Ferramentas e Boas Práticas de Extensão para
a Agricultura Familiar:
experiências no Brasil e na Colômbia
Semeando Capacidades
Cooperação Brasil- Colômbia- FAO
3
Ferramentas e Boas Práticas de Extensão para a Agricultura Familiar:
experiências no Brasil e na Colômbia
Semeando Capacidades Cooperação Brasil- Colômbia- FAO
Aperfeiçoar as políticas públicas por meio da gestão do conhecimento para a Agricultura Camponesa,
Familiar e Comunitária (CFCA) em territórios rurais da Colômbia, com enfoque agroecológico
COOPERAÇÃO INTERNACIONAL
BRASIL-COLÔMBIA-FAO
AGÊNCIA BRASILEIRA DE COOPERAÇÃO DO MINISTÉRIO
DAS RELAÇÕES EXTERIORES (ABC/MRE)
Cecilia Malaguti do Prado
Coordenador de Cooperação Sul-Sul Trilateral com
Organizações Internacionais
Carolina Salles Smid
Analista de proj
eto
Luis Fernando Bacelar
Assistente de Projetos
MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, PECUÁRIA E
ABASTECIMENTO DO BRASIL (MAPA)
Fernando Henrique Kohlmann Schwanke
Secretário de Agricultura Familiar e Cooperativismo
(SAF)
Nelson Andrade Júnior
Assessor (SAF)
Rafael Martins Dias
Analista Técnico de Políticas Sociais (SAF)
MINISTÉRIO DA AGRICULTURA E DESENVOLVIMENTO
RURAL DA COLÔMBIA (MADR)
Sergio Ramírez Payares
Diretor de Capacidades Produtivas e Geração de
Renda (DCPGI)
Ronald Dallos Rincón
Prossional especializado (DCPGI)
Joaquín Salgado Rodríguez
Empreiteira (DCPGI)
Heidy Barbosa Segura
Prossional especializado, Escritório de Relações
Internacionais
ESCRITÓRIO REGIONAL DA FAO PARA
AMÉRICA LATINA E CARIBE
L
uiz Carlos Beduschi
Oficial de Políticas de Desenvolvimento Territorial
Ronaldo Ferraz
Coordenador regional do projeto América Latina
e Caribe sem Fome / Programa de Cooperação
Internacional Brasil-FAO
FAO BRASIL
Rafael Zavala
Representante
Rossandra Farias de Andrade
Profissional especializado em Articuladora
Interinstitucional
FAO COLÔMBIA
Alan Bojanic
Representante
Manuela Ángel
Oficial de Programa Nacional
Marcos Rodríguez Fazzone
Especialista Sênior na Área de Agricultura Familiar e
Mercados Inclusivos
Camilo Ardila Galvis
Coordenador do Projeto de Semeando Capacidades
Texto elaborado por:
Fernando Moreno Rozo
(Profissional especializado em extensão rural)
Catherine Rivera Gómez
(Profissional especializado em agroecologia)
Revisao Tecnica:
Camilo Ardila Galvis, Marcos Rodríguez Fazzone
Supervisão gráfica:
Ángela Silva
Projeto gráfico e layout:
Glück Comunicaciones SAS
Bogotá D.C , CColômbia
2021
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nem as políticas do MADR Colômbia, MAPA Brasil, ABC / MRE e / ou FAO.
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implicar de alguma forma que a FAO endossa as opiniões, produtos ou serviços dos usuários. Todas as solicitações de direitos
de tradução e adaptação, bem como de revenda e outros direitos de uso comercial, devem ser feitas em www.fao.org/contact-us/
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(www.fao.org/publications/en) e podem ser adquiridos por e-mail em publicações-sales@fao.org.
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BPE No.1 - Acesso dos e dos/as agricultores/as à oferta regional e articulação com as deman-
das territoriais.
BPE No.2 - Uso de práticas e tecnologias de acordo com o meio ambiente e promoção da inova-
ção participativa.
BPE No.3 - Promoção de práticas de mitigação e adaptação às mudanças climáticas e
aproveitamento da informação agroclimática.
BPE No.4 - Fortalecer capacidades das/os agricultoras/es e facilitar o acesso e uso de
tecnologias e práticas que melhoram a produtividade e o acesso aos mercados.
BPE No.5 - Gerar capacidades técnicas e administrativas na equipe de extensionistas.
CONTEÚDO
1. IIntrodução
Agradecimientos.
4. Boas Práticas da Extensão (BPE).
5. Conclusões.
6. Bibliograa.
2. Conceito e abordagens da extensão.
Principais abordagens da extensão agropecuária
A extensão agropecuária na Colômbia.
3. Caixa de ferramentas e metodologias de extensão agropecuária para o fortalecimento da
Agricultura Familiar.
3.1. Principais metodologias da extensão agropecuária.
Camponês para Camponês (CaC).
Escolas de Campo para Agricultores (ECA)
Pesquisa Ação Participativa (PAP).
Inovação Rural Participativa (IRP).
Capacitação para a Participação Camponesa (CAPACA).
Metodologia Participativa em Meio Rural (Brasil).
Metodologia Participativa de extensão rural para o desenvolvimento sustentável (MEXPAR) (Brasil).
3.2. Ferramentas de extensão agropecuária.
Visita individual.
Dias de campo.
Visitas técnicas.
Demonstrações de método.
Demonstrações de resultado.
Parcelas demonstrativas.
Calendário sazonal.
Diagnóstico participativo de campo
Diagrama de Venn.
Hierarquização de problemas conforme suas frequências.
3.3. Importância das Tecnologias de Informação e Comunicações (TIC), como ferramentas
para a extensão.
8
SEMEANDO CAPACIDADES/ FERRAMENTAS E BOAS PRÁTICAS DE EXTENSÃO PARA A AGRICULTURA FAMILIAR: EXPERIÊNCIAS NO BRASIL E NA COMBIA
1. Esta cartilha é baseada em um documento técnico mais longo e um produto da Atividade 1.1. “Desenvolver metodologias de apoio à implementação de
marcos regulatórios para extensão agrícola.”, Do projeto.
1. Introdução
E
sta cartilha é desenvolvida no âmbito do
Projeto Semeando Capacidades, uma ini-
ciativa de cooperação Sul-Sul trilateral en-
tre a Agência Brasileira de Cooperação (ABC);
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abasteci-
mento do Brasil (Mapa); o Ministério da Agri-
cultura e Desenvolvimento Rural da Colômbia
(MADR); e a Organização das Nações Unidas
para a Alimentação e Agricultura (FAO); cujo ob-
jetivo é fortalecer políticas e instrumentos para
a Agricultura Camponesa, Familiar e Comuni-
tária (CFCA) na Colômbia.
Nas últimas décadas, diversos atores da Amé-
rica Latina e do Caribe reiteraram o reconheci-
mento da agricultura familiar como um setor
fundamental para alcançar o desenvolvimento
rural sustentável, incluindo a erradicação da po-
breza, da fome e de todas as formas de desnu-
trição, bem como a preservação dos recursos
naturais. e biodiversidade. O anterior tem em
consideração que a nível mundial a Agricultura
Familiar (FF) representa 90% das explorações
agrícolas e produz cerca de 80% dos alimentos.
Além disso, em diferentes escalas, espaços de
diálogo político têm sido promovidos como me-
canismos que têm possibilitado a construção
de acordos para a promoção da agricultura fa-
miliar, com ênfase na importância de inuenciar
coletivamente na formulação de instrumentos e
políticas diferenciadas.
Introdução
SEMEANDO CAPACIDADES/ FERRAMENTAS E BOAS PRÁTICAS DE EXTENSÃO PARA A AGRICULTURA FAMILIAR: EXPERIÊNCIAS NO BRASIL E NA COMBIA
9
Um desses mecanismos é a Década das
Nações Unidas para a Agricultura Familiar
2019-2028, aprovada pela Assembleia Geral das
Nações Unidas em dezembro de 2017, como
um marco para que os países desenvolvam
políticas e investimentos públicos que apoiem
a agricultura e contribuam para o alcance do
Desenvolvimento Sustentável Objetivos de
Desenvolvimento (ODS), com foco na agricultura
familiar de uma perspectiva holística e incluindo
o fortalecimento de sua resiliência para a
erradicação da pobreza rural em todas as suas
formas e dimensões. A Década da Agricultura
Familiar é uma possibilidade de renovar
compromissos, promover novas estratégias
e promover as mudanças necessárias para
responder aos desaos.
Na Colômbia, tanto o AF quanto o ATER zeram
avaos regulatórios importantes nos últimos
anos. Por outro lado, a Resolução 464 de 2017,
do Ministério da Agricultura e Desenvolvimento
Rural, gera as diretrizes das políticas públicas
para a Agricultura Camponesa, Familiar e
Comunitária (ACFC) e estabelece sua denição
e critérios de atuação. Em particular, o primeiro
eixo das referidas diretrizes sobre extensão rural
e capacitação busca: “fortalecer as aptidões
e competências individuais e coletivas da
CFCA por meio de esquemas e metodologias
de assistência técnica e extensão rural
participativa nos aspectos de natureza produtiva
e administrativa., organizacional, ambiental e
psicossocial; para tornar os sistemas de CFCA
sustentáveis e produtivos e para aumentar o
bem-estar e a boa vida da população rural ”.
Por outro lado, a Lei 1876 de 2017 institui o
Sistema Nacional de Inovação Agropecuária
da Colômbia, dando lugar à criação do
serviço público de extensão agropecuária,
caracterizado, entre outros, por um enfoque
territorial e diferencial, pela busca pelo
desenvolvimento sustentável e pela conceber os
agricultores como agentes ativos de pesquisa,
desenvolvimento tecnológico e inovação.
Nesse contexto, o documento busca contribuir
para a implementação tanto das diretrizes da
política da CFCA quanto do serviço público de
extensão agropecuária; apresentar algumas
Boas Práticas de Extensão (BPE), bem como
uma série de ferramentas e metodologias para
sua implementação; resultante da análise de
experiências no Brasil e na Colômbia.
