGMIRXʧƼGSW I XʣGRMGSW EPGERʡEHSW
pelos centros de pesquisa (Alvarán, 2014).
Por outro lado, de acordo com Zamora et al.
(2017), o governo mexicano desenvolveu entre
os anos 60 e 90 um sistema de extensão rural
e de transferência de tecnologia como parte
da abordagem política para aumentar a produ-
XMZMHEHIWIXSVMEP 6IRHʬRIX EP  MHIRXMƼGE
que a extensão no México foi implementada
com o modelo norte-americano dos anos 80, e
o descreve em seu início como uma atividade
focada na solução de problemas agronômicos
IRS EYQIRXSHE TVSHYXMZMHEHI4EVEIWXI ƼQ
se baseou no desenvolvimento de centros de
pesquisa e agências vinculadas ao estado, e
parte das ações foram direcionadas para o for-
necimento de crédito, a compra de colheitas e o
fornecimento de insumos.
Tavira et al (2016) descrevem que o México,
desde 2000, vem implementando processos de
maior integração, como uma proposta alterna-
tiva aos modelos de verticalidade na extensão
rural; nesta linha, destaque é dado a ações como
o Desenvolvimento Participativo de Tecnologia
(DPT), Diagnóstico Rural Participativo (DPR),
Aprendizagem Participativa e Pesquisa-Ação,
entre outras.
2S GEWS HE %VKIRXMREHYVERXI SW ERSW  JSM
GVMEHS S -RWXMXYXS 2EGMSREP HI8IGRSPSKME %KVʧ-
GSPE-28%GSQSSFNIXMZSHIEPEZERGEVSWTVS-
cessos de pesquisa e extensão rural neste país.
Posteriormente, durante os anos 90, o instituto
assumiu uma nova abordagem que incluiu o
ƼRERGMEQIRXS HI TVSGIWWSW HI I\XIRWʝS VYVEP
pelo setor privado, além de incluir métodos par-
XMGMTEXMZSWRSWTVSGIWWSWHII\XIRWʝS%PIQER]
2012).
Para o caso colombiano, de acordo com Otero
e Celis (2016), os serviços de extensão rural
no país começaram entre os anos 50 e 60. A
Colômbia, como o resto da América Latina, fez
seu caminho nos campos da transferência de
tecnologia, com base no modelo norte-ameri-
cano. Por esta razão, foram criadas iniciativas
privadas no país, como o caso dos sindicatos,
entre as quais se destacam os serviços de ex-
XIRWʝSHE*IHIVEʡʝS2EGMSREPHI'EJIMGYPXSVIW
iniciativas como o Centro de Pesquisa Agrícola
Tropical (CIAT), as ações do Instituto Colom-
biano de Agricultura (ICA) e o Serviço Técnico
Agrícola Colombiano-Americano, entre outras.
2SWERSWSKSZIVRSREGMSREPTVIWXSYEWWMW-
XʤRGME XʣGRMGE WSF E QSHEPMHEHI HI 9RMHEHIW
1YRMGMTEMW HI %WWMWXʤRGME 8ʣGRMGE 91%8%7
às administrações municipais, com o objetivo de
proporcionar maior cobertura de atendimento
junto a outras instituições presentes nos territó-
VMSWGSQSE'EM\E%KVEVMEIS7IVZMʡS2EGMSREP
HI %TVIRHM^EKIQ 7)2% 4IVV]  4IVIE
2009).
12
SEMEANDO CAPACIDADES/ FERRAMENTAS E BOAS PRÁTICAS DE EXTENSÃO PARA A AGRICULTURA FAMILIAR: EXPERNCIAS NO BRASIL E NA COLÔMBIA
Em meados do século XX, na Colômbia, como
em vários países da América do Sul e Central,
são vistas as iniciativas de extensão que buscam
a sustentabilidade da agricultura camponesa e a
valorização dos conhecimentos ancestrais, bem
como sua capacidade de gerar inovação social
em toda a área rural, dentro de processos de
autogestão no estabelecimento de agroecossis-
temas. Estes processos são estabelecidos em
paralelo com os serviços públicos de extensão
rural que foram implementados nos diferentes
países e como uma proposta para disseminar o
conhecimento das comunidades camponesas e
dos diferentes grupos étnicos na América Latina.
Sob esta perspectiva, algumas organizações
sociais estabelecem seus processos de pro-
dução agrícola e pecuária por meio de diversas
expressões de agroecologia, visando aumentar
a produção de alimentos, com maior qualidade
e com um forte senso de conservação do meio
ambiente e da biodiversidade.
A extensão nestes grupos de produtores e pro-
dutoras não se estabelece como um serviço
externo, mas como um processo de redes de
conhecimento dentro de cada organização, que
busca dentro da expertise de cada um de seus
membros a informação para superar problemas,
e até mesmo na experimentação coletiva de no-
ZEWEʡʮIWGSRXVESWHIWEƼSWHITVSHYʡʝS
SEMEANDO CAPACIDADES/ COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
13
4. Estrutura para a extensão rural na
Colômbia e no Brasil
4.1. Breve descrição dos antecedentes do Sistema Nacional de
Inovação Agrícola
Tabela 1. Diferentes etapas da extensão agropecuária na Colômbia
4.1.1. Lei 1876 de 2017 - Sistema
Nacional de Inovação Agrícola
(SNIA)
Através da Lei 1876 de 2017, novas funções,
competências, mecanismos de articulação das
entidades e órgãos de coordenação da esfera
nacional e territorial que integram o Sistema
2EGMSREPHI-RSZEʡʝS%KVʧGSPE72-%WʝSIWXE-
belecidas e o serviço público de extensão rural
é criado, juntamente com as regras para sua
prestação.
*SM HIƼRMHE TEVE E MQTPIQIRXEʡʝS HS 7-2%
uma estrutura de sistema composta dos seguin-
tes elementos que se articulam entre si:
Subsistemas diferenciados em: Subsistema
2EGMSREP HI 4IWUYMWE I (IWIRZSPZMQIRXS
8IGRSPʬKMGS %KVSTIGYʛVMS 7YFWMWXIQE 2E-
GMSREPHI)\XIRWʝSVYVEP7YFWMWXIQE2EGMS-
nal de Formação e Capacitação para Ino-
vação Agrícola.
Espaços de Articulação e Coordenação:
'SRWIPLS 7YTIVMSV HS 72-% I SW GSQMXʤW
técnicos dos subsistemas; Mesas de Ciên-
cia, Tecnologia e Inovação Agrícola criadas
pelas Comissões Regionais de Competitivi-
dade; Conselhos Departamentais de Ciência,
Tecnologia e Inovação (CODECTI); Conselho
Consultivo de Ciência, Tecnologia e Ino-
vação; Conselhos Setoriais de Desenvolvi-
mento Agropecuário, Pesca, Silvicultura, Co-
QʣVGMSI(IWIRZSPZMQIRXS6YVEP'327)%
Conselhos Municipais de Desenvolvimento
Rural (CMDR); Redes de Inovação; Sistemas
Territoriais de Inovação Agropecuária.
Instrumentos de planejamento: Planos De-
partamentais de Extensão rural (PDEA),
Plano Estratégico de Ciência, Tecnologia e
Inovação Agrícola (PECTIA).
Plataformas de participação e gestão.
1IGERMWQSW HI MQTPIQIRXEʡʝS ƼRERGME-
mento, monitoramento e avaliação.
Estos elementos en su conjunto soportan el
JYRGMSREQMIRXSHIPWMWXIQE]PETVIWXEGMʬRHIP
servicio de extensión agropecuaria.
Serviço Técnico Agrícola
Colombiano-Americano
(STACA), serviço de extensão
HE*IHIVEʡʝS2EGMSREP
de Cafeeiros junto com
o Instituto Colombiano
Agropecuário (ICA).
7MWXIQE2EGMSREPHI
Transferência de Tecnologia
%KVʧGSPE7-28%49RMHEHIW
Municipais de Assistência
8ʣGRMGE91%8%E
Corporação de Pesquisa
Agrícola (CORPOICA).
Programa Agro Ingreso
Seguro (AIS), Programa de
Desenvolvimento Rural com
Equidade (DRE), criação
das entidades prestadoras
de serviços de assistência
técnica agrícola (EPSAGROS).
Lei 1876 de 2017 “Por meio
HEUYEPS7MWXIQE2EGMSREP
de Inovação Agrícola é criado
e outras disposições são
promulgadas”..
Anos 50 Anos 80 y 90 Anos 2000 Anos 2017
Fonte: Elaboração própria baseada em informações de Ardila, 2010.
14
SEMEANDO CAPACIDADES/ FERRAMENTAS E BOAS PRÁTICAS DE EXTENSÃO PARA A AGRICULTURA FAMILIAR: EXPERNCIAS NO BRASIL E NA COLÔMBIA
Estes elementos juntos apoiam o funciona-
mento do sistema e a prestação do serviço de
extensão rural.
O serviço de extensão rural é um bem e serviço
público, permanente e descentralizado, que é
prestado às pessoas envolvidas na produção
agrícola através de um apoio abrangente, ba-
seado em ações destinadas a diagnosticar, re-
comendar, atualizar, treinar, transferir, assistir,
GETEGMXEVIKIVEVGSQTIXʤRGMEW3SFNIXMZSƼREP
do serviço é incorporar práticas, produtos tec-
nológicos, tecnologias, conhecimentos e com-
TSVXEQIRXSWTEVEFIRIƼGMEVSHIWIQTIRLSHI
WIYWWMWXIQEWHITVSHYʡʝSVIƽIXMHSWIQQIP-
horias na sustentabilidade dos sistemas e no
fortalecimento da segurança alimentar.
2E IWXVYXYVE HS 72-% E GSQTIXʤRGME TEVE E
prestação do serviço de extensão rural é dos
municípios e distritos, que devem harmonizar
seus objetivos com outros municípios e o depar-
XEQIRXSEƼQHIGSRWSPMHEVSFNIXMZSWIEʡʮIW
comuns no instrumento do Plano Departamental
de Extensão Agrícola (PDEA). Este serviço deve
ser administrado pelos Prestadores de Serviços
de Extensão Agrícola (EPSEA) autorizados, que
podem ser entidades ou organizações de vários
tipos.
Agora, como mencionado anteriormente,
a Colômbia passou da assistência técnica
para a extensão rural, de modo que a aborda-
gem de extensão rural tem guiado as ações
nesta área. Assim, a Lei 1876 de 2017, esta-
belece que a prestação do serviço se baseia
nos seguintes aspectos, que devem ser des-
envolvidos com base no diagnóstico prévio
dos usuários:
O desenvolvimento do capital humano, en-
tendido como a geração ou melhoria das
capacidades, habilidades e talentos dos
produtores agrícolas para executar adequa-
damente as atribuições e tarefas que sua
atividade produtiva exige.
O desenvolvimento do capital social que
permite a organização daqueles que se de-
dicam à produção agrícola para administrar,
GSPIXMZEI IƼGMIRXIQIRXI WIYW JEXSVIWTVS-
dutivos e resultados em termos de alimen-
tos e matérias primas de seus sistemas de
produção. Da mesma forma, a promoção
da associatividade do primeiro ou segundo
nível e a formação de redes de produtores,
produtoras, mulheres e jovens rurais.
3 EGSQTERLEQIRXS IƼGE^ HSW TVSHYXSVIW
no acesso aos instrumentos de apoio, para
a adoção ou adaptação de tecnologias e pro-
dutos tecnológicos, a apropriação social do
conhecimento e a inovação colaborativa.
Gestão sustentável dos recursos naturais
UYITVSQSZISYWSIƼGMIRXIHSWSPSʛKYE
biodiversidade, etc., assim como a mitigação
e adaptação às mudanças climáticas.
Desenvolvimento de habilidades para a par-
ticipação dos envolvidos na produção agrí-
cola nos espaços para o feedback às políti-
cas públicas setoriais, além da capacitação
para autogerenciar as soluções para suas
necessidades.
Assim, estes aspectos dão o caráter de um ser-
viço completo de extensão rural, o que deve ser
evidenciado na atenção aos usuários no territó-
rio nacional.
Até hoje, o Ministério da Agricultura e do Des-
envolvimento Rural (MADR), juntamente com
suas entidades anexas e vinculadas, desenvol-
vem instrumentos normativos de natureza re-
gulatória para o funcionamento do sistema e a
prestação deste importante serviço às pessoas
envolvidas na produção agrícola, tais como a
Resolução 407 de 2018 “Por meio da qual os
EWWYRXSWXʣGRMGSWHS7MWXIQE2EGMSREPHI-RS-
ZEʡʝS%KVʧGSPE72-%WʝSVIKYPEQIRXEHSWƉHS
MADR e a Resolução 0422 de 2019 “Por meio
da qual o artigo 33 da Lei 1876 de 2017 é regu-
lamentado, e demais disposições são emitidas”
(permitindo EPSEAS).
SEMEANDO CAPACIDADES/ COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
15
4.2. Assistência Técnica e
Extensão Rural (ATER) no Brasil
2S&VEWMPE%WWMWXʤRGME8ʣGRMGEI)\XIRWʝS6Y-
ral (ATER), é fundamental para os processos de
comunicação de novas tecnologias, para gerar
processos de pesquisa e vários conhecimentos
essenciais para o desenvolvimento rural em sen-
tido amplo, bem como para o desenvolvimento
HIEXMZMHEHIWEKVʧGSPEWƽSVIWXEMWITIWUYIMVEW
As atividades de assistência técnica e extensão
rural são atualmente coordenadas nacional-
mente pelo Ministério da Agricultura, Pecuária
e Abastecimento (MAPA), e dentro deste minis-
tério, a Secretaria de Agricultura Familiar (SAF)
foi encarregada da coordenação e desenvolvi-
mento de políticas e diretrizes para assistência
técnica e extensão rural.
Anos 50 e 60: Criação dos Institutos Agrí-
colas Imperiais, que tinham principalmente
tarefas de pesquisa e ensino agrícola, mas
também divulgavam informações; a organi-
zação de crédito e assistência rural (ACAR),
coordenada pela Associação Brasileira de
Crédito e Assistência Rural (ABCAR), Serviço
Social Rural (SSR), que faziam parte do Sis-
tema Brasileiro de Extensão Rural (SIBER).
1970s: criação do Sistema Brasileiro de As-
sistência Técnica e Extensão Rural (SIBRA-
TER); o novo sistema incorporou o termo
%WWMWXʤRGME8ʣGRMGE2EWGIE)QTVIWE&VEWM-
leira de Assistência Técnica e Extensão Rural
(EMBRATER).
 % )1&6%8)6 JSM HIƼRMXMZEQIRXI I\-
tinta e foi criada a Associação Brasileira das
Entidades Estaduais de Assistência Técnica
e Extensão Rural; com a Lei 8.171, de 17 de
janeiro de 1991, foi estabelecida a política
agrícola. Em 1996, foi lançado o Programa
2EGMSREP TEVE S *SVXEPIGMQIRXSHE %KVMGYP-
XYVE*EQMPMEV4632%*
Anos 2000: em 2014, foi criada a Agência
2EGMSREPHI%WWMWXʤRGME8ʣGRMGEI)\XIRWʝS
6YVEP%2%8)6
Criação de institutos agrícolas
imperiais, pesquisando,
ensinando e divulgando
informações agrícolas.
Associação de Crédito e
Assistência Rural (ACAR),
coordenação: Associação
Brasileira de Crédito e
Assistência Rural (ABCAR),
Serviço Social Rural (SSR),
integrado pelo Sistema
Brasileiro de Extensão Rural
(SIBER).
Nasce a ASBRAER, a política
agrícola é estabelecida. Em
1996, Programa Nacional
para o Fortalecimento da
Agricultura Familiar (PRONAF).
Nasce o Sistema Brasileiro
de Assistência Técnica e
Extensão Rural (SIBRATER),
incorporando o termo
Assistência Técnica. Nasce
a Empresa Brasileira de As-
sistência Técnica e Extensão
Rural (EMBRATER).
Em 2014, foi criada a Agência
Nacional de Assistência
Técnica e Extensão Rural
(ANATER).
Anos 50 y 60
Anos 70
Anos 90
Anos 2000
SEMEANDO CAPACIDADES/ COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
16
5.1. Abordagens para a
extensão rural na América
Latina
(YEW XIRHʤRGMEW TSHIQ WIV MHIRXMƼGEHEW HIR-
tro dos serviços de extensão rural na América
Latina, as quais são determinadas pela forma
como os serviços abordam o processo de ar-
ticulação com os produtores em ações de ex-
tensão rural, e que geralmente são chamadas
de abordagens. As duas tendências em termos
de abordagens são: difusionismo e construcio-
RMWQS0ERHMRM(ʧE^1EVMRLS]*VI-
itas, 2015).
O difusionismo é determinado pelas ações do
serviço de extensão que dissemina o conheci-
mento a partir de uma única fonte de inovação,
também chamada de processo vertical, pois a
gestão do conhecimento é unidirecional com
um ponto de partida e outro ponto de chegada,
IZSGʤXIQYQEJSRXIIYQHIWXMRSƼREP2IWXE
abordagem não há diálogo de conceitos, pois
estes são previamente estruturados a partir da
JSRXI)WXE EFSVHEKIQJSM MHIRXMƼGEHEGSQ SW
serviços implementados na maioria dos países
latino-americanos nos anos 50 e sua origem re-
monta ao modelo de extensão norte-americano
(FAO, 2004).
Por outro lado, há o construcionismo, onde o
serviço de extensão busca não só transmitir ou
fazer circular as informações geradas a partir
dos processos de inovação, mas também pro-
cura gerar diálogo entre aqueles que participam
dos grupos de trabalho, criando a validação do
conhecimento dado no território, já que estes
respondem à solução dos problemas ali apr-
5. Abordagens para a
extensão rural
sentados; esta abordagem também é chamada
de processo horizontal. O processo horizontal
é compreensível porque a gestão do conheci-
mento é feita a partir de vários pontos, uma vez
que cada ator nos grupos de trabalho tem a pos-
sibilidade de gerar, expor e validar suas ideias
(Redon et al, 2015).
Sob a abordagem construcionista estão as
metodologias como a de camponês-para-cam-
ponês, experimentação camponesa, ou de
camponês-para-experimentador, validação na
fazenda, comitê local de pesquisa agrícola e es-
colas rural. Estas metodologias são unidas por
serem altamente participativas, promovendo o
diálogo entre os atores do território com ações
de como aprender fazendo e sua visão colabo-
rativa, entendendo quem produz não apenas
como alguém que usa tecnologia, mas como al-
guém capaz de gerar inovação e transformação
do conhecimento, integrando-se com os exten-
sionistas.
As abordagens do conceito construcionista fo-
ram conceitualizadas e implementadas desde
os anos 70, com início na América Central, sob
o desenvolvimento de políticas inclusivas para
o campesinato, população indígena e ênfase no
desenvolvimento de maior sustentabilidade na
agricultura e proteção ambiental (Paz, 2005).
2IWXIGIRʛVMSSGSRLIGMQIRXSEGYQYPEHSTIPSW
produtores ao longo de sua atividade agrícola,
sua capacidade de inovar, replicar e transmitir
é validado. Assim, a validação das inovações
é consolidada nos agroecossistemas estabe-
lecidos, transformando-os em um espaço de
discussão e apropriação de conhecimento por
parte de seus pares.
17
SEMEANDO CAPACIDADES/ FERRAMENTAS E BOAS PRÁTICAS DE EXTENSÃO PARA A AGRICULTURA FAMILIAR: EXPERIÊNCIAS NO BRASIL E NA COMBIA
5.2. Metodologias para
o desenvolvimento de
capacidades na agricultura
familiar
Este documento visa abordar algumas das
principais metodologias de extensão rural
(EA) que são relatadas como relacionadas
às características e condições da agricultura
JEQMPMEV%*TEVEIWXIƼQJSVEQGSRWYPXEHSW
atores que desenvolvem atividades com este
XMTS HI EKVMGYPXYVE MHIRXMƼGERHS EPKYQEW
características desejáveis na abordagem
da EA que levam ao desenvolvimento e
JSVXEPIGMQIRXS HE %* 9QE HEW GEVEGXIVʧWXMGEW
VIPIZERXIW MHIRXMƼGEHEWGSQSRIGIWWʛVMEW REW
metodologias é o foco de suas ações, que deve
estar relacionado a conceitos como territorial e
gestão do conhecimento.
9QEEFSVHEKIQSVMIRXEHETEVEETVSQSʡʝSHE
gestão territorial e do conhecimento permitirá a
promoção da inovação territorial, preservando o
conhecimento ancestral, promovendo práticas
que levem à sustentabilidade da atividade
agrícola, à segurança alimentar e à melhoria da
vida dos atores do território. A abordagem que
XIQQEMSV EƼRMHEHI GSQ IWXEWGEVEGXIVʧWXMGEW
é a construtiva, que prevê dentro de seus
princípios a participação, o diálogo e a inclusão
de práticas de produção de alimentos ligadas à
sustentabilidade dos agroecossistemas.
Há várias metodologias que adotam a abordagem
construcionista nas ações desenvolvidas pelos
facilitadores nos serviços da EA voltados para
a agricultura familiar. Estas metodologias
promovem uma melhor comunicação entre
eles e os responsáveis pela produção agrícola,
buscando o intercâmbio de conhecimentos
nos aspectos técnicos e organizacionais
HEW GSQYRMHEHIW E ƼQ HI EYQIRXEV EW
capacidades dos atores no território e alcançar
QEMSVIƼGMʤRGMERSWEKVSIGSWWMWXIQEWEGIWWS
5.2.1. Camponês a Camponês
(CaC)
Camponês a Camponês é uma metodologia
altamente participativa que se concentra na
promoção e melhoria dos sistemas agroalimen-
tares, com a participação e capacitação dos
produtores que desempenham um papel de li-
derança no desenvolvimento sustentável, com o
YWSIƼGMIRXIHI WIYWVIGYVWSWXIVVMXSVMEMW/SP-
mans, 2006).
Através da troca de experiências, na metodo-
logia Camponês a Camponês (CaC), os produ-
tores de uma região ou localidade realizam um
intercâmbio produtivo e cultural que favorece a
XVERWJSVQEʡʝSI QSHMƼGEʡʝS EXVEZʣW HE GSQ-
binação de seus próprios conhecimentos, a
geração e incorporação de novas tecnologias, o
que leva ao desenvolvimento da agricultura local
e a conservação do meio ambiente, atendendo
ás suas próprias demandas e possibilidades (Al-
XMIVMI2MGLSPPW
A metodologia foi inicialmente amplamente di-
fundida na América Central e no Caribe, e Mé-
xico, Cuba e Guatemala foram os países que
inicialmente deram à metodologia um amplo al-
cance nas comunidades étnicas e camponesas,
onde o diálogo do conhecimento remonta aos
tempos ancestrais (Giménez, 2006).
Camponês a Camponês é uma metodologia en-
quadrada e adaptada às condições da agricul-
tura familiar que se desenvolve em ambientes
desfavoráveis, isolados e sem acesso a mer-
cados para comprar bens e insumos agrícolas,
bem como para vender os produtos que não são
consumidos em suas casas. Entre suas caracte-
rísticas básicas estão a participação, o fortale-
cimento do campesinato, a comunicação entre
pares e o diálogo de conhecimentos, bem como
aos mercados e uso sustentável dos recursos
naturais (Ortiz et al, 2011).
18
SEMEANDO CAPACIDADES/ FERRAMENTAS E BOAS PRÁTICAS DE EXTENSÃO PARA A AGRICULTURA FAMILIAR: EXPERNCIAS NO BRASIL E NA COLÔMBIA
ESVMIRXEʡʝSTEVEEMHIRXMƼGEʡʝSHIRIGIWWMHE-
des e problemas sob o amplo conhecimento que
seus atores têm do território e seu desenvolvi-
QIRXS/SPQERW
)WXEQIXSHSPSKMEMQTPIQIRXSYEƼKYVEHSWTVS-
motores rurais, que energizam os processos de
recuperação de soluções antigas ou a gestão
da inovação dentro da comunidade para abor-
HEVEWSPYʡʝSHITVSFPIQEW%ƼKYVEʣVIPIZERXI
dentro deste processo, pois os promotores pro-
movem o diálogo permanente com seus pares
através do uso das parcelas como espaço de
aprendizado (Rosset e Martinez, 2013). As pes-
WSEWWSFIWXEƼKYVETSHIQSYRʝSTIVXIRGIVʚ
comunidade, podem ser agricultores altamente
experientes com habilidades de comunicação,
EWWMQGSQSTVSƼWWMSREMWHEVIKMʝSSYTIWWSEW
treinadas na metodologia. Entre as ações está
a promoção da introdução de inovações em
pequena escala como forma de aprendizagem
progressiva, para conseguir a integração de prá-
ticas novas ou melhoradas à forma produtiva, a
serem multiplicadas individual e coletivamente.
Como descrição geral da metodologia e levando
IQGSRXESUYIʣHIWGVMXSTSV/SPQERW
apresentamos as ações a serem levadas em
conta na implementação:
trabalhar com a própria capacidade e
recursos locais;
o simples primeiro e o complexo depois;
avançar passo a passo, de uma forma
gradual;
experimentando, em pequena escala, o que
é conhecido e o que é aprendido;
resgatar e valorizar o conhecimento e a
cultura local, concentrar-se na pessoa e
não na técnica;
é administrado pela população local;
reconhece a necessidade de uma ação
EƼVQEXMZETEVEMRGSVTSVEVEWQYPLIVIWRE
participação e na tomada de decisões em
todos os assuntos;
reconhece a desigualdade de gênero e
age em favor de relações equitativas entre
homens e mulheres;
80 por cento de prática, 20 por cento de
teoria;
horizontalidade no pessoal técnico, eles são
simples, amigáveis e com um tratamento
horizontal em relação ao campesinato;
pessoas técnicas facilitam e dão apoio
organizacional;
YXMPM^ERHS TVIQMWWEW GSQS EʡʝSVIƽI\ʝS
ação e aprendizagem pela prática;
não depende, nem se baseia em linguagem
escrita;
ensinados pelo exemplo;
usa o idioma local e o idioma em geral,
procura usar expressões familiares às
pessoas locais;
prática de uma forma compreensível e
harmoniosa;
procura ser um processo de apropriação
gradual e não é escolástico ou teórico;
se baseia e fortalece os laços de
solidariedade. Como pode ser observado, a
metodologia estabelece ações para a inter-
relação entre facilitadores, produtores e o
território.
Como descrição geral da metodologia e levando
IQGSRXESUYIʣHIWGVMXSTSV/SPQERW
apresentamos as ações a serem levadas em
conta na implementação:
Metodología Campesino a campesino
para la promoción de la agricultura
sostenible. (disponível em: http://
idmaperu.org/web/wp-content/
uploads/2014/04/campesino.pdf )
Vídeos da metodologia Camponês
da Escola Camponesa Multimídia.