Após esta introdução, o documento apresenta
uma seção sobre as principais abordagens
da extensão e seu conceito na Colômbia; em
seguida, são expostas as metodologias e
ferramentas identicadas; Boas Práticas de
Extensão; e algumas conclusões nais.
Introdução
10
SEMEANDO CAPACIDADES/ FERRAMENTAS E BOAS PRÁTICAS DE EXTENSÃO PARA A AGRICULTURA FAMILIAR: EXPERIÊNCIAS NO BRASIL E NA COMBIA
A
gradecemos a contribuição das diferen-
tes organizações e entidades que com-
partilharam suas experiências e metodo-
logias ao longo do processo de intercâmbio e
construção desenvolvido pelo Projeto Semean-
do.
Colômbia: AGROSAVIA; Associação Nacional
de Usuários Camponeses da Colômbia (ANUC);
Corporação PBA; Ministério da Agricultura e
Desenvolvimento Rural; One Earth Future/Paso
Colombia; Serviço Nacional de Aprendizagem
(SENA); Universidade Minuto de Dios e a Univer-
sidade Nacional da Colômbia.
No Brasil: Empresas Estaduais de Assistência
Técnica e Extensão Rural (EMATER) dos es-
tados de Alagoas, Amazonas, Espirito Santo,
Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Pará, Paraná,
Piauí, Rio Grande do Sul, Rondônia, Santa Ca-
tarina e Sergipe. Para em seguida a Agência
Nacional de Assistência Técnica e Extensão
Rural (ANATER); a Associação Brasileira das
Entidades Estaduais de Assistência Técnica
e Extensão Rural (ASBRAER); a Secretária da
Agricultura Familiar- SAF/MAPA e o Serviço Na-
cional de Aprendizagem Rural (SENAR).
Agradecimentos
Agradecimientos:
SEMEANDO CAPACIDADES/ FERRAMENTAS E BOAS PRÁTICAS DE EXTENSÃO PARA A AGRICULTURA FAMILIAR: EXPERIÊNCIAS NO BRASIL E NA COMBIA
Agradecimentos
A extensão
2. Conceito e abordagens da extensão
12
SEMEANDO CAPACIDADES/ FERRAMENTAS E BOAS PRÁTICAS DE EXTENSÃO PARA A AGRICULTURA FAMILIAR: EXPERIÊNCIAS DESDE BRASIL E COLÔMBIA
D
entro dos serviços de extensão agrícola
na América Latina, duas abordagens ou
tendências principais podem ser identi-
cadas, as quais são determinadas pela forma
como o processo de vinculação dos/as agricul-
tores/as às ações de extensão agrícola é abor-
dado; Essas abordagens são o difusionismo e
construcionismo (Landinni, 2016; Marinho &
Freitas, 2015).
A abordagem convencional ou difusionista é de-
terminada pelas ações do serviço de extensão
que dissemina o conhecimento a partir de uma
única fonte de inovação, é caracterizada por
uma relação vertical onde a gestão do conhe-
cimento costuma ser unidirecional. Nessa abor-
dagem geralmente não há diálogo de conceitos,
uma vez que estes são previamente estrutura-
dos a partir da fonte do conhecimento. Essa
abordagem foi identicada com os serviços im-
plementados na maioria dos países latino-ame-
ricanos desde a década de 1950 e cuja origem
remonta ao modelo de extensão norte-america-
no (FAO, 2004).
Por outro lado, encontra-se a abordagem cons-
trucionista ou dialógica, onde o serviço de ex-
tensão busca não só transmitir ou divulgar as
informações ou inovações geradas a partir de
uma única fonte, mas também promover o d-
logo e a coinovação entre os diferentes atores.
Esta abordagem ressalta o caráter horizontal
da gestão do conhecimento e inovação, onde
vários atores participam na geração e validação
de conhecimentos e soluções que são relevan-
tes para as potencialidades e atributos de um
determinado território (Redón et al, 2015).
Sob a abordagem do construcionismo encon-
tram-se metodologias como camponês para
Principais abordagens da extensão agropecuária
SEMEANDO CAPACIDADES/ FERRAMENTAS E BOAS PRÁTICAS DE EXTENSÃO PARA A AGRICULTURA FAMILIAR: EXPERIÊNCIAS NO BRASIL E NA COMBIA
13
camponês, experimentação camponesa, cam-
ponês para experimentador, validação em fazen-
das, comitê de pesquisa agrícola local e escolas
de campo para agricultores, entre outras. Essas
metodologias caracterizam-se por serem alta-
mente participativas, promovendo o diálogo en-
tre os atores do território sob premissas como
aprender fazendo; e tem uma concepção dos
produtores não apenas como usuários de ino-
vação e tecnologia, mas como atores capazes
de transformar conhecimentos e geradores de
inovação, integrando-se aos extensionistas.
Essa abordagem foi conceituada e implementa-
da desde a década de 1970, com seu início na
América Central sob o desenvolvimento de polí-
ticas inclusivas para os camponeses e a popu-
lação indígena, enfatizando no desenvolvimento
da agricultura sustentável (Pérez, 2005). Nesse
cenário, valoriza-se o conhecimento dos pro-
dutores adquirido pela práxis e observação du-
rante sua atividade agrícola, sua capacidade de
inovar, replicar e transmitir. Assim, a validação
das inovações dadas se consolida nos agro-
ecossistemas instituídos, tornando-os espaço
de discussão e apropriação do conhecimento
por seus pares.
A extensão agropecuária na Colômbia
Com a Lei 1876 de 2017, a Colômbia passa de
um esquema orientado pela assistência técni-
ca para outro que rege a extensão agrícola; o
que implica uma mudança de abordagem, di-
mensões e operacionalidade.
A Lei estabelece como princípios norteadores
do Sistema Nacional de Inovação Agropecuária
e, portanto, da extensão agrícola, aspectos
como a articulação; a abordagem territorial; a
abordagem diferencial; desenvolvimento sus-
tentável; e os produtores como agentes ativos
de pesquisa, desenvolvimento tecnológico e
inovação; entre outros (Lei 1876 de 2017, Art. 3).
Nesse sentido, a extensão agrícola na Colôm-
bia é concebida desde uma abordagem mais
construtivista e horizontal, visando reconhecer
e valorizar as particularidades dos territórios e
de seus habitantes.
Em particular, a extensão agropecuária é de-
nida como o “processo de acompanhamento
através do qual se gere o desenvolvimento das
capacidades dos produtores agropecuários, a
sua articulação com o ambiente e o acesso a
conhecimentos, tecnologias, produtos e ser-
viços de apoio; de forma a tornar sua produção
competitiva e sustentável, contribuindo para a
melhoria da qualidade de vida familiar. Portan-
to, a extensão agropecuária facilita a gestão
do conhecimento, o diagnóstico e a solução
de problemas, nos níveis de produção primária,
pós-colheita e comercialização; a troca de ex-
periências e a construção de capacidades in-
dividuais, coletivas e sociais. Para tanto, a ex-
tensão agropecuária desenvolverá atividades
relacionadas à promoção da mudança técnica
nos diferentes elos que compõem a cadeia pro-
dutiva, assessoria e acompanhamento aos pro-
dutores no acesso ao crédito, formalização da
propriedade, certicação de SPA, entre outros
”(Lei 1876 de 2017, Art. 2).
A extensão agropecuária deve então ser enten-
dida como o processo pelo qual se busca o au-
mento da sustentabilidade e da produtividade
do agroecossistema alvo. Para isso, a extensão
profere a necessidade de interação com os pro-
dutores, de forma que neles se reconheça um
ator principal na solução de problemas e ge-
radores de novos conhecimentos, posicionan-
do-os como agentes ativos dentro do sistema.
A extensão também reconhece que o agro-
ecossistema está imerso em um determinado
cenário sociocultural, geográco e econômico,
por isso cada ação proposta deve ser conside-
rada dentro desse cenário (Sastoque, 2006).
14
SEMEANDO CAPACIDADES/ FERRAMENTAS E BOAS PRÁTICAS DE EXTENSÃO PARA A AGRICULTURA FAMILIAR: EXPERIÊNCIAS NO BRASIL E NA COMBIA
O manejo sustentável dos recursos naturais
que promova o uso eciente do solo, da água,
da biodiversidade, etc., bem como a mitigação
e adaptação às alterações climáticas.
O desenvolvimento de habilidades para a
participação dos produtores nos espaços
de retroalimentação das políticas públicas
setoriais, além do empoderamento para a
autogestão da solução de suas necessidades.
Assim, a importância da extensão agropecuária
reside no fato de que sua noção vai além do
puramente produtivo, fundamentada no fato
de que os agroecossistemas não são apenas
constituídos pelo próprio componente agrope-
cuário, mas também convergem neles: os e as
agricultores/as; suas emoções; suas famílias; o
ambiente ambiental, cultural e comercial; entre
muitos outros fatores territoriais.
Finalmente, é importante entender a extensão
agropecuária como um conceito que faz parte
da extensão rural e do desenvolvimento rural;
que tiveram denições ao longo do tempo e
evoluíram conforme as mudanças ocorrem na
agricultura e nos sistemas alimentares.