(disponível em:https://agroecologia.
espora.org/2015/09/16/1-video-
curso-de-metodologia-campesino-a-
campesino/ )
Para se aprofundar sobre esta metodologia consulte:
19
SEMEANDO CAPACIDADES/ FERRAMENTAS E BOAS PRÁTICAS DE EXTENSÃO PARA A AGRICULTURA FAMILIAR: EXPERIÊNCIAS NO BRASIL E NA COMBIA
5.2.2. Escolas de Campo para
Agricultores (ECA)
As Escolas de Campo para Agricultores (ECA)
são uma metodologia participativa que traz as
aulas de intercâmbio de conhecimento para as
parcelas de terra dos agricultores. Originária do
sul da Ásia, é amplamente utilizada e, sob a tu-
tela da FAO, espalhou-se por outros continentes
como alternativa para o desenvolvimento do
próprio conhecimento dos camponeses e para a
incorporação ou geração de novas tecnologias.
As ECAs promovem e facilitam o diálogo entre
pares e o respeito pelo conhecimento que as co-
munidades geram em torno de sua experiência
na gestão de agroecossistemas e de seu terri-
tório; esses espaços incentivam a agricultura a
avançar em direção a formas sustentáveis de
produção, favorecendo a segurança alimentar e
o cuidado com o meio ambiente.
As ECAs são formadas por grupos de pessoas
dedicadas à produção que estabelecem seus
SFNIXMZSW ETSMEHSW TIPE ƼKYVE HS JEGMPMXEHSV
cujo papel fundamental é a orientação e gestão
operacional das sessões que são acordadas
TEVEWIVIQI\IGYXEHEWGSQSKVYTS)WXEƼKYVE
nasce como uma alternativa aos instrutores do
modelo de extensão difusionista, e sua tarefa é
facilitar as ferramentas, espaços e recursos me-
5.2.3. Pesquisa - Ação
Participativa (PAP)
Esta metodologia entende o ambiente do terri-
tório no qual é desenvolvida como parte funda-
mental da execução das ações, que buscam a
solução dos problemas levantados através da
interação permanente com os atores daquele
território.
Trata-se de uma metodologia altamente par-
XMGMTEXMZE UYEPMXEXMZE VIƽI\MZE I GʧGPMGE -WXS
WMKRMƼGEUYI EWTIWWSEW IRZSPZMHEWXVEFEPLEQ
juntas para elaborar propostas ou soluções para
os problemas abordados desde as fases de
planejamento até a implementação das ações,
seguindo as fases de planejamento, ação e ava-
liação da ação (Colmenares, 2012). É aplicado
não somente na produção, mas também nos
processos de organização e comercialização,
como forma de gerar capacidades na população
com a qual trabalha, pois envolve, durante todo
o processo, os atores da região (instituições,
FAO. 2017. Emprendimientos de
agricultura familiar para la
paz: Metodologías para la innovación
social y tecnológica para el desarrollo
rural. (disponível em: http://www.fao.
org/3/a-i7493s.pdf)
FAO. 2017. Guía para el establecimiento
de las Escuelas de Campo. (disponível
em: http://www.fao.org/publications/
card/en/c/c5328948-38a0-4bd0-bbb9-
11fcbbdf111b)
Para se aprofundar sobre esta metodologia consulte:
todológicos para alcançar os objetivos propos-
tos, assim como a geração de capacidades no
grupo de produção.
Para sua implementação, são criados cronogra-
mas de atividades em conjunto com a comu-
nidade membro, contendo os temas a serem
abordados, derivados do diagnóstico produtivo e
organizacional executado pela organização que
implementa a metodologia em conjunto com os
grupos focais dos territórios.
Rocha Torres, César Augusto. La
investigación acción participativa:
una apuesta por la comunicación y la
transformación social. Corporación
Universitaria Minuto de Dios,
2016. (disponível em https://
repository.uniminuto.edu/bitstream/
handle/10656/5461/IAP_FINAL%20
WEB.pdf?sequence=1&isAllowed=y
Para se aprofundar sobre esta metodologia consulte:
20
SEMEANDO CAPACIDADES/ FERRAMENTAS E BOAS PRÁTICAS DE EXTENSÃO PARA A AGRICULTURA FAMILIAR: EXPERNCIAS NO BRASIL E NA COLÔMBIA
5.2.4. Inovação Rural
Participativa (IRP)
A metodologia estrutura-se como extensão rural
e foi concebida pela Corporação para o Desen-
volvimento Participativo e Sustentável dos Pe-
quenos Produtores (PBA), o qual, com base nos
princípios da Pesquisa Rural Participativa (PRP)
desenvolveu uma estratégia para gerar capaci-
dades nas pessoas envolvidas na produção da
agricultura familiar.
Entre os princípios desta metodologia está a va-
lorização do conhecimento de todos os atores
e especialmente da comunidade como principal
ator e líder de seu progresso, contribuindo para
os processos de inovação. Por outro lado, é vi-
tal respeitar todas as pessoas e cuidar do meio
ambiente, contribuindo assim para o desenvolvi-
QIRXSTEGʧƼGSGMZMPM^EHSLEVQSRMSWSIWYWXIR-
tável do território (Pérez e Clavijo, 2012).
A inovação rural participativa busca o cresci-
mento e o fortalecimento das comunidades ru-
rais através da articulação de atores no território,
de tal forma que eles criem sinergias que levem
ao bem-estar local. Para isso, as etapas de pla-
nejamento são realizadas avaliando as causas
que originam os problemas, as alternativas de
solução, estabelecendo as responsabilidades de
cada ator territorial e os mecanismos de acom-
panhamento, com o objetivo de acompanhar os
TVSGIWWSW EZEPMERHS WYE IƼGʛGME I WI RIGIW-
sário, estabelecendo mudanças na estratégia de
trabalho.
De acordo com Pérez e Clavijo (2012), a metodo-
logia estabelece, para a aplicação das rotas de
inovação, os instrumentos chamados: Melhoria
Tecnológica Participativa, Desenvolvimento Or-
ganizacional para Inovação, Empoderamento de
Pequenos Produtores Rurais, Empreendedorismo
Rural Participativo e a ligação de médio/longo
prazo com cadeias de valor produtivas ou dinâmi-
cas, ou com a dinâmica econômica local/regio-
nal. A metodologia estrutura-se como extensão
rural e foi concebida pela Corporação para o Des-
envolvimento Participativo e Sustentável dos Pe-
quenos Produtores (PBA), o qual, com base nos
princípios da Pesquisa Rural Participativa (PRI),
desenvolveu uma estratégia para gerar capaci-
dades nas pessoas envolvidas na produção da
agricultura familiar.
FAO 2012. Experiencias y enfoques de
procesos participativos de innovación en
agricultura: El caso de la corporación PBA
en Colombia. (disponível em: http://www.
fao.org/3/a-i3136s.pdf )
Corporación PBA. Caja de herramientas
para la Innovación Rural Participativa.
(disponível em: http://www.
corporacionpba.org/irp/herramientas/
index.htm)
Para se aprofundar sobre esta metodologia consulte:
5.2.5. Capacitação para a
Participação Camponesa
(CAPACA)
Esta metodologia foi desenvolvida pelo Serviço
2EGMSREP HI %TVIRHM^EKIQ 7)2% TEVE E I\I-
cução de ações de capacitação com as comuni-
dades rurais e seu principal objetivo é melhorar
Sirvetn, M. y Rigal, L. 2012. Páramos
Andinos, Investigación Acción
Participativa, Un desafío de nuestros
tiempos Para la construcción de una
sociedad democrática. (disponível
em: https://biblio.flacsoandes.edu.ec/
catalog/resGet.php?resId=56482)
Para se aprofundar sobre esta metodologia consulte:
produtores, produtoras, extensionistas) com os
quais os processos são gerados e validados.
Os atores locais desempenham um papel ativo,
desde a compreensão dos resultados até a ca-
pacidade de transformá-los.
21
SEMEANDO CAPACIDADES/ FERRAMENTAS E BOAS PRÁTICAS DE EXTENSÃO PARA A AGRICULTURA FAMILIAR: EXPERIÊNCIAS NO BRASIL E NA COMBIA
as condições de vida destas comunidades. Seus
princípios incluem a participação das comunida-
des na geração de seu próprio desenvolvimento.
4EVEMWWSTVSTʮIYQEVSXETEVEEMHIRXMƼGEʡʝS
dos problemas, das potencialidades do território
e dos atores que podem dar apoio com suas ca-
pacidades para a solução dos problemas identi-
ƼGEHSW
Os problemas são tratados com as comunidades
EƼQHIJSVQYPEVNYRXEQIRXIGSQSWEXSVIWHS
XIVVMXʬVMSSWTVSNIXSWUYIWIVIƽIXIQIQYQHS-
cumento chamado Plano de Desenvolvimento,
sendo este o fruto de todo o processo que busca
gerar capacidades nas comunidades e que se
torna o guia para o desenvolvimento das ativida-
des comunitárias e orientação para as individuais.
Os projetos são estruturados pelas comunidades
levando em conta suas capacidades, potencial
e prioridades estabelecidas pelos grupos de tra-
balho formados para cada tópico.
SENA. 1984. Capacitación para la
participación campesina, CAPACA.
(disponible en: https://repositorio.
sena.edu.co/bitstream/11404/3621/1/
capaca_metodologia_parte_01.pdf )
SENA. 1986. Qué es CAPACA, formación
para la participación campesina.
(disponible en:https://repositorio.sena.
edu.co/bitstream/11404/4127/1/no_01_
que_es_capaca.pdf )
Para se aprofundar sobre esta metodologia consulte:
SEMEANDO CAPACIDADES/ COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
22
M
ediante a convocação do Ministério da
Agricultura, Pecuária e Abastecimento
HS&VEWMPJSVEQMHIRXMƼGEHEWI\TIVMʤR-
cias bem sucedidas de serviços de extensão
rural prestados por empresas de assistência
XʣGRMGEII\XIRWʝSVYVEP)1%8)62IWWEWI\-
6. Metodologias participativas para a
extensão agropecuária no Brasil
periências de sucesso, duas metodologias fo-
VEQMHIRXMƼGEHEWGSQSEWQEMWYXMPM^EHEWTIPSW
serviços de extensão: Metodologia Participativa
no meio Rural e Metodologia de Extensão Rural
para o Desenvolvimento Sustentável (MEXPAR).
Tabla 2. Relacionamento das experiencias consultadas de ATER no Brasil
Estado de Alagoas
Estado de Maranhão
Estado de Rondônia
Estado de Sergipe
Estado de Amazonas
Estado de Espírito Santo
Estado de Goiás
Estado de Pará
Estado de Piauí
Estado de Paraná
Estado de Río Grande do Sul
Estado de Santa Catarina
Metodologia MEXPAR
Metodologia participativa
na zona rural
Metodologia participativa
2ʝSMHIRXMƼGEHE
2ʝSMHIRXMƼGEHE
2ʝSMHIRXMƼGEHE
Metodologia participativa
2ʝSMHIRXMƼGEHE
2ʝSMHIRXMƼGEHE
Metodologia participativa
2ʝSMHIRXMƼGEHE
3
3
2
2
1
1
2
6
2
2
2
2
Agricultura familiar e aves
granjeiras
Geração de renda
Renovação café, cacau
Aumento de renda y
proteção ambiental
Incremento produtivo
Produção Agroecológica
Pastagens e aplicativos
móveis
Incremento produtivo
cultivos
Incremento produtivo
Mulheres e incremento
produtivo
Incremento produtivo y
comercialização
Capacitação de jovens e
incremento produtivo
EMATER Consultada Metodologia Usada Número de Experiencias
Reportadas
Experiencia presentada
SEMEANDO CAPACIDADES/ COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
23
6.1. Metodologia Participativa
no meio Rural
1
Esta metodologia é orientada pelo conceito de
desenvolvimento sustentável, como uma alter-
nativa às formas de produção, cujo princípio visa
obter alta produtividade sem considerar o alto
consumo dos recursos naturais. Ela se baseia
nos conceitos que buscam o desenvolvimento
territorial, a dinâmica econômica e a melhoria da
qualidade de vida das comunidades instaladas
nos territórios com vocação para a produção de
alimentos e bens ambientais.
9QGSQTSRIRXIMQTSVXERXIHIWXEQIXSHSPSKME
é a participação, entendida como a integração da
comunidade em todas as atividades, como pla-
nejamento, execução e monitoramento dos dife-
VIRXIWTVSNIXSW%TEVXMGMTEʡʝSʣHIƼRMHEGSQS
a participação em um processo, tornando possí-
vel a participação ativa dos indivíduos em todas
EWEʡʮIWIHIGMWʮIWUYIMRƽYIRGMEQWYEWZMHEW
envolvendo assim as comunidades em todas as
atividades. Desta forma, envolve o extensionista
como um ator que propicia, através do uso de
ferramentas de extensão rural, características
pedagógicas, lúdicas e dialéticas e o consenso
de ideias. Seis etapas compõem a metodologia
e representam os requisitos para atingir os obje-
tivos: sensibilização e mobilização; diagnóstico
participativo; planejamento participativo, imple-
QIRXEʡʝSHIEXMZMHEHIWITVSNIXSWIWTIGʧƼGSW
avaliação; monitoramento e reavaliação.
O extensionista tem a abordagem de facilitador
dos processos que são direcionados para o des-
envolvimento sustentável, para isso ele propõe
algumas características relativas às competên-
cias que deve possuir e com as quais pode garan-
XMVSXVEFEPLSIƼGMIRXIREKIVEʡʝSHIQYHERʡEW
nas atitudes e comportamentos dos atores de
um determinado território. As competências
que os facilitadores possuem são determinadas
pela soma de seus conhecimentos, habilidades
e atitudes, que visam apoiar os envolvidos na
EKVMGYPXYVEEVIGSRLIGIVEREPMWEVIHIƼRMVEʡʮIW
para o desenvolvimento de soluções sustentá-
veis que favoreçam as mudanças no território.
1
Esta análise se baseia na publicação: Kummer, L. 2007. Metodología participativa no meio rural: uma visão interdisciplinar. Conceitos, ferramentas e vivências.
Salvador. GTZ, 89-90. (disponível eM: https://ceca.ufal.br/professor/jhqc/Metodologia%20participativa%20no%20meio%20rural%20(GtZ).pdf ).
2
A análise se baseia na publicação: Ruas, E. D.; Brandao, I. D. M.; Carvalho, M. A. T.; Soares, M. H. P.; Matias, R. F.; Gavar, R. C. y Mesones, W. G. L. P. 2006. Metodologia
participativa de extensão rural para o desenvolvimento sustentável–MEXPAR. Belo Horizonte, 134. (disponível em: https://www.feis.unesp.br/Home/departamentos/
ƼXSXIGRMEXIGRSPSKMEHIEPMQIRXSWIWSGMSIGSRSQMEERXSRMSPE^EVSWERXEREPMZVSQI\TEVIQEXIVQKZIVWESGSQTEGXETHJ
6.2. Metodología Participativa de
extensión rural para el desarrollo
sustentable (MEXPAR)
2
A metodologia MEXPAR foi concebida pela
Empresa de Assistência Técnica e Extensão
Rural (EMATER), no estado de Minas Gerais (MG)
e tem suas bases conceituais nos postulados de
Jean Piaget, com sua teoria de epistemologia
genética, os conceitos de educação de adultos
de Paulo Freire e o que é descrito por Pedro
Demo na didática de aprender a aprender (Ruas
et al, 2006).
Sob estes postulados teóricos, a equipe
TVSƼWWMSREP HE )1%8)6 HI 1+ GSRWXVYMY S
alicerce para fundamentar os princípios da
metodologia que visam auxiliar extensionistas
e famílias da agricultura familiar no Brasil.
Embora a metodologia tenha sido desenvolvida
no estado de MG, ela tem sido amplamente
utilizada pela EMATER em outros estados, dando
ampla aplicabilidade em serviços de extensão
rural orientados aos produtores da agricultura
familiar no Brasil (Staron et al, 2010).
Parte das características da metodologia é
propor a extensionistas que sejam facilitadores
da ação transformadora que visa gerar
mudanças, e agricultores como sujeitos de
WIY TVʬTVMS HIWIRZSPZMQIRXS 2IWXE VIPEʡʝS
entre facilitador e agricultor, os princípios
24
SEMEANDO CAPACIDADES/ FERRAMENTAS E BOAS PRÁTICAS DE EXTENSÃO PARA A AGRICULTURA FAMILIAR: EXPERNCIAS NO BRASIL E NA COLÔMBIA
de participação, partilha de conhecimentos,
diálogo contínuo, gestão social do território e
planejamento participativo são os princípios
orientadores das ações de extensão rural.
SEMEANDO CAPACIDADES/ COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
25
7. 7. Tecnologias de informação e
comunicação (TIC) como ferramentas de
extensão rural
A
inclusão das TICs na extensão rural dá ori-
gem a um novo termo, E-extensão, como
forma de incluir dentro das ferramentas
que utilizam as novas tecnologias baseadas
na comunicação via Internet, o uso de platafor-
mas tecnológicas e dispositivos eletrônicos tais
como computadores, tablets e smartphones.
2ʝSʣYQEGSRXVETEVXMHEʚI\XIRWʝSVYVEPXVEHM-
cional, é um complemento que aborda os novos
HIWEƼSWHEGSQYRMGEʡʝSYXMPM^ERHSSWEZERʡSW
tecnológicos e o comportamento das socieda-
des urbanas e rurais (Espíndola, 2005).
De acordo com várias publicações que apresen-
tam trabalhos sobre o uso, aplicação e disponi-
bilidade das TICs para processos de extensão
rural com produtores e produtores da agricul-
tura familiar, algumas das vantagens que po-
dem contribuir para seu desenvolvimento são
apresentadas abaixo (Espíndola, 2005; Pérez et
al, 2016; Alves e Santana, 2015; Affonso, 2015;
Gómez, 2019).
As TICs são um importante veículo de extensão
para alcançar os objetivos de produtividade,
sustentabilidade e transparência. Devido
a seu fácil acesso e baixo custo, as TICs
facilitam a disponibilização de informações
especializadas, permitem a rastreabilidade
nos sistemas de produção, a digitalização
das informações rapidamente e com a
possibilidade de compartilhá-las de forma
ágil.
Proporcionam ampla circulação de
inovações e informações, bem como baixos
custos na disseminação e intercâmbio de
novas tecnologias remotamente e com
rápido acesso a novas atualizações.
Elas permitem o intercâmbio interdisciplinar,
criando redes interativas de caráter mais
horizontal, assim como o uso e a interconexão
de diferentes plataformas, canais e meios
de comunicação para abordar questões
agronômicas, associativas e comerciais,
como preços de produtos, compra e venda
de insumos.
A integração de vídeos, textos, animações,
MQEKIRW I KVʛƼGSW JEGMPMXE E ETVIWIRXEʡʝS
dos tópicos e permite uma melhor
compreensão das informações.
Transmissão de programas de rádio,
assim como outros conteúdos que podem
ser oferecidos em momentos diferentes
sem que os produtores ou extensionistas
encontrem contradições entre as tarefas
diárias e o acesso à informação.
Criar bancos de dados que reúnam
produtores ou extensionistas, facilitando
listas de difusão por grupos de interesses
comuns, estabelecendo sinergias entre
pessoas e organizações que compartilham
esses espaços.
Estabelecer diálogos e debates técnicos
entre vários especialistas que podem
ser atendidos por um grande grupo de
extensionistas e produtores, mesmo que
IWXINEQ KISKVEƼGEQIRXI HMWXERXIW GSQ
custos mais baixos para a realização e
participação de eventos.
Estabelecer tarefas de monitoramento para
a incorporação de novas tecnologias, bem
como sua aplicação e geração de consultas
em tempo real ou estabelecer diagnósticos
em tempo real ou diferido diante de
inconvenientes na mudança para locais de
produção.
26
SEMEANDO CAPACIDADES/ FERRAMENTAS E BOAS PRÁTICAS DE EXTENSÃO PARA A AGRICULTURA FAMILIAR: EXPERNCIAS NO BRASIL E NA COLÔMBIA
7.1. Recomendações para a
inclusão das TIC nos serviços de
extensão
Com base nas vantagens das TICs na extensão
rural (RE) acima, são apresentadas algumas
recomendações para sua incorporação em
projetos.
Fortalecer os laços entre as necessidades
dos produtores e a oferta de pesquisa das
universidades, centros de pesquisa e orga-
nizações de produtores, para a concepção
e aplicação das TIC, para isso é necessário
que os serviços de extensão rural concebam,
dentro de seus planos e projetos, o desenvol-
vimento deste objetivo.
Estabelecer processos para facilitar o treina-
QIRXSUYIKIVEQGSRƼERʡEIGSRLIGMQIRXS
em TIC por produtores e extensionistas, para
isto se propõe que os serviços de extensão
projetem bases de dados de atores no terri-
tório onde se visualize a oferta de entidades
públicas e privadas com a possibilidade de
oferecer treinamento, equipamentos e redes
de conexão à Internet.
2STVSNIXSIETPMGEʡʝSHIZIQWIVYXMPM^EHSW
termos técnicos apropriados a cada sistema
agrícola e de fácil compreensão, a integração
entre desenvolvedores e demandantes da
tecnologia pode ser feita através dos méto-
dos disponíveis da extensão rural clássica,
SRHISHMʛPSKSʣIWXEFIPIGMHSTEVEIWXIƼQ
O uso das TICs na concepção, uso e ope-
ração de produtos e serviços agrícolas e pe-
cuários, facilitando a cooperação de centros
de pesquisa, organizações de produtores,
prestadores de serviços de extensão e admi-
nistrações públicas. Os serviços de extensão
WʝSHIWEƼEHSWETVSQSZIVVIYRMʮIWIRXVIHM-
ferentes entidades e organizações para criar
sinergias na criação ou uso de ferramentas
TIC disponíveis para tarefas produtivas e co-
merciais.
Para gerar estratégias de adoção devido à
escassa capacitação no meio rural tanto da-
queles que projetam ferramentas quanto da-
queles que devem utilizá-las posteriormente,
os serviços de extensão rural poderão esta-
FIPIGIV JSRXIW HI ƼRERGMEQIRXS TEVE IWXI
tipo de atividades, de tal forma que as TIC
possam ser geradas ou adaptadas com uma
abordagem territorial.
Em áreas onde a interconexão é fraca devido
E HIƼGMʤRGMEW RS JSVRIGMQIRXS HI -RXIVRIX
podem ser utilizados dispositivos de armaze-
namento que permitem a portabilidade, tais
GSQS QIQʬVMEW ƽEWL I '(631W JEGMPM-
XERHSSƽY\SHIHEHSWTEVEXVERWJSVQʛPSW
Esta possibilidade aproxima a oferta de uso
das TIC das regiões onde o acesso é limitado
HIZMHSʚWHMƼGYPHEHIWMRIVIRXIWʚTVSHYʡʝS
da agricultura familiar (AF).
Promover a cooperação entre jovens e ido-
sos para a operação de dispositivos tecnoló-
gicos que proporcionam acesso às TICs, tais
como aplicações para telefones celulares,
tablets e computadores. A inclusão de es-
colas e faculdades rurais nestes processos
ajuda os serviços de extensão a cobrir dois
propósitos: o de integrar os jovens nos méto-
dos de produção e comercialização agrícola
e a integração das TICs nestes processos.
http://www.fao.org/3/t0060e/
T0060E05.htm
Para se aprofundar neste tema, consulte:
SEMEANDO CAPACIDADES/ COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
27
8. Caixa de ferramentas para extensão rural
na Colômbia
A
partir da conceitualização da extensão
rural e suas abordagens, é necessária a
caracterização de ferramentas que permi-
tem aos extensionistas abordar, a partir de dife-
rentes espaços, os processos de construção do
conhecimento e transferência de experiências.
Para isso, abordamos abaixo a caracterização e
mapeamento de ferramentas para abordar este
processo.
Durante a construção da caixa de ferramentas,
JSVEQMHIRXMƼGEHEWEWQEMWYXMPM^EHEWIZEPMHE-
das pelos atores da extensão rural na Colômbia,
dando oportunidade à sua caracterização e pro-
pondo uma estrutura de custos para facilitar o
planejamento e a inclusão dentro dos Planos
Departamentais de Extensão Rural.
Para o desenvolvimento das seções das diferen-
tes ferramentas nas quais interage uma pessoa
especialista no assunto abordado e agricultores
com experiência no desenvolvimento do agro-
IGSWWMWXIQEREWGIEƼKYVEHSJEGMPMXEHSV)WXI
ʣSRSQIHEHSESTVSƼWWMSREPIRGEVVIKEHSHI
desenvolver as ferramentas, que asaplica estra-
tegicamente, gerando seu planejamento e exe-
cução.
O facilitador nasce como um conceito alternativo
ao tradicional instrutor dos modelos verticais de
I\XIRWʝSVYVEPQSWXVERHSYQTVSƼWWMSREPUYI
sob o conceito de aprender fazendo, facilita os
processos de aprendizagem e transformação do
conhecimento. Com isto, este ator fundamental
da extensão rural, também chamado de exten-
sionista, se destaca por ter as características
necessárias para o desenvolvimento de seu tra-
balho, que são citadas por Izquierdo et al (2017):
usar uma linguagem simples e respeitosa;
ter uma boa atitude, um bom temperamento
e uma disposição permanente para a conci-
liação;
incentivar a autoaprendizagem, observação
IVIƽI\ʝS
valorizar e ouvir todas as opiniões;
orientar ideias e conceitos para uma con-
clusão comum;
ser pontual;
integrar o conhecimento técnico com a ex-
periência dos produtores;
promover o trabalho em equipe e a associa-
tividade.
2STVSGIWWSHIMHIRXMƼGEʡʝSHEW JIVVEQIRXEW
foram encontrados dois grupos principais: mé-
todos de abordagem individual e métodos de
abordagem em grupo. Os métodos de aborda-
gem individual são metodologias que tendem a
uma abordagem do indivíduo estabelecendo um
diálogo direto entre extensionista e produtor em
torno da melhoria da produtividade do agroecos-
sistema. Este diálogo estabelece o acompanha-
mento do agroecossistema, e como produtos
podemos esperar recomendações técnicas,
atividades de planejamento e convites para par-
ticipar de eventos em grupo (Birbaumer, 2011).