A abordagem da extensão agropecuária não
só sugere uma compreensão participativa e
territorial da extensão, mas também amplia as
dimensões nas quais este processo de acom-
panhamento abrangente deve se focar. Especi-
camente, a lei considera os seguintes aspec-
tos da abordagem de extensão:
O desenvolvimento do capital humano enten-
dido como a geração ou aprimoramento das
habilidades, aptidões e talentos dos produtores
agropecuários para a execução adequada das
etapas e tarefas exigidas por sua atividade pro-
dutiva;
O desenvolvimento do capital social que
permite à organização dos produtores gerir de
forma coletiva e eciente os seus fatores pro-
dutivos e os resultados em termos de alimen-
tos e matérias-primas, dos seus sistemas de
produção. Da mesma forma, a promoção da
associatividade de primeiro ou segundo nível e
a formação de redes de produtores, mulheres e
jovens rurais;
O acompanhamento efetivo dos produtores
para o acesso a instrumentos de apoio, para a
adoção ou adaptação de Tecnologias da Infor-
mação e Comunicação (TIC) e produtos tecno-
lógicos, a apropriação social do conhecimento
e a inovação colaborativa;
Capital humano Manejo sustentável dos
recursos naturais
Capital social TIC Habilidades para a
participação
Gráco 1 : Componente da abordagem da extensão agropecuária na Colômbia
Fonte: Projeto Semeando Capacidades/Cooperação Brasil – Colômbia -FAO
SEMEANDO CAPACIDADES/ FERRAMENTAS E BOAS PRÁTICAS DE EXTENSÃO PARA A AGRICULTURA FAMILIAR: EXPERIÊNCIAS NO BRASIL E NA COMBIA
Ferramentas
3. Caixa de ferramentas e metodologias de extensão
agrícola para o fortalecimento da Agricultura Familiar
16
Camponês para Camponês (CaC)
O Camponês para Camponês é uma metodolo-
gia altamente participativa que visa promover e
melhorar os sistemas agroalimentares e o em-
poderamento dos produtores, fazendo uso e-
ciente dos recursos do território e contribuindo
assim para o desenvolvimento sustentável (Kol-
mans, 2006). Essa metodologia é enquadrada e
adaptada às condições da agricultura familiar,
onde o intercâmbio produtivo e cultural favore-
ce a geração e incorporação de novas tecnolo-
gias, fortalecendo a agricultura local e a con-
servação do meio ambiente, nas suas próprias
condições e saberes (Altieri & Nicholls, 2010).
A gura dos promotores rurais é central nessa
metodologia, pois são eles os atores que dina-
mizam os processos comunitários, por meio da
identicação de soluções para seus problemas
e da geração de um diálogo permanente com
seus pares, utilizando suas parcelas como es-
paços de aprendizagem (Rosset & Martínez-To-
rres, 2013).
Levando em consideração o que é descrito por
Kolmans (2006), as ações e os princípios que
devem ser levados em conta na implementação
desta metodologia são apresentados:
1) trabalha com a própria capacidade e recursos
locais; 2) o simples primeiro e o complexo
depois; 3) progredir gradualmente, passo a
passo, 4) experimenta o que é conhecido e
aprendido em miniatura; 5) recupera e valoriza
os conhecimentos e a cultura local, 6) é
administrada pela população local; 7) reconhece
ações armativas para incorporar as mulheres
na participação e tomada de decisão em todos
os assuntos; 8) reconhece a desigualdade de
gênero e atua em favor de relações equitativas
3.1. Metodologias para a extensão agropecuária
S
ão várias as metodologias adotadas
pelos facilitadores nos serviços de ex-
tensão agropecuária para a agricultura
familiar, que têm como objetivos comuns.
Promover uma melhor comunicação entre ex-
tensionistas e produtores agropecuários;
Gerar a troca de conhecimento nos aspectos
técnicos e organizacionais das comunidades;
Fortalecer as capacidades dos atores do terri-
tório e alcançar maior eciência em agroecos-
sistemas, acesso a mercados e uso sustenvel
dos recursos naturais. (Ortiz et al, 2011a).
Dentre as principais metodologias identicadas
nas experiências de extensão na Colômbia e no
Brasil, sete se destacam e são descritas a se-
guir.
SEMEANDO CAPACIDADES/ FERRAMENTAS E BOAS PRÁTICAS DE EXTENSÃO PARA A AGRICULTURA FAMILIAR: EXPERIÊNCIAS NO BRASIL E NA COMBIA
17
entre homens e mulheres; 9) 80 por cento da
prática, 20 por cento da teoria; 10) horizontalidade
na relação entre técnicos/as e agricultores/
as; 11) os/as técnicos/as facilitam e apoiam
as organizações, 12) utilizam premissas como
ação - reexão - ação e aprender fazendo; 13)
não depende ou nem se baseia na linguagem
escrita; 14) se ensina com o exemplo; 15) usa a
linguagem e o idioma local em geral; 16) prática
compreensível e harmoniosa; 17) procura ser
um processo de apropriação gradual, e 18)
aproveita e fortalece os laços de solidariedade.
Como pode ser visto, a metodologia estabelece
ações para a inter-relação entre os facilitadores,
os produtores e o território.
Metodología, Campesino A Campesino
para la promoción de la agricultura
sostenible.
(Disponível em: http://idmaperu.org/
web/wp-content/uploads/2014/04/
campesino.pdf)
Vídeos da metodologia [vídeo on line] .
Campesino A Campesino de la Escuela
Campesina Multimedia:
(Disponível em: https://agroecologia.
espora.org/2015/09/16/1-video-
curso-de-metodologia-campesino-a-
campesino/)
Para melhor aprofundar essa metodologia, consulte:
Escolas de Campo para Agricultores/as
(ECA)
As Escolas de Campo para Agricultores-ECA's
são uma metodologia participativa, que trans-
fere a aula de troca de saberes para as parce-
las dos/as agricultores/as, muito utilizada, ori-
ginária do Sul da Ásia e sob a tutela da FAO se
espalhou para outros continentes como alterna-
tiva para o desenvolvimento dos conhecimen-
tos dos próprios/as agricultores/as e a incorpo-
ração ou geração de novas tecnologias.
As ECA´s promovem e facilitam o diálogo entre
os pares e o respeito ao conhecimento que as
comunidades geram em torno de sua experiên-
cia na gestão dos agroecossistemas e de seu
território, esses espaços estimulam a agricul-
tura a caminhar para formas de produção sus-
tentáveis, favorecendo a segurança alimentar e
cuidando do meio ambiente. São constituídas
por grupos de produtores que denem os seus
objetivos apoiados na gura do facilitador cujo
papel fundamental é a orientação e gestão ope-
racional das secções que se pactuam a serem
executadas com o grupo.
Esta gura nasceu como uma alternativa aos
instrutores do modelo de extensão difusionista
e sua tarefa é facilitar as ferramentas metodoló-
gicas, espaços e recursos para atingir os objeti-
vos propostos, bem como a geração de capaci-
dades no grupo de produtores.
Para a sua implementação, são elaborados em
conjunto com a comunidade os calendários de
atividades que contêm os temas a serem abor-
dados, derivados do diagnóstico produtivo e
organizacional efetuado pela organização que
implementa a metodologia em conjunto com
os grupos focais dos territórios.
SEMEANDO CAPACIDADES/ FERRAMENTAS E BOAS PRÁTICAS DE EXTENSÃO PARA A AGRICULTURA FAMILIAR: EXPERIÊNCIAS NO BRASIL E NA COMBIA
18
Pesquisa Ação Participativa (PAP)
É uma metodologia altamente participativa,
qualitativa, reexiva e cíclica. Isso signica que
os envolvidos trabalham juntos para chegar a
propostas ou soluções para os problemas tra-
tados desde as etapas de planejamento até a
implementação das ações, acompanhando as
fases de planejamento, ação e avaliação da
ação (Colmenares, 2012). É aplicada não só na
produção, mas também nos processos de or-
ganização e comercialização, como forma de
geração de capacidades na população com
quem se trabalha, pois envolve os atores da re-
gião (instituições, produtores, extensionistas)
em todo o processo. com quem os processos
avançados são gerados e validados. Os atores
locais desempenham um papel ativo, desde a
compreensão dos resultados até a capacidade
de transformá-los.
Esta metodologia entende o contexto do terri-
tório no qual se desenvolve como parte funda-
mental da execução das ações, que buscam a
solução dos problemas levantados por meio da
interação permanente com os atores desse te-
rritório.
FAO 2017. Emprendimientos de
agricultura familiar para la paz:
Metodologías para la innovación
social y tecnológica para el desarrollo
rural. (Disponível em: http://www.fao.
org/3/a-i7493s.pdf)
FAO 2017. Guía para el establecimiento
de las Escuelas de Campo. (Disponível
em: http://www.fao.org/publications/
card/en/c/c5328948-38a0-4bd0-
bbb9-11fcbbdf111b)
Rocha Torres, César Augusto. La
investigación acción participativa:
una apuesta por la comunicación y la
transformación social. Corporación
Universitaria Minuto de Dios,
2016. (Disponível em https://
repository.uniminuto.edu/bitstream/
handle/10656/5461/IAP_FINAL%20
WEB.pdf?sequence=1&isAllowed=y)
Sirvetn, M. y Rigal, L 2012. Páramos
Andinos, Investigación Acción
Participativa, Un desafío de nuestros
tiempos Para la construcción de una
sociedad democrática. (Disponível
em: https://biblio.flacsoandes.edu.ec/
catalog/resGet.php?resId=56482)
Para melhor aprofundar essa metodologia, consulte:
Para melhor aprofundar essa metodologia, consulte:
IInovação Rural Participativa (IRP)
A metodologia está enquadrada na extensão
rural e foi concebida pela Corporação para o
Desenvolvimento Participativo e Sustentável
dos Pequenos Produtores-PBA, que com base
nos princípios da Pesquisa Rural Participativa
desenvolveram uma estratégia para gerar capa-
cidades nos produtores da agricultura familiar.
Dentro dos princípios desta metodologia está a
avaliação do conhecimento de todos os atores
e principalmente da comunidade como princi-
pal ator e líder de seu progresso, contribuindo
para os processos de inovação. Busca contri-
buir para o desenvolvimento pacíco, civilizado,
harmonioso e sustentável do território (Pérez &
Clavijo, 2012).