28
SEMEANDO CAPACIDADES/ FERRAMENTAS E BOAS PRÁTICAS DE EXTENSÃO PARA A AGRICULTURA FAMILIAR: EXPERNCIAS NO BRASIL E NA COLÔMBIA
8.1. Ferramentas individuais
Visita individual
As visitas individuais à propriedade agrícola
estabelecem um diálogo direto e abordam o
sistema de produção de forma individual e são
IƼGE^IWRE HMWGYWWʝS HI TVSFPIQEW TEVXMGYPE-
res de uma propriedade agrícola cuja particulari-
dade não permite que ela seja abordada de outra
JSVQE8EQFʣQʣIƼGMIRXIIRSVQEPQIRXIYXMPM-
zado para acompanhar ou monitorar a aplicação
de técnicas no agroecossistema. Entretanto,
esta técnica é considerada dispendiosa, pois a
relação entre o número de pessoas envolvidas
na agricultura, o tempo gasto no transporte e o
MRZIWXMQIRXS ƼRERGIMVS ETVIWIRXE ZEPSVIW IPI-
vados, pois implica em assumir o transporte de
extensionistas e, em geral, apenas uma ou duas
visitas por dia. (Bergamín e Ferrer, 2002; Lines et
al, 2017; Marzin et al, 2014).
Requisitos: Planejamento por extensionistas
TEVE MHIRXMƼGEV E XVERWJIVʤRGME TEVE E TVSTVMI-
dade ou propriedades, estabelecendo uma rota
onde possam cobrir o maior número de visitas
individuais aos produtores do setor, bem como
na consulta de possíveis técnicas para a so-
lução do problema. Deve-se ter certeza de que o
produtor está ciente da data e da hora da visita e
de sua vontade de receber a visita.
O extensionista deve preparar as informações
sobre o problema e a consulta sobre ações bem
WYGIHMHEWMQTPIQIRXEHEWREVIKMʝS9QEQE-
neira de abordar esta técnica é planejar uma
visita a uma propriedade ou parcela onde o pro-
blema tenha sido superado durante a visita, para
que possa ocorrer uma conversa entre produto-
res com maior sucesso na construção e adoção
do conhecimento.
9Q TVSHYXS HIWXE JIVVEQIRXE WIVʛ YQE VI-
comendação escrita que descreve de forma
simples e clara a situação encontrada, as reco-
mendações a serem seguidas e uma data de
acompanhamento do processo, de acordo com
o agricultor, onde ele ou ela está envolvido na
construção do cronograma e das atividades. Se
possível, durante a visita, outros membros da
família que desempenham um papel no desen-
volvimento direto ou indireto das atividades de-
vem ser convidados, para que o grupo central de
atores no agroecossistema seja incluído e seus
conceitos sejam levados em conta.
https://www.g-fras.org/en/component/
phocadownload/category/70-new-
extensionist-learning-kit-nelk.
html?download=918:nelk-modulo-
2-revision-de-los-metodos-y-
herramientas-de-extension
Para mais informações, clique no link a seguir:
8.2. Ferramentas de grupo e em
massa
A abordagem de grupo reúne ferramentas de al-
cance que vão desde pequenos grupos de pou-
cas pessoas até o que se chama métodos de
massa. Estes podem ser implementados com
pequenos grupos de, por exemplo, 10 indivíduos
em uma demonstração de métodos, até méto-
dos em massa onde grandes comunidades são
cobertas, tais como rádio, televisão e outros pro-
gramas de tecnologia da informação e comuni-
cação (TIC).
Este documento delineia os métodos mais rela-
tados e dá uma descrição desses métodos, de
QSHS E TIVQMXMV E MHIRXMƼGEʡʝS HE JIVVEQIRXE
para a ação desejada dentro das atividades de
extensão rural na agricultura familiar.
Dias de campo
Esta técnica de grupo é projetada para cobrir gru-
pos de não mais de 50 pessoas; sob esta moda-
lidade, são preparadas estações na fazenda que
mostram práticas ou modelos de intervenção de
29
SEMEANDO CAPACIDADES/ FERRAMENTAS E BOAS PRÁTICAS DE EXTENSÃO PARA A AGRICULTURA FAMILIAR: EXPERIÊNCIAS NO BRASIL E NA COMBIA
sucesso. Esta ferramenta tem um fator primor-
dial de alta preparação antes de sua execução, no
que diz respeito ao terreno ou local de execução,
aos tópicos e à seleção do pessoal de apoio.
O dia de campo é uma ferramenta que permite
apresentar e interagir com um importante grupo
de produtores, já que as estações são estabele-
cidas para cada um dos tópicos estabelecidos.
O dia de campo permite combinar diferentes tó-
picos, tais como a apresentação de uma parcela
de demonstração e a análise dos mecanismos
HIƼRERGMEQIRXS'SQEGSRWXMXYMʡʝSHIXIQEW
e estações apropriadas (que serão determina-
das pelo número de temas e não devem exceder
cinco), sequenciadas de acordo com a dinâmica
proposta. É uma ferramenta com um alto valor
HMHʛXMGSIHMRʜQMGS6EQWE]
Requisitos: Esta ferramenta é amplamente utili-
zada pelos serviços de extensão rural. Baseia-se
na criação de estações onde são discutidos os
subtemas para o tema geral do dia de campo, por
exemplo: dia de campo sobre a produtividade do
milho, com as seguintes estações
fertilidade;
gestão de plantas daninhas;
culturas associadas;
ganhos de receita.
Esta estrutura requer planejamento em torno
dos materiais para as diferentes estações que
são criadas para mostrar os avanços tecnológi-
cos, e o número de estações estará de acordo
com as inovações a serem mostradas. É neces-
sário alguém para liderar o dia de campo, que
coordenará o planejamento, operação e ações
logísticas. Para a operação das estações é ne-
cessário ter líderes de estação, um ou dois co-
laboradores para cada estação, e estes podem
ser extensionistas ou produtores que dominem
a prática.
Dentro dos preparativos deve ser estabelecido o
seguinte:
O local de execução: nesta parte é necessário
contar com visitas previas ao local, que deve
XIV IWTEʡS WYƼGMIRXI TEVE EGSQSHEV S -
mero proposto de produtores, infraestrutura
para alimentar os que participam, equidis-
tante para aqueles que participam em relação
aos produtores;
Elaboração do esquema do evento, onde
WʝS HMWXVMFYʧHEW EW IWXEʡʮIW ƽY\S I SVHIQ
das estações, rotas de acesso e pontos de
alimentação. Os dias de campo são eventos
com alta participação da população e é ne-
cessário estabelecer rotas de atenção em
caso de emergência;
Estabelecimento do orçamento, onde os cus-
tos de materiais, alimentos e transporte são
detalhados.
https://mida.gob.pa/upload/
documentos/guiametodosextension.pdf
Para mais informações, clique no link a seguir:
Visitas técnicas
Esta ferramenta de abordagem de grupo pro-
cura que, através de uma visita com produtores
e orientada pela equipe de extensionistas, me-
diante observação e comparação, aqueles que
participam validem e comparem técnicas de ges-
tão ou experiências produtivas e organizacionais
propostas. É possível, de acordo com os objeti-
vos, visitar cenários contrastantes ou cenários
com características similares à área onde são
realizadas as atividades dos produtores partici-
pantes do tour. (Bergamín e Ferrer, 2002; Lines et
al, 2017; Marzin et al, 2014).
A visita técnica é uma ferramenta valiosa para
que, através da experiência direta, os produtores
possam experimentar cenários de sucesso com
desenvolvimentos tecnológicos aplicados a seus
30
SEMEANDO CAPACIDADES/ FERRAMENTAS E BOAS PRÁTICAS DE EXTENSÃO PARA A AGRICULTURA FAMILIAR: EXPERNCIAS NO BRASIL E NA COLÔMBIA
interesses produtivos. Os passeios podem incluir
visitas a agroecossistemas, cenários de mercado,
pontos de comercialização e armazenamento,
possibilitando assim a análise de nichos de pro-
dução para que novos produtores com experiên-
cia possam validar os espaços propostos.
Requisitos: é uma técnica com alta logística, é
necessário ter transporte e alta preparação, deve
ser coordenado que os locais de visita (centros
de pesquisa, fazendas modelo, pontos de comer-
cialização ou transformação) tenham a disponi-
bilidade para receber o grupo. Se necessário, a
logística deve levar em conta o alojamento e o
transporte daqueles que participam, de tal forma
que a agenda estabelecida para atender aos obje-
tivos das visitas possa ser coberta.
Devem ser considerados como parte do planeja-
mento mínimo: custos de transporte, alimentação
e hospedagem de acordo com o local planejado,
programação das visitas contendo as agendas
HMʛVMEWHSIQTVIIRHMQIRXSHIƼRMʡʝSHEGSRZS-
catória onde o número de participantes e as ca-
racterísticas da visita de acordo com os objetivos
que se pretendem alcançar com ela.
Comnbinar com as pessoas que receberão a
visita as agendas propostas, com base em seu
conhecimento das condições locais, para esta-
belecer as rotas de deslocamento interno, assim
como os horários em cada ponto de interesse.
https://www.indap.gob.cl/docs/default-
source/default-document-library/caja-
de-herramientas-extensi%C3%B3n-
rural.pdf?sfvrsn=0
Para mais informações, acesse o link a seguir:
TVʛXMGE IWTIGʧƼGE % XʣGRMGE ʣ FEWIEHE RE I\-
periência do extensionista na atividade ou ação
a ser executada, pois a técnica procura gerar as
mesmas habilidades naqueles que participam,
de modo que o facilitador executa a ação e de-
pois apoia os participantes na execução - apren-
der fazendo (Bergamín e Ferrer, 2002; Lines et al,
2017; Marzin et al, 2014).
Requisitos: Os materiais devem ser preparados
de acordo com a prática escolhida, assim como
as instalações. É uma ferramenta adaptada à
premissa de aprender fazendo, de tal forma que
requer que os materiais sejam levados em conta
para que cada um dos participantes possa reali-
zar a prática proposta. É de curta duração e, em
geral, dependendo da prática, pode durar entre
duas e três horas.
KWWSVLQWDJREDUVLWHVGHIDXOWͤOHV
script-tmp-ipafnea_-_manual_extens_
pisc_rural.pdf
Para mais informações, acesse o link a seguir:
Demonstrações de resultado
Esta ferramenta é utilizada para comparar resul-
tados no campo entre uma técnica ou gestão uti-
lizada e uma inovação proposta para o mesmo
processo. Através desta técnica, busca-se a
adoção da inovação proposta.
Esta ferramenta experimental utiliza o contraste
de duas técnicas ou propostas de inovação,
procura gerar impacto nos produtores, e seu
desejo de implementá-los em seus sistemas de
produção ou agroecossistemas. Através da ob-
servação direta, uma nova ação pode ser experi-
mentada e suas vantagens em relação a uma já
conhecida ou estabelecida na região podem ser
comparadas. (Bergamín e Ferrer, 2002; Lines et al,
2017; Marzin et al, 2014).
Demonstrações de métodos
Ferramenta concebida para grupos de no máximo
10 agricultores, onde a preparação prévia é ne-
cessária para o treinamento de uma técnica ou
31
SEMEANDO CAPACIDADES/ FERRAMENTAS E BOAS PRÁTICAS DE EXTENSÃO PARA A AGRICULTURA FAMILIAR: EXPERIÊNCIAS NO BRASIL E NA COMBIA
Requisitos: é uma técnica que requer preparação
para determinar os espaços contrastantes, es-
tes podem ser o resultado de um processo de
trabalho com os produtores. É amplamente uti-
lizado para divulgar os resultados dos materiais
de plantio mostrando seus benefícios, bem como
práticas que aumentam a produtividade. Deve ser
planejado com antecedência, para que os mate-
riais, o transporte e a logística em geral possam
ser reunidos.
Parcelas demonstrativas
Esta ferramenta de extensão rural permite es-
tabelecer uma ponte para a validação de uma
XIGRSPSKME IQ YQ EKVSIGSWWMWXIQE IWTIGʧƼGS
onde sua aplicação e funcionalidade nas con-
dições daquele espaço é validada (Redón, 2015).
Também é estabelecida como um espaço de diá-
logo no qual os produtores do núcleo de impacto
da parcela podem interagir.
De acordo com Villanueva (2012), algumas das
principais características que uma parcela de-
monstrativa deve ter são:
o local ou fazenda deve ser representativo do
agroecossistema local, bem como da linha
produtiva da área;
deve ser acordado com o produtor para for-
necer monitoramento e cuidados básicos da
parcela;
deve ser facilmente acessível a outras pes-
soas envolvidas na produção;
o produtor deve ter uma maneira assertiva de
se comunicar com os outros produtores ao
seu redor;
https://repository.agrosavia.co/
handle/20.500.12324/15609?locale-
attribute=es
https://www.indap.gob.cl/docs/default-
source/default-document-library/caja-
de-herramientas-extensi%C3%B3n-
rural.pdf?sfvrsn=0
Para mais informações, acesse o link a seguir:
Para mais informações, acesse o link a seguir:
A tendência de mudança em direção à(s) prá-
tica(s) proposta(s) deve ser monitorada no
núcleo de produtores da parcela.
Requisitos: TEVE E HIƼRMʡʝS HE TEVGIPE HIZI
haver um estudo pela equipe de extensionistas
onde sejam testados as condições físicas e o
ambiente da parcela: localização, estradas de
acesso, infraestrutura (disposição da irrigação,
ferramentas), tamanho. Além disso, é necessário
estabelecer um orçamento com o mínimo de:
insumos, mão-de-obra, equipamentos, ferramen-
tas, sinalização e visualização, assim como as
JSRXIWHIƼRERGMEQIRXSTEVEGEHEMXIQ
Escolas de Campo
É uma ferramenta amplamente utilizada por
várias abordagens de extensão rural, são es-
paços não-físicos de consulta e treinamento
orientados conforme os objetivos estabelecidos
pelo grupo de pessoas envolvidas na produção
agrícola que a compõe. As ações das escolas
de campo são estabelecidas em conjunto com
o grupo de forma cronológica e os temas e lu-
gares onde serão tratadas se tornam relevantes.