SEMEANDO CAPACIDADES/ FERRAMENTAS E BOAS PRÁTICAS DE EXTENSÃO PARA A AGRICULTURA FAMILIAR: EXPERIÊNCIAS NO BRASIL E NA COMBIA
19
FAO 2012. Experiencias y enfoques
de procesos participativos de
innovación en agricultura: El caso
de la corporación PBA en Colombia.
(Disponível em: http://www.fao.
org/3/a-i3136s.pdf)
Corporación PBA – Caja de
herramientas para la Innovación
Rural Participativa. (Disponível em:
http://www.corporacionpba.org/irp/
herramientas/index.htm)
Para melhor aprofundar essa metodologia, consulte:
A inovação rural participativa busca o cresci-
mento e fortalecimento das comunidades ru-
rais, por meio da articulação dos atores do terri-
tório de forma que sejam criadas sinergias que
levem ao bem-estar local. Para tanto, seguem
as etapas de (i) planejamento, avaliando as cau-
sas que originam os problemas; (ii) soluções al-
ternativas, estabelecendo as responsabilidades
de cada ator territorial; e (iii) mecanismos de
monitoramento, a m de monitorar os proces-
sos, avaliar sua ecácia e, se necessário, esta-
belecer mudanças na estratégia de trabalho.
Segundo Pérez & Clavijo (2012), a metodologia
estabelece para a aplicação de rotas de ino-
vação os instrumentos denominados: Melho-
ria Tecnológica Participativa, Desenvolvimento
Organizacional para Inovação, Empoderamen-
to de Pequenos Produtores Rurais, Empreen-
dimentos Rurais Participativos e a vinculação
de médio/longo prazo às cadeias de valor ou à
dinâmicas econômicas locais/regionais.
Capacitação para a Participação
Camponesa (CAPACA)
Essa metodologia foi desenvolvida pelo Serviço
Nacional de Aprendizagem-SENA para a exe-
cução de ações de capacitação com comunida-
des camponesas e tem como principal objetivo
a melhoria das condições de vida dessas co-
munidades. Um de seus princípios norteadores
é a participação das comunidades na geração
de seu próprio desenvolvimento, para isso pro-
põe um caminho para a identicação dos pro-
blemas, das potencialidades do território e dos
atores que podem dar suporte com suas capa-
cidades à solução dos problemas identicados.
Os problemas são abordados com as comuni-
dades para formular conjuntamente os projetos
que se reetem em um documento denominado
Plano de Desenvolvimento, sendo este o resul-
tado de todo o processo que busca gerar capa-
cidades nas comunidades e que se torna o guia
para o desenvolvimento das atividades comuni-
tárias e orientação para aquelas individuais. Os
projetos são estruturados pelas comunidades
levando em consideração suas capacidades,
potencialidades e prioridades denidas pelos
grupos de trabalho formados para cada tema.
SEMEANDO CAPACIDADES/ FERRAMENTAS E BOAS PRÁTICAS DE EXTENSÃO PARA A AGRICULTURA FAMILIAR: EXPERIÊNCIAS NO BRASIL E NA COMBIA
20
SENA 1984). Capacitación para la
participación campesina, CAPACA.
(Disponível em: https://repositorio.
sena.edu.co/bitstream/11404/3621/1/
capaca_metodologia_parte_01.pdf)
SENA 1986. Qué es CAPACA, formación
para la participación campesina.
(Disponível em:https://repositorio.
sena.edu.co/bitstream/11404/4127/1/
no_01_que_es_capaca.pdf)
Kummer, L. 2007. Metodologia
participativa no meio rural: uma visão
interdisciplinar. Conceitos, ferramentas
e vivências. Salvador: GTZ, 89-90.
(Disponível em: https://ceca.ufal.
br/professor/jhqc/Metodologia%20
participativa%20no%20meio%20
rural%20(GtZ).pdf)
Para melhor aprofundar essa metodologia, consulte:
Para melhor aprofundar essa metodologia, consulte:
Um componente importante desta metodologia
é a participação, entendida como a integração
da comunidade em todas as atividades como o
planejamento, execução e monitoramento dos
diferentes projetos. A participação é denida
como fazer parte de um processo, permitindo
aos indivíduos intervir ativamente em todas
as ações e decisões que inuenciam as suas
vidas, portanto, envolve as comunidades em
todas as atividades. Dessa forma, envolve o
extensionista como um ator que promove a
mudança por meio do uso de ferramentas
com características pedagógicas, lúdicas,
dialéticas e consensuais de ideias. Seis etapas
constituem a metodologia e representam os
requisitos necessários para atingir os objetivos:
(i) sensibilização e mobilização, (ii) diagnóstico
participativo, (iii) planejamento participativo, (iv)
execução de atividades e projetos especícos, (v)
avaliação , e (vi) monitoramento e reformulação.
Levando em consideração o papel de
facilitador que se coloca ao extensionista,
este deve possuir competências que facilitem
a geração de mudanças nas atitudes
e comportamentos dos atores de um
determinado território. As competências dos
facilitadores são determinadas pela soma de
seus conhecimentos, habilidades e atitudes,
que visam apoiar os agricultores a reconhecer,
analisar e denir ações para o desenvolvimento
de soluções sustentáveis que favoreçam as
mudanças no território.
Metodologia Participativa em meio rural
(Brasil)
Esta metodologia é regida pelo conceito de
desenvolvimento sustentável, como alternativa
às formas de produção cujo princípio visa a
obtenção de alta produtividade sem considerar
o alto consumo de recursos naturais. Baseia-
se no desenvolvimento territorial, na dinâmica
econômica e na melhoria da qualidade de vida
das comunidades assentadas nos territórios
com vocação para a produção de alimentos e
bens ambientais.
SEMEANDO CAPACIDADES/ FERRAMENTAS E BOAS PRÁTICAS DE EXTENSÃO PARA A AGRICULTURA FAMILIAR: EXPERIÊNCIAS NO BRASIL E NA COMBIA
21
RUAS, E. D., BRANDÃO, I. D. M., CAR-
VALHO, M. A. T., SOARES, M. H. P.,
MATIAS, R. F., GAVA, R. C., & Meso-
nes, W. G. L. P. (2006). Metodologia
participativa de extensão rural para o
desenvolvimento sustentável–MEX-
PAR. Belo Horizonte, 134. (Disponível
em: https://www.feis.unesp.br/Home/
departamentos/totecniatecnologia-
dealimentosesocioeconomia716/anto-
niolazarosantana/livro-mexpar-ema-
ter-mg-versao-compacta.pdf)
Para melhor aprofundar essa metodologia, consulte:
Metodologia Participativa de extensão
rural para o desenvolvimento sustentável
(MEXPAR) (Brasil)
A metodologia MEXPAR foi concebida pela Em-
presa de Assistência Técnica e Extensão Ru-
ral-EMATER, do estado de Minas Gerais-MG e
tem suas bases conceituais nos postulados de
Jean Piaget com sua teoria da Epistemologia
Genética, os conceitos de educação para adul-
tos do Paulo Freire e o que foi descrito por Pe-
dro Demo no ensino de “Aprender a Aprender”
(Ruas et al, 2006).
Sob esses postulados teóricos, a equipe de pro-
ssionais da EMATER de MG construiu o andai-
me para embasar os princípios da metodologia
que visa atender os extensionistas e famílias da
agricultura familiar no Brasil. Embora a metodo-
logia tenha sido construída no estado de MG,
ela tem sido amplamente utilizada pela EMA-
TER em outros estados, dando ampla aplicabi-
lidade em serviços de extensão rural voltados
para produtores da agricultura familiar no Brasil
(Staron et al, 2010).
Parte das características da metodologia é pro-
por o extensionista como facilitador da ação
transformadora que busca gerar mudanças e
os agricultores como sujeitos de seu próprio
desenvolvimento. Nessa relação do facilitador
com o agricultor, os princípios da participação,
da troca de conhecimentos, do diálogo perma-
nente, da gestão social do território e do plane-
jamento participativo são os princípios nortea-
dores das ações de extensão agropecuária.
22
A
partir da conceituação da extensão
agropecuária e suas abordagens, é ne-
cessário caracterizar ferramentas que
permitam aos extensionistas (facilitadores)
abordar os processos de construção do conhe-
cimento e transferência de experiências de di-
ferentes espaços. O conceito de facilitador nas-
ceu como uma proposta alternativa ao instrutor
tradicional de modelos verticais de extensão ru-
3.2. Ferramentas da extensão agropecuária
ral, mostrando um prossional que, sob o con-
ceito de aprender fazendo, facilita os processos
de aprendizagem e transformação do conheci-
mento. Com isso, os extensionistas devem ter
ou desenvolver características que lhes permi-
tam desempenhar melhor o seu papel de faci-
litadores. Nesse sentido, Izquierdo et al, (2017)
propõem as seguintes características:
Ter uma boa atitude e
disposição permanente para
conciliar
Promover a autoaprendiza-
gem, observação e reflexão
Utilizar uma linguagem
simples e respeitosa
Estimular a participação do
grupo de maneira integrada
e voltada para as metas
traçadas
Valorizar e ouvir todas as
opiniões
Capacidade para
sistematizar e teorizar os
conhecimentos com o grupo
Promover o trabalho em
equipe e a associatividade
Conduzir as atividades de
maneira democrática
Integrar o conhecimento
técnico com a experiência
dos produtores
Orientar as ideias e conceitos
até uma conclusão comum
Ser Pontual
Gráca 2. Características que deve ter extensionista
Fonte: Projeto Semeando Capacidades / Cooperação Brasil – Colômbia - FAO
SEMEANDO CAPACIDADES/ FERRAMENTAS E BOAS PRÁTICAS DE EXTENSÃO PARA A AGRICULTURA FAMILIAR: EXPERIÊNCIAS NO BRASIL E NA COMBIA
23
Visita individual
Objetivos: as visitas individuais às explorações
são estabelecidas para dialogar diretamente e
abordar individualmente o sistema de produção,
sendo ecazes na discussão de problemas
próprios de uma exploração agropecuária, cuja
particularidade não permite que seja tratada
de outra forma. Também é eciente e utilizada
para acompanhar ou monitorar a aplicação de
técnicas no agroecossistema. No entanto, essa
técnica é classicada como cara, uma vez que
a relação entre o número de produtores atendi-
dos, o tempo despendido na viagem e o inves-
timento nanceiro apresenta valores elevados.
(Bergamín & Ferrer, 2002; Lines et al, 2017; Mar-
zin et al 2014)
Aplicação no campo: um exercício de planeja-
mento é exigido pelo agente de extensão para
identicar a transferência para a propriedade ou
propriedades, estabelecendo um roteiro onde o
maior número de visitas individuais aos produ-
tores do setor possa ser percorrido, bem como
na consulta de possíveis técnicas bem-sucedi-
das executadas em região para resolver o pro-
blema. Uma forma de abordar esta técnica é
que durante a visita seja planejada uma visita a
uma fazenda ou a uma parcela onde o proble-
ma foi superado, desta forma uma conversa de
produtor a produtor pode ser estabelecida com
Ministério de Desenvolvimento
Agropecuário do Panamá. 2012. Guía
práctica de extensión agropecuaria.
(Disponível em: https://mida.
gob.pa/upload/documentos/
guiametodosextension.pdf)
Para melhor aprofundar essa metodologia, consulte:
Dias de campo
Objetivos: o dia de campo é uma ferramenta
que permite a interação com um grupo signi-
cativo de produtores, estabelecendo estações
na propriedade agropecuária que mostram
As principais ferramentas de extensão da AF
o apresentadas a seguir, identicadas a partir
da revisão documental de experiências no Bra-
sil e na Colômbia.
maior sucesso de construção e adoção de con-
hecimento. É preciso ter certeza de que o pro-
dutor tem clareza sobre a data e hora do deslo-
camento e sua disposição em receber a visita.
Um produto desta ferramenta será a recomen-
dação onde a situação encontrada é descrita de
forma simples e clara, as recomendações a se-
rem seguidas e a data de acompanhamento do
processo, de forma acordada com o agricultor
onde intervém na construção do cronograma e
das atividades. Se possível, durante o desenvol-
vimento da visita, outros membros da família
que tenham papéis no desenvolvimento direto
ou indireto das atividades devem ser convida-
dos de forma que o núcleo de atores daquele
agroecossistema seja incorporado e suas con-
siderações sejam levadas em consideração.
SEMEANDO CAPACIDADES/ FERRAMENTAS E BOAS PRÁTICAS DE EXTENSÃO PARA A AGRICULTURA FAMILIAR: EXPERIÊNCIAS NO BRASIL E NA COMBIA
24
práticas ou modelos de intervenção bem-suce-
didos para cada um dos temas estabelecidos.
Esta ferramenta tem um alto valor didático, prá-
tico e dinâmico (Ramsay, 1997) e permite com-
binar diversos tópicos, desde a apresentação de
um gráco de demonstração até a análise dos
mecanismos de nanciamento.
Aplicação no campo: esta ferramenta é am-
plamente utilizada por serviços de extensão
agropecuária, cobrindo grupos de no máximo
50 pessoas e se baseia na criação de estações
onde são abordados temas especícos, por
exemplo: dia de campo produtividade do milho
em 4 estações: 1) fertilidade 2) manejo de ervas
daninhas, 3) cultivos em consorcio, 4) ganhos
na colheita.
Para essa estrutura, é necessário um planeja-
mento de materiais para as diferentes estações
que são criadas para mostrar os avanços tecno-
lógicos. Também é necessário um líder de dia
de campo, que coordenará as ações de plane-
jamento, operação e logística, juntamente com
os líderes e apoios por estação, que podem ser
extensionistas ou produtores que tenham domí-
nio da prática.
Da mesma forma, o seguinte deve ser estabele-
cido com antecedência: a) Local de execução. É
necessário realizar visitas prévias ao local, iden-
ticando vários fatores: espaço suciente para
abrigar o número de produtores, infraestrutura
para alimentação do grupo, proximidade para
movimentação dos participantes. b) Elaboração
do esquema do evento: consignação da distri-
buição, uxo e ordem das estações, vias de
acesso e pontos de alimentação, bem como es-
tabelecimento de vias de atendimento em caso
de emergência. c) Estruturação do orçamento,
onde os custos de materiais, alimentação e
transporte são consignados detalhadamente
GFRAS 2016. Módulo 2: Métodos
e ferramentas de extensão. Foro
global para os serviços de assessoria
rural. (Disponível em: https://
www.g-fras.org/en/component/
phocadownload/category/70-new-
extensionist-learning-kit-nelk.
html?download=918:nelk-modulo-
2-revision-de-los-metodos-y-
herramientas-de-extension)
Para mais informações, consulte:
Visitas técnicas
Objetivos: o objetivo desta ferramenta é que os
participantes validem e comparem técnicas de
gestão ou experiências produtivas e organiza-
cionais, através de visitas guiadas pela equipe de
extensão e produtores, onde os critérios de ob-
servação e análise comparativa desempenham
um papel central. De acordo com os objetivos
SEMEANDO CAPACIDADES/ FERRAMENTAS E BOAS PRÁTICAS DE EXTENSÃO PARA A AGRICULTURA FAMILIAR: EXPERIÊNCIAS NO BRASIL E NA COMBIA
25
Demonstrações de método
Objetivos: sua nalidade é capacitar em uma
técnica ou prática especíca, a partir da expe-
riência do extensionista/facilitador, a técnica
busca gerar a mesma habilidade nos partici-
pantes, de forma que o facilitador execute a
ação e, em seguida, apoie os participantes na
execução, sob o princípio de “aprender fazendo”
(Bergamín & Ferrer, 2002; Lines et al, 2017; Mar-
zin et al 2014).
Aplicação no campo: deve haver a identicação
do local, preparação de materiais e instalações
de acordo com o objetivo proposto. É uma fe-
rramenta que se adapta à premissa de aprender
fazendo, para a qual é necessário ter os mate-
riais disponíveis para cada um dos participan-
tes realizar a prática proposta. Esta ferramenta
tem vida curta e foi projetada para grupos de
até 10 agricultores.
Instituto de Desenvolvimento
Agropecuário INDAP. 2018. Caixa
de ferramentas: metodologias de
extensão rural. (Disponível em: https://
www.indap.gob.cl/docs/default-
source/default-document-library/caja-
de-herramientas-extensi%C3%B3n-
rural.pdf?sfvrsn=0)
Para mais informações, consulte:
especícos da visita, podem ser incorporados
cenários contrastantes ou com características
semelhantes à área de origem dos produtores
participantes da visita (Bergamín & Ferrer, 2002;
Lines et al, 2017; Marzin et al 2014 )
A visita técnica é uma ferramenta valiosa para
que, por meio da experiência direta, os produ-
tores possam vivenciar cenários de sucesso
com desenvolvimentos tecnológicos aplica-
dos aos seus interesses produtivos. As visitas
podem integrar visitas a centros de pesquisa,
fazendas-modelos, pontos de comercialização
ou transformação, onde nichos de produção
podem ser analisados para que os produtores
reconheçam e se apropriem as aprendizagens
dessas experiências.
Aplicação no campo: devem ser considerados
dentro dos mínimos do planejamento: iden-
ticação de cenários com desenvolvimentos
tecnológicos exitosos, custos de transporte,
alimentação e hospedagem, agendamento de
visitas com horários diários de visitas, estabe-
lecimento de convocação onde se determina o
número de participantes de acordo com o ob-
jetivo da visita. Esta fase de planejamento deve
ser pactuada com as pessoas que irão realizar
o roteiro, reconhecendo e tomando por base os
conhecimentos no contexto local. Idealmente,
as visitas devem ser realizadas antes das de-
cisões de planejamento e investimento dos agri-
cultores nos sistemas de produção.
SEMEANDO CAPACIDADES/ FERRAMENTAS E BOAS PRÁTICAS DE EXTENSÃO PARA A AGRICULTURA FAMILIAR: EXPERIÊNCIAS NO BRASIL E NA COMBIA
26
Demonstrações de resultado
Objetivos: esta ferramenta é utilizada para
comparar resultados em campo entre uma téc-
nica ou manejo e uma proposta de inovação
para o mesmo processo. Por meio dessa téc-
nica, busca-se a adoção da inovação proposta.
Por meio da observação direta, é possível viven-
ciar uma nova ação e comparar suas vantagens
em relação a outra já conhecida ou consagrada
na região. (Bergamín & Ferrer, 2002; Lines et al,
2017; Marzin et al 2014).
Aplicação no campo: deve contara com a iden-
ticação de espaços contrastantes, materiais,
condições de transporte e logística, além da do-
cumentação da prática utilizada e os resultados
de sua inovação, que geralmente é resultado de
um processo de trabalho com os produtores.
É amplamente utilizado para divulgar os resul-
tados de materiais de plantio mostrando seus
benefícios, bem como práticas que aumentam
a produtividade.
Parcelas demonstrativas
Objetivos: esta ferramenta de extensão agro-
pecuária permite estabelecer uma ponte para
a validação de uma tecnologia em um agro-
ecossistema especíco, onde sua aplicação
e funcionalidade são validadas em condições
particulares (Redon et al, 2015). Também se es-
tabelece como um espaço de diálogo no qual
os produtores do núcleo de impacto dessa par-
cela podem interagir.
Segundo Villanueva et al (2012), algumas das
características que uma parcela de demons-
tração deve ter são: a) o local ou a fazenda deve
ser representativa do agroecossistema local,
bem como dos sistemas produtivos da área;
b) o monitoramento e os cuidados básicos da
parcela devem ser combinados com o produtor;
c) deve conter boas condições de acesso para
os produtores; d) Quanto ao produtor, ele deve
ter um meio de comunicação assertivo com os
produtores de seu entorno; e) o núcleo de pro-
dutores da parcela deve acompanhar a tendên-
cia de mudança das práticas propostas.