Esta ferramenta é muito versátil, pois permite
até mesmo a combinação de outras ferramen-
tas, coesão de grupo em tópicos não produtivos
ou discussão de ações transversais aos agro-
ecossistemas (Ponce et al, 2011).
Sua premissa, como outras ferramentas, esta-
belece o aprendizado pela prática, portanto, é
um espaço com um alto grau de diálogo entre
facilitador e produtores, assim como entre pro-
dutores.
SEMEANDO CAPACIDADES/ COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
32
Requisitos: as escolas de campo têm um alto
grau de planejamento que começa com a ela-
boração do teste de conhecimento sobre o es-
tado atual dos produtores que são membros do
KVYTSHIIWGSPEWHIGEQTS2IWXITSRXSZSGʤ
pode usar o teste da caixa de ferramentas de
diagnóstico, que é projetado com perguntas de
conhecimento geral da cultura e as respostas
corretas são avaliadas dentro do grupo total,
desta forma haverá um diagnóstico do estado
de conhecimento do agroecossistema ou de seu
desenvolvimento.
9QEZI^UYISIWXEHSKIVEPHIGSRLIGMQIRXSHS
grupo é conhecido, os resultados são apresenta-
dos. Em conjunto e com base no diagnóstico, é
IWXEFIPIGMHEYQETVSKVEQEʡʝSHISƼGMREWTEVE
cobrir os tópicos de maior fraqueza e aqueles
que o grupo estabelece como necessários ou de
grande interesse.
Posteriormente, são criados protocolos relacio-
nados a cada etapa ou prática do agroecossis-
tema; estes documentos incluem as práticas
de cada seção, sua sequência e seções lúdicas
TEVE S MRʧGMS I S ƼQ HE WIʡʝS 3W TVSXSGSPSW
são elaborados pela equipe de extensionistas
com o apoio de especialistas técnicos em cada
tópico e serão os guias para os extensionistas
cobrirem cada assunto e seção das Escolas de
Campo dos Agricultores (ECA).
)QGEHESƼGMRESYWIʡʝSHE)'%ʣWIKYMHSS
seguinte processo: feedback ou estágio de ini-
ciação, estágio de indução e desenvolvimento do
tópico da seção, e estágio de avaliação. Durante
a fase de feedback, há uma breve revisão do tó-
pico anterior, perguntas são feitas sobre o tópico
e as respostas corretas são induzidas dentro do
grupo; para a fase de desenvolvimento do tó-
pico da seção, uma breve introdução é dada e o
protocolo dado para o tópico previamente proje-
tado e aprovado pela equipe de extensionistas é
I\IGYXEHSGSQSTEVXIƼREPHEWIʡʝSSKVEYHI
retenção das informações é avaliado por meio
de perguntas dedutivas.
Existe a possibilidade de realizar as diferentes
SƼGMREWIQYQETEVGIPEIWTIGʧƼGESRHISKVYTS
desenvolve as atividades propostas (em uma
abordagem de parcela demonstrativa) ou des-
IRZSPZIVGEHESƼGMREIQYQEKVSIGSWWMWXIQE
previamente escolhido de acordo com o grupo
de ECA, esta alternativa pode ser útil quando o
espaço oferece um cenário contrastante com o
tema a ser abordado.
http://www.fao.org/nr/land/gestion-
sostenible-de-la-tierra/escuela-de-
campo-para-agricultores/es/
Para mais informações, acesse o link a seguir:
8.3. Rodas de negócio
É uma estratégia para a articulação e geração
de negócios inclusivos, cujo mecanismo permite
uma reunião planejada e concertada entre pro-
dutores/organizações (oferta) e compradores
públicos e/ou privados (demanda). As mesas
redondas são um cenário apropriado para faci-
litar novos canais de comercialização para as
equipes de produtores participantes; promover
a sustentabilidade dos projetos produtivos atra-
vés de parcerias estratégicas ou acordos comer-
ciais; garantir acordos justos onde os direitos dos
produtores sejam promovidos e onde ambas as
partes possam ganhar; fortalecer a capacidade
de negociação dos produtores/organizações ao
alcançar mercados e compradores públicos e pri-
vados; e criar cenários de negociação com uma
abordagem inclusiva, gênero e critérios de preço
justo.
Como fazer?
O espaço da mesa redonda de negócios tem
diferentes momentos que vão desde atividades
anteriores à reunião, até atividades subsequen-
tes que buscam consolidar acordos e alianças
SEMEANDO CAPACIDADES/ COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
33
estratégicas, além de avaliar o desenvolvimento
HE EXMZMHEHI TSV TEVXI HSW TEVXMGMTERXIW 2E
mesa redonda pré-negócio, devem ser levados
em conta os seguintes aspectos
Procure um espaço para realizar a mesa re-
donda de negócios;
consolidação do banco de dados de partici-
pantes;
seleção das organizações, produtores e em-
presas participantes;
treinamento dos produtores/organizações
participantes;
design de alto-falantes, faixas, crachás, entre
outros que são necessários de acordo com
as diretrizes da área de comunicação;
consolidação das informações sobre as pro-
jeções de produção dos licitantes relatadas
no formato;
desenho do convite e-card;
projeção da agenda do dia.
A realização da roda de negócios tem os seguin-
tes momentos:
Admissão e registro dos participantes;
Explicação da agenda e da metodologia;
Cerimônia de abertura e comentários de
boas-vindas das entidades organizadoras;
FAO Colombia. 2020. Metodología
para la preparación y realización de
ruedas de negocios inclusivas, Área
de Agricultura Familiar y Mercados
Inclusivos (Solicitar por e-mail: FAO-
CO@fao.org).
Agencia de Desarrollo Rural. 2018.
Encuentros Comerciales Territoriales
a través de Ruedas de Negocios
Agroalimentarias. Modelo de Atención
y Prestación de Servicios de Apoyo a
la Comercialización. (disponível em:
https://www.adr.gov.co/servicios/
comercializacion/Paginas/encuentros-
comerciales-territoriales-a-traves-de-
ruedas-de-negocios-agroalimentarias.
aspx)
Para mais informações, consulte:
8.4. Ferramentas selecionadas a
partir das metodologias no Brasil
As ferramentas propostas pelas metodologias
analisadas para o Brasil visam promover o plane-
jamento e a gestão por atores da extensão rural
para a formulação e implementação de projetos
agrícolas. Tudo isso com foco na produção sob
os princípios da agroecologia e para o fortaleci-
mento da agricultura familiar.
As metodologias valorizam a participação como
um dos princípios fundamentais para sua apli-
cação, portanto sugere que tanto extensionistas
como outros atores do estudo da extensão ru-
ral, que seu entendimento seja dado dentro dos
parâmetros de um processo de construção per-
manente que vai além da mera socialização de
ideias, experiências, e se torna uma constante
dentro das ações de um território.
Para a escolha das ferramentas a serem imple-
mentadas dentro das metodologias, propõe-se
que elas tenham uma característica principal a
ƼQHIGYQTVMVGSQWIYWTVMRGʧTMSW
As ações devem ser concebidas como criati-
vas e participativas.
O processo deve ser estruturado sob um diá-
logo permanente.
Elas devem permitir a organização de ideias,
negociação, planejamento e a realização dos
objetivos propostos.
Elas devem permitir o desenvolvimento dos
Início de pequenas conferências;
Abertura de mesas de venda direta e de ne-
gociação;
Conclusões e encerramento.
4SVƼQSTʬWVSHEXIQEWEXMZMHEHIWHIEGSQ-
panhamento e monitoramento de negócios e
ZIRHEW WEXMWJEʡʝS I ƼHIPMHEHI HS GPMIRXI I ʣ
GPEVSEMHIRXMƼGEʡʝSHIʛVIEWTEVEQIPLSVMERS
produto e mecanismos de marketing.
34
SEMEANDO CAPACIDADES/ FERRAMENTAS E BOAS PRÁTICAS DE EXTENSÃO PARA A AGRICULTURA FAMILIAR: EXPERNCIAS NO BRASIL E NA COLÔMBIA
princípios do desenvolvimento sustentável e
promover a agroecologia.
Para seu uso, as técnicas requerem um facilita-
dor, que moderará os espaços, eventos ou ativi-
dades geradas por cada uma das ferramentas.
Seu objetivo é promover a integração dos gru-
pos de trabalho, facilitar as condições e instru-
mentos orientados para a discussão de ideias
que conduzam aos resultados propostos, de
preferência por consenso. Deve também, como
QIRGMSREHSEGMQEEXYEVREKIWXʝSHIGSRƽMXSW
e divergências de opiniões.
Algumas das capacidades e habilidades que
os atores de extensão devem desenvolver em
seu papel de facilitadores são: capacidade de
ouvir, respeito pelos participantes, capacidade
de sistematizar e teorizar conhecimentos com
o grupo, conduzir atividades de forma democrá-
tica, estimular a participação do grupo de forma
integrada e com direção para os objetivos esta-
belecidos.
8.4.1. Calendário sazonal
2SJSVQEXSHIYQGEPIRHʛVMSKVʛƼGSWʝSQSW-
trados os eventos e atividades que ocorrem no
território durante o ano, fornecendo um quadro
de referência para o planejamento das ativida-
des com o grupo de trabalho (mês a mês). Isto
pode ser usado para registrar atividades consi-
deradas relevantes para toda a comunidade e
que ajudam a fornecer uma melhor visão geral
do planejamento de qualquer evento ou ativi-
dade com o grupo; entre alguns dos eventos
ou atividades que podem ser registrados estão
aqueles de natureza produtiva, cultural, social,
climática e outros.
Esta técnica permitirá ao extensionista e ao
KVYTS HI XVEFEPLS MHIRXMƼGEV EW WIQEREW SY
meses com maior volume de atividades, tanto
em termos dos projetos realizados como das
atividades transversais da comunidade nos as-
pectos culturais, sociais e religiosos, estabele-
cendo assim um planejamento com maior grau
HIIƼGʛGME
Como fazer?
Indicar claramente os objetivos da ferra-
menta e a atividade aos participantes.
Escolha as atividades a serem discutidas
que são mais relevantes para a comunidade.
A discussão é motivada por questões gerais,
tais como o início da estação chuvosa, as
estações de plantio ou o início dos ciclos de
cultivo que fazem parte dos projetos propos-
tos.
O formato do calendário proposto é des-
enhado em uma grande folha de papel que
permite o acesso visual ao grupo e que as
informações sejam facilmente registradas.
As atividades propostas pela comunidade
são analisadas, juntamente com infor-
mações relacionadas, tais como demanda
HIQʝSHISFVEHMƼGYPHEHIWTSXIRGMEMWTEVE
realizar algumas ações ou projetos.
%WEXMZMHEHIW GSQS KVYTSWʝS HIƼRMHEWI
VIKMWXVEHEWRSKVʛƼGSHSGEPIRHʛVMS8ERXSE
ordem quanto a lógica das atividades devem
estar de acordo com as diretrizes estabeleci-
das pela comunidade.
As conclusões e possíveis recomendações
são registradas no formato de calendário.
http://www.fao.org/tempref/GI/
Reserved/FTP_FaoRlc/old/prior/
desrural/particip/doctos/sistec/infor/
anex3d.pdf
Para mais informações, consulte:
8.4.2. Diagnóstico participativo
em campo
Esta ferramenta visa a caracterização da região
na qual o projeto de extensão rural está estabe-
35
SEMEANDO CAPACIDADES/ FERRAMENTAS E BOAS PRÁTICAS DE EXTENSÃO PARA A AGRICULTURA FAMILIAR: EXPERIÊNCIAS NO BRASIL E NA COMBIA
Problemas e necessidades por item
lecido, coletando informações que permitam ter
a realidade da comunidade ou do território, na
construção do planejamento participativo. Atra-
ZʣWHIWXITVSGIWWSWʝSMHIRXMƼGEHSWSWTVSFPI-
mas, as necessidades e as vantagens compara-
tivas de uma região
Como fazer?
Junto com a comunidade, é estabelecido o es-
copo deste exercício, é explicada a dinâmica da
ferramenta, assim como as atividades anterio-
res que são escolhidas para complementar este
exercício, que podem ser entrevistas, passeios,
mapas, entre outros, de acordo com o conheci-
mento do território pelos atores e as necessida-
des de informação acordadas com eles.
Sistematizar os problemas, necessidades e po-
tencial para cada item. As matrizes são projeta-
HEWISWTVSFPIQEWIWYEGPEWWMƼGEʡʝSWYESVM-
gem, consequências e alternativas de solução
são estabelecidos.
Econômico
Econômico
Social
Social
Cultural
Cultural
Político
Político
Ambiental
Ambiental
Análise das vantagens regionais
Problema
Causa
Consequência
Alternativas de solucão
Análise dos problemas
A análise das matrizes é realizada, os problemas
a serem enfrentados são priorizados e a estraté-
gia a ser seguida para sua solução através dos
projetos a serem implementados é escolhida
a partir das alternativas possíveis. Para isso, o
36
SEMEANDO CAPACIDADES/ FERRAMENTAS E BOAS PRÁTICAS DE EXTENSÃO PARA A AGRICULTURA FAMILIAR: EXPERNCIAS NO BRASIL E NA COLÔMBIA
grupo deve ser encorajado a discutir e propor
ideias inovadoras, orientando a participação
de todos os atores e gerando a discussão das
ideias para que elas deem os frutos esperados.