Instituto de Desenvolvimento
Agropecuário INDAP . 2018. Caixa
de ferramentas: metodologias de
extensão rural. (Disponível em: https://
www.indap.gob.cl/docs/default-
source/default-document-library/caja-
de-herramientas-extensi%C3%B3n-
rural.pdf?sfvrsn=0)
Para mais informações, consulte:
Gomez, W. 1976. A demonstração
de resultados como método de
comunicação, UN-ICA. (Disponível
em: https://repository.agrosavia.co/
handle/20.500.12324/15609?locale-
attribute=es)
Para mais informações, consulte:
SEMEANDO CAPACIDADES/ FERRAMENTAS E BOAS PRÁTICAS DE EXTENSÃO PARA A AGRICULTURA FAMILIAR: EXPERIÊNCIAS NO BRASIL E NA COMBIA
27
Aplicação no campo: para o estabelecimen-
to da parcela deve-se contar com estudo da
equipe de extensionistas/facilitadores, onde se
caracterizam as condições do ambiente da par-
cela: localização, vias de acesso, infraestrutura
(arranjo de irrigação, ferramentas), tamanho.
Além disso, é necessário estabelecer um orça-
mento que conta no mínimo com: suprimentos,
mão de obra, equipamentos, ferramentas, sina-
lização e visualização, bem como as fontes de
nanciamento para cada item.
Diagnóstico participativo de campo
Objetivos: esta ferramenta visa caracterizar a
região onde está implantado o projeto de ex-
tensão rural, coletando informações que nos
permitam conhecer a realidade da comunidade
ou território. Por meio desse processo de pla-
nejamento participativo, são identicados os
problemas, necessidades e vantagens compa-
rativas de uma região.
Instituto de Desenvolvimento
Agropecuário INDAP . 2018. Caixa
de ferramentas: metodologias de
extensão rural. (Disponível em: https://
www.indap.gob.cl/docs/default-
source/default-document-library/caja-
de-herramientas-extensi%C3%B3n-
rural.pdf?sfvrsn=0)
Para mais informações, consulte:
Calendário sazonal
Objetivos: ter um marco de referência para o
planejamento das atividades com o grupo de
trabalho (mês a mês), por meio da construção
de um formato de calendário gráco, no qual os
eventos e atividades que acontecem no territó-
rio durante o ano. Entre alguns dos eventos ou
atividades que podem ser incorporados encon-
tram-se os de ordem produtiva, cultural, social e
climática, entre outros. Esta ferramenta permite
ao extensionista e ao grupo de trabalho identi-
car as semanas ou meses com maior auxo de
atividades, tanto nos projetos realizados como
nas atividades transversais da comunidade.
Aplicação no campo: para a implementação
desta ferramenta, devem ser consideradas as
seguintes ações: 1) Expor aos participantes os
objetivos da ferramenta e da atividade, 2) Es-
colher as atividades a serem discutidas e com
maior relevância na comunidade, 3) Incentivar
discussão com perguntas gerais, como o iní-
cio da estação das chuvas, épocas de plantio
ou início dos ciclos dos cultivos, 4) Desenhar o
calendário em uma grande folha que permita
o acesso visual do grupo e registrar as infor-
mações, 5) Analisar as atividades que a comu-
nidade propõe, 6) Denir e registrar as ativida-
des com o grupo no calendário e 7) Registrar
as conclusões e possíveis recomendações no
calendário.
Estelí . 2008. Diagnóstico Rural
Participativo (DPR) y Planicación
comunitaria. (Disponível em: http://
www.fao.org/3/a-at795s.pdf)
Para mais informações, consulte:
SEMEANDO CAPACIDADES/ FERRAMENTAS E BOAS PRÁTICAS DE EXTENSÃO PARA A AGRICULTURA FAMILIAR: EXPERIÊNCIAS NO BRASIL E NA COMBIA
28
Aplicação no campo: em conjunto com a co-
munidade, é estabelecido o escopo deste exer-
cício, explicando a dinâmica da ferramenta,
bem como as atividades anteriores que são
escolhidas para complementar este exercício,
que podem ser: entrevistas, visitas, mapas,
entre outros. As matrizes são elaboradas para
identicar problemas, vantagens regionais e
soluções alternativas nos componentes: econô-
mico, social, cultural, político e ambiental. Pos-
teriormente, é realizada a análise participativa
das matrizes, priorizando os problemas a serem
enfrentados e escolhendo as possíveis alterna-
tivas de solução.
Diagrama de Venn
Objetivos: esta ferramenta permite estabelecer
através de um gráco a relação que existe entre
os atores de um território, tendo como centro a
comunidade ou grupo de trabalho, para o qual,
por meio da discussão participativa, se encon-
tram as instituições ou atores que desenvolvem
atividades ou tomam decisões sobre os diferen-
tes aspectos da comunidade e podendo esta-
belecer rotas para fortalecer a relação com os
atores do território.
Aplicação no campo: para a implementação
desta ferramenta, devem ser levadas em consi-
deração as seguintes ações: 1) Convocar a co-
munidade para uma reunião, explicando a dinâ-
mica e alcances da atividade, 2) Solicitar aos
participantes que identiquem os atores que
têm presença direta ou indireta na comunidade,
3) Desenhar um círculo central que é denomi-
nado como comunidade, a partir deste os par-
ticipantes são convidados a desenhar círculos
que pertencem aos atores identicados, 4) Indi-
car que a distância entre os círculos em relação
a aquele representar a comunidade mostra a
proximidade que o ator tem com ela. 5) Gerar
discussão sobre as informações geradas, etapa
em que o gráco pode sofrer alterações; 6) Sis-
tematização pelo extensionista.
Estelí . 2008. Diagnóstico Rural
Participativo (DPR) y Planicación
comunitaria. (Disponível em: http://
www.fao.org/3/a-at795s.pdf)
FAO .2016. Manual de comunicación
para el desarrollo rural, Sección 3.
(Disponível em: http://www.fao.
org/3/a-i3492s.pdf)
Para mais informações, consulte:
Para mais informações, consulte:
Hierarquização de problemas conforme
suas frequências
Objetivos: esta ferramenta é utilizada para
identicar e priorizar os problemas mais co-
muns com os atores ou grupo-alvo, que podem
ser orientados para o sistema produtivo ou em
geral para as condições do território.
SEMEANDO CAPACIDADES/ FERRAMENTAS E BOAS PRÁTICAS DE EXTENSÃO PARA A AGRICULTURA FAMILIAR: EXPERIÊNCIAS NO BRASIL E NA COMBIA
29
Aplicação no campo: para a implementação
desta ferramenta, devem ser levadas em con-
sideração as seguintes ações: 1) Elaborar uma
lista dos problemas ou potenciais diculdades
presentes na comunidade, 2) Escolher os pro-
blemas mais relevantes de acordo com a im-
portância atribuída pela comunidade e atribuir
um valor a cada um, 3) Estabelecer a frequência
do problema de acordo com os votos na comu-
nidade, 4) Selecionar os problemas com maior
pontuação e elaborar a matriz que integra os
problemas priorizados em linhas e colunas, 5)
Sistematizar a informação analisada e identi-
car com a comunidade as ações necessárias
para mitigar os efeitos dos problemas.
Estelí . 2008. Diagnóstico Rural
Participativo (DPR) y Planicación
comunitaria. (Disponível em: http://
www.fao.org/3/a-at795s.pdf)
Para mais informações, consulte
Percursos
Objetivos: esta ferramenta visa a caracteri-
zação participativa de uma área especíca, que
é feita através do estabelecimento de um traje-
to, que é percorrido em conjunto para identi-
car as informações necessárias sobre o local. É
uma ferramenta que pode ser utilizada no pro-
cesso de avaliação participativa.
Aplicação no campo: para a implementação
desta ferramenta, devem ser levadas em consi-
deração as seguintes ações: 1) Estabelecer em
conjunto com o grupo um croqui do percurso,
caracterizando pontos relevantes para a cole-
ta de informação ou discussão, 2) Determinar
os formatos para o registro das informações,
3) Realizar o percurso, 4) Realizar uma reunião
com o grupo para discutir os problemas, as van-
tagens ou potencialidades encontradas, reetin-
do sobre o croqui, os pontos relevantes e uma
breve descrição dos mesmos.
Estelí . 2008. Diagnóstico Rural
Participativo (DPR) y Planicación
comunitaria. (Disponível em: http://
www.fao.org/3/a-at795s.pdf)
Para mais informações, consulte:
Rodadas de negócios
Objetivos: é uma estratégia de articulação e ge-
ração de negócios inclusivos, cujo mecanismo
permite um encontro planejado e concertado
entre produtores/organizações (oferta) e com-
pradores públicos e/ou privados (demanda). As
rodadas são um cenário favorável para viabili-
zar novos canais de comercialização para os
produtores participantes; promover a susten-
tabilidade de projetos produtivos, por meio de
alianças estratégicas ou acordos de vontade
comercial; garantir acordos justos onde os di-
reitos dos produtores sejam promovidos e onde
ambas as partes possam ganhar; fortalecer as
capacidades de negociação dos produtores/
organizações ao atingir os mercados e com-
pradores públicos e privados; e criar cenários
de negociação com uma abordagem inclusiva,
gênero e critérios de preço justo.
SEMEANDO CAPACIDADES/ FERRAMENTAS E BOAS PRÁTICAS DE EXTENSÃO PARA A AGRICULTURA FAMILIAR: EXPERIÊNCIAS NO BRASIL E NA COMBIA
303030
Aplicação no campo: o espaço de rodadas de
negócios possui diferentes momentos que vão
desde as atividades anteriores ao encontro, até
as atividades subsequentes que buscam con-
solidar acordos e alianças estratégicas, além de
avaliar o desenvolvimento da atividade por parte
dos participantes. Na pré-rodada de negócios,
deve ser levado em consideração. 1) Procurar
o espaço para realizar a rodada de negócios. 2)
Consolidação da base de dados de participan-
tes. 3) Seleção de organizações, produtores e
empresas participantes. 4) Capacitação dos
produtores/organizações participantes. 5) Des-
enho de locutores, banners, rosetas, entre ou-
tros que sejam necessários de acordo com as
orientações da área de comunicação. 6) Conso-
lidação das informações sobre as projeções de
produção dos licitantes informadas no formato.
7) Desenho do e-card de convite e 8) Projeção
da agenda do dia.
A realização da rodada de negócios tem os
seguintes passos: a. entrada e inscrição de
participantes b. explicação da agenda e meto-
dologia c. cerimônia de abertura e palavras de
boas-vindas das entidades organizadoras d. iní-
cio de palestras curtas e abertura das mesas
de venda direta e negociação f. conclusões e
encerramento. Por m, a pós-rodada tem as ati-
vidades de acompanhamento e monitoramento
de negócios e vendas, satisfação e delização
de clientes e, claro, a identicação de aspectos
a serem melhorados no produto e nos meca-
nismos de comercialização. Aspectos a mejorar
en el producto y los mecanismos de comercia-
lización.
FAO Colômbia. 2020. Metodología
para la preparación y realización de
ruedas de negocios inclusivas, Área
de Agricultura Familiar y Mercados
Inclusivos (Solicitar al correo: FAO-
CO@fao.org).
Agencia de Desarrollo Rural .2018.
Encuentros Comerciales Territoriales
a través de Ruedas de Negocios
Agroalimentarias. Modelo de Atención
y Prestación de Servicios de Apoyo a
la Comercialización. (Disponível em:
https://www.adr.gov.co/servicios/
comercializacion/Paginas/encuentros-
comerciales-territoriales-a-traves-de-
ruedas-de-negocios-agroalimentarias.
aspx)
Para mais informações, consulte:
31
3.3. Imporncia das Tecnologias de Informação
e Comunicações (TIC) como ferramentas para a
extensão.
A
inclusão das TIC na extensão rural dá
origem a um novo termo E-extensão,
que se refere à forma de incluir, nas
ferramentas que utiliza, novas tecnologias
baseadas na comunicação via Internet e no
uso de plataformas tecnológicas e dispositivos
eletrônicos como computadores, tablets e
smartphones.
O anterior complementa os métodos de
extensão mais tradicionais, abordando os novos
desaos da comunicação, usando os avanços
tecnológicos e as práticas das sociedades
urbanas e rurais (Espíndola, 2005).
As principais vantagens identicadas na
inclusão das TIC nos processos de extensão
agropecuária são apresentadas a seguir
(Espíndola, 2005; Pérez et al, 2016; Affonso et
al, 2015).
As TICs permitem que a extensão rural alcance
objetivos de produtividade, sustentabilidade
e transparência. Por sua relativa facilidade
de acesso e baixo custo, as TICs facilitam a
disponibilidade de informações especializadas,
permitem rastreabilidade em sistemas de
produção, digitalização de informações
de forma rápida e com possibilidade de
compartilhamento de forma ágil.
32
Proporcionam ampla circulação de inovações
e informações, além de baixos custos na
divulgação e intercâmbio de novas tecnologias
à distância e com acesso rápido a novas
atualizações.
Permitem intercâmbios interdisciplinares,
criando redes interativas de maior cunho
horizontal, bem como a utilização e interconexão
de diferentes plataformas, canais e mídias, para
tratar de questões produtivas, associativas e
comerciais, como preços de produtos, compra
e venda de insumos.
Eles valorizam os métodos de extensão rural,
tornando-os mais atraentes ao integrarem
vídeos, textos, animações, imagens e grácos, o
que facilita a apresentação dos temas e permite
um melhor entendimento das informações.
Elas facilitam a retransmissão de programas
de rádio, bem como outros conteúdos que
podem ser oferecidos em horários diferentes
sem que produtores ou extensionistas
encontrem contradições entre as tarefas diárias
e o acesso à informação.
Promovem a criação de bancos de dados
que agrupam produtores e/ou extensionistas,
facilitando listas de divulgação por grupos de
interesse comum, estabelecendo sinergias entre
pessoas e organizações que compartilham
esses espaços.
Promovem diálogos e debates técnicos virtuais
entre diversos especialistas, o que contribui
para a qualicação de grupos de extensionistas
e produtores de diferentes regiões e países a
um custo baixo.
Promovem a incorporação de tarefas
relacionadas ao monitoramento na incorporação
e geração de novas tecnologias, gerando
consultas em tempo real e estabelecendo
diagnósticos sem incorrer em transferências
para os locais de produção.
As TICs facilitam e promovem a integração
dos jovens nos métodos de produção e
comercialização agropecuária.
SEMEANDO CAPACIDADES/ FERRAMENTAS E BOAS PRÁTICAS DE EXTENSÃO PARA A AGRICULTURA FAMILIAR: EXPERIÊNCIAS NO BRASIL E NA COMBIA
BPE
SEMEANDO CAPACIDADES/ FERRAMENTAS E BOAS PRÁTICAS DE EXTENSÃO PARA A AGRICULTURA FAMILIAR: EXPERIÊNCIAS NO BRASIL E NA COMBIA
33
BPE
4. Boas práticas de extensão (BPE)
SEMEANDO CAPACIDADES/ FERRAMENTAS E BOAS PRÁTICAS DE EXTENSÃO PARA A AGRICULTURA FAMILIAR: EXPERIÊNCIAS NO BRASIL E NA COMBIA
34
A
s Boas Práticas de Extensão -PBE são
constituídas por princípios, objetivos e
procedimentos que buscam aumentar
a eciência e ecácia do serviço de extensão
agropecuária e, assim, fortalecer a sustentabi-
lidade e produtividade dos sistemas agrícolas.
Os BPEs se enquadram nas novas abordagens
de extensão agropecuária voltadas para a agri-
cultura familiar e buscam formas ecientes de
comunicação entre extensionistas e produto-
res, para gerar processos interativos e dinâmi-
cos em torno dos agroecossistemas.
No âmbito das BPEs, várias análises têm sido
geradas que buscam expor as características
derivadas do estudo de experiências bem-suce-
didas na extensão agropecuária. Desse modo,
Ramírez et al (2016), analisando o caso da Cos-
ta Rica, propõem algumas recomendações so-
bre as práticas que favorecem o cumprimento
do escopo da extensão; Ortiz et al (2011) fazem
o mesmo para outros países da América Cen-
tral; e no Brasil, a Secretaria Especial da Agri-
cultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário
(SEAD, 2016) consolidou no “Caderno de Boas
Práticas de ATER” uma série de boas práticas
de cerca de 300 experiências apresentadas no
Seminário Nacional de Boas Práticas de ATER
realizado durante 2015 no âmbito da celebração
dos 12 anos da Política Nacional de Assistência
Técnica e Extensão Rural à Agricultura Familiar
e Reforma Agrária - PNATER.
Os diversos autores concordam que o BPE
procura que, tanto produtores como extensio-
nistas, tenham uma relação de diálogo perma-
nente e construção horizontal do conhecimento
e da inovação, uma troca constante no âmbito
das condições do agroecossistema e do territó-
rio, reconhecendo-o como aula permanente de
aprendizagem e de articulação com seus ato-
res.
Para a Colômbia, e levando em consideração a
implementação da Lei 1876/2017 sobre o Siste-
ma Nacional de Inovação Agropecuária - SNIA,
os BPEs têm o potencial de ser ferramentas que
facilitam a operacionalização de regulamen-
tações e abordagens em torno da agricultura
familiar e da extensão agropecuária, Resolução
464/2017 e Lei 1876/2017, respectivamente; in-
cluí-los como parte estratégica de suas ações.
Dessa forma, o serviço de extensão passa a
ser um veículo para atingir os objetivos desses
instrumentos normativos e, por sua vez, estes
passam a ser um parâmetro norteador tanto
das ações quanto do escopo do serviço de ex-
tensão agropecuária.
A partir de uma análise sintética das experiên-
cias e documentos de outros países indicados
acima, apresenta-se a seguir uma proposta de
Boas Práticas de Extensão -PBE para o contex-
to colombiano, indicando em cada caso sua
aplicação no âmbito do enfoque de extensão
agropecuária e algumas das ferramentas apre-
sentadas neste documento que contribuem
para a sua implementação.
35
BPE No. 1 - Acesso dos/
as agricultores/as à oferta
regional e articulação
com as demandas
territoriais
Elementos principais:
Incorporar a abordagem territorial.
Mapear e considerar os diferentes planos e
projetos elaborados pelos atores do território.
Valorizar o conhecimento e as capacidades
técnicas e políticas dos atores assentados no
território.
Inclusão de metodologias participativas para
a construção e obtenção das informações que
fundamentam a formulação de propostas às
necessidades do território, realizando consultas
a jovens e mulheres líderes.
Ferramentas que facilitam a implementação
da boa prática
Utilização do Diagnóstico Rural Participativo
estabelecendo a oferta local.
Mesas de coordenação entre diversos atores
da região.
Uso das TIC para a disseminação de infor-
mações e estabelecimento de redes.
Identicação de atores por meio do uso do
Diagrama de Venn, estabelecimento de relações
no território junto ao Mapa de Atores e entrevis-
tas semiestruturadas com atores-chave.
Principal aspecto principal da abordagem de
extensão agropecuária de acordo com a Lei
1876/2017:
Participação em espaços de políticas públi-
cas: “Desenvolvimento de competências para a
participação dos produtores em espaços de re-
troalimentação das políticas públicas setoriais.