8.4.3. Diagrama de Ven
Esta ferramenta permite estabelecer em um
KVʛƼGSEVIPEʡʝSUYII\MWXIIRXVISWEXSVIWHI
um território, com a comunidade ou grupo de
trabalho no centro. Através da discussão parti-
cipativa, a comunidade ou grupo escolhe as ins-
tituições ou atores que realizam atividades ou
tomam decisões sobre os diferentes aspectos
da comunidade.
Como fazer?
A comunidade é chamada para se reunir
e a dinâmica e o escopo da atividade são
explicados.
O papel é utilizado em um tamanho que
TIVQMXI E GVMEʡʝS HI KVʛƼGSW I IWGVMXE TEVE
que os participantes possam ver claramente.
3W TEVXMGMTERXIW WʝS WSPMGMXEHSW E MHIRXMƼGEV
os atores que têm uma presença direta ou
indireta na comunidade; uma vez listados, um
círculo central é desenhado, que é chamado
comunidade, e deste círculo, os participantes
são solicitados a desenhar círculos que
TIVXIRGIQESWEXSVIWMHIRXMƼGEHSW
A distância entre os círculos em relação
ao círculo que representa a comunidade é
determinada pela proximidade que o ator
tem com ela. Assim, os atores que têm
MRƽYʤRGME QEW RʝS IWXʝS VIPEGMSREHSW GSQ
a comunidade, estarão mais longe do círculo
central e, ao contrário, aqueles que têm
MRƽYʤRGMEGSQEGSQYRMHEHIIHIWIRZSPZIQ
ações com ela estarão mais próximos.
9QEZI^IPEFSVEHSSIWUYIQEEMRJSVQEʡʝS
gerada é discutida; durante este processo é
TSWWʧZIPUYISKVʛƼGSQYHIIIWXEMRJSVQEʡʝS
seja sistematizada pelo extensionista junto
com o grupo.
7ʝSMHIRXMƼGEHSWPEʡSWJSVXIWIVIPEʡʮIWJVEGEW
entre a comunidade e os diversos atores e,
com isso, podem ser estabelecidas ações
para fortalecer a relação com alguns atores,
dependendo dos projetos determinados pela
comunidade.
http://www.fao.org/3/x9996s/
x9996s02.htm#:~:text=El%20
Diagn%C3%B3stico%20Participativo%20
es%20un,actividades%20son%20
razonables%20y%20pr%C3%A1cticas.
http://www.fao.org/3/a-i3492s.pdf
Para mais informações, consulte:
Para mais informações, consulte:
8.4.4. Hierarquização dos
problemas de acordo com sua
frequência
Esta ferramenta é utilizada para consultar os
atores ou grupo alvo sobre os problemas mais
comuns à sua atividade agrícola ou, em geral,
sobre as atividades propostas. Para isso, a co-
munidade ou grupo de trabalho é convocado
TEVEHMWGYXMV E ƼQ HI MHIRXMƼGEV SW TVSFPIQEW
comuns aos projetos propostos.
Como fazer?
A comunidade é convocada a listar os pro-
blemas ou problemas potenciais que exis-
tem na comunidade.
SEMEANDO CAPACIDADES/ COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
37
Eles são listados e os mais relevantes são
escolhidos através de uma hierarquia de
acordo com a importância dada pela comu-
RMHEHI4EVEIWXIƼQWʝSYXMPM^EHSWWʧQFS-
los como cores, sementes, elementos como
pedras, folhas, aos quais é atribuído um valor;
por exemplo, uma folha vale 10 pontos, uma
pedra 20 pontos, e uma semente 5 pontos.
%JVIUYʤRGMEGSQUYIEWMXYEʡʝSʣMHIRXMƼ-
cada como um problema é estabelecida de
acordo com os votos, assim como o valor
atribuído.
Ejemplo de Matriz de Relacionamiento de problemas y su jerarquización.
Problema Vías precarias Problemas con la
comercialización
$JXDLQVXͤFLHQWH
para el consumo
Deterioro del medio
ambiente
Falta de
asociatividad
Vías precarias
Problemas con la
comercialización
%KYEMRWYƼGMIRXI
para el consumo
Deterioro del
medio ambiente
Falta de
asociatividad
Com a lista de problemas, são escolhidos
os que têm a maior pontuação atribuída e é
estabelecida a matriz de relacionamento. O
grupo estabelece a relação entre os diferen-
tes problemas.
Se sistematiza la información analizada. Se es-
tablecen con la comunidad las acciones para la
QMXMKEGMʬRHIPSWIJIGXSWHIPSWTVSFPIQEW]WYW
correlaciones en el territorio.
38
SEMEANDO CAPACIDADES/ FERRAMENTAS E BOAS PRÁTICAS DE EXTENSÃO PARA A AGRICULTURA FAMILIAR: EXPERNCIAS NO BRASIL E NA COLÔMBIA
8.4.5. Caminhadas
Esta ferramenta tem como objetivo estabelecer
a caracterização de uma determinada área junto
com o grupo de trabalho. Ela é realizada organi-
zando um roteiro no qual eles caminham juntos
para reunir as informações necessárias e esta-
belecer a caracterização do local. É uma técnica
que pode ser utilizada no processo de avaliação
participativa.
Como fazer?
Juntamente com o grupo, é elaborado um
IWFSʡS HE GEQMRLEHE I WʝS MHIRXMƼGEHSW
pontos relevantes que serão enfatizados na
coleta de informações ou na discussão.
Os formatos e a forma de sistematização
das informações são estabelecidos com o
grupo, para que os dados possam ser regis-
trados de forma rápida e clara.
Após o deslocamento, é realizada uma reu-
nião com o grupo para discutir os problemas
IRGSRXVEHSW EW HMƼGYPHEHIW IRGSRXVEHEW
I EW ZERXEKIRW SY TSXIRGMEPMHEHIW MHIRXMƼ-
cadas. Os pontos relevantes encontrados e
uma breve descrição da situação são esta-
belecidos no mapa desenhado.
8.4.6. Entrevista estruturada
É uma ferramenta utilizada para adquirir infor-
mações sobre aspectos pré-estabelecidos de
uma comunidade através da organização de um
formulário com perguntas destinadas a obter in-
formações precisas.
Como fazer?
9QEZI^HIXIVQMREHSWSWXʬTMGSWSSFNIXMZS
da entrevista é estabelecido, e a comunidade
é consultada sobre a estrutura das pergun-
tas, para que elas sejam apropriadas ao con-
texto local.
As perguntas serão impressas em um for-
mulário que permite que as informações se-
jam registradas rapidamente.
As perguntas devem ser estruturadas de tal
forma que não estejam abertas à interpre-
tação por parte dos entrevistados. Elas de-
vem ser curtas e fáceis de entender. Devem
permitir o estabelecimento de um diálogo
IRXVISWIRXVIZMWXEHSWISIRXVIZMWXEHSVEƼQ
de cobrir cada tópico sem saltar entre eles.
As informações serão processadas e apre-
sentadas ao grupo para análise e tomada de
decisão.
http://www.fao.org/3/a-at795s.pdf
https://www.indap.gob.cl/docs/default-
source/default-document-library/
manual-extrural-genero.pdf?sfvrsn=0
http://www.fao.org/3/ca6412es/
ca6412es.pdf
Para mais informações, consulte:
Para mais informações, consulte:
Para mais informações, consulte:
SEMEANDO CAPACIDADES/ COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
39
9. Boas práticas da extensão rural (BPE)
A
s Boas Práticas de Extensão (GEP) são
constituídas por princípios, objetivos e
procedimentos que buscam aumentar a
IƼGMʤRGMEIIƼGʛGMEHSWIVZMʡSHII\XIRWʝSVY-
VEPIEWWMQEYQIRXEVEIƼGʛGMEHSWTVSGIWWSW
relacionados a ele. Os BPEs estão enquadrados
nas novas abordagens que surgiram em torno
da extensão rural que são voltadas à agricultura
JEQMPMEVIFYWGEQJSVQEWIƼGMIRXIWHIGSQYRM-
cação entre os atores da extensão e a produção,
para gerar processos interativos nas ações que
são articuladas em torno do agroecossistema.
2SʜQFMXSHS&4)JSVEQKIVEHSWHSGYQIRXSW
que procuram expor as características derivadas
do estudo de experiências bem sucedidas de ex-
tensão rural, desta forma Ramirez et al (2016),
analisando o caso da Costa Rica, propõem algu-
mas recomendações sobre práticas que favore-
cem o cumprimento dos escopos de extensão:
Favorecimento de relações ou acesso de
grupos de produtores à oferta regional, com
isso se busca que esses grupos tenham
acesso à oferta institucional pública e pri-
vada com vistas a favorecer o processo de
gestão produtiva, como crédito, treinamento,
insumos e mercado, entre outros.
Apoio aos produtores na tomada de decisões
para aproximá-los de informações precisas e
oportunas de seu ambiente sócio-produtivo,
procurando tomar suas decisões com base
no maior número possível de dados efetivos.
4EVEUYIMWWSWINEIƼGMIRXIHIZIQWIVYWE-
das ferramentas de extensão para facilitar o
ƽY\SISYWSIƼGE^HEWMRJSVQEʡʮIWJEGMPM-
tando o intercâmbio.
Práticas e tecnologias alinhadas com o meio
ambiente, engajando-se com o agricultor em
estratégias que lhe permitam utilizar ampla
IIƼGMIRXIQIRXISWVIGYVWSWHMWTSRʧZIMWRS
âmbito do desenvolvimento de agroecossis-
temas.
Facilitar o acesso e a utilização de novas tec-
nologias e práticas que melhoram a produti-
vidade e o acesso ao mercado.
Gerar capacidades técnicas e administra-
tivas na equipe de extensão, buscando que
eles tenham acesso a novas ferramentas
nos aspectos de comunicação, ciência e
gestão administrativa e facilitando que a
equipe compreenda os procedimentos da
organização para gerar um ambiente de tra-
balho saudável e aumentar suas habilidades
TVSƼWWMSREMW
Facilitar o acesso dos usuários às infor-
mações sobre questões agrometeorólogi-
cas e sua relação com a mudança climática,
procurando promover a discussão e a com-
preensão das práticas dentro do agroecos-
sistema e do território que têm um impacto
positivo na gestão desses fenômenos natu-
rais.
De forma complementar, podemos citar Ortiz
et al (2011), que também propõe, no âmbito do
BPE, as seguintes premissas:
)PIWXSVREQEI\XIRWʝSVYVEPIƼGE^IƼGMIRXI
e ágil, promovendo o uso de mecanismos,
metodologias e estratégias em consonância
com o território.
Eles melhoram as capacidades da agricultura
familiar através da implementação de ino-
vações participativas em todos os aspectos
do território.
Com sua aplicação, ela favorece ações para a
conservação dos recursos naturais.
Ela gera ações que se articulam com as de-
mandas territoriais da agricultura familiar,
facilitando a participação, a inclusão do con-
hecimento local e promovendo mudanças
IƼGMIRXIW
Os diferentes autores concordam em buscar
que ambos os grupos de produtores e exten-
40
SEMEANDO CAPACIDADES/ FERRAMENTAS E BOAS PRÁTICAS DE EXTENSÃO PARA A AGRICULTURA FAMILIAR: EXPERNCIAS NO BRASIL E NA COLÔMBIA
sionistas tenham uma relação de diálogo per-
manente dentro da estrutura das condições do
agroecossistema e do território, reconhecendo
isto como uma sala de aula permanente para o
aprendizado e articulação com seus atores.
Por outro lado, os BPE são ferramentas que per-
mitem que os serviços de extensão abordem os
regulamentos que regem as ações da agricul-
tura familiar, como a Resolução 464 e aspectos
da Lei 1876, incluindo estes como parte estra-
tégica de suas ações. Desta forma, os serviços
se tornam um veículo para atingir os objetivos
destes instrumentos normativos e, por sua vez,
estes se tornam um parâmetro orientador tanto
para as ações como para o escopo do serviço de
extensão rural. Eles também orientam a seleção
de boas práticas.
%FSVHEKIRWHE0IMHS7MWXIQE2EGMSREPHI
Inovação Agrícola:
Desenvolvimento das capacidades humanas
integrais: esta abordagem procura executar
adequadamente as tarefas exigidas por sua
atividade produtiva.
Desenvolvimento de capacidades sociais
integrais: eles buscam a apropriação e o
fortalecimento da associatividade.
%GIWWS I YWS IƼGE^ HE MRJSVQEʡʝS I HEW
TIC: o objetivo é resolver problemas através
da pesquisa, inovação e desenvolvimento
tecnológico.
Manejo sustentável dos recursos naturais:
ZMWEQSQERINSHSYWSIƼGMIRXIHSWSPSHE
água e dos recursos da biodiversidade.
Maior participação dos produtores em
espaços de políticas públicas setoriais:
procura aumentar a capacidade dos
usuários em autogestão para a solução de
suas necessidades.
Abordagens à Resolução 464 de 2017 do Minis-
tério da Agricultura e do Desenvolvimento Rural:
Abordagem territorial: administrar e melho-
rar os recursos naturais, culturais e econô-
micos.
Participação: de famílias e organizações.
Integralidade: acesso aos serviços estatais,
assim como à água, à terra, à infraestrutura,
garantia do direito à alimentação e aos ins-
trumentos das entidades públicas.
Associatividade: promovendo formas de so-
lidariedade como um motor de desenvolvi-
mento local.
Abordagem diferenciada: reconhecimento
das características de gênero, idade, etnia,
SVMIRXEʡʝS WI\YEP HIƼGMʤRGME HMZIVWMHEHI
territorial, multiculturalismo.