BPE No.1 - Acesso dos/as
agricultores/as à oferta regional
e articulação com as demandas
territoriais
SEMEANDO CAPACIDADES/ FERRAMENTAS E BOAS PRÁTICAS DE EXTENSÃO PARA A AGRICULTURA FAMILIAR: EXPERIÊNCIAS NO BRASIL E NA COMBIA
BPE No.4 - Fortalecer
capacidades das/os
agricultores e facilitar
o acesso e uso de
tecnologias e práticas que
melhoram a produtividade
e o acesso a mercados
agroclimáticos.
BPE No.2 - Uso de
práticas e tecnologias
conforme o ambiente y
promoção da inovação
participativa.
BPE No.3 - Promão de
práticas de mitigação e
adaptação às mudanças
climáticas y uso efetivo
das informações
agroclimáticas.
BPE No.5 - Gerar
capacidades técnicas e
administrativas na equipe
de extensionistas
Gráca 3. Cinco Boas Práticas de extensão
Fonte: Projeto Semeando Capacidade/Cooperação Brasil – Colômbia - FAO
SEMEANDO CAPACIDADES/ FERRAMENTAS E BOAS PRÁTICAS DE EXTENSÃO PARA A AGRICULTURA FAMILIAR: EXPERIÊNCIAS NO BRASIL E NA COMBIA
36
BPE No.2 - Uso de práticas e
tecnologias conforme o
ambiente y promoção da
inovação participativa
BPE No.3 - Promoção de práticas
de mitigação e adaptação
às mudaas climáticas y
uso efetivo das informações
agroclimáticas.
outros atores, incluindo centros educacionais
como escolas.
Ocinas de uso de ferramentas como compu-
tadores, acesso à internet e smartphones.
Uso do rádio como meio de difusão de infor-
mações.
Principal aspecto da abordagem de extensão
agropecuária de acordo com a Lei 1876/2017:
As TIC e informação: “Acesso e uso efetivo
da informação de apoio, adoção ou adaptação
de tecnologias e produtos tecnológicos, apro-
priação social do conhecimento e resolução de
problemas.
Elementos principais:
Incluir atores como centros de pesquisa e or-
ganizações da agricultura familiar que podem
fornecer informações sobre inovação nas lin-
has de produção.
Fazer um diagnóstico das inovações locais
de acordo com as necessidades ou com agro-
ecossistemas semelhantes.
Realizar ações para investigar e descrever
as linhas de produção e seu desenvolvimento
como uma cadeia dentro do território.
Realizar um contato prévio com atores que
prestam serviços locais de rádio e televisão e
pontos de conexão à Internet, como escolas pú-
blicas, entre outros.
Ferramentas que facilitam a implementação
da boa prática:
Demonstrações de práticas de sucesso no te-
rritório lideradas por produtores locais.
Dias de campo e percursos, para casos de su-
cesso dentro e fora do território.
Discussões com especialistas dos centros de
pesquisa y produtores de sucesso.
As TIC por meio de brochuras com infor-
mações sobre a inovação das diferentes linhas
ou arranjos dos agroecossistemas.
Implementação de parcelas, fazendas de-
monstrativas em conjunto com produtores e
Elementos principais:
Planejar e implementar ações que levem ao
conhecimento e valorização dos recursos natu-
rais do território, incluindo atores e documentos
que apoiem e orientem a geração de capacida-
des.
Priorizar a promoção de práticas e inovações
locais com foco na produção sustentável.
Revisão dos planos e documentos de planeja-
mento local sobre a mitigação dos impactos da
atividade agropecuária no meio ambiente.
Encaminhar os planos de produção para a
implementação de boas práticas de produção
para cada cultivo (BPA)
SEMEANDO CAPACIDADES/ FERRAMENTAS E BOAS PRÁTICAS DE EXTENSÃO PARA A AGRICULTURA FAMILIAR: EXPERIÊNCIAS NO BRASIL E NA COMBIA
37
BPE No.4 - Fortalecer
capacidades das/os agricultores
e facilitar o acesso e uso de
tecnologias e práticas que
melhoram a produtividade
e o acesso a mercados
agroclimáticos.
Ferramentas que facilitam a implementação
da boa prática:
Ocinas e discussões presenciais ou, por meio
de rádios locais, com autoridades ambientais
com presença no território.
Implementar Escolas de Campo com foco na
questão ambiental ou agroecológica.
Inclusão de promotores rurais para geração
de capacidades locais.
Estabelecer planos de transição agroecológica.
Uso do calendário sazonal para estabelecer
as atividades agropecuárias de acordo com os
períodos climáticos.
Principal aspecto da abordagem de extensão
agropecuária de acordo com a Lei 1876/2017:
Recursos naturais e mudanças climáticas:
"Manejo sustentável dos recursos naturais para
que os produtores façam uso eciente [...] e inte-
grem práticas voltadas para a mitigação e adap-
tação às mudanças climáticas."[…] e integren
prácticas orientadas a la mitigación y adapta-
ción al cambio climático”.
universidades e centros de pesquisa visando
sua participação ativa na gestão do conheci-
mento técnico para o desenvolvimento agrope-
cuário.
Estabelecer planos de gestão do conhecimen-
to local, buscando articular a produção e os
mercados locais.
Ferramentas que facilitam a implementação
da boa prática:
Ocinas e grupos de troca de saberes.
Apresentação da inovação por meio da im-
plantação de parcelas ou fazendas piloto.
Uso das TIC facilitando o acesso à informação.
Cursos para geração de capacidades.
Escolas de campo voltadas para a discussão
e implementação de boas práticas agrícolas.
Principal aspecto da abordagem de extensão
agropecuária de acordo com a Lei 1876/2017:
Promover a mudança técnica e o desenvolvi-
mento de mercados: "Desenvolvimento das ca-
pacidades humanas integrais [...] para executar
devidamente as etapas e tarefas exigidas pela
sua atividade produtiva ..."
Elementos principais:
Promover a articulação territorial, identican-
do as capacidades técnicas dos diferentes ato-
res.
Estabelecer canais de diálogo com entidades
governamentais, organizações de produtores,
BPE No.5 - Gerar capacidades
técnicas e administrativas na
equipe de extensionistas
Elementos principais:
Promover ambientes de diálogo e participação
para que produtores e extensionistas adquiram
ou fortaleçam suas capacidades nas práticas
que contribuam para a produção sustentável
das diferentes linhas de produção.
SEMEANDO CAPACIDADES/ FERRAMENTAS E BOAS PRÁTICAS DE EXTENSÃO PARA A AGRICULTURA FAMILIAR: EXPERIÊNCIAS NO BRASIL E NA COMBIA
38
Integrar atores como bancos ou entidades
nanceiras presentes no território para a pro-
moção do crédito e o nanciamento das ativi-
dades
Ferramentas que facilitam a implementação
da boa prática:
Elaboração de planos de formação de exten-
sionistas dentro das equipes sobre os temas
produtivos e comerciais das diferentes linhas
produtivas, bem como na gestão da associativi-
dade e na procura de novos mercados.
Incluir a geração de capacidades para abordar
os temas de gênero e inclusão de jovens em ati-
vidades de extensão agropecuária.
Principal aspecto da abordagem de extensão
agropecuária de acordo com a Lei 1876/2017:
Apoia de modo transversal os cinco aspectos
da abordagem de extensão.
Conclues
SEMEANDO CAPACIDADES/ FERRAMENTAS E BOAS PRÁTICAS DE EXTENSÃO PARA A AGRICULTURA FAMILIAR: EXPERIÊNCIAS NO BRASIL E NA COMBIA
39
Conclues
5. Conclusões
SEMEANDO CAPACIDADES/ FERRAMENTAS E BOAS PRÁTICAS DE EXTENSÃO PARA A AGRICULTURA FAMILIAR: EXPERIÊNCIAS NO BRASIL E NA COMBIA
40
E
ste documento oferece uma série de fe-
rramentas e metodologias de extensão
agropecuária relevantes para a nature-
za estratégica e multifuncional da Agricultura
Camponesa, Familiar e Comunitária - ACFC, que
podem ser utilizadas por homens e mulheres
extensionistas que integrem as Entidades Pres-
tadoras do Serviços de Extensão Agropecuária
- EPSEAS na Colômbia, bem como técnicos e
funcionários de entidades públicas, sociais e
privadas que desenvolvem processos de acom-
panhamento integral à ACFC.
Por um lado, a proposta de abordar as Boas Prá-
ticas de Exteno visa contribuir para a ecácia,
relevância e eciência do serviço de extensão,
para que este exerça todo o seu potencial como
instrumento de transformação, e permita for-
talecer a sustentabilidade e produtividade das
atividades agropecuárias e o bem-estar das
comunidades rurais. Por outro lado, as meto-
dologias e ferramentas identicadas buscam
apresentar um conjunto de instrumentos para
que os extensionistas tornem realidade as Boas
Práticas de Extensão e desenvolvam um acom-
panhamento técnico integral que valorize as vir-
tudes e oportunidades da agricultura familiar.
Finalmente, é importante destacar dois elemen-
tos transversais e estratégicos, como o caráter
horizontal e multidimensional que os serviços
de extensão devem ter para torná-los mais rele-
vantes para a Agricultura Familiar, ou seja, para
a grande maioria dos agricultores e agricultoras
da Colômbia. A horizontalidade deve caracteri-
zar os meios pelos quais a extensão se desen-
volve, destacando o diálogo de saberes e o re-
conhecimento dos conhecimentos que a AF já
possui. Mas a horizontalidade também se torna
um m em si mesma, na medida em que é por
meio dessa gestão horizontal do conhecimen-
to que se promovem a inovação e as soluções
especícas para diferentes territórios. O recon-
hecimento e fortalecimento da multidimensio-
nalidade, por outro lado, é a forma de gerar um
desenvolvimento rural resiliente e sustentável,
onde as melhorias na produtividade não colo-
quem em risco a base dos recursos naturais
e as relações sociais em que se baseia a pro-
dução agropecuária; em vez disso, ela os capa-
citam e revitalizam.
41
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