Desenvolvimento sustentável: para promo-
ver a sustentabilidade ambiental, econômica,
cultural e social.
Governança responsável da posse da terra,
HE TIWGE I HEW ƽSVIWXEW VIKYPEV E JSVQE
como indivíduos, comunidades e organi-
zações acessam os recursos naturais.
Mudança climática: favorecer a mitigação e
a adaptação.
Solidariedade: atenção às famílias que vivem
na pobreza e em situações vulneráveis.
Segurança jurídica: defender a proteção de
bens e direitos pelo Estado.
Enquanto isso, e de acordo com a Lei 1876 e
a Resolução 464 do Ministério da Agricultura
e do Desenvolvimento Rural, a extensão rural
deve direcionar seus esforços para fortalecer
alguns aspectos das famílias de agricultores e
assim contribuir para o desenvolvimento rural.
De acordo com a Lei 1876, a extensão deve se
esforçar para a melhoria ou implementação dos
seguintes aspectos:
Gestão das capacidades locais;
Acesso ao conhecimento de tecnologias,
produtos e serviços de apoio à atividade pro-
dutiva;
Articulação com o meio ambiente;
Promover a competitividade e a sustentabili-
dade do território;
41
SEMEANDO CAPACIDADES/ FERRAMENTAS E BOAS PRÁTICAS DE EXTENSÃO PARA A AGRICULTURA FAMILIAR: EXPERIÊNCIAS NO BRASIL E NA COMBIA
Melhorar a qualidade de vida das famílias;
Diagnóstico e solução de problemas;
Apoiar ações que melhorem a produção, a
colheita e a comercialização;
Incentivar a troca de experiências;
Construir capacidades individuais, coletivas
e sociais;
Promover mudanças técnicas, acesso ao
crédito, formalização da propriedade e Boas
Práticas Agrícolas (BPA).
2S &VEWMPJSVEQ MHIRXMƼGEHSW EW &4)W VIKMWXVE-
das no documento denominado Caderno de
Boas Práticas de ATER, que reúne um exercício
feito pelos serviços de ATER de cada um dos es-
tados brasileiros e apresentou cerca de 300 expe-
VMʤRGMEWRS7IQMRʛVMS2EGMSREPHI&SEW4VʛXMGEW
de ATER realizado durante 2015, como parte das
comemorações dos últimos 12 anos da Política
2EGMSREPHI%WWMWXʤRGME8ʣGRMGEI)\XIRWʝS6Y-
ral para a Agricultura Familiar e Reforma Agrária
42%8)6 (IRXVS HIWXEW &SEW 4VʛXMGEW HI )\-
tensão estão:
Promover práticas agroecológicas como estra-
tégia para o desenvolvimento sustentável da
AF, segurança alimentar, conservação da biodi-
versidade dos agroecossistemas e gestão dos
recursos naturais. Para tanto, foram apresen-
tadas as experiências de recuperação da fertili-
dade do solo e integração de diversas culturas,
realizadas através de planejamento, consulto-
ria técnica e desenvolvimento de projetos do
estado do Acre e da cooperativa Terra Livre do
município de Mossoró, no estado do Rio Grande
HS2SVXIIEI\TIVMʤRGMEHE)QTVIWEHI%WWMW-
tência Técnica e Extensão Rural (EMATER) do
Ceará, na produção de alimentos de base agro-
ecológica sob condições de AF
Promoção da produção e comercialização sob
esquemas associativos que permitem aos pro-
dutores acessar mercados propícios à AF. Isto
está de acordo com a experiência apresentada
pela EMATER Ceará e o Instituto Capixaba de
pesquisa, assistência técnica e extensão rural
do município de Capixaba, no estado do Espírito
Santo, no qual foi alcançada a inclusão da po-
pulação nos mercados institucionais e privados.
Promoção e abordagem de tecnologias que
ajudam a mitigar os efeitos do aquecimento
global, apresentadas com a incorporação de
práticas no uso da energia solar e a integração
de subprodutos da produção de alimentos e da
pecuária pela cooperativa de trabalho múltiplo e
apoio a organizações de autopromoção do es-
tado da Paraíba, e a cooperativa de prestação
de serviços de assistência do estado do Ceará,
possibilitando o registro da produção orgânica e
a conquista de novos mercados, evitando inter-
mediários desnecessários.
Foco no território com a promoção de tecno-
logias de acordo com ele, assim como a valo-
rização do conhecimento local e a articulação
dos avanços tecnológicos oferecidos pelos
centros de pesquisa, os recursos disponíveis
no território e a experiência dos produtores. Isto
de acordo com a experiência em exploração
avícola apresentada pela Companhia de Desen-
volvimento Agrícola de Sergipe e as técnicas de
coleta de água da chuva e prevenção da erosão
no semiárido, apresentadas pelo Instituto Terra
Viva do Assentamento Poço Salgado, em San-
tana de Ipanema, Pernambuco.
Articular as atividades com uma abordagem
de gênero e a inclusão dos jovens na produção
agrícola de forma sustentável de acordo com a
experiência apresentada pelo centro de asses-
soria e apoio aos trabalhadores e instituições
não governamentais do município de Sertão de
Araripe, estado de Pernambuco, e o centro femi-
nista 8 de março, criado no município de Apodi,
6MS +VERHIHS 2SVXIRS UYEP SW NSZIRW JSVEQ
incluídos como multiplicadores das práticas de
produção agrícola e a inclusão de creches para
as crianças das mulheres participantes.
O uso das TICs como ferramentas de comu-
nicação interativa, participativa e ampla das
42
SEMEANDO CAPACIDADES/ FERRAMENTAS E BOAS PRÁTICAS DE EXTENSÃO PARA A AGRICULTURA FAMILIAR: EXPERNCIAS NO BRASIL E NA COLÔMBIA
tecnologias de ATER, segundo a experiência
apresentada pela EMATER de Minas Gerais e
EMATER do Paraná, com o uso de programas de
rádio e televisão para a difusão de práticas de
produção de alimentos no âmbito da AF
Facilitar o acesso de produtores e produtoras a
HMZIVWEWJSRXIWHI ƼRERGMEQIRXSJEGMPMXERHSE
articulação entre as entidades que concedem
crédito de acordo com as condições de desen-
volvimento de AF e as organizações de produ-
tores, de acordo com a experiência apresentada
pela EMATER de Rondônia e pelo Instituto da Te-
rra de São Paulo, o que facilitou o planejamento
e outros processos para o acesso dos produto-
res de AF.
Para abordar o que foi dito sobre as BPEs e sua
VIPEʡʝSGSQEWEFSVHEKIRWHS72-% E8EFIPE
3 apresenta uma comparação das experiências
analisadas e propõe ferramentas estratégicas
que suportam sua implementação.
SEAD. 2016. Caderno Boas Práticas
de ATER. (disponible en: http://
www.fao.org/family-farming/detail/
es/c/461098/)
Para ampliar sua aplicação, sugere-se consultar:
SEMEANDO CAPACIDADES/ COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
43
Tabela 3.
Boas Práticas de Extensão (BPE) - sua relação com o Sistema Nacional de Inovação Agropecuária
(SNIA) e ferramentas afins.
Acesso de agricultores à
oferta regional e articulação
com as demandas territoriais.
9XMPM^EʡʝSHITVʛXMGEWI
tecnologias compatíveis com
o ambiente e promoção da
inovação participativa.
Incorporar a abordagem
territorial.
Mapear e considerar
os diferentes planos e
projetos elaborados pelos
atores do território.
Valorizar o conhecimento
e as capacidades técnicas
e políticas dos atores
estabelecidos no território.
Inclusão de metodologias
participativas para a
construção e obtenção
da informação que seja
a base para a criação de
propostas às necessidades
do território, antecipando
consultas com jovens e
mulheres líderes.
Incluir atores como
centros de pesquisa
e organizações de
agricultura familiar que
possam apoiar com
informações sobre
inovação das linhas
produtivas.
Levantar diagnóstico
sobre inovações locais
de acordo com as
necessidades ou com
agroecossistemas
semelhantes.
Antecipar ações para
indagar e descrever as
linhas produtivas e seu
desenvolvimento como
cadeia dentro do território.
Antecipar contato com
atores que fornecem
serviços locais de rádio,
televisão e pontos de
conexão à internet, como
escolas públicas, entre
outros.
9WSHI(MEKRʬWXMGS6YVEP
Participativo, estabelecendo
a oferta local.
Mesas de articulação entre
diversos atores da região.
9XMPM^EʡʝSHEW8-'TEVEE
divulgação de informações
e estabelecimento de redes.
-HIRXMƼGEʡʝSHIEXSVIW
usando Diagrama de Ven,
estabelecer relações no
território, juntamente
com mapa de atores
e entrevistas semi-
estruturadas com atores-
chave.
Demonstrações de práticas
bem-sucedidas no território
lideradas por produtores(as)
locais.
Dias de campo e visitas,
para casos bem sucedidos
dentro e fora do território.
Conversas com
especialistas dos centros de
pesquisa e produtores(as)
bem sucedidos(as)
TICs como informativos
sobre a inovação das
diferentes linhas ou arranjos
de agroecossistemas.
Implementação de
parcelas, propriedades
demonstrativas
em conjunto com
produtores(as) e outros
atores, incluindo centros de
ensino como faculdades.
3ƼGMREWWSFVISYWS
de ferramentas como
computadores, acesso à
internet e smartphones.
9WSHEVʛHMSGSQSQIMS
massivo para a difusão de
informação.
Participação em espaços de
política pública:
“Desenvolvimento de
habilidades para a
participação dos produtores
em espaços para o feedback
da política pública setorial”
TICs e informação:
Acesso e aproveitamento
efetivo da informação de
apoio, adoção ou adaptação
de tecnologias e produtos
tecnológicos, apropriação
social do conhecimento, e
solução de problemáticas”
Boas Práticas Principais elementos
Ferramentas que facilitam a
implementação da prática
Principal aspecto da abordagem
de extensão agropecuária a que
dá alcance
(Lei 1876/2017)
SEMEANDO CAPACIDADES/ COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
44
Promoção de práticas de
mitigação e adaptação
às alterações climáticas
e aproveitamento da
informação agroclimática.
Fortalecer capacidades
de agricultores e facilitar o
acesso e uso de tecnologias
e práticas que melhorem a
produtividade e o acesso a
mercados.
Gerar capacidades técnicas e
administrativas na equipe de
extensionistas.
Planejar e implementar
ações conducentes ao
conhecimento e valorização
dos recursos naturais do
território, incluindo para isso
atores e documentos que
apoiem e guiem a geração
de capacidades.
Priorizar a promoção de
práticas e inovações locais
focadas na produção
sustentável.
Revisão de planos
e documentos de
planejamento local em torno
da mitigação dos impactos
da atividade agropecuária no
meio ambiente.
Encaminhar os planos
de produção para a
implementação de boas
práticas de produção de
cada cultura (BPA).
Propiciar a articulação
XIVVMXSVMEPMHIRXMƼGERHSEW
capacidades técnicas dos
diferentes atores.
Estabelecer canais de
diálogo com entidades
governamentais,
organizações de
produtores(as),
universidades e centros
de pesquisa buscando sua
participação ativa na gestão
do conhecimento técnico
para o desenvolvimento
agropecuário.
Estabelecer planos para a
gestão do conhecimento
local, buscando articular a
produção e os mercados
locais.
Propiciar os ambientes
de diálogo e participação
para que produtores(as) e
extensionistas adquiram
ou fortaleçam suas
capacidades nas práticas
que contribuam para a
produção sustentável
das diferentes linhas
produtivas. Integrar
atores como bancos ou
MRWXMXYMʡʮIWƼRERGIMVEW
presentes no território
para a promoção do
GVʣHMXSISƼRERGMEQIRXS
das atividades
agropecuárias.
3ƼGMREWITEPIWXVEW
presenciais ou através da
rádio local com autori-
dades ambientais com
presença no território.
Implementar Escolas de
Campo focadas no tema
ambiental ou agroecoló-
gico.
Inclusão de promotores
rurais para a geração de
capacidades locais.
Estabelecer planos de
transição agroecológica.
9WSHIGEPIRHʛVMSWE^SREP
para estabelecer ativi-
dades agropecuárias de
acordo com os períodos
climáticos.
3ƼGMREWIKVYTSWHI
intercâmbio de saberes.
Apresentação da inovação
através da implementação
de parcelas ou fazendas
piloto.
9XMPM^EʡʝSHEW8-'W
facilitando o acesso à
informação
Cursos para geração de
capacidades.
Escolas de Campo
orientadas à discussão e
implementação de boas
práticas agropecuárias
Desenho de planos de
capacitação para os
extensionistas dentro
das equipes nos temas
produtivos e comerciais
das diferentes linhas
produtivas, bem
como a gestão da
associatividade e busca
de novos mercados.
Incluir a geração de
capacidades para
abordar os temas de
gênero e inclusão de
jovens nas atividades da
extensão agropecuária
Recursos naturais e
mudanças climáticas:
“Gestão sustentável dos
recursos naturais de modo
que os produtores façam
YWSIƼGMIRXI?AIMRXIKVIQ
práticas voltadas à mitigação
e adaptação às mudanças
climáticas”.
Promover a mudança
técnica e o desenvolvimento
de mercados:
“Desenvolvimento das
capacidades humanas
integrais (...) para executar
apropriadamente as gestões
e labores que demandem sua
atividade produtiva …
Apoiar transversalmente
com os cinco aspectos da
abordagem de extensão.
SEMEANDO CAPACIDADES/ COOPERAÇÃO BRASIL- COLÔMBIA- FAO
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